Capítulo 01 - À primeira vista
Esse era o momento do dia em que eu queria ser capaz de dormir.
Ensino Médio.
Ou era purgatório a palavra correta? Se houvesse alguma maneira de reparar
meus
pecados, isso deveria contar de alguma forma na balança. O tédio não foi algo ao
qual
eu me acostumei; cada dia parecia impossivelmente mais monótono que o
anterior.
Eu acredito que essa era minha maneira de dormir – se dormir era definido pelo
estado inerte entre os períodos de atividade.
Eu encarei as rachaduras correndo pelo concreto no canto mais distante do
refeitório, imaginando padrões entre eles que não estavam lá. Era uma forma de
desconectar as vozes que tagarelavam como o jorro de um rio dentro de minha
cabeça.
Muitas centenas dessas vozes que eu ignorava no tédio.
Quando se tratava de mentes humanas, eu já tinha ouvido de tudo e mais um
pouco. Hoje, todos os pensamentos estavam voltados para o espetáculo trivial da
nova
adição ao pequeno corpo estudantil daqui. Não demorou muito ouvi -los todos.
Eu tinha
visto o mesmo rosto repetido em mente após mente sob todos os ângulos. Só uma
garota
humana normal. A excitação de sua chegada era cansativamente previsível –
como
mostrar um objeto brilhante a uma criança. Metade do rebanho masculino já se
imaginava se apaixonando por ela, só porque ela era algo novo para se olhar. Eu
tentei
veementemente calá-los.
Só quatro vozes eu bloqueava por cortesia muito mais do que por desgosto:
minha
família, meus dois irmãos e duas irmãs, tão acostumados com a falta de
privacidade na
minha presença que raramente se importavam. Eu dei a eles toda a privacidade
que
pude. Tentei não ouvir se eu podia.
Tentei como pude, mesmo assim... eu sabia.
Rosalie estava pensando, como de costume, sobre ela mesma. Ela viu seu perfil
no reflexo do copo de alguém, e estava meditando sobre sua própria perfeição. A
mente
de Rosalie era uma piscina rasa com poucas surpresas.
Emmett estava fulminando por causa de uma queda de braço que havia perdido
para Jasper durante a noite. Isso tomaria dele toda a sua limitada paciência para
agüentar até o final do dia escolar e orquestrar uma revanche. Eu nunca
realmente me
senti intrometido ouvindo os pensamentos de Emmett, porq ue ele nunca pensou
em algo
que ele não diria em voz alta ou não colocaria em pratica. Talvez eu só me
sentisse
culpado por ouvir os pensamentos dos outros porque eu sabia que haviam coisas
lá que
eles não queriam que eu soubesse. Se a mente de Rosalie era uma piscina rasa, a
de
Emmett era um lago sem sombras, clara como vidro.
E Jasper estava... sofrendo. Eu suprimi um suspiro.
Edward. Alice chamou meu nome em sua cabeça, e teve minha atenção imediata.
Era como ter meu nome chamado em voz alta. Eu estava f eliz que meu nome
tinha saído de moda atualmente – tinha sido irritante; em qualquer momento,
quando
qualquer um pensava em qualquer Edward minha cabeça se virava
automaticamente...
Minha cabeça não virou agora. Alice e eu éramos bons nessas conversas pri
vadas. Era
raro qualquer um nos pegar. Eu mantive meus olhos nas linhas do concreto.
Como ele está agüentando? ela me perguntou.
Eu contraí um pouco meus músculos, só uma pequena mudança com minha
boca.
Nada que chamasse a atenção dos outros. Eu poderia fa cilmente estar me
contraindo de
tédio.
O tom mental de Alice estava alarmado agora, e eu vi em sua mente que ela
estava olhando para Jasper em sua visão periférica. Existe algum perigo? Ela
procurou,
num futuro imediato, mergulhando por visões de monotonia para a fonte da
minha
expressão.
Eu virei minha cabeça para a esquerda devagar, como se estivesse olhando para
os tijolos da parede, suspirei, e então para a direita, de volta para as rachaduras
no
teto. Só Alice sabia que eu estava balançando a cabeça.
Ela relaxou. Me deixe saber se isso ficar muito ruim.
Eu só movi meus olhos, para o teto acima, e de volta para baixo.
Obrigada por estar fazendo isso.
Eu estava feliz por não poder respondê -la em voz alta. O que eu diria? “O prazer
foi meu?” Não era assim . Eu não gostava de ouvir Jasper relutante. Era mesmo
necessário fazer experiências assim? Não seria o melhor caminho admitir que ele
nunca
será capaz de agüentar a cede como o resto de nós pode, e não forçar seus
limites? Por
que flertar com o desastre?
Tinham se passado duas semanas desde nossa ultima viagem de caça. Esse
tempo
não era uma imensa dificuldade para o resto de nós. Um pouco desconfortável
ocasionalmente – se um humano andasse muito próximo, se o vento soprasse na
direção
errada. Mas humanos raramente se aproximavam. Seus instintos diziam a eles o
que suas
mentes conscientes nunca entenderiam: nós éramos perigosos.
Jasper estava muito perigoso agora.
Nesse momento, uma pequena garota parou no final da mesa mais próxima da
nossa, para conversar com uma amiga. Ela jogou seu cabelo curto, cor de areia,
passando os dedos por ele. Os aquecedores sopraram seu cheiro para nossa
direção. Eu
estava acostumado com a maneira com a qual o cheiro me fazia sentir – a dor
seca na
minha garganta, o anseio vazi o no meu estomago, a contração automática dos
meus
músculos, o excesso de veneno fluindo na minha boca...
Isso era tudo bem normal, geralmente fácil de ignorar. Só foi difícil agora, com os
sentimentos fortes, dobrados, enquanto eu monitorava a reação de J asper. Sedes
gêmeas, não somente a minha.
Jasper estava deixando sua imaginação passear. Ele estava imaginando isso –
imaginando si mesmo levantando de seu assento próximo de Alice e ficando ao
lado da
pequena garota. Pensando em se inclinar para baixo, co mo se fosse sussurrar
em seu
ouvido, e deixando seus lábios tocarem a curva da garganta dela. Imaginando
como a
sensação do fluido quente do pulso dela por baixo da fina camada de pele seria
em baixo
da sua boca.
Eu chutei a cadeira dele.
Ele encontrou meu olhar por um minuto, e depois olhou para baixo. Eu podia
ouvir vergonha e rebeldia em guerra na sua mente.
“Desculpe”, Jasper murmurou.
Dei de ombros.
“Você não ia fazer nada”, Alice murmurou para ele, amenizando seu embaraço.
“Eu podia ver isso.”
Eu lutei contra a careta que denunciaria sua mentira. Nós tínhamos que
permanecer juntos, Alice e eu. Não era fácil, ouvir vozes ou ver cenas do futuro.
As duas
aberrações entre aqueles que já eram aberrações. Nós protegíamos o segredo um
do
outro.
“Ajuda um pouco se você pensar neles como pessoas”, Alice sugeriu, sua voz alta
e musical, rápida demais para ouvidos humanos entenderem, se algum estivesse
próximo
demais para ouvir. “O nome dela é Witney, ela tem uma irmãzinha bebe que ela
adora.
A mãe dela convidou Esme para essa festa no jardim, se lembra?”
“Eu sei quem ela é.” Jasper disse curtamente. Ele se virou para olhar por uma
das pequenas janelas que eram colocadas bem embaixo das vigas, ao longo da
sala. Seu
tom terminou a conversa.
Ele teria que caçar hoje a noite. Era ridículo se arriscar assim, tentando testar
sua forçar, aumentar sua resistência. Jasper devia apenas aceitar suas limitações
e
trabalhar com elas. Seus hábitos antigos não condiziam com nosso estilo de vida
escolhido; ele não devia se esforç ar tanto desse jeito.
Alice suspirou silenciosamente e levantou, pegando sua bandeja de comida – seu
acessório, era o que era – com ela e deixando-o sozinho. Ela sabia quando ele
estava
cheio de seu encorajamento. Apesar de Rosalie e Emmett serem mais aber tos
com seu
relacionamento, eram Alice e Jasper que sabiam o humor um do outro como seu
próprio.
Como se eles também pudessem ler mentes – apenas um do outro.
Edward Cullen.
Reação de reflexo. Eu me virei para o som do meu nome sendo chamado, apesar
de não estar realmente sendo chamado, só pensado.
Meus olhos se encontraram por uma fração de segundo com um grande par de
olhos humanos, cor-de-chocolate postos num rosto pálido, em forma de coração.
Eu
conhecia esse rosto, apesar de eu mesmo nunca tê -lo visto antes. Ele esteve em
quase
todas as cabeças humanas hoje. A nova aluna, Isabella Swan. Filha d chefe de
policia da
cidade, trazida para viver aqui sob uma nova situação de custódia. Bella. Ela
corrigiu
todos que usaram seu nome inteiro...
Olhei para longe, entediado. Me levou um segundo para perceber que não havia
sido ela quem pensou no meu nome.
É claro que ela já está se apaixonando pelos Cullens , eu ouvi o primeiro
pensamento continuar.
Agora reconheci a “voz”. Jessica Stanley – havia um tempo desde a u ltima vez
que ela me perturbou com seu bate -papo interior. Foi um alívio quando ela se
curou
daquela paixonite deslocada. Era praticamente impossível escapar de suas
fantasias
constantes, ridículas. Eu desejei, naquela época, que eu pudesse explicar
exatamente o
que haveria acontecido se meus lábios, e os dentes atrás deles, tivessem chegado
a
qualquer parte próxima dela. Isso teria silenciado aquelas fantasias irritantes. O
pensamento da reação dela quase me fez sorrir.
Grande bem isso vai fazer a ela, Jes sica continuou. Ela sequer é bonita. Eu não
sei porque Erick está olhando... ou Mike.
Ela estremeceu mentalmente no ultimo nome. Sua nova paixonite, o
genericamente popular Mike Newton, era completamente inconsciente dela.
Aparentemente, ele não era tão in consciente sobre a nova garota. Como a criança
com o
objeto brilhante de novo. Isso trouxe uma ponta maligna nos pensamentos de
Jessica,
apesar de ela ser aparentemente cordial com a recém -chegada enquanto
explicava para
ela o conhecimento comum sobre minh a família. A estudante nova deve ter
perguntado
sobre nós.
Todo mundo também está olhando pra mim hoje, Jessica pensou
presumidamente por um lado. Foi uma sorte Bella ter tido duas aulas comigo
hoje...
Aposto que Mike vai querer me perguntar o que ela –
Eu tentei bloquear o pensamento insignificante pra fora da minha cabeça antes
que a insignificância pudesse me deixar louco.
“Jessica Stanley está dando para a nova garota Swan toda a roupa suja sobre o
clã dos Cullen,” eu murmurei para Emmett como distração . Ele riu por baixo da
respiração. Eu espero que ela esteja fazend o isso direito , ele pensou.
“Muito sem criatividade, na verdade. Só a idéia superficial do escândalo. Nem um
pingo de horror. Estou um pouco desapontado.”
E a garota nova? Ela está desapont ada com a fofoca também?
Eu parei para ouvir o que essa garota nova, Bella, pensou sobre a história de
Jessica. O que ela via quando olhava para essa família estranha, com peles
pálidas, que
era universalmente evitada?
Era parte da minha responsabilidade s aber sua reação. Eu agia como um
observador, pela falta de uma palavra melhor, para a minha família. Para
proteger -nos.
Se qualquer um começasse a suspeitar, eu poderia dar um aviso prévio e uma
solução
fácil. Isso acontecia ocasionalmente – algum humano com uma imaginação ativa
veria
em nós os personagens de um livro ou filme. Geralmente eles interpretam errado,
mas é
melhor mudar para um lugar novo do que arriscarmos um exame minucioso.
Muito, muito
raramente, alguém adivinhava corretamente. Nós não damo s a eles a chance de
testarem suas hipóteses. Nós simplesmente desaparecemos, para nos tornarmos
nada
mais que uma memória assustadora...
Eu não ouvi nada, embora eu tenha ouvido próximo aonde o frívolo monólogo
interno de Jessica continuava efusivamente. Era como se não houvesse ninguém
sentado
ao lado dela. Que peculiar, será que a garota tinha ido embora? Não parecia ser
isso, já
que Jessica continuava tagarelando para ela. Olhei pra cima para checar, me
sentindo
desequilibrado. Checar o que minha “audiç ão” extra podia me dizer – era algo
que eu
nunca tive que fazer.
De novo meu olhar se encontrou com aqueles mesmos olhos grandes e
castanhos.
Ela estava sentada exatamente onde esteve antes, e olhando para nós, uma coisa
natural de se fazer, eu supus, já que Jessica continuava entretendo -a com as
fofocas
locais sobre os Cullens.
Pensar em nós, também, seria natual.
Mas eu não conseguia ouvir um sussurro.
Um vermelho convidativo e quente coloriu suas bochechas quando ela olhou para
baixo, longe da gafe emba raçosa de ser pega encarando um estranho. Foi bom
que
Jasper ainda estivesse olhando para fora da janela. Eu não gostava de imaginar o
que
esse fácil agrupamento de sangue faria com seu controle.
As emoções estavam tão claras no seu rosto como se estivesse m saindo em
palavras de sua testa: surpresa, como se inconscientemente ela absorvesse os
sinais das
diferenças entre sua raça e a minha, curiosidade, ouvindo o conto de Jessica, e
algo
mais... fascinação? Não seria a primeira vez. Nós éramos lindos para el es, nossas
presas.
Então, finalmente, embaraço, quando eu a peguei me encarando. Ainda assim,
embora
seus pensamentos tenham sido tão claros em seus olhos estranhos – estranhos
por causa
da intensidade deles; olhos castanhos normalmente parecem rasos em su a
escuridão – eu
não podia ouvir nada além de silêncio do lugar em que ela estava sentada.
Absolutamente nada.
Eu senti um momento de inquietação.
Isso era algo que eu nunca tinha encontrado antes. Tinha algo errado comigo? Eu
senti exatamente como me semp re sentia. Preocupado, escutei melhor.
Todas as vozes que eu havia bloqueado de repente estavam gritando em minha
cabeça.
... me pergunto que tipo de música ela gosta... talvez eu possa mencionar
aquele novo CD... Mike Newton estava pensando, a duas mesas de distância –
fixado em
Bela Swan.
Olhe para ele a encarando. Não é suficiente que ele tenha metade das garotas d a
escola esperando por ele para... Eric Yorkie pensava acidamente, também
relacionado a
garota.
...tão nojento. Dava pra pensar que ela é fam osa ou algo assim... Até Edward
Cullen, encarando... Lauren Mallory estava tão enciumada que seu rosto, de todas
as
maneiras, deveria estar escurecido como cor de jade. E Jessica, exibindo sua nova
amiga. Que piada...veneno continuou a ser expelido dos pen samentos da garota.
...aposto que todo mundo perguntou isso pra ela. Mas eu gostaria de conversar
com ela. Vou pensar em uma pergunta mais original... Ashley Dowling meditou.
...talvez ela esteja em minha aula de Espanhol... June Richardson desejou.
...toneladas restam pra fazer essa noite! Trigonometria, e o teste de Inglês. Eu
espero que minha mãe... Angela Weber, uma menina quieta, de quem os
pensamentos
eram extraordinariamente doces, era a única naquela mesa que não estava
obcecada
com essa tal Bella.
Eu podia ouvir todos eles, ouvir cada coisa insignificante que eles pensavam
assim
que passava por suas cabeças. Mas absolutamente nada da nova estudante com
olhos
enganosamente comunicativos.
E, obviamente, eu pude ouvir o que ela disse quando falou com J essica. Eu não
precisava ler mentes para poder ouvir sua voz baixa e clara do outro lado do
refeitório.
Qual deles é o garoto com o cabelo castanho avermelhado? Eu a ouvi perguntar,
olhando
pra mim furtivamente pelo canto dos olhos, só para rapidamente o lhar para
longe
quando ela viu que eu continuava encarando.
Se eu tivesse tempo de esperar que ouvir o som de sua voz me ajudaria a
determinar o tom de seus pensamentos, perdidos em algum lugar onde eu não
podia os
acessar, eu estava instantaneamente desa pontado. Normalmente, os
pensamentos das
pessoas surgem com um tom similar as suas vozes físicas. Mas essa voz calma e
tímida
não era familiar, não uma nas centenas de vozes tagarelando em volta do local,
isso eu
tinha certeza. Era inteiramente nova.
Oh, boa sorte idiota! Jessica pensou antes de responder a pergunta da garota.
“Esse é o Edward. Ele é lindo, é claro, mas não perca seu tempo. Ele não namora.
Aparentemente nenhuma das garotas aqui é bonita o suficiente para ele.” Ela
fungou.
Eu virei minha cabeça para o outro lado, para esconder meu sorriso. Jéssica e
suas
amigas de sala não tinham idéia de como eram sortudas por nenhuma delas ser
particularmente apelativa pra mim.
Por baixo do humor passageiro, eu senti um impulso estranho, um que eu não
entendi claramente. Isso tinha algo a ver com o abismo vicioso dos pensamentos
de
Jessica, dos quais a nova garota era inconsciente... Eu senti uma estranha
urgência de
me colocar entre elas, para proteger essa Bella Swan dos trabalhos obscuros da
mente
de Jessica. Que coisa estranha para se sentir. Tentando descobrir as motivações
por trás
do impulso, eu examinei a garota mais uma vez.
Talvez isso era só um instinto de proteção há muito enterrado – o forte pelo
fraco. Essa garota parecia mais frágil que seus n ovos colegas de classe. Sua pele
era tão
translúcida que era difícil de acreditar que isso oferecia a ela alguma defesa
contra
mundo exterior. Eu podia ver o pulsar ritmado do sangue através de suas veias,
por baixo
da membrana clara e pálida... Mas eu não devia me concentrar nisso. Eu era bom
nessa
vida que escolhi, mas eu estava com tanta sede quanto Jasper e não havia motivo
para
convidar a tentação.
Tinha uma fraca linha entre suas sobrancelhas a qual ela parecia não tomar
conhecimento.
Era inacreditavelmente frustrante! Eu podia ver claramente que era
desconfortável para ela sentar lá, conversar com estranhos, ser o centro das
atenções.
Eu podia sentir sua timidez pela forma como ela segurava seus ombros
aparentemente
frágeis, espremida, como se ela est ivesse esperando uma rejeição a qualquer
momento.
E ainda assim, eu só podia sentir, só podia ver, só podia imaginar. Não tinha
nada alem
do silêncio vindo dessa garota humana normal. Eu na pude ouvir nada. Por quê?
“Vamos?” Rosalie murmurou, interrompendo meu foco.
Eu desviei o olhar da garota com um sentimento de alivio. Eu não queria
continuar falhando nisso –isso me irritou. E eu não queria desenvolver qualquer
interesse
em seus pensamentos secretos simplesmente porque eles estavam escondidos de
mim.
Sem duvida, quando eu decifrasse seus pensamentos – e eu iria encontrar uma
maneira
de fazê-lo – eles seriam tão insignificantes e mesquinhos como os pensamentos de
qualquer humano. N ão valiam o esforço que eu teria que fazer para alcançá -los.
“Então, a novata já está com medo de nós?” Emmett perguntou, ainda esperando
pela minha resposta para a sua pergunta anterior.
Eu dei de ombros. Ele não estava interessado o suficiente para me pressionar por
mais informação. Eu também não deveria estar. Nós nos levanta mos da mesa e
saímos
do refeitório.
Emmett, Rosalie e Jasper fingiam serem veteranos; eles saíram para suas aulas.
Eu fui para minha aula de Biologia do segundo ano, preparando minha mente
para o
tédio. Era duvidoso que Mr. Banner, um homem sem muito mais que um
intelecto
comum, tiraria alguma coisa de sua aula que impressionasse alguém com dois
diplomas
em medicina.
Na sala de aula, eu sentei na minha cadeira e deixei meus livros – acessórios, de
novo; eles não tinham nada que eu já não soubesse – espalhados pela mesa. Eu
era o
único estudante que tinha uma mesa só pra mim. Os humanos não eram
espertos o
suficiente para saberem que eles me temiam, mas seus instintos de sobrevivência
eram
o suficiente para mantê-los afastados.
A sala foi enchendo lentament e, enquanto eles voltavam do almoço. Me inclinei
novamente na minha cadeira e esperei o tempo passar. De novo desejei que eu
fosse
capaz de dormir.
Porque andei pensando nela, quando Angela Weber escoltou a nova garota pela
porta, o nome dela chamou minha atenção.
Bella parece tão tímida quanto eu. Aposto que hoje é bem difícil pra ela. Eu
queria poder dizer algo... mas isso provavelmente soaria estúpido...
Isso! Mike Newton pensou, virando -se na sua cadeira para ver as meninas
entrarem.
Ainda assim, do lugar onde Bella Swan parou, nada. O lugar vazio onde seus
pensamentos deveriam estar me deixou irritado e enervado.
Ela se aproximou, caminhando pelo espaço ao meu lado para chegar a mesa do
professor. Pobre garota; o assento ao meu lado era o único vago.
Automaticamente, eu
limpei o que seria o lado dela da mesa, colocando meus livros em pilha. Eu
duvidava que
ela se sentiria confortável ali. Seria um longo semestre para ela – naquela aula,
pelo
menos. Talvez, entretanto, sentando ao lado dela eu consegui ria descobrir seus
segredos... não que eu tenha precisado de tanta proximidade antes... não que eu
fosse
encontrar algo que valesse a pena ouvir...
Bella Swan andou pela brisa de ar quente que vinha do aquecedor na minha
direção.O cheiro dela me acertou c omo uma bola, como um taco. N ão tinha uma
imagem
violenta o suficiente para resumir a força do que aconteceu comigo naquele
momento.
Naquele momento, eu não estava nada perto do humano que um dia eu fui; nem
traço do pouco de humanidade que eu usava como m áscara para me lembrar.
Eu era um predador. Ela era minha presa. Não existia nada mais no mundo
inteiro
além desse fato.
Não tinha uma sala cheia de testemunhas – eles já eram um dano colateral na
minha mente. O mistério dos pensamentos dela foi esquecido. Seus pensamentos
não
significavam nada, afinal ela não continuaria pensando neles por muito tempo.
Eu era um vampiro, e ela tinha o sangue mais doce que eu havia cheirado em
oitenta anos.
Eu nunca imaginei que um cheiro como esse poderia existir. Se eu so ubesse que
podia, eu teria procurado por isso há muito tempo. Eu teria passado um pente
fino no
planeta por ela. Eu podia imaginar o gosto...
A sede queimou minha garganta como fogo. Minha boca estava ressecada e
desidratada. A onda fresca de veneno não fe z nada para dissipar essa sensação.
Meu
estomago retorceu com a fome que era um eco da sede. Meus músculos se
contraíram.
Nem um segundo inteiro tinha se passado. Ela ainda estava dando o mesmo
passo
que a tinha colocado na brisa em minha direção.
Quando o pé dela tocou o chão, seus olhos viraram para mim, um movimento que
ela claramente queria que fosse furtivo. Seu olhar encontrou o meu, e eu me vi
refletido no vasto espelho dos olhos dela.
O choque do rosto que eu vi ali salvou sua vida por mais alguns duros momentos.
Ela não tornou isso fácil. Quando ela processou a expressão no meu rosto,
sangue
enrubesceu suas bochechas de novo, tornando a pele dela a cor mais deliciosa
que eu já
tinha visto. O cheiro era uma neblina grossa no meu cérebro. Eu dificil mente
conseguia
pensar além disso. Meus pensamentos se enfureciam, resistindo ao controle,
incoerentes.
Ela andou mais apressadamente agora, como se entendesse a necessidade de
escapar. Sua pressa a tornou desastrada – ela tropeçou e cambaleou para frente,
quase
caindo na garota sentada na minha frente. Vulnerável, fraca. Até mais que o
normal
para um humano.
Eu tentei me focar no rosto que vi nos olhos dela, um rosto que eu reconheci com
repulsa. O rosto do monstro em mim – o rosto que eu combati durante décadas
de
esforço e disciplina rígida. Qual fácil ele reapareceu na superfície agora!
O cheiro me rondou novamente, dispersando meus pensamentos e quase me
impelindo da cadeira.
Não.
Minha mão se apertou na beira da mesa, enquanto eu tentava me prender na
cadeira. A madeira não servia para a tarefa. Minha mão quebrou a estrutura e
escorregou, cheia de restos de lascas, deixando as marcas dos meus dedos
cravados na
madeira.
Destruir as evidências. Essa era uma regra fundamental. Eu pulverizei
rapidamente as bordas com a ponta dos meus dedos, não deixando nada além de
um
buraco raivoso e uma pilha de lascas no chão, que eu escondi com o pé.
Destruir evidências. Dano colateral...
Eu sabia o que tinha que acontecer agora. A garota viria sentar -se ao meu lado e
eu teria que a matar.
Os espectadores inocentes da classe, dezoito outras crianças e um homem, não
poderiam deixar essa sala, tendo visto o que eles logo veriam.
Eu estarreci no pensamento do que eu deveria fazer. Mesmo no meu pior
momento, eu nunca tinha cometido esse tipo de atrocidade. Eu nunca matei
inocentes
nessas oito décadas. E agora eu planejava assassinar vinte deles de uma só vez.
O rosto do monstro no espelho riu de mim.
Mesmo que parte de mim estremecesse afastando -se do monstro, outra parte
estava planejando isso.
Se eu matasse a garota primeiro, eu teria apenas quinze ou vinte segundos com
ela antes que os humanos na sala reagissem. Talvez um pouco mais, se eles não
percebessem de primeira o que eu estava fazendo. Ela não teria tempo para grit
ar ou
sentir dor; eu não a mataria cruelmente. Era o mínimo que eu podia dar a essa
estranha
com o sangue horrivelmente desejável.
Mas depois eu teria que impedi -los de escapar. Eu não teria que me preocupar
com as janelas, muito altas e pequenas para serv ir de escape para alguém. Só a
porta –
bloqueio isso e eles estariam presos.
Seria mais devagar e difícil tentar matá -los quando eles estariam em pânico e se
misturando, se movendo no caos. Não era impossível, mas haveria muito mais
barulho.
Tempo para muitos gritos. Alguém ouvira... e eu seria forçado a matar ainda mais
inocentes nesse momento obscuro.
E o sangue dela esfriaria, enquanto eu matava os outros.
O cheiro me puniu, fechando minha garganta com a dor secante.
Então as testemunhas primeiro.
Eu mapeei isso na minha mente. Eu estava no meio da sala, a fila mais distante.
Eu pegaria meu lado direito primeiro. Eu poderia morder quatro ou cinco
pescoços por
segundo, eu estimei. Eu não faria barulho. O lado direito seria o lado sortudo;
eles não
me veriam chegando. Me mover para frente e para trás no lado esquerdo me
levaria, no
máximo, 5 segundos para terminar com cada vida desta sala.
Tempo suficiente para Bella Swan ver, brevemente, o que estava chegando até
ela. Tempo suficiente para ela sentir medo . Tempo suficiente talvez, se o choque
não
congelasse ela no mesmo lugar, para ela começar um grito. Um grito suave, que
não
traria ninguém correndo.
Eu dei um suspiro profundo, e o cheiro era um fogo que corria pelas minhas veias
secas, queimando desde o meu peito até consumir cada impulso de bondade que
eu era
capaz de ter.
Ela estava se virando agora. Em alguns segundos, ela se sentaria a centímetros
de
mim.
O monstro na minha cabeça sorriu em antecipação.
Alguém fechou uma pasta com força a minha esquer da. Eu não olhei para cima
para ver qual dos humanos condenados era. Mas o movimento mandou uma
onda de ar
comum, sem cheiro, passando pelo meu rosto.
Por um curto segundo eu era capaz de pensar claramente. Nesse precioso
segundo, eu vi dois rostos na minh a cabeça, lado a lado.
Um era meu, ou ao menos fora: o monstro dos olhos vermelhos que tinha matado
tantas pessoas que eu havia parado de contar. Assassinatos racionais,
justificados. Um
assassino de assassinos, um assassino de outros, menos poderosos, mon stros.
Era um
complexo de deus, eu sabia disso – decidir quem merecia uma sentença de morte.
Era
um compromisso comigo mesmo. Eu me alimentei de sangue humano, mas só
pela
definição solta. Minhas vitimas eram, nos seus vários passatempos obscuros,
praticamente tão humanos quanto eu.
O outro rosto era de Carlisle.
Não havia semelhança entre os dois rostos. Eles eram o dia claro e a noite mais
escura.
Não havia razão para eles serem semelhantes. C arlisle não era meu pai no senso
biológico básico. Não dividía mos um traço comum. A semelhança em nossas
cores era um
produto do que nós éramos; todo vampiro tinha a mesma pele pálida como gelo. A
similaridade na cor dos nossos olhos era outro ponto – reflexo de uma escolha
mutua.
Ainda assim, embora não houvesse bas e para uma semelhança, eu imaginei que
meu rosto tinha começado a refletir o dele, até certo ponto, nos últimos setenta
anos
estranhos que eu havia abraçado a escolha dele e seguido seus passos. Meus
traços não
haviam mudado, mas parecia para mim que um p ouco da sabedoria dele havia
marcado
minha expressão, que um pouco da compaixão dele podia ser traçada no
contorno da
minha boca e pontas de sua paciência eram evidentes nas minhas sobrancelhas.
Todos essas pequenas melhoras tinha se perdido na face do mon stro. Em alguns
momentos, não restaria mais nada em mim que refletiria os anos que passei com
meu
criador, meu mentor, meu pai em todos os meios que contavam. Meus olhos
virariam
vermelhos como o de um demônio; toda a semelhança se perderia para sempre.
Na minha cabeça, os olhos gentis de Carlisle não me julgavam. Eu sabia que ele
me perdoaria por esse ato horrível que eu faria. Porque ele me amava. Porque ele
pensava que eu era melhor do que realmente era. E ele continuaria me amando,
mesmo
que eu agora provasse que ele estava errado.
Bella Swan sentou na cadeira ao meu lado, seus movimentos rígidos e
desajeitados – com medo? –, e o cheiro de seu sangue se transformou numa
nuvem
inexorável ao meu redor.
Eu provaria que meu pai estava errado sobre mim. A mi séria desse fato
machucou
tanto quanto o fogo na minha garganta.
Eu me inclinei para longe dela com repulsa – revoltado com o monstro sofrendo
para pegá-la.
Por que ela tinha que vir aqui? Por que ela tinha que existir? Por que ela tinha
que arruinar essa pequena paz que eu tinha nessa minha não -vida? Por que essa
humana
agravante tinha que ter nascido? Ela me arruinaria.
Eu virei meu rosto para longe dela, enquanto uma repentina violência, um ódio
irracional me lavou por dentro.
Quem era essa criatura? Por que eu, por que agora? Por que eu tinha que perder
tudo porque ela escolheu essa cidade improvável para aparecer?
Por que ela veio aqui!?
Eu não queria ser o monstro! Eu não queria matar essa sala cheia de crianças
indefesas! Eu não queria perder tudo q ue eu havia ganhado durante uma vida de
sacrifícios e negações!
Eu não faria! Ela não poderia me obrigar.
O cheiro era o problema, o cheiro horrivelmente apelativo do sangue dela. Se
houvesse apenas um meio de resistir... se ao menos uma outra rajada de ar
fresco
pudesse limpar minha mente.
Bella Swan balançou seus cabelos longos, grossos e cor de mogno na minha
direção.Ela era insana? Era como se ela estivesse encorajando o monstro!
Tentando -o.
Não havia uma brisa amiga para mandar o cheiro para longe de mim agora. Tudo
logo estaria perdido.
Não, não havia uma brisa para ajudar. Mas eu não tinha que respirar.
Parei a corrente de ar para meus pulmões; o alívio foi instantâneo, mas
incompleto. Eu continuava tendo a memória do cheiro em minha cabeça, o gosto
disso
no fundo da minha língua. Eu não poderia resistir até mesmo a isso por muito
tempo.
Mas talvez eu pudesse resistir por uma hora. Uma hora. Apenas tempo suficiente
para
sair dessa sala cheia de vítimas, vítimas que talvez não precisassem ser vítimas.
Se eu
pudesse resistir por uma pequena hora.
Era um sentimento desconfortável, não respirar. Meu corpo não precisava de
oxigênio, mais isso ia contra meus instintos. Eu dependia de cheiro mais que
meus outros
sentidos, em tempos de estresse. Isso guiava o caminho na caça, era o primeiro
aviso em
caso de perigo. Eu não cruzava com freqüência com algo tão perigoso quanto eu,
mas
autopreservação era tão forte em minha espécie como era na maioria dos
humanos.
Desconfortável, mas administrável. Mais suportável que sentir o cheiro dela e não
cravar meus dentes por aquela sutil, fina, transparente pele até o quente,
molhado,
pulsante –
Uma hora! Só uma hora. Eu não devo pensar no cheiro, no gosto.
A garota silenciosa manteve seu cabelo entre nós, se inclinando p ara a frente
fazendo-o se espalhar ao longo da mesa. Eu não podia ver seu rosto, para tentar
ler as
emoções em seus claros, profundos olhos. Era por isso que ela havia deixado
suas ondas
se espalharem entre nós? Para esconder esses olhos de mim? Longe de m edo?
Timidez?
Para guardar seus segredos de mim?
Minha irritação precedente por ser bloqueado pelos pensamentos mudos dela era
fraca e pálida em comparação com a necessidade – e o ódio – que me possuiu
agora. Por
eu odiar essa frágil menina do meu lado, od iá-la com todo o fervor com o qual eu
me
agarrei ao meu eu passado, meu amor pela minha família, meus sonhos de ser
algo
melhor do que eu era... Odiá -la, odiar o que ela me fez sentir – isso ajudou um
pouco.
Sim, a irritação que eu senti antes foi fraca, m as ela, também, ajudou um pouco.
Me
agarrei a qualquer emoção que me distraísse de imaginar como seria o gosto
dela...
Ódio e irritação. Impaciência. A hora nunca passaria?
E quando a hora acabasse... Então ela andaria para fora dessa sala. E eu faria
isso?
Eu poderia me apresentar. Olá, meu nome é Edward Cullen. Poderia te
acompanhar até sua próxima aula?
Ela diria sim. Seria a coisa educada a se fazer. Mesmo já me temendo, como eu
suspeitava que ela estivesse, ela me seguiria convencionalmente e andaria a o
meu lado.
Deveria ser fácil guiá-la para a direção errada. Um pedaço da floresta se
esgueirava
como um dedo para tocar a esquina de trás do estacionamento. Eu poderia dizer
a ela
que havia esquecido um livro no meu carro...
Alguém notaria que eu seria a última pessoa com quem ela tinha sido vista?
Estava chovendo, como de costume; duas capas de chuva escuras indo para a
direção
errada não trariam muito interesse ou me denunciariam.
Exceto por não ser o único aluno que estava consciente dela – embora ninguém
estivesse mais consciente do que eu estava. Mike Newton, em particular, estava
bem
consciente de cada mudança no seu peso enquanto ela mexia no seu cabelo – ela
estava
desconfortável tão próxima de mim, exatamente como qualquer pessoa estaria,
como eu
esperava pouco antes do seu cheiro destruir toda a simpática preocupação. Mike
Newton
notaria se eu saísse da sala de aula com ela.
Se eu conseguisse resistir uma hora, resistiria duas?
Encolhi-me em face da dor da queimação.
Ela deveria ir para uma casa vazia.
O chefe de polícia Swan trabalha o daí todo. Eu conhecia a casa dele, assim como
conhecia toda casa, nessa pequena cidade. Sua casa estava no alto em meio a
densa
floresta, sem nenhum vizinho próximo. Mesmo se ela tivesse tempo de gritar, o
que não
teria, não existiria ninguém para ouvir.
Este seria o modo responsável de lidar com isso. Eu tinha passado sete décadas
sem sangue humano. Se segurasse minha respiração, eu poderia resistir duas
horas. E
quando a tivesse sozinho, não existiria chance algu ma de ninguém se ferir. E
nenhuma
necessidade de apressar a experiência, o monstro em minha cabeça concordou.
Era um argumento que parecia certo, mas estava errado, pensar que salvando
dezenove humanos nessa sala, com trabalho e paciência, eu seria menos m
onstro quando
eu matasse a inocente garota.
Embora eu a odiasse, eu sabia que meu ódio era injusto. Eu sabia que o que eu
realmente odiava era a mim mesmo. E eu odiaria muito mais nós dois quando ela
estivesse morta.
Passei a hora dessa maneira. - imaginando as melhores formas de matá -la.
Tentei
evitar imaginar o ato em si. Poderia ser muito para mim; poderia perder essa
batalha e
acabar matando todos à vista. Então planejei uma estratégia e nada mais. Isso
me levou
por uma hora.
Uma vez, próximo ao final, ela deu uma espiada através lisa parede do seu
cabelo. Eu podia sentir o ódio injustificado me queimando quando encontrei o
olhar dela
– vi o reflexo disso em seus olhos assustados. Ela corou antes de poder se
esconder em
seu cabelo novamente, estava quas e arruinado.
Mas o sino tocou. Salvo pelo sino – quão clichê. Estávamos os dois salvos. Ela
salva
da morte. Eu salvo por um curto tempo de ser essa criatura medonha que eu
temia e
odiava.
Não pude andar devagar como eu deveria quando sai da sala. Se qualq uer
pessoa
estivesse olhando para mim, teriam suspeitado que havia algo de errado com o
jeito que
me movi. Ninguém estava prestando atenção em mim. Todos os pensamentos
humanos
estavam voltados para a garota que estava condenada a morte em pouco mais de
u ma
hora.
Escondi meu carro.
Eu não gostava de pensar em ter que esconder. Quão covarde isso soou. Mas isso
não era inquestionável o caso agora.
Eu não tinha mais disciplina para ficar próximo aos humanos agora. Muito
focado
nos meus esforços em não matar u m deles. Não me deixou opções para resistir
aos
outros. Que desperdício seria. Se deixasse o monstro vencer eu deveria fazer valer
a
derrota.
Botei para tocar um CD de música que costumava me acalmar, mas isso me
ajudou pouco. O que ajudou mais foi o frio, úmido e limpo ar que entrava com a
fina
chuva pelas janelas abertas. Embora eu pudesse lembrar a essência do sangue
da Bella
Swan com perfeita clareza, inalar o ar limpo era como lavar o interior do meu
corpo
para se livrar dessa infecção.
Eu estava são novamente. Conseguia pensar novamente. E conseguiria lutar
novamente. Conseguiria lutar contar aquilo que eu não queria ser.
Eu não teria que ir à casa dela, não teria que matá -la. Obviamente, eu era
racional, era uma criatura pensante, eu tinha escolha. S empre existiria uma
chance.
Não tinha sentido isso na sala de aula... Mas eu estava longe dela agora. Talvez
se eu a evitasse muito, muito cuidadosamente, não exista razão para eu mudar
minha
vida. As coisas estavam na ordem que eu queria agora. Por que e u deixaria
alguém
piorar uma deliciosa ninguém arruinar isso?
Eu não tinha que desapontar meu pai. Eu não tinha que causar a minha mãe,
stress, preocupação...Dor. Sim, eu magoaria minha mãe adotiva, também. E
Esme era
tão gentil, tão carinhosa e doce. Caus ar dor a alguém como Esme era
extremamente
inescusável.
Quão irônico que eu queria proteger essa garota humana da miserável,
insignificante ameaça dos pensamentos nojentos de Jéssica Stanley. Eu era a
ultima
pessoa que deveria se nomear protetor da Isabel la Swan. Ela nunca precisaria
mais
proteção do que ela precisaria se proteger de mim.
Onde estava Alice, de repente me perguntei. Ela não me viu matando a garota
Swan de várias formas? Por que ela não apareceu para ajudar – para impedir ou
me
ajudar a eliminar quaisquer evidências? Esta ela muito preocupada com Jasper
que ela
perdeu essa possibilidade muito mais horrível? Seria mais forte do que eu
pensava?
Realmente eu não faria nada com aquela garota?
Não, eu sabia que não era verdade. Alice devia estar muito concentrada em
Jasper.
Procurei na direção onde sabia que ela deveria estar, no pequeno prédio usado
para as aulas de Inglês. Não levou muito tempo para localizar a sal familiar ‘voz’.
E eu
estava certo. Todos os pensamentos dela estavam voltados p ara Jasper, olhando
suas
escolhas com a precisão a cada minuto.
Eu desejava pedir seu conselho, mas ao mesmo tempo, eu estava contente que
ela não soubesse do que eu era capaz. Que ela estava desavisada do massacre
que eu
considerei na ultima hora.
Senti um novo fogo em meu corpo – o fogo da vergonha. Eu não queria que
nenhum deles soubesse.
Se eu pudesse evitar Bella Swan, se eu pudesse evitar matá -la – mesmo
enquanto
pensava isso o monstro estremecia de frustração – então ninguém precisaria
saber. Se eu
pudesse ma manter longe do seu cheiro...
Não existia nenhuma razão para não tentar. Fazer uma boa escolha. Tentar ser o
que Carlisle pensava que eu era.
A última hora de aula estava quase acabando. Eu decidi pro meu novo plano em
ação. Melhor do que ficar sentado aqui no estacionamento onde ela poderia
passar e
arruinar minha tentativa. Novamente senti o ódio injustificado pela garota. Eu
odiava
que ela e esse inconsciente poder sobre mim. C omo se ela pudesse me obrigar a
fazer
algo ofensivo.
Andei rapidamente - talvez muito rápido, mas não haviam testemunhas – através
do pequeno campus até secretaria. Não havia nenhuma razão para Bella Swan
cruzar o
meu caminho aqui. Ela devia ser evitada como a praga que era.
A secretaria estava vazia a não ser pela se cretária, quem eu queria ver.
Ela não percebeu a minha silenciosa entrada.
“Senhora Cope?”
A mulher com o cabelo vermelho artificial olhou para cima e seus olhos se
abriram. Sempre os pegavam de surpresa as pequenas marcas que eles não
conseguiam
entender, não importa quantas vezes tenham nos visto antes.
“Oh”, ela falou, um pouco atrapalhada. Ela alisou sua saia. Boba, ela pensou
para
ela mesma. Ele é quase novo o suficiente para ser meu filho. Muito novo para se
pensar
dessa maneira... “Olá Edward. O que posso fazer pro você?” Os seus cílios se
moveram
rapidamente sob os seus grossos óculos.
Desconfortável. Mas eu sabia ser charmoso quando eu queria. Era fácil, desde
que
eu tinha a habilidade de saber qual tom ou gesto devia usar.
Inclinei-me para frente, encontrando seu olhar como se estivesse olhando
profundamente para os seus pequenos olhos castanhos. Os seus pensamentos se
moviam
rapidamente. Isso devia ser fácil.
“Estava pensando se poderia me ajudar com os meus horários”, disse com uma
voz suave que reservei para não assustar humanos.
Ouvi as batidas do seu coração acelerarem.
“Claro Edward. Como posso lhe ajudar?” Muito novo, muito novo, ela repetia
para si mesma. Errada, claro. Eu era mais velho que seu avô. Mas de acordo com
minha
carteira de motorista, ela estava certa.
“Estava imaginando se poderia mudar da minha sala de Biologia para um nível
mais avançado? Física talvez?”
“Algum problema com o senhor Banner, Edward?”
“De forma alguma, é somente porque eu já estudei essa matéria...”
“Na escola avançado que você foi no Alaska, certo.” Seus finos lábios se curvaram
enquanto ela considerava isso. Eles todos deviam estar na faculdade. Eu ouvi os
professores reclamarem. Perfeitos, nunca uma hesitação nas respostas, nunca uma
resposta errada numa prov a – como se eles tivessem uma maneira de trapacear
em cada
assunto. O senhor Varner preferia acreditar que o aluno estava trapaceando a
aceitar
que alguns deles é mais inteligente que ele... aposto que a mãe dele os ensina...
“Na
verdade, Edward, física esta bem cheia agora, o senhor Banner odeia ter mais que
vinte
e cinco alunos na sala –“
“Eu não seria nenhum problema.”
Claro que não. Não um perfeito Cullen . “Eu sei disso Edward. Mas não tem
lugares suficientes...”
“Posso abandonar a matéria então? Poderi a usar o tempo para estudos
independentes”.
“Largar biologia?” Ela ficou de boca aberta. Isso é loucura. Quão difícil deve ser
ter que falar algo que você já sabe.? Deve existir um problema com o senhor
Banner.
Fico imaginando se deveria falar com Bob sobr e isso? “Você não terá créditos
suficientes
para se formar”
“Eu recupero ano que vem.”
“Talvez você deva falar com seus pais a respeito disso.”
A porta se abriu atrás de mim, mas quem fez isso não pensou em mim, então
ignorei a chegada e me concentrei na s enhora COPE. Inclinei-me mais um
pouco, e
segurei meus olhos um pouco mais abertos. Isso deveria funcionar melhor se eles
estivessem dourados no lugar de pretos. Escuridão assusta as pessoas, como
devia.
“Por favor, senhora Cope?” Falei com uma voz mais ma cia e convincente que
poderia – e era consideravelmente convincente. “Não existe outra com qual
pudesse
trocar? Tenho certeza de que deve ter uma vaga em algum lugar? Sexta hora de
biologia
não deve ser a única opção...”
Sorri para ela cuidadosamente para não mostrar meus dentes tão abertamente de
forma que iria assustá-la, deixando uma expressão leve em meu rosto.
Seu coração bateu ainda mais forte. Muito novo, ela relembrava. “Bem, talvez eu
possa falar com B ob, digo senhor Banner. Poderia ver se –“
Levou um segundo para mudar tudo: a atmosfera na sala, minha missão aqui, a
razão de eu me inclinar em direção a mulher ruiva...o que tinha sido por um
porposito
antes era agora por outro.
Levou um secundo para Samantha Wells abrir a porta e colocar um aviso na
cesta
próximo a porta, e sair novamente, com pressa em sair da escola. Foi um
secundo que
levou para um repentino vento entrar pela porta aberta e me atingir. Um secundo
foi o
suficiente para que percebesse para saber porque a primeira pessoa que entrou n
a sala
não me interrompeu com os seus pensamentos.
Vierei-me embora não precisasse confirmar. Me virei lentamente, brigando para
controlar os músculos que se rebelavam contra mim.
Bella Swan permaneceu com suas costas pressionadas na parede ao lado da port
a,
um pedaço de papel amassado em suas mãos. Seus olhos estavam ainda mais
abertos do
que o normal quando ela olhou para o meu não humano e feroz olhar.
O cheiro do seu sangue saturava cada partícula do ar na pequena e quente sala.
Minha garganta queimava em chamas.
O monstro novamente me encarou através do espelho dos meus olhos, uma
mascara do perverso.
Minha mão hesitou no ar sobre o balcão. Eu não teria que olhar para trás para
atravessar e bater a cabeça da senhora Cope na mesa com força suficiente par a
matá-la
duas vidas era melhor do que vinte. Uma troca.
O monstro esperou ansiosamente, sedento, para que eu fizesse.
Mas sempre existia uma escolha – devia ter.
Cortei o movimento dos meus pulmões, e fixei a face de Carlisle em meus olhos.
Virei-me para encarar a senhora Cope, e ouvir sua surpresa interna com a
mudança da
minha expressão. Ela se encolheu, mas o seu medo não formou palavras
coerentes.
Usando todo o controle que eu possuía com séculos de auto -negação, tornei
minha voz macia e uniforme. Exis tia ar o suficiente em meus pulmões para falar
mais
uma vez, correndo com as palavras.
“Deixa para lá. Vejo que é impossível. Muito obrigada pela sua ajuda.”
Virei-me e sai da sala, tentando não sentir o calor do sangue quente do corpo da
garota por qual passei com centímetro de distância.
Não parei ate estar no meu carro, me movendo rápido durante todo o caminho.
Muitos dos humanos já tinha ido embora, então não tinha muitas testemunhas.
De onde veio o Cullen – foi como se ele tivesse aparecido no ar – Aqui estou eu
imaginando de novo. Mamãe sempre diz...
Quando entrei dentro do Volvo, os outros já estavam lá. Tentei controlar minha
respiração, mas estava ofegando como se estivesse sufocado.
“Edward?” Alice perguntou, alarme em sua voz.
Apenas balancei a minha cabeça.
“O que diabo aconteceu com você?” Emmett perguntou, distraído, no momento,
do fato que Jasper não estava com humor para uma repetição.
Ao invés de dar uma resposta, eu dei ré. Eu tinha que sair daqui antes que Bella
Swan pudesse me seguir aqu i também. Meu próprio demônio pessoal, me
perseguindo...
Virei o carro e acelerei. Atingi oitenta antes de alcançar a estrada. Na estrada
atingi
cento e quarenta antes de virar a esquina.
Sem olhar, eu sabia que Emmett, Rosalie e Jasper se viraram e encara vam Alice.
Ela tremeu. Ela não podia ver o que tinha passado, apenas o que aconteceria.
Ela olhou para o meu futuro. Ambos processamos o que ela viu na sua mente e
ambos ficamos surpresos.
“Você está indo embora?”
Os outros olharam para mim.
“Estou?”, perguntei entre dentes.
Ela viu isso e então fiz outra escolha que levou o meu futuro para uma direção
mais escura.
“Oh.”
Bella Swan morta. Meus olhos brilhando com sangue fresco. A perseguição que
se
seguiria. O tempo que esperaríamos antes de irmos embora e começarmos
novamente...
“Oh.” Disse ela novamente ficou mais especifica. Eu olhei dentro da casa do
chefe Swan pela primeira vez e vi Bella numa pequena cozinha com os armários
amarelos, suas costas para mim como se a tivesse seguido pelas sombras...o chei
ro me
empurrando na direção dela....
“Pare!”. Gritei sem condições de agüentar mais.
“Desculpe”, ela murmurou, seus olhos bem abertos.
O monstro adorou.
E a visão em sua mente mudou novamente. Uma estrada vazia à noite, árvores ao
redor cobertas de neve, passando num flash a mais de duzentos quilômetros pro
hora.
“Sentirei sua falta” Ela disse. “Não importa por quanto tempo você esteja fora”.
Emmett e Rosalie trocaram olhares apreensivos.
Estávamos quase na curva na longa estrada que levava para a nossa ca sa.
“Deixa a gente aqui”, Alice instruiu. “Você deve contar a C arlisle você mesmo.”
Eu concordei, e o caro balançou com a parada brusca.
Emmett, Rosalie e Jasper saíram em silencio; eles fariam Alice explicar tudo
depois, quando eu tivesse ido. Alice tocou meu ombro.
“Você vai fazer a coisa certa”, ela mumurou. Não era uma visão desta vez – uma
ordem. “Ela é a única família do chefe Swan. Isso o mataria também.”
“Sim”, eu disse, concordando apenas com a última parte.
Ela saiu para se juntar aos outros, suas sobrancelhas se juntando em ansiedade.
Eles entraram na floresta, fora de vista antes que eu virasse o carro.
Acelerei em direção a cidade, e soube que as visões de Alice mudariam de
escuras para claras. Enquanto corria de volta para Forks a noventa, eu n ão
tinha certeza
para onde ia. Para dizer adeus ao meu pai? Ou para me unir ao monstro dentro
de mim?
A estrada voava sob os meus pneus.
Capítulo 02 - Livro aberto
Eu me deitei sobre o monte de neve, deixando que se amold asse ao peso do meu
corpo. Minha pele esfriou para se igualar com o ar frio ao meu redor, e sentindo
os
pequenos pedaços de gelo como veludo sob a minha pele
O céu acima de mim estava limpo e brilhante com as estrelas, com um brilho em
alguns lugares, e amarelo em outros. A s estrelas criaram formas majestosas um
turbilhão
de formatos em contraste com o universo escuro. Uma beleza refinada. Ou
melhor, deve
ser muito bonito. Ou deve ter sido, se eu realmente pudesse ver.
Eu não estava ficando melhor. Seis dias se passaram seis dias que eu venho me
escondendo aqui na região dos Denali, mas não estou mais perto da liberdade de
quando
eu senti pela primeira vez o aroma dela.
Enquanto eu encarava o céu estralado, era como se houvess e uma obstrução
entre
meus olhos e a sua beleza. A obstrução era um rosto, um rosto humano comum,
mas eu
não conseguia tirá-lo da minha cabeça.
Eu ouvi pensamentos se aproximando antes mesmo de ouvir os passos que os
acompanhava. O som do movimen to era um fraco suspiro entre a neve.
Não fiquei surpreso ao ver que Tanya havia me seguido até aqui. Ele vem
refletindo sobre essa conversa há dias, esperando apenas o momento que ela
tinha
certeza do que ela tinha para dizer. Ela soltou um sus piro a uns sessenta metros
de
distância. Pulando na parte de cima de uma pedra escura, e balançando descalça
nas
pontas dos pés.
A pele de Tanya ficava prateada sob a luz das estrelas, e os seus longos loiros
cachos brilhavam pálidos quase rosas com uma tonalidade morango. Seus olhos
cor de
âmbar cintilaram enquanto ela me espionava, meio enterrado na neve, e seus
fartos
lábios se esticaram lentamente formando um sorriso.
Linda. Se eu realmente pudesse vê -la. Suspirei.
Ela se agachou no topo da pedra e encontrou as pontas do s seus dedos na
pedra,
seu corpo enrolado.
Cannonball, ele pensou.
Ela se lançou no ar, o seu corpo formou uma sombra escura e distorcida
enquanto
ela graciosamente de virou e ficou entre mim e as estrelas. Ela se enrolou
enquanto
acertava a pilha de neve que estava do meu lado.
Uma chuva de neve caiu ao meu redor. As estrelas desapareceram e fiquei
enterrado debaixo de várias formas de cristais de gelo.
Suspirei novamente, mas não me movi para me acalmar. A escuridão debaixo da
neve não machucou nem melhorou a vista. Ainda via o mesmo rosto.
“Edward?”
Então a neve estava voando novamente enquanto Tanya me desenterrava. Ela
retirou a neve do meu rosto inanimado sem olhar direito para mim.
“Desculpe”, ela murmurou. “Era só uma brincadeira”.
“Eu sei. Foi divertido.”
A sua boca se retorceu.
“Irina e Kate disseram que eu deveria deixar você sozinho. Elas acham que eu
estou lhe aborrecendo”.
“De maneira alguma”, garanti a ela. “Ao contrário eu que estou sendo rude,
abominavelmente rude. Eu sinto muito”.
Você está indo para casa, não é? Ela pensou.
“Ainda não me decidi completamente”.
Mas você não vai ficar aqui . Seus pensamentos eram tristes e nostá lgicos.
“Isso não está me... ajudando”
Ela faz uma careta. “É minha culpa, não é?”
“Claro que não”, menti delicadamente.
Não seja um cavalheiro.
Eu ri.
Eu faço você se sentir desconfortável , ela apontou.
“Não”.
Ela levantou uma sobrancelha, sua expressão tão incrédula que eu tive que rir.
Um riso pequeno seguido de um suspiro.
“Tudo bem”, eu admiti. “Um pouco” .
Ela suspirou também, colocando seu queixo em suas mãos. Seus pensamentos
eram de vergonha.
“Você é mil vezes mais adorável que as estrelas Tanya. Claro que você sabe
disso. Não deixe minha teimosia acabar com a sua auto -estima”. Eu ri comigo
mesma da
situação.
“Não estou acostumada a rejeição”, disse com raiva. Seus lábios formando uma
cara zangada muito atrativa.
“Certamente não”, concordei, tent ando com pouco sucesso afastar os
pensamentos dela da minha mente, enquanto ela relembrava as suas milhares de
conquistas bem sucedidas. Na maioria Tanya preferia homens – eles eram mais
populosos, com o acréscimo de serem macios e quentes. E definitivamen te,
sempre
ávidos.
“Succubus”, eu brinquei, esperando interromper as imagens que passavam na
mente dela.
Ela riu, mostrando seus dentes. “A original”.
Diferente de Carlisle, Tanya e suas irmãs foram descobrindo e trabalhando sua
consciência aos poucos. No final foi o carinho pelos homens humanos que
fizeram as
irmãs se voltarem contra o massacre. Agora os homens que elas amam...vivem.
“Quando você apareceu aqui”, disse Tanya devagar, “eu pensei que...”
Eu sei o que ela pensou. E eu devia imaginar que ela se sentiria dessa forma. Mas
eu não estava na minha forma de pensar analiticamente naquele momento.
“Você pensou que eu mudei de idéia.”
“Sim”, disse de cara feia.
“Eu me sinto muito mal por brincar com suas expectativ as. Não era o que eu
queria – não estava apensando. Eu saí com muita pressa.”
“Suponho que você não vai me dizer o motivo...”
Sentei-me e enrolei meus braços ao redor das minhas pernas, numa posição
defensiva. “Eu não quero falar nisso” .
Tanya, Irina e Kate eram boas nessa vida a qual elas se comprometeram.
Melhores, às vezes, ate que C arlisle. Apesar da proximidade que elas permitem
daqueles
que deveriam ser - e que uma vez foram – suas presas, elas não cometiam erros.
Estava
muito envergonhado para admitir a minha fraqueza para Tanya.
“Problemas com mulheres?” Ela tentou adivinhar, ignorando a minha relutância.
Sorri de forma vazia. “Não do jeito que você imagina”.
Ela ficou quieta. Escutei seus pensamentos enquanto ela tentava adivinhar,
tentando decifrar o significado das minhas palavras.
“Você nem está perto”, eu disse a ela.
“Uma dica?”, ela pediu.
“Por favor, deixa para lá, Tanya”.
Ela ficou quieta novamente especulando. Eu a ignorei, tentando, sem sucesso,
apreciar as estrelas.
Ela desistiu por um minuto e seus pensamentos foram em outra direção.
Para onde você vai Edward, se você for embora? De volta para Carlisle?
“Acho que não”, murmurei.
Para onde eu iria? Não consegui pensar em nenhum lugar que eu tivesse
interesse
em ir. Não tinha nada que eu quisesse ver ou fazer. Porque não importava para
onde eu
fosse, eu não estaria indo para algum ligar – estaria apenas fugindo.
Eu odiei isso. Quando eu fiquei tão covarde?
Tanya colocou seu esbelto braço ao redor dos meus ombros, me endureci, mas
não me encolhi com o seu toque. Ela demonstrou que não era nada mais que
conforto
entre amigos. A maior parte.
“Eu acho que você vai voltar”, ela disse, sua voz co m um pouco do que resta do
seu sotaque russo.
“Não imposta quem é ou o que é que esta lhe assombrando. Você vai encarar de
cabeça erguida. Você é desse tipo”.
Seus pensamentos eram tão certos quanto as suas palavras. Eu tentei seguir a
imagem que ela tinha de mim na cabeça. Foi prazeroso poder pensar em mim
daquela
maneira novamente. Eu nunca duvidei da minha coragem, da minha habilidade
em
enfrentar problemas, antes daquela terrível hora na aula de biologia a pouco
tempo
atrás.
Eu beijei o seu rosto, empur rando levemente quando ela virou seu rosto em
minha direção e seus lábios estavam curvados.
Ela riu secamente com minha rapidez.
“Obrigado Tanya, eu precisava ouvir isso”.
Seus pensamentos ficaram atrevidos. “De nada, eu acho. Eu adoraria que você
pudesse ser razoável com as coisas, Edward.”
“Sinto muito, Tanya. Você sabe que você é boa demais para mim. Eu apenas...
ainda não encontrei o que eu estou procurando.”
“Enfim, se você for embora antes de lhe ver novamente...adeus Edward.”
“Adeus Tanya”. Enquanto eu dizia as palavras eu pude ver. Eu pude me ver indo
embora. Sendo forte o suficiente para estar onde eu quero. “Obrigado
novamente.”
Ela estava em pé novamente com um movimento ágil, e então ela estava
correndo,
movendo-se to rápido na neve que seus pés não tinham tempo de tocar a neve.
Ela não
deixou marcas. Ela não olhou para trás. Minha rejeição a incomodou mais desta
vez,
inclusive nos seus pensamentos. Ela não queria me ver novamente antes de eu
partir.
Minha boca se contorceu de desgosto, eu não gos tava de ferir os sentimentos de
Tanya, embora eles não fossem profundos, puros e de qualquer forma algo que eu
desejasse retribuir. Isso ainda me fez sentir menos cavalheiro.
Pus meu queixo em meus joelhos e encarei as estrelas novamente, embora
estivesse ansioso de voltar. Eu sabia que Alice me veria voltando para casa, e
avisaria
aos outros. Isso os faria felizes – especialmente Carlisle e Esme. Mas eu olhei
mais uma
vez para estrelas, tentando ver o rosto em minha mente. Entre mim e o luminoso
céu
estava aquele par de olhos marrons assustados que em encaravam, parecendo
que
perguntar o que esta decisão significava para ela. Claro que eu não poderia ter
certeza
se essa era a informação que seus olhos viam. Até na minha imaginação eu não
podia
ouvir os seus pensamentos. Os olhos da Bella Swa n continuavam a perguntar e
a vista das
estrelas continuava a me evitar. Com um suspiro profundo eu desisti e me
levantei. Se
eu corresse estaria no carro de C arlisle em uma hora.
Com pressa em ver minha família – e desejando muito ser o Edward que vai
encarar tudo de cabeça erguida – corri através da terra coberta por neve, sem
deixar
pegadas.
“Vai dar tudo certo”, disse Alice. Seus olhos estavam sem foco, enquanto Jasper
tinha uma mão colocada levemente sob o seu cotovelo, guiando-a enquanto
entravamos
no refeitório num grupo fechado. Rosalie e Emmett iam à frente, Emmett
parecendo
com um ridículo guarda-costas em meio a um território hostil. Rose olhava
desconfiada,
mas na realidade estava mais irritada do q ue protetora.
“Claro que sim”, disse. O comportamento deles era ridículo. Se não estivesse
certo que daria conta da situação, eu teria ficado em casa.
A mudança repentina para a nossa normal e divertida manhã – nevou a noite, e
Emmett e Jasper estavam aproveitando a minha distração para me bombardear
com
bolas de neve; quando eles ficaram cansados com a minha falta de reação, eles se
viraram um para o outro – essa vigilância excessiva seria cômica se não fosse tão
irritante.
“Ela não está aqui ainda, mas o caminho que ela entrar...não vai ser contra o
vento se sentarmos no lugar de sempre.”
“Claro que vamos nos sentar no lugar de sempre. Pare, Alice. Você esta me
dando nos nervos. Estarei completamente bem”.
Ela piscou uma vez enquanto Jasper a ajudava a sentar e seus olhados
finalmente
se focaram em meu rosto.
“Humm”, ela disse, parecendo surpresa. “Eu acho que você está bem”.
“Claro que estou bem”, eu falei.
Eu odiei ser motivo de preocupação. Eu senti uma súbita simpatia pelo Jasper,
lembrando todas as vezes que tomamos uma posição protetora com relação a ele.
Ele
encontrou o meu olhar e riu.
Irritante né?
Olhei irritado para ele.
Havia passado apenas uma semana, quando esse ambiente parecia ser
mortalmente chato para mim? Que parecia mais como se estivesse dormente por
estar
aqui?
Hoje meus nervos estavam estressados – como cordas de piano, prontos para
tocar sob a menor pressão. Meus sentidos estavam super alertas; prestei atenção
a cada
som, cada visão, todo movimento do ar que chega va a minha pele, cada
pensamento.
Especialmente os pensamentos. Existia apenas um sentido que eu me recusava a
usar.
Cheirar, claro. Eu não respirava.
Eu esperava ouvis mais sobre os Cullens nos pensamentos que eu lia. O dia todo
fiquei esperando, procurando pro qualquer novo encontro que Bella Swan possa
ter tido,
tentando ver a direção que as fofocas iriam tomar. Mas não tinha nada. Ninguém
reparava nos cinco vampiros no refeitório, os mesmo que estavam ali antes da
nova
garota chegar. Muitos dos humanos ainda estavam tendo os mesmo pensamentos
da
semana passada. Ao invés de achar isso terrivelmente chato, eu estava fascinado.
Ela não disse nada para ninguém sobre mim?
Não existe possibilidade dela não ter notado o meu olhar assassino e escuro. Eu
vi
ela reagir a ele. Certamente eu assustei a boba. Eu tinha certeza que ela teria
comentado isso com alguém, talvez até exagerado um pouco a história para torná
-la
melhor. Dando algumas linhas de ameaças.
E então ela me vê tentando sair da sala dela de biologia. Ela deve ter imaginado,
depois de ver a minha expressão, que ela era a causa. Uma garota normal teria
saído
perguntando, comparando sua experiência com a dos outros, buscando coisas em
comum
que explicassem o meu comportamento, para que ela não se sentiss e isolada.
Humanos
estavam constantemente tentando serem normais, de se encaixar. De se
misturarem uns
com os outros como um grupo de ovelhas. Essa necessidade era particularmente
forte na
adolescência. Esta garota não devia ser uma exceção a essa regra.
Mas ninguém tomou conhecimento de nós sentados ali, em nossa mesa. Bella
deveria ser excepcionalmente tímida, se ela confidenciou a ninguém... talvez ela
tenha
falado com o seu pai, talvez esse seja o seu relacionamento mais forte...embora
não
seja provável já que ela passou pouco tempo com ele em sua vida. Então ela deve
ser
próxima de sua mãe. Ainda, teria que passar pelo chefe Swan em um momento
próximo
e escutar o que ele estiver pensando.
“Algo novo?”, perguntou Jasper.
“Nada. Ela não deve ter dito nada .”
Todos levantaram suas sobrancelhas com essa novidade.
“Talvez você não seja tão assustador como você pensa que é”, disse Emmett
rindo. “Eu aposto que poderia assustá -la melhor do que você.”
Virei meus olhos para ele.
“Me pergunto por que?”. Ele se pergu ntou novamente sobre as revelações sobre o
silencio daquela garota.
“Eu não sei.”
“Ela está chegando”, Alice murmurou. Senti meu corpo ficando rígido. “Tente
parecer humano”.
“Você disse humano?”, Emmett perguntou.
Ele levantou seu pulso direito, movendo s eus dedos para mostrar uma bola de
neve que ele mantinha guardada em sua palma. Claro que não derreteu. Ele
transformou
em um bloco de gelo. Ele tinha os olhos em Jasper, mas eu vi o que ele queria
fazer. O
mesmo fez Alice, claro. Quando ele arremessou o p edaço de gelo nela, ela afastou
um
com gesto com os dedos. O gelo ricocheteou através de todo cumprimento do
refeitório,
muito rápido para a visão humana, e se espatifou contra o muro de pedra. O
muro
quebrou também.
As cabeças naquele canto de viraram pa ra olhar para a pilha de gelo quebrado
no
chão, e tentaram descobrir o culpado. Eles não olharam muito adiante, apenas
há
algumas mesas de distancia. Ninguém olhou para nós.
“Muito humano Emmett”, Rosalie disse “por que você não esmurrou a parede
enquanto isso?”
“Pareceria mais impossível se você fizesse baby.”
Tentei prestar atenção nele, mantendo um sorriso em meu rosto como se fizesse
parte da brincadeira. Não permiti que eu olhasse para a linha onde eu sabia que
ela
estava. Mas era tudo que eu estava ou vindo.
Eu podia ouvi a impaciência de Jéssica com a novata, que parecia estar distraída
também, estática enquanto a fila andava. Eu vi, nos pensamentos de Jéssica, que
as
bochechas de Bella Swan estavam mais uma vez pintadas de rosa brilhante com
sangu e.
Eu inspirei brevemente, com minha respiração entrecortada, pronta para parar
de
respirar caso algum sinal do cheiro dela tocasse o ar próximo a mim.
Mike Newton estava com os dois garotos. Eu ouvi suas ambas as vozes, mental e
verbal, quando ele perguntou para Jéssica o que estava errado com a garota
Swan. Eu
não gostei da forma que seus pensamentos se enrolavam ao redor dela, a luz de
fantasias já estabelecidas que nublavam sua mente enquanto ele a observava
começar e
sair de seu devaneio como se ela es tivesse esquecido que ele estava ali.
“Nada”, eu ouvi Bella dizer naquela voz quieta e clara. Parecia soar como um
sino acima da tagarelice da cafeteria, mas eu sabia que era só porque eu estava
ouvindo-a muito intensamente.
“Eu só vou pegar um refrigerant e hoje”, ela continuou enquanto se movia para
alcançar a fila.
Eu não pude evitar lançar um olhar em sua direção. Ela estava encarando o
chão,
o sangue suavemente escapando de seu rosto. Eu desviei o olhar rapidamente,
para
Emmett, que riu ao ver meu sorri so dolorido que agora estava em meu rosto.
Você parece doente, mano.
Eu reorganizei minhas feições para que minha expressão parecesse casual e sem
esforço.Jéssica estava perguntando em voz alta sobre a falta de fome da garota.
“Você
não está com fome?”
“Na verdade, eu estou um pouco enjoada.” A voz dela estava mais baixa, mas
ainda muito clara.
Por que isso me incomodava, a preocupação protetora que de repente emanou
dos pensamentos de Mike Newton? O que importava se havia uma barreira
possessiva
para eles? Não era da minha conta se Mike Newton se sentia desnecessariamente
ansioso
por ela. Talvez essa era a forma que todos respondiam a ela. Eu também não
tinha,
instintivamente, querido protegê -la? Antes de eu ter querido matá -la, quero
dizer...
Mas estava a garota doente?
Era difícil julgar – ela parecia tão delicada em sua pele translúcida... Então eu
percebi que estava me preocupando, também, exatamente como aquele garoto
estúpido, e eu me forcei a não pensar sobre saúde dela.
Apesar disso, eu não gostava de monitorá-la pelos pensamentos de Mike. Eu
mudei para os de Jéssica, observando cuidadosamente eles três escolherem uma
mesa
para se sentar. Felizmente, eles sentaram com os companheiros normais de
Jéssica,
numa das primeiras mesas da sala. Não na direç ão do vendo, exatamente como
Alice
havia prometido.
Alice me acotovelou. Ela irá olhar em breve, aja como um humano.
Eu trinquei meus dentes atrás do meu sorriso forçado .
“Acalme-se, Edward” Emmett disse. “Sério. Então você mata um humano. Isso
dificilmente é o fim do mundo.”
“Você deveria saber” Eu murmurei.
Emmett riu. “Você tem que aprender a superar as coisas. Como eu faço. A
eternidade é um tempo longo demais para se afogar em culpa.”
Nesse instante, Alice jogou um punhado de gelo que ela estava escond endo no
rosto de
inocente de Emmett.
Ele piscou surpreso, e então deu um sorriso amarelo de antecipação.
“Você pediu por isso”, ele disse, enquanto se inclinava por sobre a mesa e
balançava seu cabelo cheio de gelo em sua direção. A neve, derretida no cômo do
quente, voou de seu cabelo em uma chuva densa meio -líquida, meio-sólida.
“Eca!” Rose reclamou, enquanto ela e Alice se encolhiam, tentando fugir do
dilúvio.
Alice riu e todos nós a acompanhamos. Eu podia ver na cabeça de Alice como ela
havia orquestrado esse momento perfeito e eu sabia que a garota – eu devia parar
de
pensar nela dessa forma, como se ela fosse a única garota no mundo – que Bella
estaria
assistindo enquanto nós riamos e brincávamos, parecendo tão felizes e humanos
e
surrealmente ideais quanto uma pintura de Norman Rockwell.
Alice continuou rindo e levantou sua badeja como um escudo. A garota – Bella
deveria ainda estar nos encarando.
...Encarando os Cullen novamente , alguém pensou, chamando minha atenção.
Eu olhei automaticamente na direçã o da chamada acidental, percebendo quando
meus olhos acharam seu destino que eu reconhecia a voz – eu a estava escutando
demais
hoje.
Mas meus olhos deslizaram por Jéssica e se focaram no olhar penetrante da
garota.
Ela olhou para baixo rapidamente, se esc ondendo em seu denso cabelo
novamente.
O que ela estava pensando? A frustração pareceu ficar mais aguda enquanto o
tempo passava ao invés de diminuir. Eu tentei – incerto do que eu estava fazendo
porque
eu nunca havia tentado isso novamente – sondar com minha mente o silêncio ao
seu
redor Minha audição extra sempre havia vindo para mim naturalmente, sem
pedir; eu
nunca havia tido a necessidade de trabalhar isso. Mas eu me concentrei agora,
tentando
quebrar seja lá qual fosse o escudo que a rodeasse.
Nada além do silêncio.
O que é que ela tem? Jéssica pensou, ecoando a minha própria frustração.
“Edward Cullen está te encarando”, ela sussurrou na orelha da garota Swan,
adicionando uma risadinha. Não havia sinal de sua irritação ciumenta no seu
tom.
Jéssica parecia ser habilidosa em dissimular amizade.
Eu ouvi, absorto, a resposta da garota.
“Ele não parece irritado, parece?” ela sussurrou de volta.
Então ela tinha percebido minha reação selvagem semana passada. Claro que ela
tinha.
A pergunta confundiu Jéssica. Eu vi meu próprio rosto em seus pensamentos
enquanto ela checava minha expressão, mas eu não encontrei seu olhar. Eu
ainda estava
concentrado na garota, tentando ouvir alguma coisa. Meu foco intenso não
parecia estar
ajudando de forma alguma.
“Não”, Jess falou para ela e eu sabia que ela gostaria de poder dizer sim – como
isso a corroia por dentro, meu olhar – apesar de não haver nenhum traço disso
em sua
voz. “Ele deveria estar?”
“Eu não acho que ele goste de mim”, a garota sussurrou de volta, apoiando s ua
cabeça em seu braço como se ela estivesse subitamente cansada. Eu tentei
compreender
o movimento, mas eu só poderia tentar adivinhar. Talvez ela estivesse cansada.
“Os Cullens não gostam de ninguém” Jess a confortou. “Bem, eles não notam
ninguém o suficiente para gostar deles.” Eles nunca costumavam fazer isso. Seu
pensamento era um lamento de reclamação. “Mas ele ainda está te encarando.”
“Pare de olhar para ele”, a garota disse ansiosamente, levantando a sua cabeça
de seu braço para se certificar de qu e Jéssica havia obedecido a sua ordem.
Jéssica riu, mas fez como foi pedida.
A garota não desviou o olhar de sua mesa durante o resto da hora. Eu pensei –
apesar, é claro, de não poder ter certeza – de que isso foi deliberado. Parecia que
ela
queria olhar para mim. Seu corpo se virava suavemente em minha direção, seu
queixo
começava a virar e então ela percebia, respirava fundo e encarava fixamente seja
lá
quem estivesse falando.
Eu ignorei o pensamento dos outros ao redor da garota por quase todo o tempo,
pois eles não eram, momentaneamente, sobre ela. Mike Newton estava
planejando uma
guerra de neves no estacionamento depois da escola, não parecendo perceber que
a
neve já havia se tornado chuva. O tremor dos pequenos flocos contra o telhado
havia se
tornado um padrão mais comum de gotas de chuva. Ele não podia ouvir a
mudança?
Parecia tão alto para mim.
Quanto o horário de almoço acabou, eu continuei no meu assento. Os humanos
saíram e eu me peguei tentando distinguir o som de seus passos do som dos
outros, como
se houvesse algo importante ou incomum quanto a eles. Que estúpido.
Minha família não fez um movimento para sair também. Eles esperaram para ver
o que eu iria fazer.
Eu iria ir para a sala, sentar ao lado da garota onde eu poderia sentir o cheiro
absurdamente potente de seu sangue e sentir o calor do seu pulso no ar ao redor
de
minha pele? Eu era forte o suficiente para isso? Ou eu havia tido o suficiente
para um
dia?
“Eu... acho que está tudo bem.” Alice disse, hesitante. “Sua mente está
decidida. Eu acho que você irá sobreviver por essa hora.”
Mas Alice sabia bem o quão rapidamente uma mente poderia mudar.
“Por que forçar, Edward?” Jasper perguntou. Apesar dele não querer se sentir
orgulhoso que eu era quem era fraco dessa vez, eu podia ouvir que ele sentia, só
um
pouco. “Vá para casa. Vá devagar.”
“Qual o problema?” Emmett discordou. “Se ele vai ou não matar ela. Deve da
mesma forma superar isso, seja qual for o caminho.”
“Eu ainda não quero me mudar”, Rosalie reclamou. “Eu não quero recomeçar."
Nós estamos quase nos formando no Ensino Médio, Emmett. Finalmente.’
Eu estava de forma justa atormentado pela decisão. Eu queria, eu queria muito,
encarar isso com a cabeça erguida do que fugir novamente. Mas eu não queria
me provar
demais, também. Havia sido um erro semana passada para Jasper ficar tanto
tempo sem
caçar; isso era um erro tão sem sentido também?
Eu não queria fazer minha família se mudar. Nenhum deles me agradeceria por
isso.
Mas eu queria ir para a minha aula de biologia. Eu percebi que queri a ver o seu
rosto novamente.
Aquilo decidiu a questão para mim. Aquela curiosidade. Eu estava com raiva de
mim mesmo por sentir aquilo. Eu não havia prometido para mim mesmo que eu
não
deixaria o silêncio da mente da garota me fazer ficar desnecessariament e
interessado
nela? E ainda assim, aqui estava eu, muito desnecessariamente interessado.
Eu queria saber o que ela estava pensando. Sua mente estava fechada, mas seus
olhos eram muito abertos. Talvez eu pudesse lê -los ao invés de sua mente.
“Não, Rose, eu realmente acho que tudo vai ficar bem”, Alice disse. “Está... se
firmando. Eu estou noventa e três por cento certa de que nada de ruim irá
acontecer se
ele for para a aula”. Ela olhou para mim inquisitivamente, se perguntando sobre
o que
havia mudado em meu pensamento que fez suas visões do futuro ficarem mais
seguras.
Seria a curiosidade suficiente para manter Bella Swan viva?
Emmett estava certo, apesar de tudo – por que não superar isso, de alguma
forma? Eu iria encarar a tentação de cabeça erguida.
“Ir para a aula”, eu ordenei, me afastando da mesa. Eu me virei e me afastei
deles sem olhar para trás. Eu podia ouvir a preocupação de Alice, a censura de
Jasper, a
aprovação de Emmett e a irritação de Rosalie me seguindo.
Eu tomei mais uma profunda respiraçã o na porta da sala de aula e então prendi
o
ar em meus pulmões enquanto eu entrava no espaço pequeno e quente.
Eu não estava atrasado. O professor Banner ainda estava organizando as coisas
para o laboratório de hoje. A garota sentava na minha – na nossa mesa, seu rosto
abaixado novamente, encarando a pasta com a qual estava rabiscando. Eu
examinei o
rascunho enquanto eu me aproximava, interessado até nessa criação trivial de
sua
mente, mas era sem sentido. Só um desenho aleatório com ondas dentro de
ondas.
Talvez ela não estivesse se concentrando no padrão, mas pensando em outra
coisa?
Eu puxei minha cadeira um uma grosseria desnecessária, deixando -a arranhar o
linóleo; humanos sempre se sentiam mais confortáveis quando barulho
anunciava a
aproximação de alguém.
Eu sabia que ela havia escutado o som; ela não olhou para cima, mas suas mãos
perderam uma onda no desenho que ela estava fazendo, deixando -o
desequilibrado.
Por que ela não havia olhado para cima? Provavelmente ela estava assustada. Eu
devia
me certificar de deixá-la com uma impressão diferente dessa vez. Faze -la pensar
que ela
estava imaginando coisas antes.
“Olá”, eu disse na voz quieta que eu usava quando eu queria deixar os humanos
mais confortáveis, formando um sorriso educado com meus lábios que não
mostraria
nada de dentes.
Ela olhou para cima então, seus grandes olhos castanhos chocados – quase
desconcertada – e cheios de perguntas silenciosas. Era a mesma expressão que
estava
obstruindo as minhas visões pela última semana.
Enquanto eu encarei aqueles estranhos e profundos olhos castanhos, eu percebi
que o ódio – o ódio que eu imaginei que essa garota de alguma forma merecia por
simplesmente existir – havia evaporado. Sem respirar agora, sem sentir seu
cheiro, era
difícil acreditar que alguém tã o vulnerável pudesse sequer justificar o ódio.
Suas bochechas começaram a corar e ela não disse nada.
Eu mantive meus olhos nos dela, focando apenas nos seus questionamentos
profundos e tentei ignorar a cor apetitosa. Eu tinha ar o suficiente para falar po r
algum
tempo sem precisar respirar.
“Meu nome é Edward Cullen”, eu disse, apesar de saber que ela sabia aquilo. Era
a forma educada de começar. “Eu não tive uma oportunidade de me apresentar
semana
passada. Você deve ser Bella Swan.”
Ela pareceu confusa – havia uma pequena ruga entre seus olhos novamente.
Levou meio segundo a mais do que deveria ter levado para ela responder.
“Como você sabe meu nome?” ela perguntou e sua voz tremeu só um pouco.
Eu devo ter realmente aterrorizado ela. Isso me fez sentir cu lpado, ela era
apenas indefesa.Eu ri gentilmente – era o som que eu sabia que fazia os humanos
se
sentirem melhor. Novamente, eu tomei cuidado com meus dentes.
“Oh, eu acho que todo mundo sabe seu nome”. Certamente ela deve ter
percebido que ela havia se t ornado o centro das atenções nesse lugar monótono.
“Toda
a cidade estava esperando pela sua chegada.”
Ela franziu a testa como se essa informação fosse desagradável. Eu presumi que
sendo tímida como ela era, atenção pareceria algo ruim para ela. A maioria dos
humanos
sentia o oposto. Apesar deles não quererem se destacar do rebanho, ao mesmo
tempo
queriam um holofote para sua uniformidade individual.
“Não” ela disse. “Eu quis dizer, por que me chamou de Bella?”
“Você conseguiu lentes de contato?”, ela pergu ntou abruptamente.
Que pergunta esquisita. “N ão.” Eu quase sorri com a idéia de melhorar minha
visão.
“Oh” ela resmungou. “Eu achei que tinha algo diferente com os seus olhos”.
Eu me senti subitamente gelado novamente enquanto eu percebi que eu
aparentemente não era o único querendo desencavar segredos hoje.
Eu dei de ombros, com eles enrijecidos, e olhei na direção para onde o professor
estava fazendo seus círculos.
Claro que havia algo de diferente em meus olhos desde a última vez que ela
havia os encarado. Para me preparar para a experiência de hoje, para a tentação
de
hoje, eu havia gastado todo o fim de semana caçando, saciando minha sede tanto
quanto possível, exagerando, na verdade. Eu havia me empanturrado no sangue
de
animais, não que fizesse muita diferença na frente de todo o sabor ultrajante
flutuando
no ar ao redor dela. Quando eu a encarei da última vez, meus olhos estavam
negros com
a sede. Agora, meu corpo estava nadando em sangue, meus olhos estavam em
um
dourado aconchegante. Um âmbar claro da minha tentativa excessiva de saciar
minha
sede.
Outro escorregão. Se eu havia percebido o que ela queria dizer com a sua
pergunta, eu poderia ter dito apenas sim.
Eu havia sentado ao lado de humanos por dois anos agora nessa escola e ela era
a
primeira pessoa a me examinar perto o suficiente para perceber a mudança na
cor dos
meus olhos. Os outros, enquanto admiravam a beleza da minha família, tendiam
a olhar
para baixo rapidamente quando nós devolvíamos os seus olhares. Eles se
afastavam,
bloqueando os detalhes de nossas aparências de uma forma instintiva para afastá
-los da
compreensão. Ignorância era uma benção para a mente humana.
Por que tinha que ser essa garota que veria demais?
Professor Banner se aproximou de nossa mesa. Eu agradecidamente puxei o ar
fresco que ele trouxe consigo antes que ele pudesse se misturar com o cheiro
dela.
“Então, Edward,” ele disse, olhando por sobre nossas respostas, “você não acha
que Isabella deveria ter uma chance no microscópio?”
“Bella”, eu corrigi ele por reflexo. “Na verdade, ela identificou três de cinco.”
Os pensamentos do professor Banner eram céticos quando ele se virou e olhou
para a garota. “Você já fez esse laboratório antes?”
Eu assistir, curioso, enquanto ela sorria, parecendo levemente envergonhada.
“Não com raiz de cebola.”
“Blástula de pescado branco?”, o senhor Banner a sondou.
“É.”
Isso o surpreendeu. O laboratório de hoje era algo que ele havia tirado de um
curso mais avançado. Ele balançou a cabeça de modo ponderado para a garota.
“Você
estava em um programa avançado de colocação em Phoenix?”
“Sim.”
Ela era avançada então, inteligente para uma humana. Isso não me surpreendeu.
“Bem”. Sr. Banner disse, franzindo seus lábios. “Eu acho que é bom que vocês
dois sejam parceiros de laboratório.” Ele se virou e se afastou, resmungando,
“Para que
os outros alunos possam ter uma chance de aprender alguma coisa sozinha”, por
debaixo
de sua respiração. Eu duvidei que a garota pudesse ouvir aquilo. Ela começou a
desenhar
as ondas por sobre sua pasta novamente.
Dois escorregões em meia hora. Um espetáculo muito pobre da minha parte.
Apesar de que não ter idéia do que a garota pensava de mim – quanto ela temia,
quanto
ela suspeitava? – eu sabia que precisava colocar um maior esforço para deixá -la
com uma
nova impressão de mim. Alguma coisa boa para afogar as suas memórias do
nosso último
encontro.
“É uma pena sobre a neve, não é?” Eu disse, repetindo a pequena conversa que
eu já havia escutado uma dúzia de estudantes discutindo. Um tópico entediante,
padrão, de conversa. O tempo – sempre seguro.
Ela me encarou com uma dúvida óbvia nos seus olhos – uma reação anormal
para
minhas palavras extremamente normais. “Na verdade não.”, ela disse, me
surpreendendo novamente.
Eu tentei dirigir a conversa de volta para um terren o banal. Ela era de um lugar
bem mais brilhante e quente – sua pele parecia refletir isso de alguma forma,
apesar de
sua brancura – e o frio deveria fazê-la se sentir desconfortável. Meu toque gelado
com
certeza havia...
“Você não gosta de frio.”, eu adivi nhei.
“Ou de umidade.”, ela concordou.
“Forks deve ser um lugar difícil para você viver.” Talvez você não devesse ter
vindo para cá, eu queria adicionar. Talvez você devesse voltar para onde você
pertence .
Apesar disso, eu não tinha certeza se queria aquil o. Eu iria sempre lembrar do
cheiro do
sangue dela – havia alguma garantia de que eu não iria eventualmente segui -la?
Além
disso, se ela fosse embora, sua mente permaneceria para sempre um mistério.
Um
quebra-cabeça constante e irritante.
“Você não tem idéia.”, ela disse em uma voz baixa, olhando irritada para além
de mim por um momento.
As respostas dela nunca eram o que eu esperava. Elas me faziam querer
perguntar mais.
“Por que você veio para cá, então?” Eu perguntei, percebendo instantemente que
meu tom era muito acusador, sem ser casual o suficiente para a conversa. A
pergunta
soou rude, bisbilhoteira.
“É... complicado.”
Ela piscou seus olhos largos, deixando por isso mesmo, e eu quase implodi de
curiosidade – a curiosidade queimava tão quente como a se de na minha
garganta. Na
verdade, eu descobri que estava se tornando um pouco mais fácil respirar; a
agonia
estava se tornando mais sustentável através da familiaridade.
“Eu acho que eu posso seguir.” Eu insisti. Talvez cortesia em comum a fizesse
responder minhas perguntas enquanto eu fosse rude o suficiente para perguntá -
las.
Ela encarou silenciosamente as suas mãos. Isso me deixou impaciente; eu queria
colocar
minha mão sob seu queixo e levantar a sua cabeça para que eu pudesse ler os
seus
olhos. Mas seria bobo para mim – perigoso – tocar a sua pele novamente.
Ela olhou para cima de repente. Foi um alívio ser capaz de ver as emoções nos
olhos
dela novamente. Ela falou rapidamente, se apressando entre as palavras.
“Minha mãe se casou novamente.”
Ah, isso era humano o suficiente, fácil de compreender. A tristeza passou pelos
seus olhos claros e trouxe a ruga novamente entre eles.
“Isso não soa tão complexo”. Eu disse. Minha voz era gentil sem minhas palavras
serem. A sua tristeza me fez sentir estranhamente impotente, desejando que
houvesse
algo que eu pudesse fazer para fazê -la se sentir melhor. Um estranho impulso.
“Quando
isso aconteceu?”
“Setembro passado.”. Ela expirou pesadamente – não realmente um suspiro. Eu
prendi minha respiração enquanto o ar morno que saia dela passava por minha
pele.
“E você não gosta dele.”, eu adivinhei, pescando por mais informações.
“Não, Phil é legal.” Ela disse, corrigindo minha suposição. Havia agora a
insinuação de um sorriso em torno das curvas de seus lábios cheios. “Mui to
novo, talvez,
mas legal o suficiente.”
Isso não se encaixava com o cenário que eu estava construindo na minha cabeça.
“Por que você não ficou com eles?” eu perguntei, minha voz um pouco curiosa
demais. Parecia que eu estava sendo intrometido. O que eu e stava, na verdade.
“Phil viaja muito. Ele joga bola como profissional.” O pequeno sorriso cresceu
mais pronunciado; essa escolha de carreira a divertia.
Eu sorri também, sem querer. Eu não estava tentando fazê -la sentir-se aliviada.
O sorriso dela apenas me fez querer sorrir em resposta – estar por dentro do
segredo.
“Já ouvi falar dele?” Eu percorri a lista de jogadores de bola profissionais na
minha cabeça, me perguntando qual dos Phil seria o dela.
“Provavelmente não, ele não joga bem.” Outro sorriso. “E stritamente liga menor.
Ele se muda bastante.”
A lista em minha cabeça mudou instantaneamente, e eu fiz uma lista de
possibilidades em menos de um segundo. Ao mesmo tempo, estava imaginando o
novo
cenário.“E sua mãe te mandou pra cá para que ela pudesse viajar com ele” eu
disse.
Fazer suposições parecia tirar mais informações dela do que perguntas tiraram. E
isso
funcionou de novo. Seu queixo se empinou, e sua expressão estava
repentinamente
obstinada.
“Não, ela não me mandou pra cá,” ela disse, e sua voz tinha um novo, forte
timbre. Minha suposição havia chateado -a, embora eu não pudesse ver como.
“Eu me
mandei.”
Eu não podia adivinhar o que isso significava, ou o motivo por trás de seu
ressentimento. Eu estava completamente perdido.
Então desisti. Ela não fazia sentido. Ela não era como outros humanos. Talvez o
silêncio de seus pensamentos e o perfume de seu cheiro não eram as únicas
coisas
incomuns sobre ela.
“Eu não entendo,” admiti, odiando fazê -lo.
Ela suspirou, e encarou meus olhos por mais tempo que a maioria dos humanos
normais podia agüentar.
“Ela ficou comigo no início, mas ela sentia falta dele,” ela explicou lentamente,
seu tom crescendo mais desolado com cada palavra. “Isso a fez infeliz... então
decidi
que era a hora de passar mais tempo de qu alidade com Charlie.”
O pequeno franzido entre seus olhos se aprofundou.
“Mas agora você está infeliz,” murmurei. Eu não conseguia parar de falar minhas
hipóteses em voz alta, esperando aprender com as reações dela. Essa reação,
entretanto, não pareceu mui to longe da marca.
“E?” ela disse, como se isso nem fosse um aspecto a ser considerado.
Eu continuei a encarar seus olhos, sentindo que eu finalmente tinha pego meu
primeiro vislumbre dentro de sua alma. Eu vi nessa única palavra aonde ela
classificava
ela mesma em uma de suas prioridades. Diferente de muitos humanos, suas
próprias
necessidades estavam bem no final da lista.
Ela era humilde.
Quando vi isso, o mistério da pessoa escondida dentro dessa mente quieta
começou a dispersar um pouco.
“Isso não parece justo,” eu disse. Dei de ombros, tentando parecer casual,
tentando esconder a intensidade da minha curiosidade.
Ela gargalhou, mas não tinha diversão no som. “Ninguém nunca te disse? A vida
não é justa.”
Eu queria rir das palavras dela, embora eu, també m, não tenha sentido
nenhuma
diversão. Eu sabia um pouco sobre a injustiça da vida. “Eu acho que já ouvi isso
em
algum lugar antes.”
Ela me encarou de volta, parecendo confusa de novo. Seus olhos lampejaram
para longe, e depois voltaram para os meus.
“Então isso é tudo,” ela me disse.
Mas eu não estava pronto para deixar essa conversa terminar. O pequeno V entre
seus olhos, uma lembrança de seu pesar, me incomodava. Eu queria suavizar
isso com a
ponta dos meus dedos. Porém, é claro, eu não podia tocá -la. Isso era inseguro de
muitas
maneiras.
“Você colocou de uma boa forma.” Eu disse lentamente, ainda considerando a
próxima hipótese. “Mas eu apostaria que você está sofrendo mais do que deixa
qualquer
um ver.”
Ela fez uma careta, seus olhos estreitando e sua b oca se retorcendo em um
beicinho torto, e olhou de volta para frente da turma. Ela não gostou quando eu
chutei
certo. Ela não era uma vítima – ela não queria uma audiência para sua dor.
“Estou errado?”
Ela encolheu ligeiramente, contudo fingiu que não me o uviu.
Isso me fez sorrir. “Acho que não.”
“Por que isso importa pra você?” ela questionou, ainda encarando longe.
“Essa é uma boa pergunta,” admiti, mais para mim do que para respondê -la.
O discernimento dela era melhor que o meu – ela viu diretamente o nú cleo das
coisas enquanto eu debatia ao redor das bordas, procurando cegamente por
idéias. Os
detalhes da vida humana dela não importavam para mim. Era errado para mim
me
importar com o que ela pensava. Além de proteger minha família de suspeitas,
pensamentos humanos não eram significantes.
Eu não estava acostumado a ser o menos intuitivo em qualquer dupla. Eu confiei
em minha audição extra demais – claramente eu não era tão perceptivo quanto
eu tinha
dado crédito a mim mesmo.
A garota suspirou e olhou desco ntente para a frente da classe. Algo sobre sua
expressão frustrada era cômico. A situação toda, a conversa inteira era cômica.
Ninguém
tinha estado em mais perigo comigo que essa garotinha – a qualquer momento eu
posso,
distraído pela minha ridícula absorç ão nessa conversa, inalar pelo meu nariz e
atacá -la
antes de conseguir parar a mim mesmo – e ela estava irritada porque eu não
havia
respondido sua pergunta.
“Estou te perturbando?” eu perguntei, sorrindo com o absurdo disso tudo.
Ela me olhou rapidamente, e então seus olhos pareceram ser trapaceados pelo
meu
olhar.
“Não exatamente,” ela me disse. “Estou mais perturbada comigo mesma. Meu
rosto é tão fácil de ler – minha mãe sempre me chamou de livro aberto.”
Ela franziu o cenho, insatisfeita.
Eu a encarei com espanto. A razão porque ela estava chateada era porque ela
achava que eu tinha visto por ela muito f acilmente. Que bizarro. Eu nunca gastei
tantos
esforços para entender alguém em toda a minha vida – ou ao menos existência, já
que
vida era dificilmente a palavra correta. Eu não tinha realmente uma vida.
“Ao contrário,” discordei, sentindo -me estranhamente... cauteloso, como se
houvesse algum perigo escondido que eu estivesse falhando em ver. Eu estava
subitamente na borda, a premonição me tornando ansio so. “Eu acho você muito
difícil
de ler.”
“Você deve ser um bom leitor, então,” ela deduziu, fazendo sua própria hipótese
que estava, de novo, exatamente certo.
“Normalmente sim,” concordei.
Eu sorri abertamente para ela então, deixando meus lábios puxados para expor a
fileira de brilhantes, afiados dentes por trás deles.
Era algo estúpido de se fazer, mas eu estava abruptamente, inesperadamente
desesperado para conseguir algum tipo de advertência vindo da garota. O corpo
dela
estava próximo de mim antes, te ndo se movido inconscientemente no curso de
nossa
conversa. Todas as pequenas marcas e sinais que eram suficientes para assustar
o resto
da humanidade não pareciam funcionar nela. Por que ela não se encolheu para
longe de
mim em pânico? Certamente ela havi a visto suficiente o meu lado negro para
perceber o
perigo, intuitiva como ela parecia ser.
Não consegui ver se meu aviso teve o efeito desejado. Mr. B anner chamou a
atenção da classe na hora, e ela se virou de imediato. Ela parecia um pouco
aliviada
pela interrupção, então talvez ela tenha entendido inconscientemente.
Eu esperava que ela tivesse entendido.
Eu reconheci a fascinação crescendo dentro de mim, mesmo que eu tentasse
destruí-la. Eu não podia arriscar achar Bella Swan interessante. Ou ainda, ela
não podia
arriscar isso. Eu já estava ansioso por uma outra chance de conversar com ela.
Eu queria
saber mais sobre sua mãe, sua vida antes de vir para cá, seu relacionamento com
o pai.
Todos os detalhes sem importância que alimentariam sua personalidade a inda
mais. Mas
cada segundo que eu passava com ela era um erro, um risco que ela não deveria
ter.
Distraidamente, ela lançou seu cabelo volumoso exatamente no momento em que
me permiti respirar. Uma onda particularmente concentrada de seu cheiro bateu
no
fundo da minha garganta.
Era como o primeiro dia – como a bola destruidora. A dor da secura ardente me
deixou tonto, eu tive que agarrar a mesa de novo para me manter sentado. Dessa
vez eu
tinha ligeiramente mais controle. Não quebrei nada, pelo menos. O mo nstro
rosnou
dentro de mim, mas não sentiu nenhum prazer com minha dor. Ele estava
fortemente
amarrado. Por enquanto.
Eu parei de respirar completamente, e me inclinei tão longe da garota quanto
pude.
Não, eu não podia arriscar achá -la fascinante. Quanto mais interessante eu a
achasse, mais provavelmente eu a mataria. Eu já havia tido duas escorregadas
menores
hoje. Eu teria uma terceira, uma que não fosse menor?
Tão cedo quanto o sinal tocou, fugi da sala – provavelmente destruindo qualquer
impressão de educação que eu havia meramente construído durante a hora. De
novo, eu
arfei no ar limpo e molhado do lado de fora, como se fosse uma fragrância
curativa. Eu
me aprecei para colocar tanta distância entre a garota e eu quanto fosse possível.
Emmett esperou por mim do lado de fora da porta de nossa aula de Espanhol. Ele
leu minha expressão selvagem por um momento.
Como foi? Ele perguntou cautelosamente.
“Ninguém morreu,” eu sussurrei.
Eu acho que isso já é alguma coisa. Quando vi Alice abandonando a aula no final,
eu pensei...
Enquanto andávamos para dentro da sala, eu vi as suas memórias de apenas
alguns momentos atrás, vendo pela porta aberta de sua última aula: Alice
andando
ativamente e pálida ao longo do chão na direção do prédio de ciências. Eu senti a
lembrada urgência dele de levantar e se juntar a ela, e então sua decisão de ficar.
Se
Alice precisasse de sua ajuda, ela pediria...
Fechei meus olhos com horror e desgosto enquanto despencava em meu assento.
“Eu não percebi que tinha sido assim tão perto. Eu não pensei que eu fosse... não
vi que
era assim tão ruim,” eu sussurrei.
Não foi, ele me assegurou. Ninguém morreu, certo?
“Certo,” eu disse entre dentes. “Não dessa ver.”
Talvez isso fique mais fácil.
“Claro.”
Ou, talvez você a mate. Ele deu de ombros. Você não seria o primeiro a errar.
Ninguém te julgaria tão severamente. Às vezes uma pessoa só cheira muito bem.
Estou
impressionado que você tenha agüentado tanto.
“Não está ajudando, Emmett.”
Eu estava revoltado com a aceitação dele da idéia de que eu mataria a garota,
que isso era de alguma forma inevitável. Era culpa dela que ela cheirasse tão
bem?
Eu sei quando isso aconteceu comigo... , ele remanesceu, me levando com ele
para meio século atrás, para um caminho na poeira, onde uma mulher de meia -
idade
estava tirando seus lençóis secos de uma linha pendurada entre macieiras. O
cheiro de
maçãs pendeu pesado no ar – a colheita tinha acabado e as frutas rejeitadas
estavam
espalhadas no chão, as batidas em suas peles derramando sua fragrância em
nuvens
volumosas. A grama recém-aparada era um fundo para esse cheiro, uma
harmonia. Ele
andou pelo caminho, não mais que inconsciente para a mulher, em uma
incumbência
para Rosalie. O céu estava roxo em cima da cabeça, laranja em cima das árvores
a
oeste. Ele continuaria pela trilha serpenteante e não teria havido razão para
lembrar
daquela noite, exceto que uma súbita brisa noturna soprou os lençóis brancos
como
velas e abanou o cheiro da mulher para o rosto de Emmett.
“Ah,” grunhi silenciosamente. Como se minha pr ópria memória de sede não fosse
suficiente.
Eu sei. Não durei meio segundo. Eu nem pensei em resistir.
A memória dele se tornou extremamente explicita para mim para agüentar.
Pulei para meus pés, meus dentes cerrados fortes o suficiente para quebrar aço.
“Esta bien, Edward?” Senora Goff perguntou, assustada com meu movimento
súbito. Eu pude ver meu rosto na mente dela, e eu sabia que parecia longe de
estar
bem.
“Me perdona,” murmurei, enquanto disparava para a porta.
“Emmett – por favor, puedas tu ayudar a tu hermano?” ela perguntou,
gesticulando desamparadamente em minha direção enquanto eu corria para fora
da sala.
“Claro,” o ouvi dizer. E então ele estava bem atrás de mim.
Ele me seguiu até o lado mais distante do prédio, quando me alcançou e colocou
sua mão em meus ombros.
Eu empurrei a mão dele para longe com força desnecessária. Isso teria
estilhaçado os ossos em uma mão humana, e os ossos do braço unidos a ela.
“Desculpe, Edward.”
“Eu sei.” Eu respirei em profundas arfadas de ar, tentando limpar minha cabeça
e meus pulmões.
“Isso é tão ruim quanto aquilo?” ele perguntou, tentando não pensar no cheiro e
no sabor de sua memória enquanto perguntava, e não tendo sucesso.
“Pior, Emmett, pior.”
Ele estava quieto por um momento.
Talvez...
“Não, não seria melhor se eu terminasse com isso. Volte para a sala, Emmett. Eu
quero ficar sozinho.”
Ele se virou sem mais uma palavra ou pensamento e caminho rapidamente para
longe. Ele diria para a professora de Espanhol que eu estava doente, ou
cabulando, ou
que era um vampiro perigosamente fora de controle. A desculpa dele realmente
importava? Talvez eu não voltasse. Talvez eu tivesse que partir.
Eu fui pro meu carro de novo, para esperar as aulas terminarem. Para me
esconder. De novo.
Eu devia ter passado o tempo tomando decisões ou tentando apoiar minha
solução, mas, como um viciado, me vi procurando entre a tagarelice de
pensamentos
emanando dos prédios da escola. As vozes familiares se destacaram, mas eu não
estava
interessando em ouvir as visões de Alice ou as reclama ções de Rosalie agora. Eu
encontrei Jessica facilmente, mas a garota não estava com ela, então continuei a
procurar. Os pensamentos de Mike Newton prenderam minha atenção, e eu a
localizei,
no ginásio com ele. Ele estava infeliz, porque eu havia falado com ela hoje em
biologia.
Ele estava revendo a resposta dela quando levantou o assunto...
Eu nunca o vi realmente falar com alguém por mais de uma palavra aqui ou ali.
É
claro que ele decidiria achar Bella interessante. Eu não gosto da forma como ele
olha
para ela. Mas ela não pareceu muito ansiosa sobre ele. O que ela disse? “Me
pergunto o
que aconteceu com ele na última segunda -feira.” Algo assim. Não parecia como
se ela se
importasse. Não deve ter sido exatamente uma conversa...
Ele falou consigo mesmo sobr e seu pessimismo e seguiu assim, animado com a
idéia de que Bella não tenha ficado interessada na discussão comigo. Isso me
irritou um
pouco mais que o aceitável, então parei de ouvi -lo.
Eu coloquei um C D de musica violenta no aparelho de som, e então aume ntei o
som até isso absorver outras vozes. Eu tive que me concentrar na música para
evitar de
ser levado de volta para os pensamentos de Mike Newton, para espiar a garota
insuspeitável...
Eu trapaceei algumas vezes, enquanto a hora se aproximava do fim . Não
espiando, tentei me convencer. Eu só estava preparando. Eu queria saber
exatamente
quando ela sairia do ginásio, quando ela estaria no estacionamento. Eu não
queria que
ela me pegasse de surpresa.
Como os estudantes começaram a sair das portas do gin ásio, eu sai do carro,
incerto do porque fiz isso. A chuva era leve – eu a ignorei como ela lentamente
saturava
meu cabelo.
Será que eu queria que ela me visse aqui? Será que eu esperava que ela viesse
falar comigo? O que eu estava fazendo?
Não me movi, embora eu tenha tentado me convencer de entrar de volta no
carro, sabendo que meu comportamento era repreensível. Eu mantive meus
braços
cruzados sobre meu peito e respirei superficialmente enquanto a via caminhar
lentamente em minha direção, sua boca se cu rvando para baixo. Ela não olhou
pra mim.
Algumas vezes ela olhou para as nuvens com uma careta, como se elas a
ofendessem.
Eu estava desapontado quando ela alcançou seu carro antes de passar por mim.
Ela teria falado comigo? Eu teria falado com ela?
Ela entrou em uma picape Chevy apagada, uma monstruosidade enferrujada que
era mais velha que o pai dela. Eu vi ela ligar a picape – o velho motor roncou
mais alto
que qualquer veiculo no lugar – e então estender seus braços para a ventilação
aquecedora. O frio era desconfortável para ela – ela não gostava disso. Ela passou
os
dedos pelo cabelo, puxando mexas pela corrente de ar quente como se estivesse
tentando secá-las. Eu imaginei como a cabine daquela picape devia cheirar, e
então
rapidamente dispersei o pen samento.
Ela olhou em volta enquanto se preparava para dar ré, e então finalmente olhou
na minha direção. Ela me encarou de volta por somente meio segundo, e tudo o
que eu
pude ler em seus olhos era surpresa antes de ela arrancar seu olhos para longe e
mov er a
picape para trás. E então seqüencialmente parar de novo, a traseira da picape
quase
batendo no carro de Brian Teague por meros centímetros.
Ela encarou pelo retrovisor, a boca aberta de desgosto. Quando o outro carro que
havia manobrado passou por ela , ela checou todos os pontos cegos duas vezes e
então
avançou lentamente para fora do estacionamento, tão cuidadosamente que me fez
rir.
Era como se ela achasse que era perigosa em sua picape decrépita.
A idéia de Bella Swan sendo perigosa para qualquer um , não importando o que
ela estivesse dirigindo, me fez gargalhar enquanto a garota passou por mim,
encarando
rigorosamente a sua frente.
Capítulo 03: Fenômeno
Sinceramente, eu não estava com sede, mas eu deci di ir caçar de novo
naquela noite.
Uma pequena medida de prevenção, tão inadequada quanto eu sabia que
era.
Carlisle veio até mim; nós não tínhamos estado sozinhos juntos desde que
eu voltei
de Denali. Enquanto nós corríam os pela floresta escura, eu o ouvi
pensando naquele adeus
apressado de semana passada.
Na memória dele, eu vi o modo como meu aspecto tinha sido distorcido
nu m
intenso desespero. Eu senti a sua surpresa e súbita preocupação.
“Edward?”
“Eu tenho que ir, Carlisle. Eu tenho que ir.”
“O que aconteceu?”
“Nada. Ainda. Mas vai acontecer, se eu ficar.”
Ele alcançou para tocar meu braço. Eu senti como o magoei quando me
encolhi do
seu braço.
“Eu não entendo.”
“Você alguma vez...teve alguma vez em que...”
Eu me vi respirando fundo, vi a luz selvagem nos meus olhos através do
filtro das
suas profundas preocupações.
“Já teve alguma pessoa que cheirou melhor para você do que o resto deles?
Muito
melhor?”
“Oh.”
Quando eu soube que ele havia entendido, meu rosto caiu em vergonha.
Ele tinha
alcançado para me tocar, ignorando quando eu recuei de novo, e pousou a
sua mão no me
ombro.
“Faça o que você tiver que fazer para resistir, filho. Eu vou sentir sua falta.
Aqui,
leve meu carro. É mais fácil.”
Ele estava pensando agora se havia feito a coisa certa, me mandando
embora.
Pensando se ele não tinha me magoado com a sua falta de confiança.
“Não.” eu murmurei enquanto corria. “Isso é o que eu precisava. Eu
poderia muito
facilmente trair essa confiança, se você me dissesse para ficar.”
“Eu sinto muito que você esteja sofrendo, Edward. Mas você deve fazer o
que puder
para manter a jovem Swan viva. Mesmo que isso signifique que você deva
nos deixar
novamente.”
“Eu sei, eu sei.”
“Por que você voltou? Você sabe o quão feliz eu sou de ter você aqui, mas
se isso é
tão difícil...”
“Eu não gostei de me sentir com um covarde”, eu admiti.
Nós tínhamos diminuído a velocidade – estávamos agora praticamente
fazendo um
cooper pela escuridão.
“Melhor do que colocar ela em perigo. Ela vai ter ido embora em um ano ou
dois.”
“Você está certo, eu sei disso.” Contrariamente, porém, as palavras dele só
me
deixaram mais ansioso para ficar. A garota iria embora em um ano ou
dois...
Carlisle tinha parado de correr e eu parei com ele; ele se virou para
examinar a
minha expressão.
Mas você não vai f ugir, vai?
Eu deixei minha cabeça pender.
É orgulho, Edward? Não precisa ter vergonha em -
“Não, não é o orgulho que me mantém aqui. Não agora.”
Nenhum lugar para ir?
Eu ri brevemente. “Não. Isso não me pararia, se eu pudesse me fazer ir
embora.”
“Nós iremos com você, é claro, se é isso que você precisa. Você só precisa
pedir.
Você se mudou sem reclamar pelo resto deles. Eles não vão lhe negar
isso.”
Eu levantei uma sobrancelha.
Ele riu. “Sim, Rosalie talvez, mas ela lhe deve uma. De qualquer modo, é
bem
melhor para nós partirmos agora, sem nenhum dano, do que partirmos
depois, quando uma
vida tiver sido terminada.” Todo o humor se esvaindo no final.
Eu me esquivei das suas palavras.
“Sim.” Eu concordei. Minha voz soou rouca.
Mas você não vai partir?
Eu suspirei. “Eu deveria.”
“O que o segura aqui, Edward? Eu não consigo ver...”
“Eu não sei se eu consigo explicar.” Até mesmo para mim, não fazia
sentido.
Ele mediu a minha expressão por um bom tempo.
Não, eu não vejo. Mas eu vou respeitar a sua privac idade, se você pref erir.
“Obrigado. É generoso da sua parte, vendo como eu não dou privacidade
para
ninguém.” Com uma exceção. E eu estava fazendo tudo que eu podia para
privar ela disso,
não estava?
Nós todos temos nossos caprichos. Ele riu novamente. Vamos?
Ele tinha recém pego o rastro de uma pequena manada de veados. Era
difícil reunir
muito entusiasmo pelo que era, mesmo nas melhores das circunstâncias,
um aroma que
dava menos do que água na boca. Nesse momento, com a memória do
sangue fresco da
garota na minha mente, o cheiro me fez realmente revirar o estômago.
Eu suspirei. “Vamos”, eu concordei, embora eu soubesse que forçar mais
sangue
pela minha garganta ia ajudar muito pouco.
Nós nos curvamos para uma posição de caça e deixamos o aroma não
atrae nte nos
puxar para frente.
Estava mais frio quando retornamos para casa. A neve derretida havia
congelado
novamente, era como se um fino lençol de vidro cobrisse tudo – cada
agulha de pinheiro,
cada fronde de samambaia, cada lâmina de grama estava cobe rta de gelo.
Quando Carlisle foi se vestir para seu primeiro turno no hospital, eu fiquei
próximo
ao rio, esperando o sol nascer. Eu me sentia quase engolido pela
quantidade de sangue que
havia consumido, mas eu sabia que a falta de uma sede real significa ria
muito pouco
quando eu sentasse próximo à garota novamente.
Frio e imóvel como a rocha em que estava sentado, eu olhei para a água
escura
correndo pelo banco gelado, olhei através dela.
Carlisle estava certo. Eu deveria partir de Forks. Eles poderiam e spalhar
alguma
história para explicar a minha ausência. Escola interna na Europa.
Visitando parentes
distantes. Fuga adolescente. A história não importava. Ninguém iria
perguntar muito
intensamente.
Era apenas um ano ou dois e então a garota iria desaparec er. Ela iria
seguir com a
vida dela – ela teria uma vida para seguir. Ela iria para faculdade em
algum lu gar,
envelhecer, começar uma carreira, talvez casar com alguém. Eu conseguia
imaginar isso –
eu conseguia ver a garota vestida toda de branco e caminha ndo num
passo medido, o braço
dela encaixado com o do pai.
Era estranha, a dor que a imagem me causava. Eu não conseguia
entender. Eu estava
com inveja, por que ela tinha um futuro que eu nunca teria? Não fazia
sentido. Todos os
hu manos em volta de mim tinham o mesmo potencial pela frente – a vida –
e eu raramente
parava para invejá-los.
Eu deveria deixá-la para o seu futuro. Parar de arriscar a vida dela. Essa
era a coisa
certa a fazer. Carlisle sempre escolhia o caminho certo, eu deveria escutá -
lo agora.
O sol apareceu por trás das nuvens, e a luz fraca brilhou por todo o vidro
congelado.
Só mais um dia, eu decidi. Eu a veria mais uma vez. Eu conseguiria lidar
com isso.
Talvez eu devesse mencionar minha possível desaparição, deixar a história
armada.
Isso ia ser difícil, eu conseguia sentir as pesadas relutâncias que já me
faziam pensar
em desculpas para ficar – estender a data limite para mais dois dias, três,
quatro...mas eu ia
fazer a coisa certa. Eu sabia que eu podia confiar no conselho de Carlisle.
E eu também
sabia que eu estava confuso demais para tomar a decisão certa sozinho.
Muito confuso. Quanto dessa relutância vinha da minha curiosidade
obsessiva, e
quanto vinha do meu apetite insatisfeito?
Eu fui para dentro para colocar roupas limpas para a e scola.
Alice estava me esperando, sentada no degrau de cima do topo do terceiro
andar.
Você está partindo de novo, ela me acusou.
Eu suspirei e disse que sim.
Eu não consigo ver onde você está indo dessa vez.
“Eu ainda não sei para onde eu estou indo,” eu murmurei.
Eu quero que você f ique.
Eu balancei a minha cabeça.
Talvez eu e o Jazz possamos ir contigo?
“Eles vão precisar mais ainda de vocês, se eu não estiver aqui para ter
cuidado por
eles. E pense na Esme. Você levaria metade da família dela de uma vez
só?”
Você vai deixar ela tão triste.
“Eu sei. É por isso que vocês têm ficar.”
Não é a mesma coisa que ter você aqui, e você sabe.
“Sim, mas eu tenho que fazer o que é certo.”
Existem muitas maneiras certas, e muitas maneiras erradas, no entanto,
não é?
Por um breve momento ela foi sugada por uma de suas estranhas visões;
eu assisti
junto com ela enquanto as imagens indistintas piscavam e giravam. Eu me
vi misturado
com sombras estranhas que eu não conseguia entender – formas confusas,
imprecisas. E
então, de repente, minha pele estava brilhando na luz do sol de uma
pequena clareira. Esse
era um lugar que eu conhecia. Havia uma figura na clareira junto comigo,
mas, de novo, era
indistinto, não havia o suficiente para reconhecer. As imagens tremerem e
sumir am
enquanto um milhão de pequenas escolhas reorganizaram o futuro
novamente.
“Eu não peguei muito dessa,” eu disse para ela quando a visão ficou preta.
Nem eu. Seu futuro tem mudado tanto que eu não consigo acompanhar
nenhum
deles. Porém, eu acho...
Ela parou, enquanto passava por uma vasta coleção de outras visões
recentes para
mim. Elas eram todas parecidas – vagas e borradas.
“No entanto, eu acho que algo está mudando,” ela disse em voz alta. “A sua
vida
parece estar em uma encruzilhada.”
Eu ri sinistramente. “Você percebe que agora está falando como uma
cigana
fraudulenta em u m carnaval, certo?”
Ela mostrou a sua pequena língua para mim.
“Mas hoje está tudo bem, não está?” eu perguntei, minha voz
repentinamente
apreensiva.
“Eu não vejo você matando ning uém hoje,” ela me assegurou.
“Obrigado, Alice.”
“Vá se vestir. Eu não vou dizer nada – vou deixar você contar aos outros
quando
estiver pronto.”
Ela se levantou e saiu em disparada descendo as escadas, seus ombros
levemente
curvados. Vou sentir saudades. Mesmo.
Sim, eu ia sentir saudades dela, também.
Foi uma ida quieta até a escola. Jasper podia dizer que Alice estava triste
com algo,
mas ele sabia que se ela quisesse falar sobre o assunto ela já o teria feito.
Emmett e Rosalie
não estavam conscientes de nada, tendo mais um dos seus momentos,
contemplando
fixamente os olhos do outro com maravilha – era um tanto desagradável
olhar de fora. Nós
éramos todos discretamente conscientes de quão desesperadamente
apaixonados eles
estavam. Ou talvez isso era apenas eu sendo amargo, porque eu era o
único sozinho. Alguns
dias eram mais difíceis do que outros de viver com três pares de almas
gêmeas perfeitas.
Esse era um deles.
Talvez todos eles fossem ser mais felizes sem me ter andando em volta,
com
temperamento ruim e beligerante como o velho que eu deveria ser por
agora.
Claro, a primeira coisa que eu fiz quando cheguei na escola foi procurar
pela garota.
Apenas me preparando de novo.
Certo.
Era constrangedor como meu mundo parecia de repente tão vazio de tudo
exceto por
ela - toda a minha existência centrava em torno dessa garota ao invés de
centrar em mim
como antes.
Era fácil de entender, apesar de, realmente, depois de oitenta anos da
mesma coisa
todo dia e toda noite, cada mudança se tornava um ponto de absorção.
Ela não havia chegado ainda, mas eu conseguia ouvir o estrondoso bufar
do motor
da caminhonete dela à distância. Eu me encostei contra o banco do carro
para esperar. Alice
ficou comigo, enquanto os outros iam direto para a aula. Eles estavam
entediados co m a
minha fixação – era incompreensível para eles como uma humana poderia
ter tanto
interesse para mim por tanto tempo, não importando o quão delicioso
fosse o cheiro dela.
A garota dirigia vagarosamente pela vista, os olhos dela atentos na estrada
e as mã os
dela apertadas contra a direção. Ela parecia ansiosa com algo. Levei um
segundo para
descobrir o que era esse algo, para perceber que cada humano estava com
essa mesma
expressão hoje. Ah, a estrada estava escorregadia com gelo, e eles estavam
todos diri gindo
com mais cuidado. Eu conseguia perceber que ela estava levando esse
novo risco muito a
sério.
Isso parecia compreensível com o pouco que eu havia aprendido da
personalidade
dela. Eu adicionei isso à pequena lista: ela era uma pessoa séria, uma
pessoa responsável.
Ela estacionou não muito longe de mim, mas ela ainda não havia notado
que eu
estava parado aqui, olhando para ela. Eu me perguntei o que ela faria
quando ela
percebesse? Corar e ir embora? Esse era meu primeiro palpite. Mas talvez
ela fosse m e
olhar de volta. Talvez, ela viesse falar comigo.
Eu respirei fundo, enchendo meus pulmões esperançosamente, em todo o
caso.
Ela desceu da caminhonete com cuidado, testando o chão escorregadio
antes de
colocar seu peso em cima. Ela não olhou para cima e i sso me frustrou.
Talvez eu devesse
falar com ela...
Não, isso seria errado.
Ao invés de se virar para escola, ela caminhou até a parte traseira da sua
caminhonete, se apoiando na lateral da carroceria em um divertido
caminho, não confiando
nos seus pés. Me fez sorrir, e eu senti os olhos de Alice no meu rosto. Eu
não escutei o que
quer que aquilo a fez pensar – eu estava me divertindo muito olhando a
garota reparando
nas correntes de neve. Ela realmente parecia em perigo de cair, o modo
com os pés dela
estava escorregando. Ninguém mais estava tendo trabalho – teria ela
estacionado na pior
parte do gelo?
Ela parou ali, olhando para baixo com uma estranha expressão no rosto.
Era...ternura? Como se algo no pneu a estivesse deixando... emocionada?
De novo, a curiosidade me ardia como uma sede. Era como se eu tivesse
que saber o
que ela estava pensando – como se nada mais importasse.
Eu ia falar com ela. Ela parecia como alguém que precisava de uma ajuda
de
qualquer modo, pelo menos até que ela saísse do asfalto es corregadio.
Claro, eu não
poderia oferecer isso a ela, poderia? Eu hesitei, dividido. Por mais adversa
que ela fosse à
neve, ela dificilmente aceitaria bem o toque das minhas mãos geladas. Eu
deveria ter
colocado luvas –
“NÃO!” Alice gritou em um sufoco al to.
Instantaneamente, eu examinei os pensamentos dela, achando a princípio
que eu
havia feito uma escolha errada e ela havia me visto fazendo algo
indesculpável. Mas não
tinha nada a ver comigo.
Tyler Crowley tinha escolhido dar a volta no estacionamento n uma
velocidade sem
juízo. Essa escolha ia mandá-lo nu ma patinação pelo caminho de gelo...
A visão veio apenas meio segundo antes da realidade. A van de Tyler
rodopiou pela
esquina enquanto eu estava imóvel vendo a conclusão que havia tirado o
terrível sufo co dos
lábios de Alice.
Não, essa visão não tinha nada a ver comigo, e ao mesm o tempo tinha tudo
a ver
comigo, porque a van de Tyler – os pneus agora mesmo batendo no gelo no
pior ângulo
possível – estavam girando pelo estacionamento e iam bater na garota que
tinha se tornado
o ponto de foco não convidado do meu mundo.
Mesmo sem a visão de Alice teria sido simples prever a trajetória do
veículo, saindo
do controle de Tyler.
A garota, parada exatamente no lugar errado na traseira da caminhonete,
olhou para
cima, enfeitiçada pelo som dos pneus arranhando o chão. Ela olhou direto
para os meus
olhos cheios de terror, e se virou para ver a morte se aproximando.
Ela não! As palavras gritaram na minha cabeça como se pertencessem à
outra
pessoa.
Ainda preso nos pensamentos de Alice, eu vi a visão repentinamente
mudar, mas eu
não tinha tempo de ver qual seria o resultado.
Eu me lancei através do estacionamento, me jogando entre a van
patinando e a
garota congelada. Eu me movi tão rápido que tudo foi um risco borrado
exceto pelo objeto
do meu foco. Ela não me viu – nenhum olho humano poderia ter seguido
meu vôo – ainda
encarando a pesada forma que estava perto de triturar o corpo dela na
moldura de metal da
sua caminhonete.
Eu a peguei pela cintura, me movendo com muit a urgência para ser tão
gentil
quanto ela precisaria que eu fosse. Nos milésimos de segundo entre o
tempo que eu puxei
bruscamente sua franzina forma do caminho da morte e o tempo que eu
bati contra o chão
com ela nos meus braços, eu me tornei vividamente consciente do seu
corpo frágil e
quebrável.
Quando eu ouvi a cabeça dela bater fortemente contra o gelo, eu senti
como se
tivesse me tornado gelo, também.
Mas eu não tive nem um segundo inteiro para me assegurar da condição
dela. Eu
ouvi a van atrás de nós, esfregando e com um som alto enquanto se
dobrava em torno do
robusto ferro da caminhonete da garota. Estava mudando de curso,
fazendo um arco, vindo
para ela de novo – como se ela fosse um imã, puxando para cima de nós.
“Droga,” eu silvei.
Eu já havia feito demais. Enquanto eu estava voando pelo ar para tirar ela
do
caminho, eu me tornei ciente do erro que eu estava fazendo. Saber que era
um erro não me
fez parar, mas eu não estava sem o conhecimento do risco que eu estava
sofrendo –
sofrendo, não apenas para mim, mas para toda a minha família.
Exposição.
E isso certamente não ia ajudar, mas não havia como eu permitir aquela
van de
suceder na sua segunda tentativa de tirar a vida dela.
Eu a larguei e liberei minhas mãos, pegando a van antes que ela pudess e
tocar a
garota. A força dela me arremessou com força de volta para o carro
estacionado perto da
caminhonete, e eu pude sentir a sua carroceria deformar -se atrás dos
meus ombros. A van
tremeu e balançou contra os inflexíveis obstáculos dos meus braços, e
então oscilou,
balançando instavelmente nos dois pneus restantes.
Se eu movesse minhas mãos, a parte de trás da van ia cair em cima das
pernas dela.
Oh, pelo amor de tudo que é sagrado, a catástrofe não ia acabar nunca?
Tinha mais
alguma coisa que poderia dar errado? Eu dificilmente poderia sentar aqui,
segurando a van
no ar e esperar por resgate. Também não podia jogar a van longe – havia o
motorista para
considerar, os pensamentos dele incoerentes pelo pânico.
Com um gemido interno, eu empurrei a van para que balançasse para
longe de nós
por um instante. Quando voltou para cima de mim, eu peguei por baixo da
carroceria com a
minha mão direita enquanto eu envolvi meu braço esquerdo em torno da
cintura da garota
de novo e arrastei-a de debaixo da van, puxando-a próxima ao meu corpo.
O corpo dela se
moveu sem firmeza enquanto eu balançava -a de modo que as suas pernas
estivessem fora
de perigo – ela estava consciente? Quantos danos eu teria causado a ela na
minha tentativa
de resgate improvisada?
Eu deixei a van cair, agora que não podia mais machucá -la. Bateu com
força no
pavimento, todas as janelas se quebrando em uníssono.
Eu sabia que eu estava no meio de uma crise. Quanto ela teria visto? Teria
alguma
outra testemunha me visto me materializar ao lado dela e então fazer
malabarismos com a
van enquanto tentava tirar ela debaixo? Essas questões deveriam ser
minhas maiores
preocupações.
Mas eu estava muito ansioso para realmente me importar com a ameaça
de
exposição tanto quanto eu deveria. Atingido por um ataque de pânico de
que eu talvez
pudesse ter machucado ela no meu esforço de protegê -la. Muito
apavorado por ter ela tão
perto de mim, sabendo o que iria cheirar se eu me permitisse respirar.
Muito ciente do calor
do corpo dela, pressionado contra o meu – mesmo contra o obstáculo
duplo das nossas
jaquetas, eu conseguia sentir o calor...
O primeiro medo foi o maior medo. Quando o grito das testemunhas
irrompeu em
torno de nós, eu me inclinei para examinar o rosto dela, ver se ela estava
consciente –
esperando intensamente que ela não estivesse sangrando em parte
alguma.
Os olhos dela estavam abertos, me encarando em choque.
“Bella?” eu perguntei com urgência. “Você está bem?”
“Estou.” Ela disse as palavras automaticamente com uma voz aturdida.
O alívio, tão raro que quase doía, me invadiu com o som de sua voz. Eu
puxei o ar
entre meus dentes, e ignorei a queimação em minha garganta. Eu quase a
dei boas -vindas.
Ela tentou se levantar, mas eu não estava pronto para soltá -la. De alguma
forma,
era como se fosse... mais seguro? Melhor, pelo menos, tê -la presa perto de
mim.
“Tenha cuidado” eu a avisei. “Acho qu e você bateu a cabeça com bastante
força”.
Não tinha nenhu m cheiro de sangue fresco – uma bênção – mas isso não
descartou
o dano interno. Eu estava brutalmente ansioso para levá -la até Carlisle e
um completo
equipamento de radiografia.
“Ai,” ela disse, com um tom comicamente chocado quando ela percebeu
que eu
estava certo sobre sua cabeça.
“Foi isso o que eu pensei.” O al ívio se fez engraçado, quase me fez rir.
“Como foi...” Sua voz arrastou -se, suas pálpebras agitadas. “Como você
chegou
aqui tão rápido?”
O alivio se transformou em desespero, o humor desapareceu. Ela tinha
notado
demais.
Agora que a garota parecia segura, a ansiedade pela minha família era
severa.
“Eu estava logo atrás de você, Bella.” Eu sabia por experiência que se eu
fosse bem
confiante enquanto tentava, eu deixaria qualquer um com menos certeza
da verdade.
Ela tentou se mover de novo, e dessa vez eu permiti. Eu precisava respirar
para
poder atuar direito. Eu precisava de distância de seu sangue quente para
que ele não
combinasse com sua fragrância e me oprimisse. Eu me afastei dela, o mais
longe que eu
pude no pequeno espaço entre os veículos amassados.
Ela me encarou, e eu encarei de volta. Desviar o olhar era um erro que só
um
mentiroso incompetente faria, e eu não era um mentiroso incompetente.
Minha expressão
era leve, bondosa...isso pareceu confundí -la. E isso era bom.
A cena do acidente estava cercada agora. A maioria dos estudantes,
crianças,
vasculhava e empurrava os escombros para ver se algum corpo mutilado
podia ser visto.
Houve um burburinho com gritos e uma multidão em choque. Eu
vasculhei todos os
pensamentos uma vez para ter certeza de que ninguém suspeitava de nada
ainda, e depois
me virei para me concentrar apenas na garota.
Ela estava distraída com a confusão. Ela olhou em volta, sua expressão
ainda
atordoada, e tentou se colocar de pé.
Eu coloquei minha mão levemente em seu ombro para mantê -la no lugar.
“Apenas fique parada por enquanto.” Ela parecia estar bem, mas será que
ela
realmente deveria mover seu pescoço? De novo, eu desejei ter Carlisle por
perto. Meus
anos de estudo em medicina teórica não podiam ser comparados a seus
séculos de “mão -namassa”
na medicina prática.
“Mas está frio,” ela observou.
Ela quase foi esmagada até a morte duas vezes seguidas e agora de novo,
mas ela
estava preocupada com o frio. Uma risada escapou por entre meus dentes
antes que eu
pudesse me lembrar que a situação não era engraçada.
Bella piscou, e então seus olhos se focaram em mim. “Você estava lá.”
Aquilo me sossegou novamente.
Ela espiou em direção ao sul, apesar de não ter nada pra ver agora,
apenas a lateral
da van amassada. “Você estava perto do seu carro.”
“Não, eu não estava.”
“Eu te vi,” ela insistiu; sua voz era infantil quando ela estava sendo
teimosa. Seu
queixo se retraiu.
“Bella, eu estava perto de você, então te tirei do caminho”.
Eu olhei densamente dentro de seus olhos, tentando convencê -la a aceitar
minha
versão – a única versão racional no momento.
Su a mandíbula contestou. “Não.”
Eu tentei ficar calmo, não entrar em pânico. Se eu pudesse a manter em
silencio por
algum tempo, para ter a chance de acabar com as evidencias...e
sobrepujar sua história com
a desculpa de seu ferimento na cabeça.
Seria difícil manter isso em segredo, silenciar a garota? S e pelo menos ela
confiasse
em mim, apenas por alguns momentos...
“Por favor, Bella,” eu disse, e minha voz estava intensa, pois de repente eu
queria
que ela confiasse em mim. Eu queria muito, e não apenas em relação a
esse acidente. Um
desejo estú pido. Que sentido teria em querer sua confiança?
“Por quê?” ela perguntou na defensiva.
“Confie em mim,” eu implorei.
“Você promete me explicar tudo depois?”
Eu fiquei bravo por ter que mentir pra ela de novo, quando o que eu mais
queria era
merecer sua confiança. Então, quando a respondi, foi com implicância.
“Tudo bem.”
“Tudo bem,” ela disse no mesmo tom.
Quando a tentativa de resgate se iniciou ao nosso redor – adultos
chegando,
autoridades chamadas, sirenes a distância – eu tentei ignorar a garota e
colocar minhas
prioridades na ordem certa. Eu procurei por todas as mentes no
estacionamento, tanto as
testemunhas quanto os recentemente chegados, mas não achei nada
perigoso. Vários
estavam surpresos por me ver ao lado de Bella, mas todos concluíram – já
que não havia
outra conclusão – de que eu estava perto da garota antes do acidente.
Ela era a única que não aceitava a explicação fácil, mas ela seria
considerada a
testemunha de menor confiança. Ela esta va assustada, traumatizada,
sem mencionar o
machucado em sua cabeça. Possivelmente em choque. Seria razoável para
que sua história
fosse confundida, certo? Ninguém a daria muito crédito com tantas outras
testemunhas...
Eu estremeci quando ouvi os pen samentos de Rosalie, Jasper e Emmet,
chegando
agora para ver o que estava acontecendo. Eu teria de pagar o inferno por
isso hoje a noite.
Eu queria afastar a pressão que meus ombros faziam sobre a van, mas a
garota
estava muito perto. Eu teria de e sperar até que ela estivesse distraída.
Era frustrante ter que esperar – tantos olhares sobre mim – enquanto os
hu manos
lutavam com a van, tentando a tirar de cima de nós. Eu poderia ajudá -los
para acelerar o
processo, mas eu já estava metido em mui ta encrenca e a garota tinha
olhos aguçados.
Finalmente, eles foram capazes de afastar a van o suficiente para que os
enfermeiros
pudessem chegar até nós com suas macas.
Um rosto familiar, grisalho me apareceu.
“Olá, Edward,” Brett Warner diss e. Ele era um bom enfermeiro, e eu o
conhecia
muito bem do hospital. Foi um pouco de sorte – a única sorte de hoje – que
ele foi o
primeiro a aparecer entre nós. Em seus pensamentos, ele não parecia
nada alerta, calmo.
“Você está bem, garoto?”
“Estou ótimo, Brett. Nada encostou em mim. Mas acho que a Bella está
ferida. Ela
bateu a cabeça com força quando eu a tirei do caminho...”
Brett voltou sua atenção para a garota, que me jogou um olhar bravo de
traição. Ah,
isso mesmo. Ela era a mártir qu ieta – ela preferia sofrer em silêncio.
Apesar disso, ela não contrariou minha história de imediato, e isso me fez
sentir
mais leve.
O outro enfermeiro insistiu que eu me deixasse ser examinado, mas não
foi muito
difícil despistá-lo. Eu prometi que deixaria meu pai me examinar, e ele
deixou quieto. Com
a maioria dos hu manos, falar com muita segurança era tudo o que se
precisava. A maioria
dos humanos, exceto a garota, claro. Será que ela se encaixava em
qualquer padrão
normal?
Enquanto eles punham uma escora de pescoço nela – e seu rosto ficou
vermelho de
vergonha – eu aproveitei o momento de distração para silenciosamente
concertar o
amassado da van com a sola do meu pé. Apenas meus irmãos notaram o
que eu estava
fazendo, e eu ouvi a promessa mental de Emmet de concertar qualquer
coisa que eu
deixasse passar.
Grato por sua ajuda – e mais grato ainda que Emmet, pelo menos, já tinha
perdoado
minha escolha perigosa – eu fiquei mais relaxado enquanto entrava no
banco da frente da
ambulância ao lado de Brett.
O chefe da polícia chegou antes que eles pudessem colocar Bella na parte
de trás da
ambulância.
Apesar dos pensamentos do pai de Bella serem passageiros, o pânico e
preocupação
que emanava da mente do homem sobrepujav a qualquer outro
pensamento ao redor. A
grande culpa e ansiedade sem palavras se espalharam por ele quando ele
viu sua filha única
na maca.
Se espalharam por ele e chegaram até mim, ecoando e gritando cada vez
mais alto.
Quando Alice me avisou que matar a filha de Charlie Swan o mataria
também, ela não
estava exagerando.
Eu abaixei minha cabeça com culpa enquanto escutava a voz de pânico
dele.
“Bella!” ele gritou.
“Eu estou ótima, Char – pai.” Ela suspirou. “Não há nada de errado
comigo.”
Su a afirmação mal acalmou seu temor. Ele se virou para o enfermeiro
mais próximo
e exigiu mais informação.
Não foi até que eu o ouvi falar, formar frases coerentes a pesar de seu
pânico, que
eu percebi que sua ansiedade e preocupaçã o não eram sem palavras. Eu
apenas... não
conseguia ouvir as palavras exatas.
Hmm. Charlie Swan não era tão silencioso quanto sua filha, mas eu pude
ver de
onde o silencio dela veio. Interessante.
Eu nunca havia passado muito tempo perto do c hefe de polícia da cidade.
Eu sempre
o considerei um homem de pensamentos lentos – agora eu percebia que eu
era o lento da
história. Os pensamentos dele eram parcialmente ocultados, não ausentes.
Eu podia apenas
adivinhar seu teor, seu tom...
Eu queria escutar mais para ver se, em meio àquele novo pequeno quebra
-cabeças,
eu conseguiria encontrar a chave para os segredos da garota. Mas Bella já
havia sido
carregada para a parte traseira, e a ambulância já estava a caminho.
Foi difícil me desvencilhar dessa possível solução para o mistério que me
obcecou.
Mas eu tinha que pensar agora – avaliar o que havia acontecido hoje de
todos os ângulos.
Eu tinha que escutar, ter certeza de que eu não pus minha família num
perigo tão grande
que teríamos que sair da cidade imediatamente. Eu tinha que me
concentrar.
Não havia nada nas mentes dos enfermeiros para me preocupar. Até onde
eles
sabiam, não havia nada de muito grave com a garota. E Bella estava se
apegando a história
que eu criei, até agora.
A primeira coisa que eu tinha que fazer, quando chegássemos ao hospital,
era ver
Carlisle. Eu corri através das portas automáticas, mas eu estava incapaz
de esquecer de
cuidar de Bella; eu mantive um olho nela através dos pensamentos dos
paramédicos.
Foi fácil achar a mente familiar de meu pai. Ele estava em seu pequeno
escritório,
completamente sozinho – o segundo momento de sorte desse dia
desastroso.
“Carlisle.”
Ele ouviu eu me aproximar, e já estava alarmado assim que viu meu ro
sto. Ele pulou
sobre seus pés, seu rosto ficando muito pálido. Ele se inclinou por cima da
nitidamente
organizada mesa.
Edward – você não –
“Não, pai, não é isso”.
Ele respirou fundo. Claro que não. Me desculpe por ter precipitado as
coisas. Seus
olhos, claro, eu deveria saber... ele notou meus olhos ainda dourados com
alívio.
“Ela está machu cada, Carlisle, provavelmente nada sério, mas -”
“O que aconteceu?”
“Um acidente de carro idiota. Ela estava no lugar errado n a hora errada.
Mas eu não
pude simplesmente ficar parado – deixar ela ser atropelada –”
Comece de novo. Eu não entendo. Como você se envolveu?
“Uma van escorregou pelo gelo,” eu sussurrei. Eu encarei a parede branca
atrás dele
enquanto falava. Ao invés de um monte de diplomas, ele tinha uma
simples pintura a óleo –
uma de suas favoritas, alguma desconhecida de Hassam. “Ela estava no
caminho. Alice viu
isso, mas eu não tinha tempo de fazer nada a não ser correr pelo
estacionamento e tirá-la do
caminho. Ninguém notou... a não ser ela. Eu também tinha que parar a
van, e ninguém viu
isso também... a não ser ela. Eu... Eu sinto muito, Carlisle. Eu não queria
nos colocar em
perigo.”
Ele circulou pela mesa e pôs sua mão em meu ombro.
Você f ez a coisa certa. E não poderia ter sido fácil pra você. Eu estou
orgulhoso de
você, Edward.
E então eu pude olhá-lo nos olhos. “Ela sabe que há algo... errado comigo.”
“I sso não importa. Se nós tivermos qu e ir embora, nós iremos. O que ela
disse?”
Eu balancei minha cabeça, ainda frustrado. “Nada, ainda.”
Ainda?
“Ela concordou com a minha versão dos acontecimentos – mas ela está
esperando
uma explicação.”
Ele fez uma careta, ponderando isso.
“Ela bateu a cabeça – bom, eu fiz isso,” eu continuei, rapidamente. “Eu
bati a
cabeça dela no chão com força. Ela parece bem, mas... eu não acho que a
vá desacreditar
muito.”
Eu me senti um bruto falando isso.
Carlisle ouviu a distancia em minha voz. Talvez isso não seja necessário.
Vamos ver
o que vai acontecer, certo? Parece que eu tenho uma paciente para cuidar.
“Por favor,” eu disse. “Estou tão preocupado em tê -la machucado."
A expressão de Carlisle se iluminou. Ele alisou seu cabelo loiro – apenas
alguns
tons mais claro que seus olhos dourados – e riu.
Tem sido um dia interessante para você, não têm? Na mente dele, eu podia
ver a
ironia, e era divertido, pelo menos para ele. Uma bela inversão de papéis.
Em algum
momento naquele pequeno segundo sem pensar que eu corri através do
estacionamento
congelado, eu havia me transformado de predador para protetor.
Eu ri com ele, lembrando da certeza que eu tinha tido de que Bella não
precisaria de
proteção de mais alguém além de mim. Havia um nervosismo na minha
voz , porque, apesar
da van, isso ainda era totalmente verdade.
Eu esperei sozinho no escritório de Carlisle – uma das horas mais longas
que eu já
vivi – ouvindo o hospital cheio de pensamentos.
Tyler Crowley, o motorista da van, parecia estar mais machuca do do que
Bella, e a
atenção se virou para ele enquanto ela esperava o retorno dos seus raio -x.
Carlisle me
manteve nos bastidores, confiando no diagnóstico do clínico geral que a
garota estava
apenas levemente machucada. Isso me deixou ansioso, mas eu sab ia que
ele estava certo.
Uma olhada rápida para o rosto dele e ela iria imediatamente lembrar de
mim, do fato de
que havia algo errado sobre a minha família e isso talvez a fizesse falar.
Ela certamente tinha um parceiro solícito para conversar. Tyler esta va
consumido
pela culpa do fato de que ele quase a matou e ele parecia não conseguir
calar a boca sobre
isso. Eu conseguia ver a expressão dela pelos olhos dele, e estava claro que
ela queria que
ele parasse. Como ele não conseguia ver isso?
Houve um momento tenso para mim, quando Tyler perguntou como ele
havia
conseguido se livrar.
Eu esperei, sem respirar, enquanto ela hesitava.
“Um...” eu o ouvi dizer. Então ele pausou por tanto tempo que Tyler
pensou se a
pergunta tinha-a confundido. Finalmente, ela prosseguiu. “Edward me
tirou do caminho.”
Eu expirei. E então minha respiração acelerou. Eu nunca tinha ouvido ela
dizer meu
nome antes. Eu gostava do modo como soava – mesmo ouvindo apenas
através dos
pensamentos de Tyler. Eu queria ouvir por mim mesmo...
“Edward Cullen” ela disse, quando Tyler não entendeu quem ela queria
dizer. Eu
percebi que estava na porta, minha mão na maçaneta. O desejo de ver ela
estava ficando
mais forte. Eu precisava me lembrar da necessidade de cautela.
“Ele estava perto de mim.”
“Cullen?” Huh. Que estranho. “Eu não vi ele.” Eu podia jurar...”Wow, foi
tudo
tão rápido, eu acho. Ele está bem?”
“Eu acho que sim. Ele está aqui em algum lugar, mas não fizeram ele deitar
numa
maca.”
Eu vi o olhar pensativo no rosto dela, quase surpreso. Mesmo toda
desarrumada.
Não é o meu tipo normal, mas ainda assim...eu devia levar ela para sair.
Compensar por
hoje...
Eu estava fora no saguão, então, na metade do caminho para a sala de
emergência,
sem pensar por um segundo o que eu estava fazendo. Por sor te, a
enfermeira entrou no
quarto antes de mim – era a vez de Bella fazer os raios -X. Eu me encostei
contra a parede
nu m canto escuro logo na esquina e tentei me recompor enquanto ela era
levada na maca.
Não importava que Tyler achasse que ela era bonita. Qualquer um notaria
isso. Não
havia razão para que eu me sentisse... como eu me sentia? Irritado? Ou era
brabo mais
próximo da verdade? I sso não fazia nenhum sentido.
Eu fiquei onde estava o mais que eu pude, mas a impaciência me ganhou e
eu tomei
o caminho de volta para a sala de radiologia. Ela já tinha sido movida de
volta para a UTI,
mas eu consegui espiar os raios -x dela enquanto a enfermeira estava
virada de costas.
Eu me senti mais calmo depois disso. A cabeça dela estava bem. Eu não
havia
machucado ela, não de verdade.
Carlisle me pegou ali.
Você parece melhor, ele comentou.
Eu apenas olhei para frente. Nós não estávamos sozinhos, as salas cheias
de pessoas
cumprindo ordens e visitantes.
Ah, sim. Ele colocou os raios-x no quadro de luz, mas eu não pr ecisava de
uma
segunda olhada. Eu vejo. Ela está completamente bem. Muito bom, Edward.
O som de aprovação do meu pai criou uma mistura de reações em mim.
Eu deveria
estar contente, exceto que eu sabia que ele não iria aprovar o que estava
acontecendo agora .
Pelo menos, ele não iria aprovar se soubesse as minhas reais intenções...
“Eu acho que eu vou falar com ela – antes dela ver você,” eu murmurei por
baixo da
minha respiração. “Agir natural, como se nada tivesse acontecido. Atenuar
a situação.”
Todas as razões muito aceitáveis.
Carlisle assentiu distraído, ainda olhando para os raios -x dela. “Boa idéia.
Hmm.”
Eu olhei para ver o que segurava o interesse dele.
Olha para todas essas contusões curadas! Quantas vezes a mãe dela
deixou -a cair?
Carlisle riu para si da piada.
“Eu estou começando a achar que a garota simplesmente tem muito azar.
Sempre no
lugar errado na hora errada.”
Forks é certamente o lugar errado para ela, com você aqui.
Eu estremeci.
Vai lá. Atenue as coisas. Eu já vou me juntar a vocês.
Eu caminhei rapidamente, me sentindo culpado. Talvez eu fosse um
mentiroso
muito bom, se eu conseguia enganar Carlisle.
Quando eu cheguei na UTI, Tyler estava resmungando algo por baixo da
sua
respiração, ainda se desculpando. A garota estava tentando escapar do
remorso dele,
fingindo que estava dormindo. Os olhos dela estavam fechados, mas a
respiração dela não
estava parelha e de vez em quando os dedos dela se torciam
impacientemente.
Eu olhei para o rosto dela por um longo momento. Essa era a última vez
que eu ia
vê-la. Esse fato provocou uma dor aguda no meu peito. Era por que eu
odiava deixar
qualquer quebra-cabeça não solucionado? Isso não parecia suficiente para
uma explicação.
Finalmente, eu respirei fundo e entrei no campo de visão.
Quando Tyler me viu, ele começou a falar, mas eu coloquei um dedo sobre
os meus
lábios.
“Ela está dormindo?”, eu murmurei.
Os olhos de Bella se abriram rapidamente e focaram no meu rosto. Eles
alargaram
por um momento e então se estreitaram em raiva ou suspeita. Eu lembrei
q ue eu tinha um
papel para interpretar, então eu sorri para ela como se nada incomum
tivesse acontecido
naquela manhã – além de um soco na cabeça dela e um pouco de
imaginação correndo
solta.
“Hey, Edward,” Tyler disse. “Eu sinto muito –“
Eu levantei uma mão para parar suas desculpas. “Sem sangue, sem
culpa,” eu disse
perversamente. Sem pensar, eu sorri abertamente da minha piada interna.
Era incrivelmente fácil ignorar Tyler, deitado não mais de 1 metro e meio
de mim,
coberto em sangue fresco. Eu nunca havia entendido como Carlisle
conseguia fazer isso –
ignorar o sangue dos pacientes dele para poder tratá -los. A constante
tentação não iria ser
tão distrativa, tão perigosa...? Mas, agora...eu conseguia ver como, se você
focasse em outra
coisa f orte o suficiente, a tentação não seria nada afinal.
Mesmo fresco e exposto, o sangue de Tyler não tinha nada com o o de
Bella.
Eu mantive minha distancia dela, me sentando nos pés do colchão de
Tyler.
“Então, qual é o veredicto?” eu perguntei a ela.
O lábio inferior dela se retraiu um pouco. “Não há absolutamente nada de
errado
comigo, mas eles não me deixam ir embora. Como é que você não está
segurado a uma
maca como o resto de nós?”
A impaciência dela me fez sorrir novamente.
Eu podia ouvir Carlisle no corredor agora.
“É tudo u ma questão de quem você conhece,” eu disse suavemente. “Mas
não se
preocupe, eu vim para libertar você.”
Eu observei a reação dela cuidadosamente quando meu pai entrou no
quarto. Os
olhos dela se alargaram e a boca dela abriu em surpresa. Eu gemi
internamente. Sim, ela
certamente iria notar a semelhança.
“Então, srta. Swan, como você está se sentindo?” Carlisle perguntou. Ele
tinha um
jeito maravilhoso de acalmar que fazia a maior parte dos pacientes à
vontade em
momentos. Eu não sabia dizer como afetava Bella.
“Eu estou bem,” ela disse calmamente.
Carlisle colocou os raios-x dela no quadro de luz próximo a cama. “Os seus
raios -x
parecem bons. A sua cabeça dói? Edward disse que você bate u com
força.”
Ela suspirou, e disse “Eu estou bem,” de novo, mas dessa vez a
impaciência
transparente na voz. Então, ela olhou furiosamente na minha direção.
Carlisle se aproximou dela e correu os dedos gentilmente pelo couro
cabeludo dela
até que achou uma saliência sob o seu cabelo.
Eu fui pego desprevenido pela onda de emoções que me atingiram.
Eu tinha visto Carlisle trabalhar com humanos milhares de vezes. Anos
atrás, eu até
o havia ajudado informalmente – mas apenas em situações que sangue
não estava
envolvido. Então não era uma coisa nova para mim, vê -lo interagir com a
garota como se
ele fosse tão humano quanto ela. Eu tinha invejado o controle dele muitas
vezes, mas não
era a mesma coisa que essa emoção. Doía a diferença entre Carlisle e eu –
que ele podia
tocar ela tão gentilmente, sem medo, sabendo que nunca iria machu cá -la.
Ela estremeceu, e eu me contraí no meu lugar. Eu tive que me concentrar
por um
momento em manter a postura relaxada.
“Sensível?” Carlisle perguntou.
O queixo dela se ergueu uma fração. “Não realmente,” ela disse.
Outra pequena peça do caráter dela se encaixou: ela era corajosa. Ela não
gostava de
mostrar fraqueza.
Possivelmente a criatura mais vulnerável que eu já havia visto e ela não
gostava de
parecer fraca. Uma risada escapou pelos meu s lábios.
Ela me lançou outro olhar furioso.
“Bom,” Carlisle disse. “O seu pai está na sala de espera – você pode ir para
casa
com ele agora. Mas volte se sentir que está tonta ou tendo problemas com
a vista de
qualquer modo.”
O pai dela estava aqui? Eu vasculhei entre os pensamentos na lotada sala
de espera,
mas eu não consegui pegar a sua sutil voz mental de dentro do grupo
antes que ela estivesse
falando de novo, seu rosto ansioso.
“Eu não posso voltar para a escola?”
“Talvez você devesse ir com calma hoje,” Carlisle sugeriu.
Os olhos dela vislu mbraram de volta para mim. “ Ele pode ir para a
escola?”
Agir normal, atenuar a situação...esquecer o modo como me sinto quando
ela olha
nos meus olhos...
“Alguém tem que espalhar as boas novas de que nós sobrevivemos,”, eu
disse.
“Na realidade,” Carlisle corrigiu, “a maior parte da escola parece estar na
sala de
espera.”
Eu antecipei a reação dela dessa vez – a sua aversão por atenção. Ela não
me
desapontou.
“Ah não,” ela gemeu, e colocou as mãos no rosto .
Eu gostei que finalmente tivesse adivinhado certo. Eu estava começando a
entender
ela...
“Você quer ficar?” Carlisle perguntou.
“Não, não!” ela disse rapidamente, jogando as pernas para o lado do
colchão e
escorregando até que seus pés estivessem no chão . Ela tropeçou para a
frente, sem
equilíbrio, nos braços de Carlisle. Ele a pegou e firmou -a.
De novo, a inveja tomava conta de mim.
“Eu estou bem,” ela disse, antes que ele pudesse comentar, um rosado nas
suas
bochechas.
Claro, isso não iria incomodar Car lisle. Ele teve certeza de que ela tinha
equilíbrio e
soltou suas mãos.
“Tome um Tylenol para a dor,” ele instruiu.
“Não dói tanto assim.”
Carlisle riu enquanto assinava a ficha dela. “Parece que você foi
extremamente
sortuda.”
Ela virou o rosto levemente, para me encarar com olhos duros. “Sorte que
o Edward
aconteceu de estar próxim o a mim.”
“Oh, bem, sim,” Carlisle concordou rapidamente, ouvindo a mesma coisa
na voz
dela que eu ouvi. Ela não tinha lido suas suspeitas como imaginação.
Ainda não.
Toda sua, Carlisle pensou. Lide com isso como você achar melhor.
“Muito obrigado,” eu murmurei, rápido e baixo. Nenhum humano me
ouviu. Os
lábios de Carlisle se elevaram um pou co com o meu sarcasmo enquanto
ele virava para
Tyler. “Eu sinto dizer que você vai ter que ficar conosco um pouco mais,”
ele disse
enquanto começava a examinar os cortes feitos pelos vidros da janela
espatifada.
Bom, eu fiz a bagunça, então era apenas justo que eu tivesse que lidar
com ela.
Bella caminhou deliberadamente na minha direção, não p arando até que
estava
desconfortavelmente perto. Eu lembrei como eu tinha esperado, antes de
todo o caos, que
ela viesse falar comigo...isso era como uma zombaria daquele desejo.
“Eu posso falar com você por um minuto?” ela sibilou para mim.
O hálito quente dela tocou meu rosto e eu tive que dar um passo
cambaleante para
trás. A atração por ela não tinha sido abalada nem um pouco. Toda vez
que ela estava
próxima a mim, desencadeava todos os meus piores, mais urgentes
instintos. O veneno
transbordava na minha boca e o meu corpo ansiava atacar – puxar ela
para os meus braços e
esmagar a garganta dela contra os meus dentes.
Minha mente era mais forte do que o meu corpo, mas só por um pouco.
“Seu pai está esperando por você,” eu lembrei a ela, meu maxilar cerrad o
com força.
Ela deu uma olhada rápida para Carlisle e Tyler. Tyler não estava
prestando atenção
alguma, mas Carlisle estava monitorando cada respiração minha.
Cuidado, Edward.
“Eu gostaria de falar com você a sós, se você não se importa,” ela insistiu
nu m a voz
baixa.
Eu queria dizer para ela que eu me importava muito, mas eu sabia que
eventualmente teria que fazer isso. Eu podia de qualquer modo fazer de
uma vez.
Eu estava tão cheio de emoções conflitantes enquanto saía à espreita do
quarto,
ouvindo os passos tropeçantes dela atrás de mim, tentando me
acompanhar.
Eu tinha um espetáculo para apresentar. Eu sabia qual o papel que iria
interpretar –
eu tinha o personagem definido: eu seria o vilão. Eu ia mentir e zombar e
ser cruel.
Ia contra todos os meus melhores impulsos – os impulsos humanos a que
eu tinha
me apegado todos esses anos. Eu nunca quis merecer confiança mais do
que nesse
momento, quando eu tinha que destruir toda a possibilidade de merecer.
E era pior ainda saber que essa seria a última memória que ela teria de
mim. Essa
era a minha cena da despedida.
Eu me virei para ela.
“O que você quer?” eu perguntei friamente.
Ela se encolheu para trás levemente da minha hostilidade. Os olhos dela
se tornaram
confusos, a expressão que tinha me atormentado.. .
“Você me deve uma explicação,” ela disse numa voz baixa; o seu rosto de
marfim
em branco.
Foi difícil manter a minha voz áspera. “Eu salvei a sua vida – eu não lhe
devo
nada.”
Ela estremeceu – me queimou como ácido ver as minhas palavras a
magoarem.
“Você prometeu.”, ela murmurou.
“Bella, você bateu a sua cabeça, você não sabe do que está falando.”
O queixo dela se elevou. “Não tem nada de errado com a minha cabeça.”
Ela estava furiosa agora, e isso fez ser mais fácil para mim. Eu encontrei o
seu olhar
furioso, fazendo meu rosto mais hostil.
“O que você quer de mim, Bella?”
“Eu quero saber a verdade. Eu quero saber porque eu estou mentindo por
você.”
O que ela queria não era nada mais que justo – era frustrante ter que
negar isso a ela.
“O que você acha que aconteceu?” eu quase rosnei para ela.
As palavras dela saíram em uma torrente. “Tudo o que eu sei é que você
não estava
em nenhum lugar próximo de mim – Tyler não viu você também, então não
me diga que eu
bati a cabeça com muita força. Aquela van ia esma gar nós dois – e não o
fez e as suas mãos
deixaram marcas na moldura lateral – e você deixou u ma marca no outro
carro, e você não
está nem um pouco machucado – e a van deveria ter esmagado as minhas
pernas, mas você
estava segurando-a no ar...” De repente, ela juntou firmemente seus
dentes e os olhos dela
me olharam furiosamente com lágrimas não derramadas.
Eu olhei para ela, minha expressão de escárnio, apesar de que o que eu
realmente
sentia era terror; ela tinha visto tudo.
“Você acha que eu levantei uma van de cima de você?” eu perguntei
sarcasticamente.
Ela respondeu com um rígido aceno de cabeça.
A zombaria ficou maior na minha voz. “Ninguém vai acreditar em você,
sabe.”
Ela fez um esforço para controlar a raiva. Quando ela me respondeu,
falava cada
palavra com calma deliberação. “Eu não vou contar para ninguém.”
Ela falava sério – eu podia ver nos seus olhos. Mesmo furiosa e traída, ela
iria
guardar meu segredo.
Por quê?
O choque disso arruinou a minha expressão cuidadosamente desenhada
por meio
segundo, e então eu me recompus.
“Então por que isso importa?” eu perguntei, tentando manter a minha voz
severa.
“I mporta para mim,” ela disse intensamente. “Eu não gosto de mentir –
então é
melhor ter uma boa razão porque eu estou fazendo isso.”
Ela estava me pedindo para confiar nela. Assim como eu queria que ela
confiasse
em mim. Mas essa era uma linha que eu não podia cruzar.
Minha voz permaneceu cruel. “Você não pode simplesmente me agradecer
e seguir
em frente?”
“Obrigada,” ela disse, e então ficou silenci osamente furiosa, esperando.
“Você não vai deixar isso para trás, vai?”
“Não.”
“Nesse caso...” eu não podia contar para ela a verdade mesmo que eu
quisesse...e eu
não queria. Eu preferia que ela criasse a sua própria história do que saber
o que eu era,
porque nada poderia ser pior do que a verdade – eu estava vivendo um
pesadelo,
diretamente das páginas de um romance de horror. “Eu espero que você
goste de
desapontamentos.”
Nós ficamos olhando um para o outro com o olhar carrancudo. Era
estranho o quão
amável a raiva dela era. Como um gatinho furioso, suave e inofensivo, e
tão inconsciente da
sua própria vulnerabilidade.
Ela ficou com um rubor rosa e apertou os dentes de novo. “Por que você se
importou em fazer isso?”
A pergunta dela não era uma que eu estav a esperando ou preparado para
responder.
Eu perdi a minha segurança no papel que estava interpretando. Eu senti a
máscara
escorregar do meu rosto, e disse para ela – dessa vez – a verdade.
“Eu não sei.”
Eu memorizei o rosto dela uma última vez – ainda estava marcado em
traços de
raiva, o sangue ainda não havia sumido das suas bochechas – e então eu
me virei e
caminhei para longe dela.
Capítulo 04 – Visões
Eu voltei para a escola. Essa era a coisa certa a fazer, a forma mais
discreta de agir.
No final do dia, quase todos os estudantes haviam voltado para a aula,
também. Só Tyler e
Bella e alguns outros – que estavam provavelmente usando o acidente
como uma chance de
cabular – continuaram ausentes.
Não devia ser tão difícil para mim, fazer a coisa certa. Mas, a tarde toda,
eu estava cerrando
meu dentes contra a urgência que me fazia ansiar para cabular a aula,
também – para
encontrar a garota de novo.
Como um perseguidor. Um perseguidor obcecado. Um vampiro perseguid
or obcecado.
A escola hoje estava – de alguma forma, impossivelmente – ainda mais
tediosa do que
pareceu apenas uma semana atrás. Estado de coma. Era como se a cor
tivesse sido drenada
dos tijolos, das árvores, do céu, dos rostos ao meu redor... Eu encarei as
rachaduras nas
paredes.
Tinha uma outra coisa certa que eu deveria estar fazendo... mas não
estava. É claro, isso
também era uma coisa errada. Tudo dependia da perspectiva da qual você
visse isso.
Da perspectiva de um Cullen – não somente um vampiro, mas um Cullen,
alguém que
pertence a uma família, um estado tão raro em nosso mundo – a coisa
certa a fazer teria
sido algo assim:
“Estou surpreso de vê-lo em classe, Edward. Eu ouvi que você estava
envolvido naquele
acidente horrível dessa manhã.”
“Sim, eu estava, Mr. Banner, mas tive sorte.” Um sorriso amigável. “Não
me machuquei
nem um pouco... Eu gostaria de dizer o mesmo sobre Tyler e Bella.”
“Como eles estão?”
“Eu acho que Tyler está bem... só alguns arranhões superficiais por causa
do vidro do pára -
brisa. Não estou certo sobre Bella, entretanto.” Uma franzida preocupada.
“Ela deve ter
uma concu ssão. Eu ouvi que ela ficou inconsciente por um tempo – até
vendo coisas. Eu sei
que os médicos estavam preocupados...”
Era assim que deveria ser. Eu devia isso a minha família.
“Estou surpreso de vê-lo em classe, Edward. Eu ouvi que você estava
envolvido naquele
acidente horrível dessa manhã.”
“Não me machuquei.” Sem sorriso.
Mr. Banner transferiu seu peso de um pé para outro, desconfortável.
“Você tem alguma idéia de como Tyler Crowley e Bella Swan estão? Eu
soube que houve
algumas lesões...”
Dei de ombros. “Não saberia dizer.”
Mr. Banner limpou sua garganta. “Er, certo...” ele disse, meu olhar frio
fazendo sua voz
soar um pou co forçada.
Ele andou rapidamente de volta para a frente da sala e começou sua aula.
Era a coisa errada a fazer. A menos que você olhasse para isso de um
ponto de vista mais
obscuro.
Isso parecia tão... tão desonesto difamar a garota por suas costas,
especialmente quando ela
estava provando ser mais confiável do que eu poderia ter sonhado. Ela não
disse nada para
me trair, apesar de ter uma boa razão para fazê -lo. Eu trairia ela quando
ela não havia feito
nada além de guardar meu segredo?
Eu tive uma conversa praticamente idêntica com Mrs. Go of – só que em
Espanhol mais que
Inglês – e Emmett me olhou longamente.
Eu espero que você tenha uma boa explicação para o que aconteceu hoje.
Rose está se
preparando para a guerra.
Eu rolei meus olhos sem olhar para ele.
Eu na verdade havia inventado uma explicação perfeitamente plausível. Só
supondo que eu
não tivesse feito nada para impedir a van de bater na garota... Eu recuei
desse pensamento.
Mas se ela tivesse sido acertada, se ela estivesse estraçalhada e
sangrando, o fluido
vermelho espalhando, desperdiçando no asfalto, o cheiro do sangue fresco
pulsando no ar...
Eu tremi de novo, mas não só de horror. Parte de mim tremeu de desejo.
Não, eu não teria
sido capaz de ver seu sangue sem nos expor de uma forma muito mais
flagrante e chocante.
Era a desculpa perfeitamente plausível... mas eu não usaria isso. Era
muito embaraçante.
E eu não tinha pensado nisso até muito depois do fato, independente
disso.
Procure por Jasper, Emmett se meteu, inconsciente do meio devaneio. Ele
não está tão
irritado... mas ele é mais resolvido.
Eu entendi o que ele quis dizer, e por um momento a sala girou ao meu
redor. Minha fúria
era tão consumidora que uma neblina vermelha enuviou minha visão. Eu
pensei que fosse
me chocar com isso.
SHEESH, EDWARD! SE SEGURE! Emmett gritou para mim em sua cabeça.
Su a mão
baixou em meu ombro, me segurando em minha cadeira antes que eu
pudesse pular nos
meus pés. Ele raramente usava sua força inteira – raramente havia
necessidade, já que ele
era muito mais forte que qualquer vampiro que qualq uer u m de nós já
tenha encontrado –
mas ele usou agora. Ele agarrou meu braço, ao invés de me puxar para
baixo. Se ele tivesse
puxado, a cadeira em baixo de mim teria colapsado.
CALMA! Ele ordenou .
Eu tentei me acalmar, mas foi difícil. A fúria queimou em minha cabeça.
Jasper não f ará nada até nós todos conversarmos. Eu só pensei que você
deveria saber em
que direção ele está.
Eu me concentrei em relaxar, e eu senti a mão de Emmett afrouxar.
Tente não f azer ainda mais um espetáculo de você mesmo. Você já es tá
encrencado o
suficiente como isso está.
Eu suspirei profundamente e Emmett me largou.
Eu procurei ao redor da sala rotineiramente, mas nosso confronto tinha
sido tão pequeno e
silencioso que apenas poucas pessoas sentadas atrás de Emmett tinham
sequer n otado.
Nenhuma delas sabia o que fazer sobre isso, então eles ignoraram. Os
Cullens eram loucos
– todo mundo já sabia disso.
Droga, criança, você é uma bagunça , Emmett adicionou, simpatia em seu
tom.
“Me morda,” eu murmurei por baixo da minha respiração, e ouvi sua
risada baixa.
Emmett não guardava ressentimentos, e eu provavelmente devia ser mais
agradecido por
sua natureza despreocupada. Mas eu pude ver que as intenções de Jasper
fizeram sentido
para Emmett, que ele estava considerando como seria a melhor forma de
agir.
A fúria ferveu, meramente sob controle. Sim, Emmett era mais forte que
eu, mas ele ainda
tinha que me vencer na queda-de-braço. Ele reclamou que isso era porque
eu tinha
trapaceado, mas ouvir pensamentos era simplesmente tão parte de quem e
u era quanto sua
imensa força era uma parte de si. Nós estávam os equivalentemente
igualados numa luta.
Uma luta? Era a isso que isto estava levando? Eu ia lutar contra minha
família por uma
hu mana que eu mal conhecia?
Pensei sobre isso por um momento, pens ei sobre a frágil sensação do
corpo da garota nos
meus braços em justaposição com Jasper, Rose e Emmett –
sobrenaturalmente fortes e
rápidos, máquinas de matar por natureza...
Sim, eu lutaria por ela. Contra minha família. Eu estremeci.
Mas não era justo deixá-la indefesa quando eu era aquele que a colocou
em perigo.
Eu não podia vencer sozinho, entretanto, não contra os três, e eu me
perguntava quem
seriam meus aliados.
Carlisle, certamente. Ele não lutaria com ninguém, mas ele seria
inteiramente contra os
projetos de Rose e Jasper. I sso devia ser tudo o que eu precisaria. Veria...
Esme, duvidoso. Ela não estaria contra mim também, e ela odiaria
descordar de Carlisle,
mas ela seria a favor de qualquer plano que mantesse sua família intacta.
Su a primeira
prioridade não seria o correto, seria eu. Se Carlisle era a alma da nossa
família, então Esme
era o coração. Ele nos deu um líder que merecia ser seguido; ela tornou
essa caminhada um
ato de amor. Nós todos amávamos uns aos outros – mesmo por baixo da
fúria que sentia
por Jasper e Rose agora, mesmo planejando lutar contra eles para salvar a
garota, eu sabia
que os amava.
Alice... eu não fazia idéia. Isso provavelmente dependeria do que ela visse
chegando. Ela se
uniria ao vencedor, imaginei.
Então, eu teria que fazer isso sem ajuda. Eu não era um rival para eles
sozinho, mas eu não
ia deixar a garota ser machucada por minha causa. Isso devia significar
uma ação evasiva...
Minha raiva cegou um pouco com o súbito humor negro. Eu podia
imaginar como a garota
reagiria comigo seqüestrando-a. Claro que eu raramente adivinhava su as
reações
corretamente – mas que outra reação ela poderia ter além de terror?
Eu não estava certo de como conseguir isso, entretanto – seqüestrá-la. Eu
não seria capaz
de agüentar ficar perto dela por muito tempo. Talvez eu apenas a
entregasse de volta para
sua mãe. A té mesmo isso seria bem perigoso. Para ela.
E também para mim, eu percebi subitamente. Se eu a matasse por
acidente... Eu não estava
certo exatamente sobre quanta dor isso me cau sa ria, mas eu sabia que
isso seria
multifacetado e intenso.
O tempo passou rapidamente enquanto eu ponderava todas as
complicações na minha
frente: a discussão esperando por mim em casa, o conflito com minha
família, a extensão
que eu seria forçado a ir conseqüentemente...
Bom, eu não podia mais reclamar que a vida f ora da escola era monótona.
A garota mudou
tudo isso.
Emmett e eu andamos silenciosamente para o carro quando o sinal tocou.
Ele estava
preocupado comigo, e preocupado com Rosalie. Ele sabia que l ado teria
que escolher em
uma briga, e isso o incomodava.
Os outros estavam esperando por nós no carro, também calados. Nós
éramos um grupo bem
quieto. Só eu podia ouvir os gritos.
Idiota! Lunático! Estúpido! Burro! Egoísta, tolo irresponsável! Rosalie
manteve um
extremo constante de insultos como todo o ar de seus pulmões mentais.
Isso tornou difícil
de ouvir os outros mas eu a ignorei o melhor qu e pude.
Emmett estava certo sobre Jasper. Ele estava certo de sua decisão.
Alice estava perturbada, preocupand o-se com Jasper, girando em imagens
do futuro. Não
importava que direção Jasper tomasse até a garota, Alice sempre me via lá,
o bloqueando.
Interessante... nem Rosalie nem Emmett estavam com ele nessas visões.
Então Jasper
planejava trabalhar sozinho. Isso igualaria as coisas.
Jasper era o melhor, certamente o mais experiente lutador entre nós.
Minha única vantagem
armazenada era que eu podia ouvir seu s movimentos antes de ele os fazer.
Eu nunca tinha lutado mais do que por diverção com Emmett ou Jasper –
só passando
tempo. Me senti doente com o pensamento de realmente tentar machucar
Jasper...
Não, não isso. Só bloqueá-lo. Isso era tudo.
Me concentrei em Alice, memorizando as diferentes rotas de ataqu e de
Jasper.
Quando fiz isso, suas visões mudaram, indo m ais distante e distante da
casa dos Swan. Eu
estava parando-o mais cedo...
Pare com isso, Edward! Isso não pode acontecer assim. Não vou deixar.
Não a respondi, só continuei assistindo.
Ela começou a procurar mais a frente, dentro do reino místico e incert o de
possibilidades
distantes. Tudo estava sombrio e vago.
O caminho inteiro para casa, o silêncio acusatório não aumentou. Eu
estacionei na grade
garagem fora da casa: a Mercedes de Carlisle estava lá, próxima ao grande
jipe de Emmett,
aos M3 de Rose e ao meu Vanquish. Eu estava feliz por Carlisle já estar em
casa – esse
silêncio terminaria explosivamente, e eu o queria lá quando isso
acontecesse.
Nós fomos direto para a sala de jantar.
O lugar, é claro, nunca foi usado para seu verdadeiro propósito. Mas e
stava mobiliado com
uma mesa de mogno longa e oval cercada de cadeiras – nós éramos
escrupulosos sobre ter
todos os acessórios corretos no lu gar. Carlisle gostava de usar isso como
uma sala de
conferência. Em um grupo com tantas personalidades fortes e dis tintas,
às vezes era
necessário discutir as coisas de uma maneira calma e sentada.
Eu tive um pressentimento de que sentar não ia ajudar hoje.
Carlisle sentou em seu lugar usual na posta mais ao leste da sala. Esme
estava ao seu lado –
eles seguraram as mãos em cima da mesa.
Os olhos de Esme estavam nos meus, suas profundezas douradas cheias
de preocupação.
Fique. Era o único pensamento dela.
Eu queria poder sorrir para a mulher que era verdadeiramente uma mãe
para mim, mas eu
não tinha tranqüilizações para ela agora.
Sentei do outro lado de Carlisle. Esme se estendeu em torno dele para
colocar sua mão livre
no meu ombro. Ela não tinha idéia do que estava prestes a começar: ela só
estava se
preocupando comigo.
Carlisle tinha um senso melhor sobre o que estav a vindo. Seus lábios
estavam pressionados
fortemente e sua testa estava franzida. A expressão parecia muito velha
para seu rosto
jovem.
Quanto todos se sentaram, eu podia ver as linhas se desenhando.
Rosalie sentou diretamente na frente de Carlisle, do out ro lado da mesa
comprida. Ela tinha
um olhar fulminante em mim, nunca o desviando.
Emmett sentou-se ao lado dela, seu rosto e pensamentos ambos
retorcidos.
Jasper hesitou, e depois entrou e se apoiou na parede atrás de Rosalie. Ele
estava decidido,
desconsiderando o resultado dessa discussão. Meus dentes se fecharam
juntos.
Alice foi a última a entrar, e seus olhos estavam focados em algo distante –
o futuro, ainda
muito indistinto para ela fazer uso dele. Sem parecer pensar sobre isso, ela
sentou -se
próxima a Esme. Ela esfregou a testa, como se tivesse dor de cabeça.
Jasper crispou -se com
dificuldade e considerou se juntar a ela, mas se manteve onde estava.
Dei uma inspirada profunda. Eu comecei isso – eu devia falar primeiro.
“Me desculpe”, eu disse, olhan do primeiro para Rose, depois Jasper e
então Em mett. “Eu
não pretendia colocar nenhum de vocês em risco,. Foi impensado, e eu
tomo toda a
responsabilidade da minha ação precipitada.”
Rosalie me encarou malevolamente. “O que você quer dizer como ‘tomar
toda a
responsabilidade’? Você vai concertar isso?”
“Não da forma como você pensa.” Eu disse, me esforçando para manter
minha voz igualada
e calma. “Estou desejando ir embora agora, se isso torna as coisas
melhores.” Se eu
acredito que a garota estará salva, s e eu acredito que nenhum de vocês vai
tocar nela. Eu
emendei em minha cabeça.
“Não,” Esme murmurou. “Não, Edward.”
Eu afaguei sua mão. “São só alguns anos.”
“Esme está certa, entretanto,” Emmett disse. “Você não pode ir a lugar
algum agora. Isso
seria o oposto de ajudar. Nós temos que saber o que as pessoas estão
pensando, agora mais
que antes.”
“Alice vai pegar qualquer coisa grande.” Eu descordei.
Carlisle balançou sua cabeça. “Eu acho que Emmett está certo, Edward. A
garota estará
mais tendenciosa a falar se você desaparecer. São todos nós indo embora,
ou nenhum de
nós.”
“Ela não dirá nada,” eu insisti rapidamente. Rose estava chegando a
explosão, e eu queria
isso primeiro.
“Você não conhece a mente dela,” Carlisle me lembrou.
“Eu conheço o suficiente. Al ice, me apóie.”
Alice me encarou cansativamente. “Eu não posso ver o que vai acontecer
se nós
simplesmente ignorarmos isso.” Ela lançou um olhar para Rose e Jasper.
Não, ela não podia ver esse futuro – não quando Rosalie e Jasper estavam
tão decididos
contra ignorar o incidente.
A palma de Rosalie bateu na mesa com um alto bang. “Não podemos
permitir à humana
uma chance de dizer algo. Carlisle, você tem que ver isso. Mesmo que
decidíssemos
desaparecer, não é seguro deixar histórias atrás de nós. Nós vivemos tão
diferentemente do
resto de nossa espécie – você sabe que existem alguns que adorariam uma
desculpa para
nos acusar. Nós temos que ser mais cuidadosos do que qualquer um!”
“Nós deixamos rumores atrás de nós antes,” eu a lembrei.
“Só rumores e suspeitas, Edward. Não testemunhas oculares e evidências!”
“Evidências!” eu zombei.
Mas Jasper estava vacilando, seus olhos duros.
“Rose – ” Carlisle começou.
“Me deixe terminar, Carlisle. Isso não tem que ser uma super produção. A
garota bateu a
cabeça hoje. Então talvez o machucado se mostre mais sério do que
pareceu.” Rosalie deu
de ombros. “Todo mortal vai dormir com a chance de nunca acordar. Os
outros esperariam
que nós arrumássemos por nós mesmos. Tecnicamente, isso seria o
trabalho de Edward,
mas isso está obviamente acima dele. Você sabe que sou capaz de me
controlar. Eu não
deixaria evidências atrás de mim.”
“Sim, Rosalie, todos nós sabemos a assassina eficiente que você é,” rosnei.
Ela me vaiou, furiosa.
“Edward, por favor,” Carlisle disse. Então se viro u para Rosalie. “Rosalie,
eu vi por outro
lado em Rochester porque eu senti que você estava devendo sua justiça.
Os homens que
você matou tinham feito mal a você monstruosamente. Essa não é a
mesma situação. A
garota Swan é uma inocente.”
“Não é pessoal, Carlisle,” Rosalie disse entre dentes. “É para proteger todos
nós.”
Houve um breve momento de silêncio enquanto Carliesle pensou em sua
resposta. Quando
ele vacilou, os olhos de Rosalie se iluminaram. Ela deveria entender.
Mesmo que eu não
fosse capaz de ler os pensamentos dele, eu poderia ter antecipado suas
palavras seguintes.
Carlisle nunca fazia concessões.
“Sei que você tem boas intenções, Rosalie, mas... eu gostaria muito que
nossa família
valesse proteção. O ocasional... acidente ou lapso de controle é uma parte
lamentável de
quem nós somos.” Era a cara dele incluir ele mesmo no plural, embora ele
nu nca tenha tido
um lapso assim. “Assassinar uma criança sem culpa a sangue frio é uma
coisa
completamente diferente. Eu entendo o risco qu e ela representa, ela
falando suas suspeitas
ou não, não é nada de grande risco. Se fizéssemos exceções para nos
protegermos,
arriscaríamos algo muito mais importante. Arriscaríamos perder a
essência de quem
somos.”
Eu controlei minha expressão com muito cuidado. Não ajuda ria se eu
sorrisse largamente.
Ou aplaudisse, como eu desejava poder.
Rosalie uniu as sobrancelhas. “Isso é só estar sendo responsável.”
“I sso é só estar sendo difícil,” Carlisle corrigiu gentilmente. “Toda vida é
preciosa.”
Rosalia suspirou pesadamente e seu lábio inferior fez um bico. Emmett
afagou o ombro
dela. “Vai ficar tudo bem, Rose,” ele encorajou em voz baixa.
“A questão é,” Carlisle continuou, “ deveríamos nos mudar?”
“Não,” Rosalie gemeu. “Nós acabamos de nos instalar. Não quero começar
meu segun do
ano no Ensino Médio de novo!”
“Você poderia manter sua idade atual, é claro,” Carlisle disse.
“E ter que mudar de novo ainda mais cedo?” ela contrariou.
Carlisle deu de ombros.
“Eu gosto daqui! Tem tão pouco sol, nós conseguimos ser qu ase normais.”
“Bem, nós certamente não precisamos decidir agora. Podemos esperar e
ver se isso se
tornará necessário. Edward parece certo do silêncio da garota Swan.”
Rosalie bufou.
Mas eu já não estava mais preocupado com Rose. Eu podia ver que ela
seguiria a decisão
de Carlisle, não importasse o quão furiosa ela estivesse comigo. A conversa
deles havia
mudado para detalhes não importantes.
Jasper continuava imóvel.
Eu entendia porque. Antes de ele e Alice se conhecerem, ele viveu em uma
zona de
combate, um teatro incessante de guerra. Ele conhecia as conseqüências
de zombar das
regras – ele havia visto o resultado pavoroso com seus próprios olhos.
Isso disse muito quando ele não tentou acalmar Rosalie com suas
habilidades extras, nem
agora tentava irritá-la. Ele estava se segurando distante da discussão –
acima disso.
“Jasper,” eu disse.
Ele encontrou meu olhar, seu rosto sem expressão.
“Ela não pagará pelo meu erro. Não permitirei isso.”
“Ela se beneficia com isso, então? Ela deveria ter morrido hoje, Edward.
Eu só entend eria
como certo.”
Eu repeti, enfatizando cada palavra. “Eu não vou permitir isso.”
Su as sobrancelhas levantaram. Ele não estava esperando por isso – ele
não imaginou que eu
agiria para pará-lo.
Ele balançou sua cabeça uma vez. “Eu não deixo Alice viver em perigo,
mesmo que um
ligeiro perigo. Você não se sente assim com ninguém como eu me sinto
com ela, Edward, e
você não passou pelo que eu passei, você tendo visto minhas memórias ou
não. Você não
entende.”
“Não estou disputando isso, Jasper. Mas estou te di zendo agora, não vou
deixar você
machucar Isabella Swan.”
Ele encarou cada um – não de relance, mas medindo cada oposição. Eu
senti ele provar o
hu mor ao meu redor, testando minha determinação.
“Jazz,” Alice disse, nos interrompendo.
Ele segurou meu olhar por mais um momento, e então olhou pra ela. “Não
se incomode em
me dizer que você pode se proteger, Alice. Já sei disso. Eu continu o tendo
que – ”
“I sso não é o que vou dizer,” Alice interrompeu. “Eu ia te pedir um favor.”
Eu vi o que estava na mente dela, e minha boca caiu aberta com uma
audível arfada. Eu a
encarei, chocado, vagamente consciente de que todo mundo, além de Alice
e Jasper, estava
agora me olhando cautelosamente.
“Eu sei que você me ama. Obrigada. Mas eu realmente gostaria se você não
tentas se matar
Bella. Primeiramente, Edward fala sério e eu não quero vocês dois
brigando. Depois, ela é
minha amiga. Ao menos ela vai ser.”
Isso era claro como vidro na mente dela: Alice, sorrindo, com seu braço
branco e gelado em
torno dos ombros quentes e frá geis da garota. E Bella estava sorrindo
também, seu braço
em volta da cintura de Alice.
Essa visão era sólida como pedra: só o tempo disso era incerto.
“Mas... Alice...” Jasper arfou. Eu não conseguia fazer minha cabeça virar
para ver sua
expressão. Eu não conseguia me separar da imagem na cabeça de Alice
para ouvir a dele.
“Eu vou amá-la um dia, Jazz. Eu ficarei muito chateada com você se você
não a deixar em
paz.”
Eu ainda estava trancado nos pensamentos de Alice. Eu vi o futuro
tremeluzir enquanto a
solução de Jasper se debatia no rosto do pedido inesperado dela.
“Ah,” ela suspirou – sua decisão clareou um novo futuro. “Viu? Bella não
vai dizer nada.
Não há nada para se preocupar.”
A forma como ela disse o nome da garota... como se elas já fossem
confiden tes próximas...
“Alice,” eu sufoquei. “O que... isso...?”
“Eu te disse que uma mudança estava vindo. Eu não sei, Edward.” Mas ela
fechou seu
maxilar, e eu podia ver que tinha mais. Ela estava tentando não pensar
nisso: ela estava
focando com dificuldade em Jasper subitamente, embora ele estivesse
muito atordoado para
ter progredido muito mais em sua decisão.
Ela fez isso algumas vezes quando tentava esconder algo de mim.
“O que Alice? O que você está escondendo?”
Eu ouvi Emmett grunhiu. Ele sempre ficava fr ustrado quando Alice e eu
tínhamos esse tipo
de conversas.
Ela balançou a cabeça, tentando não me deixar entrar.
“É sobre a garota?” eu exigi. “É sobre Bella?”
Ela tinha seus dentes cerrados em concentração, mas quando eu disse o
nome de Bella, ela
escorregou. Sua deslizada só durou a menor porção de u m segundo, mas
foi longo o
suficiente.
“NÃO!” eu grite. Eu ouvi minha cadeira bater no chão, e só então percebi
que estava de pé.
“Edward!” Carlisle estava de pé, também, seu braço no meu ombro. Eu
mal estava
consciente dele.
“Está se solidificando.” Alice sussurrou. “Cada minuto você está mais
decidido. Realmente
só existem dois caminhos para ela. É um ou outro, Edward.”
Eu podia ver o que ela viu... mas não podia aceitar isso.
“Não,” eu disse de novo: não hav ia volume em minha negação. Minhas
pernas pareciam
ocas, e eu tive que me apoiar na mesa.
“Alguém, por favor, vai nos deixar por dentro do mistério?” Emmett
reclamou.
“Eu tenho que ir embora,” eu sussurrei para Alice, ignorando ele.
“Edward, nós já superamos isso,” Emmett disse barulhentamente. “Essa é
a melhor forma
de fazer a garota começar a falar. Além disso, se você for embora, nós não
saberemos com
certeza se ela está falando ou não. Você tem que ficar e lidar com isso.”
“Eu não vejo você indo a luga r nenhum, Edward,” Alice me disse. “Eu não
sei se você pode
ir embora ainda.” Pense nisso, ela adicionou silenciosamente. Pense em ir.
Eu vi o que ela quis dizer. Sim, a idéia de nunca mais ver a garota de novo
era... dolorosa.
Mas também era necessária. E u não podia permitir nenhum dos dois
futuros que eu
aparentemente a condenei.
Eu não estou totalmente certa sobre Jasper , Edward, Alice apareceu . Se
você for embora,
se ele pensar que ela é um perigo para nós...
“Não quero ouvir isso,” eu a contradisse, ai nda meio consciente de nossa
audiência. Jasper
estava cauteloso. Ele não faria nada que machu casse Alice.
Não exatamente agora. Você vai arriscar a vida dela, deixá -la indefesa?
“Porque está fazendo isso comigo?” eu gemi. Minha cabeça caiu em minhas
mãos.
Eu não era o protetor de Bella. Eu não podia ser isso. O futuro dividido de
Alice não era o
suficiente para provar isso?
Eu a amo também. Ou vou amar. Não é a mesma coisa, mas eu quero ela
por perto para
isso.
“A ama também?” eu sussurrei incrédulo.
Ela suspirou. Você é tão cego, Edward. Não consegue ver que direção está
seguindo? Não
consegue ver onde você já está? É mais evidente que o sol nascendo no
leste. Veja o que eu
vejo.
Eu balancei minha cabeça horrorizado. “Não.” Eu tentei calar as visões
que ela revelou para
mim. “Eu não tenho que seguir esse curso. Vou embora. Eu vou mudar o
futuro.”
“Você pode tentar,” ela disse, sua voz duvidosa.
“Ah, qual é!” Emmett urrou.
“Presta atenção,” Rose vaiou para mim. “Alice vê ele se apaixonando por
uma humana!
Classicamente Edward!” Ela fez um som engasgado.
Eu mal a ouvia.
“O que?” Em mett disse, assustado. Então sua gargalhada estourada ecoou
pela sala. “É isso
que está rolando?” Ele riu de novo. “Que azar, Edward.”
Eu senti sua mão em meu ombro, e eu o balancei p ara longe sem
perceber. Não conseguia
prestar atenção nele.
“Se apaixonar por uma hu mana?” Esme repetiu com uma voz assustada.
“Pela garota que
ele salvou hoje? Se apaixonar por ela?”
“O que você vê, Alice? Exatamente.” Jasper exigiu.
Ela se virou para ele: eu continuei a encarar entorpecidamente o lado de
seu rosto.
“I sso tudo depende de ele ser forte o suficiente ou não. Ou ele a mata” – ela
virou para
encontrar meu olhar de novo, fulminando – “o que realmente me irritaria,
Edward, sem
mencionar o que isso faria a você –” ela encarou Jasper de novo, “ou ela
será uma de nós
um dia.”
Alguém arfou: eu não olhei para ver quem.
“I sso não vai acontecer!” Eu estava gritando de novo. “Nenhum dos dois!”
Alice não parecia me ouvir. “Isso tudo depende,” ela repetiu . “Ele pode ser
só forte o
suficiente para não a matar – mas vai chegar perto. Vai tomar uma enorme
quantidade de
controle,” ela refletiu. “Ainda mais do que Carlisle tem. Ele pode ser só
forte o suficiente...
A única coisa que ele não é forte o suficiente p ara fazer é ficar longe dela.
É uma causa
perdida.”
Eu não conseguia encontrar minha voz. Ninguém mais parecia capaz
também. A sala estava
parada.
Eu olhei para Alice, e todos os outros olharam para mim. Eu podia ver
minha própria
expressão horrorizada de cinco pontos de vista diferentes.
Depois de um longo momento, Carlisle suspirou.
“Bem, isso... complica as coisas.”
“Eu que o diga.” Emmett concordou. Sua voz ainda estava perto de uma
risada. Confie em
Emmett para achar graça na destruição da minha vida.
“Eu suponho que os planos continuem os mesmos, entretanto,” Carlisle
disse pensativo.
“Vamos ficar, e observar. Obviamente, ninguém vai... machucar a garota.”
Enrijeci.
“Não,” Jasper disse calmamente. “Posso concordar com isso. Se Alice só vê
dois caminhos
–”
“Não!” Minha voz não era um grito ou u m grunhido ou um choro de
desespero, mas
alguma combinação dos três. “Não!”
Eu tinha que sair, ficar longe do barulho dos pensamentos deles – o auto-
julgamento
desgostoso de Rosalie, o humor de Emmett. A paciência infindável de
Carlisle...
Pior: a cinfiança de Alice. A confiança de Jasper nessa confiança.
O pior de tudo: Esme... alegre.
Eu andei para fora da sala. Esme tocou meu braço enquanto eu passava,
mas eu não
agradeci o gesto.
Eu estava correndo antes de esta r fora da casa. Eu passei pelo rio em um
pulo, e corri para a
floresta. A chuva estava de volta, caindo tão pesadamente que eu fiquei
encharcado em
alguns minutos. Eu gostava da grossa lâmina de água – isso formou uma
parede entre eu e o
resto do mundo. Isso me fechou, me deixou sozinho.
Eu corri direto para o leste, por baixo e pelas montanhas sem quebrar meu
curso rígido, até
eu poder ver as luzes de Seatle no outro lado do som. Eu parei antes de
encostar nas bordas
da civilização humana.
Fechado pela chuva, sozinho, eu finalmente me fiz ver o que tinha feito – a
forma como
mutilei o futuro.
Primeiro, a visão de Alice e a garota com seus braços ao redor uma da
outroa – a confiança
e amizade era tão obvia que gritava da imagem. Os grandes olhos cor de
choco late de Bella
não estavam transtornados, mas continuavam cheios de segredos – nesse
momento, eles
pareciam ser segredos felizes. Ela não se afastou dos braços frios de Alice.
O que isso significava? O quanto ela sabia? Nesse momento de vida
continua do fut uro, o
que ela pensava sobre mim?
Então a outra imagem, tão parecida, embora agora colorida por horror.
Alice e Bella, seu s
braços continuavam enrolados um no outro numa amizade confiável. Mas
agora não existia
diferença entre aqueles braços – ambos eram brancos, lisos como
mármore, duros como
ferro. Os olhos grandes de Bella já não eram chocolate. As íris eram um
chocante, vivido
carmesim. Os segredos neles eram incompreensíveis – aceitação ou
desolação? Era
impossível dizer. Seu rosto era frio e imortal.
Eu estremeci. Eu não podia suprimir as perguntas, parecido, mas
diferente: O que isso
queria dizer – como isso veio à tona? E o que ela pensava sobre mim
agora?
Eu podia responder a ultima. Se eu a forçasse para essa meia -vida vazia
pela minha
fraqueza e egoísmo, certamente ela me odiaria.
Mas havia mais uma imagem horrível – pior do que qualquer imagem que
eu já tive em
minha cabeça.
Meu s próprios olhos, profundos carmesins com sangue humano, os olhos
do monstro. O
corpo quebrado de Bella em meus braços, p álido branco, drenado, sem
vida. Era tão
concreto, tão claro.
Eu não podia agüentar ver isso. Não suportava isso. Tentei banir isso da
minha mente,
tentei ver outra coisa, qualquer coisa. Tentei ver de novo a expressão em
seu rosto vivido
que obstruiu minha visão do ultimo capitulo de minha existência. Tudo em
vão.
A visão desolada de Alice encheu minha cabeça, e eu me contorci
internamente com a
agonia que isso causou. Enquanto isso, o monstro dentro de mim estava
transbordando de
deleite, jubiloso pela coincidência de seu su cesso. Isso me enojou.
Isso não podia ser permitido. Devia haver uma forma de circundar o
futuro. Eu não deixaria
as visões de Alice me dirigirem. Eu podia escolher uma trilha diferente.
Sempre havia uma
escolha.
Tinha que haver.
Capítulo 05 - Convites
Colegial. Não era mais o purgatório, agora era o inferno puro. Tormento e
fogo… sim, eu
tinha os dois.
Eu estava fazendo a coisa certa agora. Todos os pingos nos i’s e os traços
nos t’s. Ninguém
podia reclamar que eu estava evitando minhas responsabilidades agora.
Para deixar Esme feliz e proteger os outros, eu fiquei em Forks. Retornei
para meu horário
antigo. Cacei mais que o resto deles. Todo dia, eu ia para a escola e fingia
ser hu mano.
Todo dia, eu escutava cuidadosamente qualquer coisa nova sobre os
Cullens - não tinha
nada novo. A garota não tinha falado uma palavra de suas suspeitas. Ela
só repetiu a
história de novo e de novo - que eu estava ao lado dela e a tinha tirado do
caminho - até que
os ouvintes ficaram entediados e pararam de pedir mais detalhes. Não
havia perigo. Minha
ação precipitada não tinha machu cado ninguém.
Ninguém além de mim.
Estava determinado a mudar o futuro. Não era a coisa mais fácil de se
fazer, mas não tinha
outra escolha com a qual eu podia viver.
Eu tinha pensado que aquele primeiro dia tinha sido o mais difícil. No final
dele, eu tinha
certeza que esse era o caso. Mas estava errado.
Estava amargurado, sabendo que tinha machucado a menina. Tirei
conforto do fato de que a
dor dela não era nada mais do que uma picada - só uma pequena ferroada
de rejeição -
comparada com a minha. Bella era humana, e ela sabia que eu era algo
mais, algo errado,
algo assustador. Ela provavelmente se sentiria mais aliviada do que
magoada quando eu
virasse meu rosto para longe dela e fingisse que ela não existe.
- Oi, Edward,- ela me cumprimentou no meu primeiro dia de volta a classe
de biologia. A
voz dela estava agradável, amigável, 180 decibéis desde a ultima vez que
eu falei com ela.
Por quê? O que a mudança queria dizer? Ela teria esquecido? Decidiu que
ela imaginou
todo o episodio? Ela poderia possivelmente ter me perdoado por não
cumprir minha própria
promessa?
As perguntas estavam queimando como a sede que me atacava toda vez
que eu respir ava.
Apenas por um instante eu olhei nos olhos dela. Só para ver se eu podia
encontrar respostas
lá…
Não. Eu não podia me permitir nem mesmo isso. Não se eu fosse mudar o
futuro.
Eu movi meu queixo devagar na direção dela sem olhar para longe da
frente da sala. Eu
acenei com a cabeça uma vez, e então eu virei meu rosto para frente…
Ela não falou comigo de novo.
Aquela tarde, assim que a escola terminou, meu papel também terminou,
eu fui até Seattle
como eu tinha feito um dia antes. Parecia que eu poderia ag üentar a dor
apenas levemente
melhor quando eu estava voando ao longo do chão, transformando tudo a
minha volta em
um borrão verde.
Essa corrida se tornou meu habito diário.
Eu a amava? Eu não acho que era isso. Não ainda. A visão de Alice do
futuro que eu tinha
preso comigo, embora, eu pudesse ver quão fácil seria me apaixonar por
Bella. Isso seria
exatamente como cair: Sem esforço. Não deixar de amá -la seria o oposto
da queda - como
ser puxado de um penhasco, eu apoiei meu rosto sobre a mão, a tarefa foi
cansativa, como
se eu já não tivesse força mortal.
Mais de um mês se passou, e cada dia era mais difícil. Isso não fazia
sentido para mim - me
manter perto dela, para que as coisas fossem mais fáceis. Devia significar
isso quando Alice
disse que eu não desejaria, e não conseguiria ficar longe da menina. Ela
tinha visto a
escalada da dor. Mas eu podia lidar com a dor.
Eu não iria destruir o futuro da Bella. Se eu fosse destinado ao amor dela,
e então ela não
fosse evitar, esse era o mínimo que eu podia fazer ?
Evitar ela era o máximo que eu podia agüentar; entretanto. Eu podia fingir
ignorá -la, e
nu nca estar em seu caminho. Eu podia fingir que ela não me interessava.
Mas se essa era
medida, eu apenas faria de conta, e não seria real.
Eu ainda flutuava a cada respiração dela, cada palavra que ela dizia.
Eu aglomerava meus tormentos em quatro categorias.
Os dois primeiros eram familiares. O seu aroma e o seu silêncio. Ou, ao
invés - assumir a
responsabilidade por mim mesmo ao que ela pertencia - a minha sede era
minha
curiosidade.
A sede era o meu primeiro tormento. Eu tornei um hábito, agora,
simplesmente não respirar
na aula de Biologia. Mas é claro, sempre há exceções - quando eu tinha de
responder a uma
pergunta ou algo do tipo, e eu teria necessidade de falar usando meu
fôlego. Cada vez que
eu saboreasse o ar em torno da garota, que era o mesmo desde o primeiro
dia - fogo e
violência brutal e a necessidade desesperada de me livrar. Era mesmo um
pou co difícil de
agarrar a razão ou retenção nesses momentos. E, c omo no primeiro dia, o
monstro estava
prestes a rugir, tão perto da superfície…
A curiosidade era um dos meus constantes tormentos. Uma coisa que
nu nca saiu da minha
cabeça: O que ela está pensando agora? Ao ouvi-la calmamente su spirar.
Quando ela
passava um dos dedos sobre o cabelo. Quando ela jogava o livro com mais
força do que o
normal. Quando ela chegava na aula tarde. Quando ela batia seu pé,
impaciente, sobre o
chão. Cada movimento que eu pegava na minha visão periférica era um
irritante mistério.
Quando ela conversava com os outros alunos humanos, eu analisava
todas as palavras e seu
tom. Será que ela dizia o que estava pensando, ou ela pensava no que iria
dizer? Se isso
soava para mim como se ela estivesse tentando dizer o que a sua
audiência espera va, e isso
me fez lembrar da minha família e de nossa vida diária da ilusão - nos
éramos melhores do
que ela estava sendo. Ao menos eu estava errado sobre isso, apenas
imaginando coisas. Por
que ela iria ter um papel a desempenhar? Ela era um deles - uma jovem
adolescente.
Mike Newton era o mais surpreendente dos meus tormentos. Quem teria
sonhado que um
tão comum e entediante mortal poderia ser tão irritante? Para ser justo, eu
deveria ter de
sentir gratidão pelo entediante garoto; mais do que os outros, e le fazia a
garota falar. Eu
aprendi muito sobre ela através dessas conversas - eu ainda montava a
minha lista -, mas
contrariamente, a assistência de Mike com este projeto só me deixava mais
irritado.
Eu não queria que Mike fosse o único a descobrir segred os. Eu queria
fazer isso.
Ele nunca percebeu as pequenas revelações que ela fazia, seus pequenos
discúidos.
Ele não sabia nada sobre ela. Ele criou uma Bella em sua cabeça, que não
existia - uma
menina tão comum como ele era. Ele não tinha observado a gene rosidade
e bravura que a
distingüia dos outros humanos, ele não conhecia a anormal maturidade
das suas falas. Ele
não percebia que, quando ela falava de sua mãe, ele falava de sua mãe
como se ela fosse
uma criança e não o contrário - amorosa, indulgente, um pouco divertida,
e ferozmente
protetora.
Ele não percebia a paciência em sua voz quando ela fingia interesse no
caminho das
conversas, e não adivinhava o que havia atrás de sua paciente bondade.
Embora nas conversas com Mike, eu fosse capaz de adicionar a qualidade
mais importante
para a minha lista, e mais reveladora de todas elas, tão simples como rara.
Bella era boa.
Todas as outras coisas somadas com tudo - agradável, discreta, altruísta,
amorosa e corajosa
- ela era cada vez melhor através do tempo.
Não me tornavam mais gentil com o garoto, no entanto. A maneira como
ele ficava
possessivo quando via a Bella - como se ela fosse feita para ele - me
provocou quase raiva
com o seu rude fantasiar sobre ela. Ele estava se tornando mais confiante
de si mesmo ,
também, quando o tempo passou, ele considerou isso ao vê -la preferi-lo
aos seus rivais -
Tyler Crowley, Erick Yorkie, e sempre, esporadicamente, eu mesmo. Ele se
sentava
rotineiramente ao seu lado na mesa, conversando com ela, encorajado por
seus sorriso s.
Apenas educados sorrisos, eu disse a mim mesmo. Eu freqüentemente me
pegava
imaginando, entretido, rebatendo ele contra a parede da sala… É muito
provável que ele
não fosse se ferir fatalmente…
Mike muitas das vezes não pensava em mim como um rival. Apó s o
acidente, ele ficou
preocupado que Bella e eu fossemos criar vínculos a partir da experiência
partilhada, mas
obviamente teve o resultado oposto. Naquela época, ele ainda tinha ficado
irritado que eu e
Bella tínhamos deixado o seu grupo de atenções. Ma s agora eu o ignorei
perfeitamente
como os outros, e ele progrediu complacente.
O que ela estava pensando agora? Será que ela gostava de ser o centro das
atenções?
E, finalmente o último dos meus tormentos, o mais doloroso: A indiferença
de Bella. Como
eu havia ignorado ela, ela me ignorou também. Ela nunca tentou falar
comigo novamente.
Com tudo que eu sabia, ela nunca pensou em mim novamente.
Isso poderia me levar a loucura- ou até mesmo mudar minha decisão para
alterar o futuro -
exceto que ela às vezes me encarava como ela havia feito antes. Eu não a
via para mim,
como se eu não pudesse me permitir olhar para ela, mas Alice sempre nos
advertia quando
ela estava prestes a me encarar; Os outros estavam sendo cuidadosos com
o conhecimento
problemático da garota.
Aliviava um pouco a dor quando ela me olhava de longe de vez em quando.
É claro que ela
poderia estar imaginando que tipo de louco que eu era.
“Bella vai encarar Edward em um minuto. Pareça normal.” Alice disse uma
terça -feira de
Março, e os outros tomaram cuidado para gesticular e se mexer como um
hu mano; ficar
totalmente parado era um hábito da nossa espécie.
Eu prestei atenção para quantas vezes ela olhava na minha direção. Me
agradava, apesar de
não dever agradar, que a freqüência não diminuía con forme o tempo
passava. Eu não sabia
o que aquilo significava, mas me fazia me sentir melhor.
Alice suspirou. “Eu gostaria…”
“Fique fora disso, Alice,” Eu disse por baixo do fôlego. “Não vai acontecer”
Ela fez um bico. Alice estava ansiosa para formar sua a mizade iminente
com Bella. De uma
forma estranha ela sentia falta da garota que ela nem conhecia.
“Eu admito que você é melhor do que eu pensei. Você tem seu futuro todo
determinado e
sem sentido de novo. Espero que você esteja feliz” Ela pensou.
“Faz bastante sentido pra mim.”
Ela fez um som impaciente de forma delicada.
Eu tentei a ignorar, estava muito impaciente para conversas. Eu não
estava de bom -humormais
tenso do que eu deixava qualquer u m deles ver. Só Jasper sabia como eu
estava,
sentindo o stress ao meu redor com sua habilidade única de sentir e
influenciar o humor das
pessoas ao redor. Ele não entendia as razões por trás dos humores e -
como seu estava
constantemente em um humor ruim- ele ignorava.
Hoje seria um dia difícil. Mais difícil que o dia anterior, esse era o padrão.
Mike Newton, o garoto odiável com quem eu não podia me permitir virar
rival, ia chamar
Bella para um encontro.
O baile que as garotas escolhiam o par estava chegando, e ele esperava
muito que Bella o
chamasse. E que ela não havia feito nada que abalava a confiança dele.
Agora ele estava
desconfortavelmente preso - eu gostava do desconforto dele mais do que eu
devia - porque
Jessica Stanley tinha acabado de o chamar. Ele não queria dizer “sim”,
esperando que Bella
o escolhesse (e provar que ele era o vitorioso entre seus rivais), mas ele não
queria dizer
“não” e acabar perdendo o baile. Jessica, magoada pela sua hesitação e
imaginando a razão
por trás disso, estava tendo pensamentos raivosos contra Bella. Eu
entendi o instinto melhor
agora, mas só me fez mais frustrado quando eu não podia agir.
E pensar que tinha chegado a esse ponto! Eu estava totalmente fixado nos
dramas da escola
que um dia eu havia simplesmente ignorado.
Mike estava trabalhando na sua coragem conforme ele a ndava com Bella
até a aula de
biologia. Eu ouvi sua luta interna enquanto eu esperava eles chegarem. O
garoto era fraco.
Ele tinha esperado por essa festa de propósito, com medo de fazer seu
afeto reconhecido
antes dela ter mostrado uma preferência por ele . Ele não queria ficar
vulnerável para uma
possível rejeição, preferindo que ela desse aquele passo antes.
Covarde.
Ele sentou do nosso lado de novo, confortável com a familiaridade, e eu
imaginei o som
que seu corpo faria se batesse contra a parede oposta com força suficiente
para quebrar a
maioria dos seus ossos.
- Então - ele disse pra garota, seus olhos no chão. - Jessica me chamou
para o baile de
primavera.
- Isso é ótimo. - Bella respondeu imediatamente e com entusiasmo. Era
difícil não sorrir
conforme Mike se dava conta de seu tom. Ele estava esperando por
consternação. - Você
vai se divertir muito com a Jessica.
Ele refletiu sobre a resposta certa. - Bem… - ele hesitou, e quase desistiu.
Então voltou ao
trilho. - Eu falei pra ela que ira pensar sobre isso.
“Por que você faria isso?” ela perguntou. O tom dela era mais de
desaprovação, mas ainda
tinha uma pontada de alívio também.
O que aquilo significava? Uma fúria inesperada fez com que minhas mãos
se curvassem
nos meus punhos com força.
Mike não ouviu o alívio. O rosto dele vermelho - com a raiva que eu estava
parecia um
convite - e ele olhou para o chão de novo enquanto falava.
“Eu estava pensando….talvez você estivesse pensando em me chamar.”
Bella hesitou.
Naquele momento de hesitação, eu vi o futu ro mais claramente do que
Alice.
Ela talvez possa dizer sim para a pergunta implícita de Mike, talvez não,
mas ainda assim,
algum dia ela diria sim para alguém. Ela era adorável, intrigante e outros
homens notavam
isso. Se ela fosse se prender a alguém nes se grupo insalubre, ou
esperasse para estar livre
de Forks, o dia que ela diria sim chegaria.
Eu vi a vida dela como tinha visto no dia anterior - faculdade,
carreira…amor, casamento.
Eu vi ela de braços dados com seu pai, vestida de branco, seu rosto cora
do de felicidade
conforme ela se movia com a marcha nupcial de Mendelssohn.
A dor era mais forte do que jamais tinha sido. Um humano teria que estar
à beira da morte
para sentir essa dor- um humano não sobreviveria a isso.
E não só a dor mas o ódio.
A raiva também doía de uma forma física. Mesmo que esse garoto
insignificante não seja
para quem Bella diga sim; Eu queria esmagar o crânio dele na minha mão,
para deixar ele
representar quem ela escolher.
Eu não entendia essa emoção - era uma mistura de dor e raiva e desejo e
desespero. Eu
nu nca havia me sentido assim antes; não podia definir isso.
“Mike, acho que você devia dizer sim,” Bella disse de forma gentil.
As esperanças de Mike desapareceram. Em outras circunstâncias eu teria
gostado mas eu
estava preso no choque após a dor - e o remorso que a dor e a raiva
tinham me dado.
Alice estava certa. Eu não era forte o suficiente.
Agora, Alice estaria vendo o futuro contorcido e revirando, ficando confuso
de novo. Isso a
agradaria?
“Você já chamou alguém?” Mike perguntou sóbrio. Ele deu uma olhada
para mim,
suspeitando pela primeira vez em um bom tempo. Eu notei que nunca
tinha disfarçado meu
interesse bem, minha cabeça estava inclinada na direção de Bella.
A raiva descontrolada nos pensamentos dele - raiva por qualquer um que
ela preferisse - de
repente deu um nome ao meu sentimento.
Eu estava com ciúmes.
“Não” Ela disse achando u m pouco de graça. “Eu não vou mesmo.”
Por trás de todo o remorso e raiva, eu senti alívio nas palavras dela. De
repente eu estava
considerando os meus rivais.
“Por que não?” Mike perguntou de uma forma quase mal -educada. Me
ofendia que ele
falasse assim com ela. Eu me segurei.
“Eu vou para Seattle nesse sábado.” Ela respondeu.
A curiosidade não era mais tão viciante quanto antes - agora que eu estava
mais
concentrado em descobrir as respostas e tudo mais. Eu saberia os porquês
e quando dessa
revelação.
O tom de Mike continuou grosso. “Você não pode ir outro dia?”
“Desculpa, não.” Bella foi mais brusca agora. “Então você não deveria fazer
J ess esperar
mais - È falta de educação.”
A preocupação dela com os sentimentos de Jessica diminuiu as chamas do
meu ciúme. Essa
viagem para Seattle me parecia suspeita como uma desculpa para dizer
não - ela recusou
puramente por lealdade a amiga? Ela realmente queria poder dizer sim?
Ou os dois palpites
estavam errados? Ela estava interessada em outra pessoa?
“…, você tem razão.” Mike murmurou, com a moral tão baixa que eu quase
senti pena dele.
Quase.
Ele parou de olhar para ela, cortando minha visão do rosto dela na sua
mente.
Eu não podia tolerar isso.
Eu virei para ler a expressão dela por mim mesmo, pela primeira vez em
mais de um mês.
Foi um alívio poder me autorizar a fazer isso, como respirar depois de
muito tempo
embaixo d’água era para humanos.
Os olhos delas estavam fechados e suas mãos de cada lado do seu rosto.
Seus ombros
curvados pra frente de forma defensiva. Ela balançava a cabeça
suavemente, como se ela
estivesse tentando parar de pensar em alguma coisa.
Frustrante. Fascinante.
A voz do Sr.Banner a tirou da sua reflexão e seus olhos abriram devagar.
Ela olhou para
mim imediatamente, talvez sentindo que eu a olhava. Ela me olhou nos
olhos com a mesma
expressão perplexa que tinha me perseguido.
Eu não senti remorso ou culpa ou raiva naquele se gundo. Eu sabia que
eles reapareceriam,
logo mas por hora era até um pouco excitante. Como se eu tivesse
ganhado e não perdido.
Ela não parou de me olhar mesmo eu encarando -a com uma intensidade
imprópria,
tentando sem sucesso ler seu s pensamentos por seus olhos castanhos.
Eles estavam cheios
de perguntas ao invés de respostas.
Eu podia ver a reflexão dos meus próprios olhos, vi eles pretos com sede.
Já haviam
passado quase duas semanas desde a última vez que eu cacei; isso não era
o modo mais
seguro de sucumbir a minha vontade. Mas a escuridão não pareceu
assustar ela. Ela não
olhou em outra direção e uma leve cor vermelha começou a aparecer na
sua face.
O que ela estava pensando agora?
Eu quase perguntei em voz alta, mas quase ao mesmo m omento Sr.Banner
ch amou meu
nome. Eu ouvi a resposta certa na sua mente e olhei rapidamente na sua
direção.
Eu respirei rapidamente. “Ciclo de Krebs.”
A sede coçou minha garganta - fazendo meus músculos mais tensos e
enchendo minha boca
com veneno. - eu fechei os olhos, tentando me concentrar apesar do desejo
pelo sangue dela
que pulsava dentro de mim.
O monstro estava mais forte do que antes. O monstro estava
reaparecendo. Ele se juntou a
esse futuro que dava a ele uma chance de 50% que ele desejava de
maneira cruel.
O terceiro futuro incerto eu havia tentando construir por força de vontade
apenas tinha sido
destruído - pelo ciúmes, acima de tudo. - e por isso o monstro estava cada
vez mais perto de
ter seu desejo.
O remorso e a culpa me queimaram assim como a sede e se eu ti vesse
como produzir
lágrimas elas estariam se formando agora.
O que foi que eu fiz?
Sabendo que a batalha estava perdida, não parecia ter mais uma razão
para resistir o que eu
queria; eu virei para encarar Bella novamente.
Ela havia se escondido no próprio cabelo, mas eu podia ver que seu rosto
estava totalmente
vermelho agora.
O monstro gostou daquilo.
Ela não me olhou novamente, mas mexeu de forma nervosa em uma
mecha de cabelo. Seus
dedos delicados, seu pulso delicado - eles eram tão frágeis, parecendo q ue
só minha
respiração podia os romper.
Não, não, não. Eu não podia fazer isso. Ela era muito frágil, boa demais,
preciosa demais
para merecer esse destino. Eu não podia permitir que minha vida colidisse
com a dela,
destruir a vida dela.
Mas eu não podia ficar longe dela também. Alice estava certa sobre isso.
O monstro dentro de mim se manifestou, frustrado conforme eu pensava.
Minha breve hora passou muito rápido. O sinal tocou e ela começou a
arrumar as coisas
sem olhar para mim. Isso me decepcionou mas e u não podia esperar nada
menos. O jeito
que eu tinha a tratado desde o acidente foi inaceitável.
“Bella?” eu disse, sem conseguir me segurar. Minha força de vontade
despedaçada.
Ela hesitou antes de olhar pra mim; quando ela virou sua expressão
estava defe nsiva e
desconfiada.
Eu relembrei a mim mesmo que ela tinha o direito de desconfiar de mim.
Ela devia.
Ela esperou que eu continuasse mas eu só olhei para ela lendo sua
expressão. Eu respirava
forte em intervalos regulares, lutando contra minha sede.
“O que?” Ela finalmente perguntou. “Você está falando comigo
novamente?” Havia um
pingo de ressentimento em sua voz, como sua raiva aparecendo. Isso me
fez sorrir.
Eu não tinha certeza de como responder a pergunta dela.Eu devia falar
com ela de novo?
Não. Não se eu pudesse evitar. Eu tentaria.
“Não, na verdade não.” Eu falei para ela.
Ela fechou os olhos, o que me frustrou. Eu me permiti o máximo para
tentar acessar os seus
sentimentos. Ela respirou fundo sem abrir os olhos. Seu maxilar estava
rígido.
Com olhos fechados, ela falou. Certamente não era o jeito normal de
conversar. Porque ela
fazia isso?
“Então o que você quer, Edward?”
O som do meu nome nos lábios dela fez algo estranho ao meu corpo. Se
meu coração
batesse, estaria acelerado.
Mas como responder para ela?
Com a verdade, eu decidi. Seria o mais sincero que eu podia ser com ela a
partir de agora.
Eu não queria merecer sua desconfiança, mesmo omitir a verdade era
impossível.
“Me desculpe.” Eu falei. Era a melhor verdade que ela poderia saber.
Infelizme nte o único
jeito seguro de me desculpar era de maneira trivial. “Eu estou sendo muito
mal educado, eu
sei. Mas é melhor assim, acredite.”
Seria melhor se eu pudesse continuar sendo mal educado. Será que eu
conseguiria?
Os olhos dela abriram, sua expressão ainda cautelosa.
“Não sei o que você quer dizer.”
Eu tentei o máximo que podia por um aviso entrelinhas para ela. “…
melhor para nós não
sermos amigos.” Certamente ela podia sentir a verdade. Ela era esperta.
“Confie em mim.”
Os olhos dela se estreitaram e eu lembrei que eu havia dito as palavras
para ela antes - logo
antes de quebrar a promessa. Eu me encolhi quando ela travou o queixo -
ela claramente
lembrava também.
“… uma pena você não ter descoberto isso antes.” Ela disse brava. “Você
poderia ter
evitado todo esse arrependimento.”
Eu a encarei em choque. O que ela sabia dos meus arrependimentos?
“Arrependimento? Arrependimento pelo que?” Eu exigi.
“Por não ter deixado aquela van idiota me esmagar!” ela respondeu
bruscamente.
Eu congelei, entorpecido.
Como ela podia pensar isso? Salvar sua vida tinha sido a única coisa certa
que eu fiz desde
que a conheci. A única coisa de que não me envergonhava. A única coisa
que me deixava
feliz em existir. Estive lutando para mantê -la viva desde o primeiro
momento em que senti
seu cheiro. Como ela podia estar pensando isso de mim? Como se atrevia
questionar meu
único ato de bondade em toda essa bagunça?
- Acha que me arrependo de ter salvado você?
- Eu sei que se arrepende.
A avaliação dela das minhas intenções me de ixou fervendo de raiva. -
Você não sabe de
nada.
Como sua mente funcionava de um jeito confuso e incompreensível! Ela
não devia pensar
do mesmo modo que os outros humanos. Essa devia ser a explicação por
trás de seu
silêncio mental. Ela era completamente d iferente.
Ela virou o rosto, batendo os dentes. Su as bochechas estavam vermelhas,
com raiva de
novo. Ela juntou os livros em uma pilha, os colocou nos braços e marchou
na direção da
porta sem encontrar meu olhar.
Mesmo irritado como eu estava, era impossív el não achar seu ódio
divertido.
Ela andou desajeitada, sem olhar para onde ia, e seu pé bateu no batente
da porta. Ela
tropeçou, e todas as coisas caíram no chão. Ao invés de se curvar para
pegá -las, ficou
parada, rígida, sem ao menos olhar para baixo, como se não tivesse
certeza de que os livros
merecessem ser recuperados.
Consegui não dar risada.
Ninguém estava aqui para me ver; eu fui rapidamente para o seu lado e
juntei os livros
antes que ela olhasse para baixo.
Ela se inclinou, me viu, e parou. Entre guei os livros para ela, tomando
cuidado para que
minha pele gelada não tocasse a dela.
- Obrigada. - ela disse numa voz fria, severa.
Seu tom trouxe minha irritação à tona.
- Não há de quê. - respondi no mesmo tom frio.
Ela se endireitou e foi para sua próxima aula.
Eu fiquei olhando até que não pudesse mais ver sua figura nervosa.
A aula de espanhol passou em um borrão. A Sra. Goff não questionou
minha distração - ela
sabia que meu espanhol era superior ao dela, e me deu liberdade - me
deixando livre para
pensar.
Então, eu não podia ignorar a garota. Isso era óbvio. Mas isso significava
que eu não tinha
outra saída a não ser destruí -la? Este não podia ser o único futuro
disponível. Tinha que ter
alguma outra escolha, algum equilíbrio. Tentei pensar em um j eito…
Não prestei muita atenção em Emmett até que a aula terminou. Ele estava
curioso - Emmett
não era muito intuitivo sobre os sentimentos dos outros, mas ele podia ver
uma óbvia
mudança em mim. Perguntou-se o que teria acontecido para tirar o
insistente olhar de ódio
do meu rosto. Ele lutou para definir a mudança, e finalmente decidiu que
eu parecia
esperançoso.
Esperançoso? Era assim que eu parecia por fora?
Refleti com a idéia de esperança enquanto andávamos para o Volvo, me
perguntando sobre
o que exatamente eu devia ter esperança.
Mas não tive que refletir por muito tempo. Sensível aos pensamentos dos
outros sobre a
garota como eu era, o som do nome de Bella nas cabeças dos meus… dos
meus rivais, tive
que admitir, chamou minha atenção. Eric e Tyler, te ndo escutado - com
muita satisfação -
do fracasso de Mike, estavam se preparando para agir.
Eric já estava pronto, encostado na picape dela, de modo que ela não
conseguisse evitá -lo.
A aula de Tyler estava atrasada por causa de um trabalho, e ele estava de
sesperado para
pegá-la antes que ela escapasse.
Isso eu tinha que ver.
- Espere pelos outros aqui, está bem? - murmurei para Emmett.
Ele me olhou, suspeito, mas então deu de ombros e acenou.
O garoto ficou louco, ele pensou, divertido com meu pedido esquis ito.
Eu vi a Bella saindo do ginásio, e esperei ela passar de um lugar onde ela
não me veria.
Quando ela se aproximou da emboscada de Eric, eu fui para mais perto,
andando num ritmo
que me faria passar no momento certo.
Eu observei o corpo dela ficar tenso quando viu o garoto a esperando. Ela
parou por um
momento, então relaxou e continuou andando.
- Oi, Eric. - eu a escutei falar num tom amigável.
Fiquei inesperadamente ansioso. E se esse menino magro e com problemas
de pele fosse de
algum modo atraente para ela?
Eric engoliu alto, seu pomo-de-adão tremendo. - Oi, Bella.
Ela parecia inconsciente do nervosismo dele.
- E aí? - ela perguntou, destrancando a picape sem olhar para a expressão
assustada que ele
tinha.
-É… só estava pensando… se você gostaria de i r ao baile de primavera
comigo. - a voz dele
tremeu.
- Pensei que as meninas é quem deviam convidar. - ela disse, parecendo
frustrada.
- Bom, e é. - ele concordou infeliz.
Esse pobre menino não me irritou tanto quanto Mike Newton, mas eu não
conseguia acha r
dentro de mim qualquer simpatia por sua angú stia até que Bella lhe
respondeu com uma
voz gentil.
- Obrigada por me convidar, mas vou a Seattle nesse dia.
Ele já tinha ouvido isso; mesmo assim, ficou desapontado.
-Ah - ele murmurou. - Bom, quem sabe na próxima?
- Claro. - ela concordou. Então mordeu o lábio, como se tivesse se
arrependido de dar uma
brecha a ele. Gostei disso.
Eric se afastou da picape e foi embora, indo na direção errada para seu
carro, querendo só
escapar dali.
Passei por ela nesse momento, e escutei seu suspiro de alívio. Dei risada.
Ela se virou ao som, mas eu olhei para frente, tentando evitar que meus
lábios se
contorcessem em divertimento.
Tyler estava atrás de mim, quase correndo na pressa de falar com ela
antes que ela pudesse
ir para casa. Ele estava mais destemido e confiante que os outros dois; só
tinha esperado
tanto tempo para abordar Bella porqu e respeitava que Mike a tinha visto
primeiro.
Queria que ele conseguisse falar com ela por dois motivos. Se - eu estava
começando a
suspeitar - toda essa atenção fosse irritante para Bella, eu queria
aproveitar e assistir sua
reação. Mas, se não - se o convite de Tyler fosse o que ela estava
esperando - então eu
queria saber disso também.
Medi Tyler Crowley como um rival, sabendo que iss o era errado de se
fazer. Ele parecia
tediosamente comum e pouco notável para mim, mas o que eu sabia das
preferências de
Bella? Talvez ela gostasse de garotos comuns…
Estremeci com esse pensamento. Eu jamais conseguiria ser u m garoto
comum. Que tolice
era me colocar como rival de seus afetos. Como ela poderia se importar
com alguém que
era, sob qu alquer ângulo, um monstro?
Ela era boa demais para um monstro.
Eu devia deixá-la escapar, mas minha curiosidade indesculpável evitou
que fizesse a coisa
certa. De novo. Coloquei meu Volvo na pista estreita, bloqueando a saída
dela.
Emmett e os outros estavam vindo, mas ele tinha descrito meu
comportamento estranho
para eles, então estavam andando lentamente, me observando, tentando
entender o que eu
estava fazendo.
Eu olhei a garota pelo retrovisor. Ela olhou meu carro com raiva,
encontrando meu olhar,
como se quisesse estar dirigindo um tanque do que uma picape Chevy
enferrujada.
Tyler correu para o seu carro e entrou na fila atrás dela, agradecendo meu
comportamen to
inexplicável. Ele acenou para ela, para chamar sua atenção, mas ela não
notou. Ele esperou
um momento, então saiu do carro, vagando para a janela do carona dela.
Bateu no vidro.
Ela pulou, então olhou para ele confusa. Depois de um segundo, abriu as
jan elas
manualmente, parecendo ter alguns problemas com elas.
- Desculpe, Tyler. - ela disse numa voz irritada. - Estou presa atrás do
Cullen.
Ela falou meu sobrenome com uma voz dura - ainda estava brava comigo.
- Ah, eu sei - Tyler disse, não se importando com o humor dela. - Eu só
queria perguntar
uma coisa enquanto estamos atolados aqui.
O sorriso dele era convencido.
Fiquei aliviado com o jeito que ela empalideceu com a tentativa óbvia dele.
- Vai me convidar para o baile de primavera? - ele perguntou, nenhum
pensamento de
derrota em sua mente.
- Eu não estarei na cidade, Tyler. - ela lhe disse, a irritação ainda bem
presente em sua voz.
-É, o Mike me contou.
- Então por quê… - ela começou a perguntar.
Ele deu de ombros. - Eu esperava que você só estivesse se livrando deles
do jeito mais
fácil.
Os olhos dela queimaram, então ficaram frios. - Desculpe, Tyler. - ela
disse, sem parecer
sentir nada. - Eu estarei mesmo fora da cidade.
Ele aceitou essa desculpa, sua autoconfiança intocada. - Tudo bem. Ainda
temos o baile dos
estudantes.
Ele se empertigou e foi para o seu carro.
Estava certo em ter esperado por isso.
A expressão horrorizada no rosto dela era impagável. Disse -me o que eu
não devia estar tão
desesperado para saber - que ela não sentia nada por nenhum desses
garotos humanos qu e
queriam convidá-la.
E também, a expressão dela era possivelmente a coisa mais engraçada que
eu já tinha visto.
Minha família chegou então, confusa pelo fato de que eu estava, para
variar, me tremendo
com o riso em vez de fazendo uma careta assassina a qualquer coisa à
vista.
O que é tão engraçado? Emmett quis saber.
Eu só balancei minha cabeça enquanto me revirei com uma nova onda de
riso quando Bella
acelerou seu motor nervosa. Ela parecia querer o tanque outra vez.
- Vamos embora! - Rosalie sibilou impaciente. - Pára de ser idiota. Se
puder.
As palavras dela não me irritaram - estava muito distraído. Mas fiz o que
ela pediu.
Ninguém falou comigo no caminho para casa. Continuei a rir uma vez ou
outra, pensando
no rosto de Bella.
Quando eu virei para a estrada - acelerando agora que não havia
testemunhas - Alice
arruinou meu humor.
- Então eu posso falar com a Bella agora? - ela perguntou
inesperadamente, sem considerar
as palavras primeiro, não me dando aviso.
- Não. - eu revidei.
- Isso não é justo. Por que estou esperando?
- Eu ainda não decidi nada, Alice.
- Que seja, Edward.
Na cabeça dela, os dois destinos de Bella estavam claros novamente.
- Qual o sentido em conhecê-la? - eu murmurei, de repente rabugento. - Se
eu vou matá-la?
Alice hesitou por um segundo. - Você tem razão. - ela admitiu.
Virei a ultima curva a 150 km/h então parei a três centímetros da parede
da garagem.
- Aproveite sua corrida. - Rosalie disse presunçosa quando eu me atirei
para fora do carro.
Mas eu não fui correr hoje. Em vez disso, fui caçar.
Os outros iriam caçar amanhã, mas eu não podia estar com sede agora.
Exagerei, bebendo
mais do que o necessário, me fartando de novo - um pequeno grupo de
cervos e um urso
negro que tive a sorte de cruzar tão cedo no ano. Estava tão cheio que era
desconfortável.
Por que isso não podia ser o suficiente? Por que o cheiro dela tinha que ser
tão mais forte
que todas as outras coisas?
Eu tinha caçado para me preparar para o próximo dia, mas, quando eu
não conseguia mais
fazer isso e o sol ainda estava a horas de nascer, soube que o próximo dia
não chegaria
rápido o bastante.
A enorme tensão me varreu outra vez qu ando eu percebi que ia encontrar
a garota.
Eu lutei comigo todo o caminho de volta a Forks, mas meu lado menos no
bre ganhou a
discussão, e eu segu i adiante com meu plano indefensável. O monstro
estava inquieto, mas
bem alimentado. Eu sabia que manteria uma distância segura dela. Só
queria saber como
ela estava. Só queria ver seu rosto.
Passava da meia-noite e a casa de Bella estava escura e silenciosa. A
picape dela
estacionada no meio-fio e a radiopatrulha de seu pai na entrada de carros.
Não havia
pensamentos conscientes em lu gar algum na vizinhança. Olhei a casa por
um momento, da
escuridão da floresta me a cercava do lado leste. A porta da frente
provavelmente estava
trancada - não que isso fosse um problema, exceto que eu não queria
deixar a porta
quebrada como evidência para trás. Decidi tentar a janela de cima
primeiro. Não existiam
muitas pessoas que se import avam em instalar uma fechadura ali.
Cruzei o jardim aberto e escalei a parede da casa em meio segundo.
Pendurado por uma
mão na calha que ficava em cima da janela, olhei pelo vidro, e minha
respiração parou.
Era o quarto dela. Eu a conseguia ver, as cobert as no chão e os lençóis
enrolados por suas
pernas. Enquanto eu olhava, ela se virou inquieta e colocou um braço por
cima da cabeça.
Ela não dormia profundamente, pelo menos não à noite. Ela sentiu o
perigo próximo?
Fiquei com nojo de mim mesmo quando a vi mexer de novo. O quanto eu
era melhor que
qualquer outro bisbilhoteiro? Eu não era melhor. Era muito, muito pior.
Relaxei as pontas dos meus dedos, para me deixar cair. Mas primeiro me
permiti um longo
olhar para o rosto dela.
Não estava tranqüilo. A pequena ruga estava entre suas sobrancelhas, os
cantos de seus
lábios para baixo. Seus lábios tremeram, e então se abriram.
- Está bem, mãe. - ela resmungou.
Bella falava dormindo.
A curiosidade me invadiu, mais forte que o nojo que tinha por mim
mesmo. O encan to que
aqueles pensamentos falados, desprotegidos e inconscientes, era
incrivelmente tentador.
Eu tentei abrir a janela, e não estava fechada, embora tenha travado por
ter ficado tanto
tempo sem ser aberta. Eu a empurrei lentamente para o lado, encolhendo
a cada pequeno
gemido que a moldura de metal fazia. Teria que achar algum óleo para a
próxima vez…
Próxima vez? Eu balancei a cabeça, com nojo de novo.
Passei silenciosamente pela janela meio aberta.
O quarto dela era pequeno - desorganizado, mas não sujo. Havia livros
empilhados no chão
perto da sua cama, suas lombadas viradas para o outro lado, e CDs
espalhados perto de seu
disc-man barato - o que estava por cima era só uma caixa vazia. Papéis
cercavam um
computador que parecia mais pertencer a um museu d edicado a
tecnologias obsoletas.
Sapatos estavam no chão de madeira.
Eu queria muito ler os títulos de seus livros e CDs, mas tinha prometido
que iria manter a
distância; em vez disso, fui sentar na velha cadeira de balanço no outro
canto do quarto.
Alguma vez eu tinha realmente pensado que ela era comum? Pensei
naquele primeiro dia, e
meu nojo pelos garotos que ficaram tão rapidamente intrigados por ela.
Mas quando eu me
lembrei do rosto dela nos pensamentos deles, não conseguia entender por
que não a tinh a
achado linda imediatamente. Parecia uma coisa óbvia.
Nesse momento - com seu cabelo escuro embaraçado e selvagem envolta
de seu rosto
pálido, usando uma camiseta puída cheia de buracos e uma calça surrada
- ela me deixou
sem fôlego. Ou teria, pensei ironicamente, se eu estivesse respirando.
Ela não falou. Talvez seu sonho tenha terminado.
Eu encarei seu rosto e tentei pensar em algum modo de deixar o futuro
suportável.
Machucá-la não era suportável. Isso significava que minha única escolha
era tentar ir
embora novamente?
Os outros não podiam discutir comigo agora. Minha ausência não iria
colocar ninguém em
perigo. Não teria nenhuma suspeita, nada para levar os pensamentos de
ninguém de volta
ao acidente.
Eu vacilei como tinha feito esta tarde, e nada parec eu possível.
Não podia esperar ser rival dos meninos humanos, quer esses garotos
específicos a
atraíssem ou não. Eu era um monstro. Como ela podia me ver de qualquer
outro jeito? Se
ela soubesse a verdade sobre mim, iria assustá -la e repulsá-la. Como a
vítima em u m filme
de terror, ela iria correr, gritando de horror.
Lembrei-me do primeiro dia dela na aula de biologia… e soube que essa
seria exatamente a
reação certa para ela ter.
Era besteira imaginar que se fosse eu quem tivesse a convidado para esse
bai le bobo, ela
teria cancelado seus planos feitos em cima da hora e concordado em ir
comigo.
Não era a mim que ela estava destinada a dizer sim. Era para alguma
outra pessoa, humana
e quente. E eu nem podia - algum dia, quando ela dissesse sim - me deixar
caçá-lo e matálo,
porque ela o merecia, quem quer que fosse que tivesse escolhido.
Eu devia a ela fazer a coisa certa agora; não podia mais fingir que estava
só em perigo de
amar essa garota.
E mesmo assim, não importava realmente se eu fosse embora, porque
Bella jamais me veria
do jeito que eu queria que ela visse. Ela nunca me veria como alguém que
merecesse ser
amado.
Nunca.
Um coração morto, gelado, podia ser despedaçado? Parecia que o meu
podia.
- Edward. - Bella disse.
Eu congelei, encarando seus olhos fechados.
Ela tinha acordado, me visto aqui? Ela parecia adormecida, mas sua voz
tinha sido tão
clara…
Ela suspirou calmamente, então se moveu inquieta outra vez, rolando de
lado - ainda
dormindo e sonhando.
- Edward. - ela murmurou suavemente.
Ela estava sonhando comigo.
Um coração morto, gelado, podia bater de novo? Parecia que o meu podia.
- Fique. - ela suspirou. - Não vá. Por favor… não vá.
Ela estava sonhando comigo, e nem era um pesadelo. Ela queria que eu
ficasse com ela, lá
em seu sonho.
Eu lutei para achar palavras para nomear os sentimentos que me
invadiram, mas não
existiam palavras fortes o suficiente para descrevê -los. Por um longo
momento, me afoguei
neles.
Quando eu emergi, não era o mesmo homem que havia sido.
Minha vida era a meia-noite, sem mudanças, sem fim. Deveria, por
necessidade, sempre ser
a meia-noite para mim. Então como era possível que o sol estivesse
nascendo agora, bem
na metade da meia-noite?
No momento em que me tornei um vampiro, trocando minha alma e
mortalidade por
imortalidade na dor abrasadora da transformação, eu tinha realmente
congelado. Meu corpo
tinha se transformado em algo mais para pedra do que para carne,
permanente e sem
mudanças. Eu mesmo, também, tinha congelado como era - minha
personalidade, meus
gostos e desgostos, meus humores e meus desejos; todos fixados de um
jeito.
Era a mesma coisa para o resto dele. Todos nós estávamos congelados.
Pedras vivas.
Quando uma mudança chegava para um de nós, era uma coisa rara e
inalterável. Tinha
visto acontecer com Carlisle, e uma década depois, com Rosalie. O amor os
tinha mudado
de um jeito irremediável, um jeito que nunca mais mudava. Mais de
oitenta anos haviam se
passado desde que Carlisle achara Esme, e ele ainda a olhava com os
olhos incrédulos de
primeiro amor. Seria sempre assim para eles.
Seria sempre assim para mim também. Eu sempre amaria essa frágil
garota humana, pelo
resto da minha existência sem limites.
Olhei para seu rosto inconsciente, sentindo esse amor por ela se acomodar
em cada célula
do meu corpo de pedra.
Ela dormia com mais calma agora, um sorriso fraco em seus lábios.
Sem deixar de observá-la, comecei a planejar.
Eu a amava, então eu tentaria ser forte o suficiente para deixá -la. Eu
sabia que não era forte
assim agora. Teria que trabalhar nisso. M as talvez eu fosse forte o
suficiente para moldar o
futuro de outro jeito.
Alice tinha visto só dois futuros para Bella, e agora eu entendia os dois.
Amá-la não evitaria que eu a matasse, se eu cometesse erros.
Mas eu não conseguia sentir o monstro agora, não conseguia achá-lo em
nenhum lugar
dentro de mim. Talvez o amor o tivesse silenciado para sempre. Se eu a
matasse agora, não
seria intencional, só um horrível acidente.
Eu teria que ser extraordinariamente cuidadoso. Jamais, jamais seria
capaz de baixar a
guarda. Teria que controlar cada respiração. Teria sempre que manter
uma distância segura.
Não cometeria erros.
Eu finalmente entendi o segundo futu ro. Tinha estado aterrorizado por
essa visão - o que
poderia acontecer que resultaria em Bella se tornar uma prisioneira nessa
meia-vida
imortal? Agora - devastado por desejar a garota - eu podia entender como
eu, num egoísmo
indesculpável, pediria a meu pai esse favor. Pediria a ele que tirasse a vida
e a alma dela
para que eu pudesse ficar com ela para semp re.
Ela merecia coisa melhor.
Mas eu vi mais um futuro, uma linha estreita pela qual eu talvez pudesse
caminhar, se
pudesse manter meu equilíbrio.
Conseguiria fazer? Ficar com ela e deixá -la humana?
Deliberadamente, inspirei fundo e depois outra vez, deixa ndo que seu
cheiro passasse por
mim como fogo. O quarto estava cheio de seu perfume; a fragrância dela
saía de cada
superfície. Minha cabeça girou, mas lutei contra a tontura. Teria que
acostumar com isso, se
eu fosse tentar ter qualquer tipo de relacionamento com ela. Respirei
novamente, deixando
o ar me queimar.
A observei dormindo até que o sol nascesse atrás das nuvens no leste,
planejando e
respirando.
Fui para casa quando os outros tinham ido embora para a escola. Troquei
de roupa
rapidamente, evitando os olhos cheios de perguntas de Esm e. Ela viu a luz
febril em meu
rosto, e sentiu preocupação e alívio. Minha melancolia sem fim a magoava,
e ela estava
feliz que parecia ter acabado.
Eu corri para a escola, chegando poucos segundos depois que meus irmão
s. Eles não
viraram, embora Alice deva ter desconfiado que eu estava parado aqui nas
grossas árvores
que cercavam o asfalto. Eu esperei até que ninguém estivesse olhando, e
então andei
casualmente por entre as árvores até o estacionamento cheio de carros.
Eu ouvi a picape de Bella rugindo na esquina, e parei atrás de um
Su burban onde podia
observá-la sem ser visto.
Ela dirigiu até o estacionamento, olhando meu Volvo por um longo
momento antes de parar
em u ma das vagas mais distantes, uma careta em seu rost o.
Era estranho lembrar que ela provavelmente ainda estava brava comigo, e
por um bom
motivo.
Eu queria rir para mim mesmo - ou me chutar. Todo o meu esquema e
planejamento eram
totalmente inúteis se ela não se importasse comigo, não eram? O sonho
dela pod e ter sido
sobre alguma outra coisa aleatória. Eu era mesmo um tolo arrogante.
Bom, era muito melhor para ela se não se importasse comigo. Isso não me
impediria de
persegui-la, mas eu a avisaria de minha perseguição. Devia isso a ela.
Andei silenciosamente, pensando qual seria a melhor forma de me
aproximar dela.
Ela deixou fácil. A chave da picape escorregou por seus dedos quando ela
saiu, e caiu em
uma poça funda.
Ela se inclinou, mas eu cheguei antes, a pegando antes que ela tivesse que
colocar os dedos
na água fria.
Encostei-me na picape quando ela me encarou e então se endireitou.
- Como é que você f ez isso? - ela perguntou.
Sim, ainda estava brava.
Oferecia a chave para ela. - Fiz o quê?
Ela esticou a mão, e eu a deixei cair em sua palma. Respirei fund o,
absorvendo seu cheiro.
- Aparecer do nada desse jeito. - ela esclareceu.
- Bella, não é culpa minha se você é excepcionalmente distraída. - As
palavras eram
sarcásticas, quase uma piada. Tinha alguma coisa que ela não visse?
Ela ouviu como a minha voz d isse o nome dela com carinho?
Ela me encarou, não gostando muito do meu humor. Os batimentos dela
aceleraram - de
raiva? De medo? Depois de um momento, ela olhou para baixo.
- Por que o engarrafamento de ontem? - ela perguntou sem encontrar
meus olhos. - Pensei
que você devia fingir que eu não existo e não me matar de irritação.
Ainda estava bastante brava. Ia tomar algum esforço para deixar as coisas
certas com ela. E
me lembrei da minha resolução de ser honesto com ela…
- Aquilo foi pelo Tyler e não por mim. Tive que dar uma chance a ele. - E
então eu ri. Não
podia evitar, pensando na expressão dela de ontem.
- Você… - ela engasgou, então parou, parecendo estar furiosa demais para
terminar. Ali
estava - a mesma expressão. Abafei outra risada. Ela já estava nervosa o
suficiente.
- E não estou fingindo que você não existe. - terminei. Estava certo em
manter as coisas
casuais, em provocá-la. Ela não entenderia se eu a deixasse ver como me
sentia de verdade.
Iria assustá-la. Tinha que manter meus sentimentos so b controle, manter
as coisas leves…
- Então está tentando mesmo me matar de irritação? Já que a van do Tyler
não fez o
serviço?
Um rápido lampejo de raiva passou por mim. Como ela podia
honestamente acreditar
nisso?
Era irracional da minha parte ficar tão ofendido - ela não sabia da
transformação que tinha
acontecido à noite passada. Mas a raiva era a mesma.
- Bella, você é completamente absurda. - eu revidei.
O rosto dela corou, e ela virou as costas para mim. Começou a ir embora.
Remorso. Não havia sentido em minha raiva.
- Espere. - eu pedi.
Ela não parou, então eu a segui.
- Desculpe, foi grosseria minha. Não estou dizendo que não é verdade. -
era absurdo
imaginar que eu a queria machucada em qualquer jeito. - mas de qualquer
forma, foi uma
grosseria dizer aquilo.
- Por que não me deixa em paz?
Acredite, eu quis dizer. Eu tentei.
Ah, outra coisa, estou miseravelmente apaixonado por você.
Mantenha a coisa leve.
- Quero perguntar uma coisa, mas você está me evitando. - Um outro
curso de ação tinha
me ocorrido e eu dei risada.
- Você tem distúrbio de personalidade múltipla? - ela perguntou.
Parecia que sim. Meu humor instável, tantas emoções novas passando por
mim.
- Lá vem você de novo. - eu assinalei.
Ela suspirou. - Tudo bem, então. O que quer me perguntar ?
- Eu estava me perguntando se, no sábado que vem… - observei o choque
passar por seus
olhos e sufoquei outra risada. - Sabe, no dia do baile de primavera…
Ela finalmente me interrompeu, voltando seus olhos para mim. - Está
tentando ser
engraçadinho?
Sim. - Quer, por favor, me deixar terminar?
Ela esperou em silêncio, os dentes mordendo o lábio macio inferior.
Essa visão me distraiu por um momento. Reações estranhas,
desconhecidas agitaram fundo
no meu interior humano. Tentei me livrar delas para que pudes se fazer
meu papel.
- Eu a ouvi dizer que vai a Seattle nesse dia e estava pensando se você
queria uma carona. -
ofereci. Percebi que, melhor que perguntar a ela sobre seus planos, eu
poderia partilhá-los.
Ela me olhou inexpressivamente. - Como é?
- Quer uma carona para Seattle? - Sozinho no carro com ela - minha
garganta queimou com
o pensamento. Respirei fundo. Se acostume.
- Com quem? - ela perguntou, seus olhos arregalados e confusos de novo.
- Comigo, é claro. - eu disse lentamente.
- Por quê?
Era realmente um choque que eu queria a companhia dela? Ela deve ter
chegado a pior
conclusão possível com meu comportamento passado.
- Bom, eu pretendia ir a Seattle nas próximas semanas e, para ser sincero,
não tenho certeza
se sua picape vai agüentar. - Era mais seguro provocá-la do que me
permitir ser sério.
- Minha picape funciona muito bem, obrigada por sua preocupação. - ela
disse na mesma
voz surpresa. E começou a andar outra vez. Continuei a seguindo.
Ela não havia dito não, então pressionei essa vantagem.
Ela diria não? O que eu faria se ela dissesse?
- Mas sua picape pode chegar lá com um tanque de gasolina?
- Não vejo como isso pode ser da sua conta. - ela reclamou.
Ainda não era um não. E o coração dela estava batendo mais rápido de
novo, a respiração
vindo mais rápida.
- O desperdício de recursos não-renováveis é da conta de todos.
“Honestamente, Edward, eu não consigo te acompanhar. Eu pensei que
você não queria ser
meu amigo.”
Uma forte emoção me atravessou quando ela disse meu nome.
Como manter isso suave e também ser honesto ao mesmo tempo? Bem,
era mais
importante ser honesto. Especialmente nesta questão.
“Eu disse que seria melhor se não fossemos amigos, não que eu não queria
ser.”
“Oh, obrigada, isso esclarece tudo,” ela disse sarcasticamente.
Ela pausou, sob o teto da cafeteria, e encontrou meu olhar novamente. As
batidas de seu
coração estavam vacilantes. Ela estava com medo?
Eu escolhi minhas palavras cuidadosamente. Não, eu não poderia deixá -
la, mas talvez ela
fosse esperta o suficiente para me deixar, antes que fosse muito tarde.
“Seria mais… prudente pra você não ser minha amiga.” Fitando a
profundeza de chocolate
derretido dos seus olhos, eu perdi minha segurança na luz. “Mas eu estou
cansado de tentar
ficar longe de você, Bella.” As palavras queimaram com muito fervor.
Su a respiração parou e, quando voltou a respirar, aquilo me preocupou.
Quanto eu a tinha
assustado? Bem, eu descobriria isso.
“Você vai a Seattle comigo?” eu perguntei a queima roupa.
Ela acenou, seu coração batendo mais alto.
Sim. Ela tinha dito sim pra mim.
E depois minha consciência me sufocou. O que isso custaria a ela?
“Você realmente devia ficar longe de mim,” eu a alertei. Ela me ouviria? Ela
escaparia do
futuro no qual eu a estava lançando? Eu não poderia fazer nada par a
salvá-la de mim?
Mantenha-se suave, eu me adverti. “Te vejo na aula.”
Eu tive que me concentrar para me impedir de correr enquanto eu fugia.
Capítulo 06 - Tipo sangüíneo
Eu a segui durante o dia todo através dos olhos das outras pessoas, ab
ertamente consciente
da minha própria vizinhança.
Não os olhos de Mike Newton, por que eu não conseguia mais agüentar
suas ofensivas
fantasias, e não pelos olhos de Jessica Stanley, por que seu ressentimento
por Bella me
deixava perigosamente nervoso. Ânge la Weber era uma boa escolha,
quando os olhos dela
estavam disponíveis; ela era gentil - sua cabeça era um lugar fácil de estar.
E algu mas vezes
os professores providenciavam a melhor vista.
Eu estava surpreso, assistindo ela tropeçar pelo dia - tropeçando na beira
da calçada,
deixando os livros cair, e muitas vezes caindo junto; nos próprios pés -
através dos
pensamentos das pessoas que ouvi achando que Bella era desastrada.
Eu considerei aquilo. Era verdade que ela muitas vezes teve a preocupação
de ficar em pé,
direito. Eu me lembrava dela tropeçando até a mesa no primeiro dia,
deslizando pelo gelo
antes do acidente, caindo embaixo do batente da porta ontem… Era impar,
eles estavam
certos. Ela era desastrada.
Eu não sabia por que aquilo era tão engraçado para mim, mas eu estava
rindo em voz alta
enquanto andava da aula de História Americana para o Inglês e muitas
pessoas me
lançaram olhares cuidadosos. Como eu não tinha percebido isso antes?
Possivelmente por
que havia algo bem gracioso em sua calma, no je ito que ela mantinha a
cabeça, o arco do
seu pescoço…
Não havia nada de gracioso nela agora. Mr. Varner assistia ela prender a
ponta de sua bota
no carpete e literalmente cair na sua cadeira.
Eu ri de novo.
O tempo se movia incrivelmente lento enquanto eu esperava para vê-la
com meus próprios
olhos. Finalmente o sinal tocou. Eu corri até a cafeteria para assegurar
meu lugar. Eu era o
primeiro a chegar lá. Escolhi uma mesa que normalmente estava vazia, e
eu estava seguro
de permanecer no caminho que tinha me levado a sentar ali.
Quando minha família entrou e me viu sentado sozinho em meu novo
lugar eles não
estavam surpresos. Alice devia ter avisado a eles.
Rosalie passou por mim sem me olhar.
Idiota.
Rosalie e eu nunca tivemos um relacionamento fácil - eu a ofendi na
primeira vez que ela
me ouviu falar, e foi ladeira abaixo desde então - mas parecia que elas
estava mais
temperamental nesses últimos dias. Eu suspirei. Para Rosalie tudo era
sobre ela mesmo.
Jasper me deu um sorriso torto e continuou a andar.
Boa sorte, ele pensou duvidosamente.
Emmett rolou os olhos e balançou a cabeça.
Perdeu a cabeça, pobre garoto.
Alice estava radiante, seus dentes brilhando mais do que deviam.
Posso f alar com Bella agora?
“Fique fora disso,” Eu disse através da minha respira ção.
Seu rosto ficou triste, e então brilhou de novo.
Tudo bem. Seja teimoso. É só uma questão de tempo.
Ela suspirou de novo.
Não se esqueça da aula de laboratório de biologia de hoje, ela me lembrou.
Eu acenei com a cabeça. Não, eu não me esqueci disso.
Enquanto eu esperava Bella chegar, eu a segui através dos olhos do
calouro que andava
atrás de Jessica, no caminho para a cafeteria. Jessica estava tagarelando
sobre o próximo
baile, mas Bella não disse nada em resposta. Não que Jessica tivesse dado
muita chance a
ela de responder.
No momento em que Bella passou pela porta, seus olhos fitaram
momentaneamente a mesa
onde meus irmãos se sentavam. Ela observou por um momento, e então
sua testa se
enrugou e seu olhar baixou até o chão. Ela não havia me notado.
Ela parecia tão… triste. Eu senti uma urgência enorme em levantar e ir até
ela, para
confortá-la de alguma forma, eu só não sabia o que ela acharia
reconfortante. Eu não tinha
idéia do motivo que a fizera parecer daquela forma. Jessica continuava a
matraqu ear sobre
o baile. Será que Bella estava triste que iria perder isto? A quilo não parecia
muito
provavell…
Mas poderia ser remediado, se ela quisesse.
Ela comprou uma bebida para o seu almoço e nada mais. Aquilo estava
certo? Será que ela
não precisava de mais nutrientes do que apenas aquilo? Eu nunca prestei
muita atenção à
dieta de um humano antes. Humanos eram tão exacerbadamente frágeis!
Havia milhões de
coisas com que deviam se preocupar…
“Edward Cullen está encarando você novamente,” eu ouvi Jessica di zer.
“Por que será que
ele está sentado sozinho hoje?”
Eu estava agradecido a Jessica - apesar de ela estar ainda mais ressentida
agora - porque
Bella levantou a cabeça e seus olhos procuraram até que encontrassem os
meus.
Não havia traço de tristeza em sua face, agora. Eu me permiti acreditar
que ela estava triste
por imaginar que eu havia ido embora mais cedo, e a esperança desse
pensamento me fez
sorrir.
Eu a chamei com meu dedo para que ela se juntasse a mim. Ela pareceu
tão surpresa com
aquilo que eu quis provocá-la novamente.
Então eu pisquei e ela ficou boquiaberta.
“Ele está chamando você?” Jessica perguntou com desprezo.
“Talvez ele precise de ajuda com o dever de biologia,” ela disse em uma voz
baixa e cheia
de incerteza. “Um, é melhor eu ver o que ele quer.”
Este foi um outro sim.
Ela tropeçou duas vezes no caminho para a minha mesa, apesar de não
haver nada no seu
rumo além de um piso perfeitamente plano. Sério, como eu deixei de notar
isto antes? Eu
estava prestando mais atenção aos seus pensamen tos silenciosos, creio
eu… O que mais eu
teria perdido?
Seja honesto, seja claro eu repeti para mim mesm o.
Ela parou atrás da cadeira que estava a minha frente, hesitante. Eu
respirei fundo, dessa vez
pelo meu nariz e não pela boca.
Sinta a queimação, eu pensei objetivamente.
“Por que você não se senta comigo hoje?” Eu perguntei a ela.
Sem tirar os olhos de mim por um instante, ela puxou a cadeira e sentou -
se. Ela parecia
nervosa, mas sua aceitação física era um outro sim.
Eu esperei que ela falasse.
Levou um momento, mas finalmente ela falou, “Isto é diferente.”
“Bem…” Eu hesitei “Eu decidi, de uma vez que eu vou para o inferno,
posso muito bem
fazer o serviço completo
O que me fez dizer aquilo? Eu suponho que pelo menos tenha sido
honesto. E talvez ela
tivesse ouvido o aviso sutil que minhas palavras continham. Talvez ela
entendesse que ela
deveria se levantar e sair dali o mais rápido que pu desse…
Ela não se levantou. Ela me encarava, esperando, como se eu não tivesse
terminado minha
frase.
“Sabe, não tenho a mínima idéia do que você quis dizer, ” ela disse quando
percebeu que eu
não continuaria.
Aquilo foi um alívio, eu sorri.
“Eu sei.”
Era difícil ignorar os pensamentos que vinham detrás de suas costas,
gritando para mim - E
eu queria mudar de assunto, também.
“Eu acho que seus amigos estão zangados comigo por eu ter te roubado
deles.”
Isso pareceu não a preocupar. “Eles sobreviverão.”
“Eu posso não devolver você, então.” Eu não fazia idéia se eu estava
tentando ser honesto
agora ou apenas tentando provocá -la de novo. Estar perto dela tornava
difícil dar sentido
aos meus próprios pensamentos.
Bella engoliu seco.
Eu ri da expressão dela. “Você parece preocupada,” Aquilo realmente não
deveria ser
divertido, ela deveria estar preocupada.
“Não.” Ela era uma péssima mentirosa; não a ajudou em nada que sua voz
falhasse.
“Surpresa, na verdade… o que você quer afinal?”
“Eu te disse, me cansei de tentar ficar longe de você. Então estou
desistindo.” Eu segurei
meu sorriso com um pouco de esforço. Isso não estava funci onando nem
um pouco -
tentando ser honesto e casual ao mesmo tempo.
“Desistindo?” ela repetiu perplexa.
“Sim - desistindo de tentar ser bonzinho.” E aparentemente desistindo de
tentar ser casual.
“Eu simplesmente vou fazer o que eu quiser, agora, e deixar que aconteça
o que tiver de
acontecer.” ( no livro “Crepúsculo” esta traduzido assim: …e deixar os
dados rolarem. Mas
a trad. de vcs ficou melhorJ )
Aquilo foi honesto o bastante. Deixe que ela veja meu egoísmo. Deixe que
isto a alerte,
também.
“Não estou entendendo nada de novo.” / ” Você esta me confundindo de
novo “
Eu era egoísta o bastante para estar feliz que este fosse o caso. “Eu sempre
falo muito
quando estou conversando com você - este é um dos problemas.”
Um problema bem insignificante, comparad o a todos os outros.
“Não se preocupe,” ela reafirmou. “Eu não entendo nada mesmo…”
Ótimo, então ela não iria fugir. “Eu estava contando com isso.”
“Então, falando sem rodeios, somos amigos agora?”
Eu ponderei por um instante. “Amigos…” eu repeti. Não gost ei do som
daquilo. Não era o
bastante.
“Ou não,” ela sussurrou, parecendo embaraçada.
Será que ela pensava que eu não gostava dela o bastante?
Eu sorri. “Bem, podemos tentar, eu acho. Mas eu vou alertar que eu não
sou um bom amigo
para você.”
Eu esperei pela resposta ansiosamente - esperando que finalmente ela
ouvisse e entendesse,
e imaginando que eu pudesse morrer se ela o fizesse. Que melodramático.
Eu estava me
tornando humano demais perto dela.
Seu coração batia rápido. “Você diz muito isso.”
“Sim, porque você não está me dando ouvidos.” Eu disse, muito
intensamente outra vez.
“Eu ainda espero que você acredite nisso. Se for esperta, você vai me
evitar.”
Ah, mas será que eu permitiria que ela fizesse isso, se tentasse?
Seus olhos se estreitaram. “Eu ach o que você deixou clara a sua opinião,
a respeito do meu
intelecto.”
Eu não estava certo sobre o que ela quis dizer, mas eu sorri me
desculpando, imaginando
que eu a tivesse ofendido acidentalmente.
“Então,” ela disse devagar. “Enquanto eu estiver sendo… b oba, vamos
tentar ser amigos?”
“É isso o que parece.”
Ela olhou para baixo, examinando a garrafa de limonada que tinha em
mãos.
A velha curiosidade me atormentava.
“O que você está pensando?” Eu perguntei - pelo menos era um alívio dizer
estas palavras
em voz alta finalmente
Seu olhar encontrou o meu, e sua respiração acelerou enquanto suas
bochechas coraram, eu
inspirei, sentindo o saboreando o ar.
“Eu estou tentando imaginar o que você é.”
Segurei o sorriso em meu rosto, travando minha feição naquela for ma,
enquanto o pânico
percorria todo o meu corpo.
É claro que ela estava pensando naqu ilo. Ela não era estúpida. Eu não
podia esperar que ela
fosse deixar de notar algo tão evidente.
“Você está tendo alguma sorte nisso?” Perguntei da forma mais sutíl que p
ude.
“Não muita.” Ela admitiu.
Eu ri suavemente com a resposnta, sentindo um súbito alivio. “Quais são
suas teorias?”
Elas não poderiam ser piores que a verdade, qualquer que fossem.
Su as bochechas ficaram ainda mais vermelhas, e ela não disse nada. Eu
pod ia sentir no ar o
calor do seu rubor.
Tentei usar meu tom persuasivo nela. Isso era algo que fu ncionava muito
bem em humanos
normais.
“Não vai me dizer?” Sorri, encorajando -a.
Ela balançou a cabeça negativamente. “É muito embaraçoso.”
Ugh. Não saber era pior do que qualquer outra coisa. Por que as
especulações dela a
deixariam embaraçada? Não pude suportar a curiosidade.
“É muito frustrante, sabe.”
Minha reclamação disparou algo nela. Seus olhos brilharam e as palavras
fluíram mais
rapidamente que o normal.
“Não. Eu não posso imaginar poque isso pode ser minimamente frustrante
- apenas porque
alguém se recusa a lhe dizer o que está pensando, mesmo se durante todo
o tempo estivesse
fazendo apenas pequenas observções enigmáticas com a única intenção de
lhe dei xar
acordado a noite tentando imaginar o que é que elas podem significar…
agora, por que isso
seria frustrante?”
Eu franzi as sobrancelhas para ela, irritado por aceitar que ela estava
certa. Eu não estava
sendo justo.
Ela continuou. “Ou melhor, dizer tamb ém que esta pessoa fez um monte
de coisas bizarras,
desde salvar sua vida sob circunstâncias impossíveis em um dia até te
tratar como um
estranho no dia seguinte, e jamais te explicar nem uma coisa nem outra,
mesmo depois de
prometer fazê-lo. Isso também não seria frustrante.”
Foi o mais longo discurso que eu a ouvi fazer, e isso acrescentou mais uma
qualidade na
minha lista.
“Você é meio temperamental, não?”
“Eu não gosto de dois pesos e duas-medidas.”
Su a irritação era completamente justificavel, é claro .
Eu encarei Bella, imaginando como eu poderia possivelmente fazer
qualquer coisa certa por
ela, até que o silêncio gritante na cabeça de Mike Newton me distraiu.
Ele estava tão irado que me fez rir.
“O que é?” ela exigiu.
“O seu namorado parece estar pens ando que eu estou sendo rude com
você - ele está se
questionando se deve ou não vir aqui apartar a nossa briga.” Eu gostaria
de vê -lo tentar. Eu
ri novamente.
“Eu não sei do que você está falando”, ela disse de forma fria “Mas de
qualquer forma, eu
tenho certeza que você está enganado.”
Eu gostei muito do modo como ela o rejeitou com sua sentença
desdenhosa.
“Eu não estou. Eu já te disse, a maioria das pessoas é fácil de ler.”
“Exceto eu, é claro.”
“Sim. Exceto você.” Ela tinha que ser a exceção à tudo? Não seria mais
justo -
considerando tudo mais com que eu tinha que lidar no momento - se eu
pudesse ler
ALGUMA COI SA em sua cabeça? Era pedir muito? “Eu me pergunto o
porquê disso.”
Ela olhou ao longe. Ela abriu sua limonada e tomou um curto e rápido
gole, se us olhos na
mesa.
“Você não está com fome?” eu perguntei.
“Não,” ela olhava a mesa vazia entre nós. “Você?”
“Não, eu não estou com fome.” eu disse. Eu definitivamente não estava.
Ela encarava a mesa com seus lábios cerrados. Eu esperei.
“Você pode me fazer um favor?”, ela perguntou, subitamente encontrando
meus olhos
novamente.
O que ela poderia querer de mim? Ela perguntaria sobre a verdade a qual
eu não era
permitido dizer à ela - a verdade que eu queria que ela nunca, nunca
soubesse?
“Depende do que você quer”.
“Não é muito”, ela prometeu.
Eu esperei, curioso de novo.
“Eu só estava imaginando…” ela disse lentamente, olhando para a garrafa
de limonada,
traçando a boca da garrafa com o seu dedo mínimo “se você poderia me
avisar com
antecedência na próxima vez que você resolver me ignorar para o meu
próprio bem. Só pra
eu me preparar.”
Ela queria um aviso? Então ter sido ignorada por mim deve ter sido
alguma coisa ruim… eu
sorri.
“Parece justo.” eu concordei.
“Obrigada.” ela disse, olhando para cima. Sua face estava tão aliviada que
eu quis rir do
meu próprio alívio.
“Então posso ter uma resposta em retorno?” eu perguntei,
esperançosamente.
“Uma” - Ela concedeu
“Me diga uma das suas teorias.”
Ela corou “Essa não.”
“Você não qualificou, você só prometeu u ma res posta”, eu argumentei.
“Você também já quebrou suas promessas.”, ela argumentou de volta.
Ela estava certa.
“Só uma teoria - eu não vou rir.”
“Vai sim”. Ela parecia estar bem certa disso, apesar de eu não conseguir
imaginar nada que
pudesse ser engraçado quanto a isso.
Tentei usar a persuasão outra vez. Olhei fundo nos olhos dela - uma coisa
fácil de se fazer,
com olhos tão intensos - e sussurrei. - “Por favor?”
Ela piscou, o rosto ficando vazio.
Bem, essa não era exatamente a reação que eu queria.
- É… o quê? - ela perguntou. Parecia tonta. O que havia de errado com
ela?
- Por favor, me conte só uma teoriazinha. - eu pedi com minha voz macia e
não -
assustadora, segurando seus olhos nos meus.
Para minha surpresa e satisfação, finalmente funcionou.
-Hmmm, bom, foi picado por uma aranha radioativa?
História em quadrinhos? Não era à toa que ela achou que eu iria rir.
- Isso não é muito criativo. - eu a reprovei, tentando escondeu meu alívio.
- Desculpe , é só o que eu tenho. - ela disse, ofendida.
Isso me deixou ainda mais aliviado. Consegui provocá -la de novo.
- Nem chegou perto.
- Nada de aranhas?
- Nada.
- E nada de radioatividade?
- Nada.
- Droga. - ela suspirou.
- A kriptonita também não me incomoda. - eu respondi depressa - antes
que ela pudesse
perguntar sobre mordidas - e então tive que rir, porque ela achava que eu
era um super -
herói.
- Não devia rir, lembra?
Apertei os lábios.
- Um dia eu vou descobrir. - ela prometeu.
E quando ela o fizesse, iria fugir.
- Gostaria que não tentasse. - eu disse, todos os sinais da provocação
ausentes.
- Por que…
Devia honestidade a ela. Tentei sorrir, deixar minhas palavras menos
ameaçadoras. - “E se
eu não for um super-herói? E se eu for o vilão?”
Seus olhos se arregalaram ligeiramente e os lábios se separaram um
pou co. - Ah. - ela
disse. E então, depois de um segundo. - Entendi.
Ela finalmente tinha me ouvido.
- Entendeu? - eu perguntei, tentando esconder minha agonia.
- Você é perigoso? - ela adivinhou. A sua respiração aumentou e o coração
acelerou.
Não conseguia respondê-la. Esse era meu último momento com ela? Ela
iria fugir agora?
Eu seria capaz de dizer que a amava antes que ela partisse? Ou isso a
assustaria ainda mais?
- Mas não mau. - ela sussurrou, balançando a cabeça, sem medo nos
olhos intensos. - Não,
não acredito que você seja mau.
- Está errada. - eu disse baixo.
É claro que eu era mau. Eu não estava feliz agora, que ela pensava melhor
de mim do que
eu merecia? Se eu fosse uma boa pessoa, eu teria ficado longe dela.
Eu estiquei minha mão pela mesa, pegando a t ampa da garrafa de
limonada dela como uma
desculpa. Ela não recuou da minha mão próxima. Ela realmente não tinha
medo de mim.
Ainda não.
Eu girei a tampa rapidamente, prestando atenção ao invés de olhar para
ela. Meus
pensamentos estavam confusos.
Corra, Bella, corra. Não conseguia falar as palavras em voz alta.
Ela ficou de pé. - Vamos chegar atrasados. - ela disse, bem quando eu
comecei a me
preocupar que de algum modo ela tinha escutado meu aviso silencioso.
- Eu não vou à aula hoje.
- E por que não?
Porque eu não quero matar você. - “É saudável matar aula de vez em
quando.”
Para ser exato, era saudável para os humanos quando os vampiros
matavam aula nos dias
em que sangue humano seria derramado. O Sr. Banner ia fazer tipagem
sanguínea hoje.
Alice já tinha matado sua aula pela manhã.
Bom, eu vou. - ela disse. Isso não me surpreendeu. Ela era responsável -
sempre fazia a
coisa certa.
Ela era o meu oposto.
- A gente se vê depois, então. - eu disse, tentando parecer casual
novamente, olhando a
tampa que rodava. E, por falar nisso, eu adoro você… de jeitos perigosos,
assustadores.
Ela hesitou, e eu esperei por um momento que ela fosse ficar comigo. Mas
o sinal tocou e
ela se apressou.
Esperei até que ela tivesse desaparecido, e então guardei a tampa no meu
bols o - uma
lembrança dessa conversa importante - e andei pela chuva para o meu
carro.
Coloquei o CD que mais me acalmava - o mesmo que tinha colocado
naquele primeiro dia -
mas não estava escutando as notas de Debussy por muito tempo. Outras
notas estavam
passando rápidas por minha cabeça, o fragmento de uma melodia que me
agradava e me
intrigava. Abaixei o rádio e escutei a música em minha cabeça, tocando o
fragmento até
que se desenvolveu para uma harmonia completa. Instintivamente, meus
dedos se moveram
no ar sobre teclas imaginárias.
A nova composição estava realmente surgindo quando minha atenção foi
desviada por uma
onda de angústia mental.
Eu procurei na direção da aflição.
Ela vai desmaiar? O que eu f aço? Mike estava em pânico.
A noventa metros, Mike Newton estava abaixando o corpo mole de Bella na
calçada. Ela
escorregou sem reação no concreto molhado, os olhos fechados, a pele
pálida como a de
um cadáver.
Eu quase arranquei a porta do carro.
- Bella? - gritei.
Não houve mudança em seu rosto sem vida qu ando eu gritei seu nome.
Meu corpo todo ficou mais frio que gelo.
Estava ciente da surpresa irritada de Mike enquanto varria furiosamente
seus pensamentos.
Ele só estava pensando em seu ódio por mim, então eu não sabia o que
havia de errado com
Bella. Se ele tivesse feito algo para machucá -la eu iria aniquilá-lo.
- Qual é o problema… Ela se machucou? - eu ordenei, tentando concentrar
seus
pensamentos. Era enlouquecedor ter qu e andar na velocidade humana. Eu
não devia ter
chamado atenção para a minha aproximação.
Então eu pude escutar o coração dela batendo e cada respiração que dava.
Enquanto eu
observava, ela apertou os olhos fechados. Isso aliviou um pouco do meu
pânico.
Eu vi um lampejo de memórias na cabeça de Mike, rápidas imagens da
classe de biologia.
A cabeça de Bella na mesa, sua pele ficando verde. Gotas de vermelho
contra cartões
brancos…
Tipagem sanguinea.
Eu parei onde eu estava, segurando a minha respiração. O cheiro dela era
uma coisa, o seu
sangue escorrendo era outra totalmente diferente.
“Eu acho que ela está passando mal.” Mike disse, ansioso e ressentido ao
mesmo tempo.
“Eu não sei o que aconteceu, ela nem furou o dedo.”
O alívio passou por mim, e eu respirei novamente, sentindo o ar. Ah, eu
pude sentir o
cheiro da pequena ferida de Mike Ne wton. Uma vez, isso teria sido
extremamente apelativo
para mim.
Eu me ajoelhei perto dela enquanto Mike se remexia ao meu lado, furioso
com a minha
intervenção.
“Bella. Você consegue me ouvir?”
“Não”, ela gemeu. “Vá embora”.
Eu ri. Ela estava bem.
“Eu estava levando ela para a enfermaria”, Mike disse “Mas ela não
conseguiu ir adiante”.
“Eu vou levar ela. Você pode voltar para a sala de aula.” eu disse,
indiferente.
Os dentes de Mike trincaram. “Não. Sou eu quem deve fazer isso”.
Eu não ia ficar parado ali a rgumentando com aquele infeliz.
Exitado e apavorado, meio-agradecido e meio-aflito pela situação
desagradável que fez o
toque dela uma necessidade, suavemente levantei Bella da calçada e
mantive -a nos meus
braços, tocando só a sua roupa, mantendo tanta dis tância entre os nossos
corpos enquanto
possível. Eu andava com passos largos para a frente no mesmo
movimento, em uma pressa
para mantê-la a salvo - mais longe de mim, em outras palavras.
Seus olhos se abriram, atônitos.
“Me ponha no chão!” ela ordenou em uma voz fraca - embaraçada de novo,
eu adivinhei
pela sua expressão. Ela não gostava de demonstrar fraquezas.
Eu mal ouvia Mike gritando seus protestos atrás de nós.
“Você parece horrível” eu disse a ela, sorrindo com alívio de que não
houvesse nada de
errado com ela além de uma cabeça leve e um estômago fraco.
“Me coloque de volta na calçada”, ela disse. Seus lábios estavam brancos.
“Então você passa mal quando vê sangue?” isso podia ser mais irônico?
Ela fechou seus olhos e pressionou seus lábios juntos.
“E nem é o seu próprio sangue” eu acrescentei, meu sorriso aumentando.
Nós estávamos na frente da secretaria. A porta estava levemente aberta, e
eu a chutei para
sair de nosso caminho.
A senhorita Cope pulou, assustada. “Meu Deus,” ela engasgou enquanto
ex aminava a
garota pálida nos meus braços.
“Ela passou mal na aula de Biologia”, eu expliquei, antes que a sua
imaginação começasse
a ir para muito longe.
A Srta. Cope se apressou em abrir a porta da enfermaria. Os olhos de Bella
estavam abertos
novamente, observando-a.
Ouvi o assombro interno da enfermeira idosa enquanto eu deitava a garota
cuidadosamente
em u ma cama gasta. Tão logo Bella estivesse fora de meu s braços, eu
coloquei a distância
da sala entre nós. Meu corpo estava muito excitado, muito ansioso, meus
músculos tensos e
o veneno fluindo. Ela era muito quente e perfumada.
“Ela só está um pouco enjoada”, eu assegurei à Senhora Hammond. “Eles
estão fazendo
tipagem sanguinea na aula de Biologia.”.
Ela balançou a cabeça, compreendendo. “Sempre tem um.”
Eu abafei uma risada. Confie em Bella para ser aquele um.
“Fique um pouco deitada, meu bem” Sra. Hammond disse. “Vai passar
logo”.
“Eu sei” Bella disse.
“I sso acontece muito?” a enfermeira perguntou.
“As vezes” Bella admitiu.
Eu tentei disfarçar minha risada em uma tossida.
Isso trouxe a atenção da enfermeira para mim. “Você pode voltar para a
sala agora” ela
disse.
Eu a olhei diretamente nos olhos e menti confiantemente “Eu devo ficar
com ela.”
Hmm. Eu imagino… oh, bem. Sra. Hammond balançou a cabeça.
Isso funcionou perfeitamente com ela. Por que com Bella tinha que ser tão
difícil?
“Eu vou pegar um pouco de gelo pra você colocar na sua testa, querida” a
enfermeira disse,
ligeiramente pouco confortável por olhar em meus olhos - do modo que um
hu mano devia
ser - e deixou a sala.
“Você estava certo”, Bella lamentou, fechando seus olhos.
O que ela queria dizer? Eu fui direto para a pior conclusão: ela tinha
aceitado os meus
avisos.
“Eu geralmente tenho” eu disse tentando parecer divertido. “Mas sobre o
que em particular
desta vez?”
“Faltar à aula é saudável.” ela suspirou.
Ah, alívio de novo.
Ela ficou em silêncio então. Ela só respirava lentamente para dentro e para
fora. Seus lábios
estavam começando a ficar rosados. Sua boca estava ligeiramente fora do
equil íbrio, seu
lábio inferior estava um pouco mais cheio do que o superior. Olhar para a
sua boca me fazia
me sentir estranho. Me fazia querer me mover para mais perto dela, o que
não era uma boa
idéia.
“Você me assustou por um minuto lá fora,” eu disse - para reiniciar a
conversa - então eu
podia ouvir a sua voz novamente. “Eu pensei que Mike estava arrastando o
seu cadáver pra
enterrá-lo no bosque”.
“Ha ha”. ela disse.
“Honestamente - eu já vi cadáveres com uma cor melhor.” Isso era
realmente verdade. “Eu
já estava preocupado em ter que vingar o seu assassinato”. E eu teria
mesmo.
“Pobre Mike.” ela suspirou “Eu aposto que ele está bravo”.
“Ele absolutamente me detesta.” eu disse a ela, animado com a idéia.
“Você não tem como saber disso”.
“Eu vi o rosto dele - eu posso dizer.” Provavelmente seria verdade se ao ler
a face dele eu
conseguisse obter tais informações para fazer essa dedução em particular.
Toda essa prática
com a Bella estava afiando a minha habilidade em ler expressões
hu manas.
“Como você me viu? Eu pensei que você estivesse escondido” seu rosto
parecia melhor - o
verde desbotado tinha desaparecido de sua pele translúcida.
“Eu estava no meu carro ouvindo um CD”.
Su a expressão se contorceu, como se a minha resposta com um a tivesse
surpreendido de
alguma forma.
Ela abriu seus olhos novamente quando a Sra. Hammond retornou com
uma compressa fria.
“Aqui, querida” - a enfermeira disse enquanto colocava a compressa na
testa de Bella.
“Você parece melhor”.
“Eu acho que estou bem” Bella disse e sentou -se colocando a compressa
longe. É claro. Ela
não gostava que cuidassem dela.
As mãos enru gadas da Sra. Hammond estavam indo em direção à garota,
como se
quisessem fazer com que ela deitasse novamente, mas então a Srta. Cope
abriu a porta e se
inclinou para dentro da enfermaria. Com a sua entrada, veio um o cheiro
de sangue fresco,
como uma pequena explosão.
Invisível na secretaria por detrás dela, Mike Newton ainda estava bastante
zangado,
desejando que o garoto pesado que ele carregava agora fosse a garota que
estava ali dentro
comigo.
“Tem outro aqui”, Srta. Cope disse.
Bella rapidamente pulou da cama, ansiosa por deixar de ser o centro das
atenções.
“Aqui” ela disse, estendendo a compressa de volta para a Sra. Hammond
“Eu não preciso
mais disso.”
Mike grunhiu enquanto ele empurrava um pouco Lee Stevens pela porta. O
sangue ainda
gotejava da mão que Lee segurava em seu rosto, pingando pelo seu pulso.
“Oh não”, essa era a minha deixa para sair - e Bella, também,
aparentemente. “Bella, vá
para a secretaria”.
Ela me olhou com olhos confusos.
“Confie em mim - vá.”
Ela se virou e alcançou a porta antes que ela se fechasse, se apressando
em direção à
secretaria. Eu a segui a alguns centímetros dela. Seu cabelo em
movimento roçou minha
mão…
Ela se virou para me olhar, a inda com olhos arregalados.
“Você realmente me ouviu”, isso era novidade.
Seu pequeno nariz se enrugou. “Eu senti o cheiro de sangue”
Eu a encarei com surpresa. “As pessoas não podem cheirar sangue”,
“Bem, eu consigo - é isso que me deixa doente. Tem cheir o de ferrugem
e…sal.”
Meu rosto estava congelado, ainda a encarando.
Ela era realmente humana? Ela parecia humana. Ela era suave como um
hu mano. Ela
cheirava como u m humano - bem, melhor na verdade. Ela agia como um
hu mano… mais
ou menos. Mas ela não pensava como um, ou respondia como um.
Quais eram as outras opções, então?
“O que é?”, ela perguntou.
“Não é nada”.
Mike Newton nos interrompeu então, entrando na secretaria com
ressentidos, violentos
pensamentos.
“Você parece melhor.” ele disse a ela, rudement e.
Minha mão tremeu, querendo ensinar a ele algumas maneiras, eu teria
que me monitorar,
ou eu acabaria matando aquele garoto insolente.
“Mantenha a sua mão no bolso”, ela disse. Por um segundo selvagem, eu
pensei que ela
estava falando comigo.
“Não está mais sangrando”, ele respondeu tristemente “Você vai voltar pra
aula?”
“Você tá brincando? Eu iria voltar pra cá na certa.”
Isso era muito bom. Eu tinha pensado que eu ia ter de perder esta hora
inteira com ela, e
agora eu tinha tempo extra em vez disso. Eu me senti ganancioso, um
avarento procurando
cada minuto.
“É, eu acho…” Mike murmu rou. “Então, você vai esse fim de semana? Para
a praia?”
Ah, eles tinham planos. A raiva passou por mim. Era uma viagem em
grupo, entretanto. Eu
tinha visto isso na cabeça de outros estudantes. Não eram só eles dois. Eu
ainda estava
furioso. Eu me inclinei praticamente sem movimentos contra o balcão,
tentando me
controlar.
“Claro, eu disse que ia.” ela prometeu a ele.
Então ela disse sim a ele, também. A inveja queimava, mais dolorosa do
que a sede.
Não, era uma saída em grupo, eu tentei me convencer. Ela somente ia
passar o dia com os
amigos. Nada de mais.
“Vamos nos encontrar na loja do meu pai, as dez.” E o Cullen NÃO ESTÁ
convidado.
“Eu estarei lá”, ela disse.
“Eu te vejo na aula de educação física, então.”
“A gente se vê”
Ele se virou para a sua classe, seus pensamentos estavam cheios de raiva.
O que ela vê
naquela aberração? Claro, ele é rico, eu acho. As garotas acham que ele é
lindo, mas eu
não acho. Muito… muito perfei to. Eu aposto que o pai dele experimenta
todas as cirurgias
plásticas neles. É por isso que eles são tão brancos e bonitos. Não é natural.
É um tipo
de… aparência-assustadora. Algumas vezes, quando ele me encarava, eu
poderia jurar que
ele está pensando em me matar… aberração…
Mike não estava completamente errado em suas percepções.
“Educação física”, Bella repetiu silenciosamente. Um gemido.
Eu olhei para ela, e vi que ela estava triste com alguma coisa novamente.
Eu não tinha
certeza por que, mas estava claro de que ela não queria ir para a próxima
aula com o Mike,
e eu estava de acordo com esse plano.
Eu fui para o seu lado e me aproximei da sua face, sentindo o calor de sua
pele irradiando
diretamente para os meus lábios. Eu não me atrevi respirar.
“Eu posso cuidar disso”, eu murmurei. “Vá se sentar e fique pálida”
Ela fez o que eu pedi, sentando em u ma das cadeiras vazias e inclinando a
sua cabeça para
trás, contra a parede, enquanto, atrás de mim, a Srta. Cope saiu da
enfermaria e retornou à
sua mesa. Com os olhos fechados, Bella parecia que estava passando mal
novamente. Sua
cor ainda não tinha voltado completamente.
Eu me virei para a secretária. Com esperanças de que Bella estivesse
prestando atenção
nisso, eu pensei sardonicamente. Esse é o modo com o uma humana
deveria responder.
“Sra Cope?” eu perguntei, usando a minha voz persuasiva de novo.
Seus cílios se agitaram, e o seu coração passou a bater mais rápido. Muito
jovem, se
controle! “Sim?”
Isso foi interessante. Quando o pulso de Shelly Cope acel erou, foi porque
ela me achou
fisicamente atraente, não porque ela estava assustada. Eu estava
acostumado a isso quanto
às fêmeas hu manas… ainda eu não tinha considerado isso como
explicação para a
aceleração do coração da Bella.
Eu particularmente tinha gostado disso. Eu sorri e a respiração da Sra.
Cope acelerou.
“A próxima aula de Bella é de Educação Física, e eu não acho que ela se
sente bem o
suficiente. Na verdade, eu acho que eu devia levar ela pra casa agora.A
senhora acha que
pode liberá-la dessa aula?” eu encarei profundamente seus olhos, me
deliciando com a
destruição que eu causava em seus processos mentais. Seria possível que
Bella…?
Sra Cope teve que engolir em alto som antes que pudesse responder. “Você
também precisa
ser liberado, Edward?”
“Não, eu tenho au la com a Sra Goff, ela não vai se incomodar.”
Eu não estava prestando muita atenção nela agora. Eu estava explorando
essa nova
possibilidade.
Hmm. Eu gostava de acreditar que Bella me achava atraente como os
outros humanos
achavam, mas desde quando que Bella tinha as mesmas reações que os
outros humanos? Eu
não podia manter as minhas esperanças elevadas.
“Ok, então está tudo acertado. Melhoras, Bella.”
Bella acenou com a cabeça fracamente - exagerando um pouco.
“Você consegue caminhar, ou pre fere que eu te carregue de novo?” eu
perguntei, me
divertindo com o teatro precário dela. Eu sabia que ela iria querer andar -
ela não queria
parecer fraca.
“Eu vou caminhando”. ela disse.
Certo de novo. Eu estava melhorando nisso.
Ela se pôs em pé, hesitante por um momento como se ela estivesse
checando o seu
equilíbrio. Eu segurei a porta para ela, e nós caminhamos para a chu va.
Eu olhava para ela erguendo o seu rosto para a chuva fraca, seus olhos
fechados, um leve
sorriso em seus lábios. O que ela estav a pensando? Alguma coisa nessa
cena parecia errado,
e eu rapidamente percebi por que essa ação pareceu tão estranha para
mim. Garotas
hu manas normais não levantariam o seu rosto para a garoa dessa
maneira, garotas humanas
normais normalmente usam maquiagem, mesmo aqui nesse lugar úmido.
Bella nunca usava maquiagem, nem deveria. As indústrias de cosméticos
lucram bilhões de
dólares por ano de mulheres que tentam conseguir uma pele como a dela.
“Obrigada”, ela disse, sorrindo para mim agora “Quase vale a pena ficar
doente pra perder
Educação física.”
Eu comecei a atravessar o campus, imaginando por quanto tempo eu devia
prolongar meu
tempo com ela. “É só pedir”, eu disse.
“Então você vai? Sábado, eu quero dizer.” ela parecia esperançosa.
Ah, a sua esperança era tranqüilizante. Ela me queria com ela, não Mike
Newton. E eu
queria dizer sim. Mas havia muitas coisas para considerar. Em primeiro
lugar, o sol estaria
brilhando nesse sábado…
“Onde vocês todos estão indo, exatamente?” eu tentei manter a minha voz
indif erente,
como se eu não me importasse muito. Mike tinha dito praia, entretanto.
Não tinha muitas
chances de escapar da luz do sol lá.
“Vamos à La Push, para Primeira Praia.” ( nome do local na verdade )
Droga. Bem, era impossível então.
De qualquer forma, Emmett ficaria irritado se eu cancelasse nossos
planos.
Lancei os olhos abaixo para ela, sorrindo tortamente. “Eu não acho que eu
tenha sido
convidado”.
Ela suspirou, resignada. “Eu acabei de te convidar”.
“Eu e você não vam os mais abusar tanto do pobre Mik e esse fim de
semana. Nós não
queremos que ele arrebente”. Imaginei eu mesmo fazendo com o que o
pobre Mike
arrebentasse e desfrutei dessa cena mental intensamente.
“Mike boboca”, ela disse, com desprezo novamente. Meu sorriso aumentou.
E então ela começou a andar para longe de mim.
Sem pensar sobre o que eu estava fazendo, eu me estiquei e a peguei pela
parte de trás de
seu casaco de chuva. Ela deu um solavanco ao parar.
“Onde é que você pensa que vai?” eu estava quase bravo por ela estar me
deixando. Eu n ão
tinha passado tempo suficiente com ela. Ela não podia ir embora, não
ainda.
“Eu vou pra casa” ela disse, desconcertada quanto ao porque isso tinha me
irritado.
“Você não me ouviu prometer que te levaria pra casa em segurança? Você
acha qu e eu vou
te deixar dirigir nessas condições?” eu sabia que ela não ia gostar disso - a
minha
implicação de fraqueza da sua parte.
Mas eu precisava praticar para a viagem à Seattle, de qualquer forma. Ver
se eu agüentaria
tê-la próxima em um espaço fechado. Essa era uma v iagem muito mais
curta.
“Que condições?” ela perguntou “E a minha caminhonete?”
“Eu vou pedir pra Alice levá-la depois da escola” eu a puxei de volta para o
meu carro
cuidadosamente, embora eu soubesse agora que andar pra frente era
desafiador o suficiente
para ela.
“Me solta!” ela disse, se contorcendo de lado, quase tropeçando. Eu ergui
uma mão para
segurá-la, mas ela se ajeitou antes que isso fosse necessário. Eu não devia
ficar procurando
desculpas para tocá-la. Aquilo fez com que eu começasse a pensar sobre a
reação da Sra.
Cope quando a mim, mas eu guardei isso para pensar depois. Tinha muito
a ser considerado
mais para frente.
Eu a deixei ao lado do carro, e ela cambaleou até a porta. Eu teria que ser
ainda mais
cuidadoso, levando em conta o seu equil íbrio precário…
“Você é muito mandão!”
“Está aberta.”
Eu entrei pelo meu lado do carro e dei a partida. Ela manteve o seu corpo
rígido, ainda do
lado de fora, apesar da chuva ter ficado mais forte e eu sabia que ela não
gostava de frio e
umidade. A água estava encharcando seu grosso cabelo, escurecendo -o
até próximo do
preto.
“Eu sou perfeitamente capaz de dirigir até em casa!”
É claro que ela era - eu somente não era capaz de deixá -la ir.
Eu abaixei o vidro do lado do carona e me inclinei em sua direção. “ Entre
no carro, Bella”.
Seus olhos se estreitaram e eu achei que ela estava se decidindo se devia
ou não sair
correndo.
“Eu vou pegar você de novo” eu prometi, desfrutando do desapontamento
em seu rosto
quando ela percebeu que eu estava falando sério.
Seu queixo se enrijeceu no ar, ela abriu a sua porta e entrou. Seu cabelo
pingou no couro do
banco e suas botas rangeram uma contra a outra.
“I sso foi completamente desnecessário” ela disse friamente. Eu achei que
ela parecia
embaraçada por debaixo da humilhaç ão.
Eu aumentei o aquecedor, portanto ela não se sentiria desconfortável, e
coloquei a música
em u m bom nível de fundo. Eu dirigi em direção à saída, observando -a
pelos cantos dos
olhos. O seu lábio inferior se sobressaia fazendo beicinho. Eu encarei isso,
examinando
como que fazia me sentir… pensando na reação da secretária de novo…
De repente, ela olhou para o rádio e sorriu, seus olhos arregalados. “Clair
de Lune?” ela
perguntou.
Uma fã dos clássicos? “Você conhece Debussy?”
“Não muito”, ela disse “Minha mãe toca muita musica clássica em casa. Eu
só conheço as
minhas favoritas.”
“É uma das minhas favoritas também”, Eu olhei para a chuva,
considerando isso. Eu
realmente tinha algo em comum com a garota. Eu tinha começado a
pensar que nós éramos
opostos em todos os sentidos.
Ela parecia mais relaxada agora, olhando para a chuva como eu, com
olhos vagos. Eu
aproveitei a sua distração momentânea para testar a minha respiração.
Eu inalei cuidadosamente pelo meu nariz.
Potente.
Eu apertei a direção com força. A chuva a fazia cheirar melhor. Eu não
pensava que isso
fosse possível. Estupidamente, eu estava subitamente imaginando como
devia ser o seu
sabor.
Eu tentei engolir contra a queimação em minha garganta, pensar em
alguma coisa diferente.
“Como é a sua mãe?” eu perguntei como distração.
Bella sorriu. “Ela se parece muito comigo, mas ela é mais bonita.”
Eu duvidava disso.
“Eu tenho muito de Charlie em mim.” ela continu ou. “Ela é mais divertida
que eu, e mais
corajosa.”
Eu duvidava disso, também.
“Ela é irresponsável e um pouco excêntrica e uma cozinheira muito
imprevisível. Ela é
minha melhor amiga.” Sua voz se tornou melancólica, sua testa se
enrugou.
De novo, ela mais parecia como um pai do que um filho.
Eu parei na frente de sua casa, imaginando tarde demais se eu devia saber
onde ela morava.
Não, isso não era suspeito em uma cidade pequena, com seu pai sendo
uma figura
pública…
“Quantos anos você tem, Bella?” ela devia ser mais velha que as outras
pessoas. Talvez ela
tenha começado mais tarde a escola, ou ten ha reprovado… isso não era
agradável, de
qualquer forma.
“Eu tenho dezessete” ela respondeu.
“Você não parece ter dezessete”
Ela riu.
“O que foi?”
“Minha mãe sempre diz que eu nasci com trinta e cinco anos de idade e
que fico mais velha
a cada ano que passa.” Ela riu de novo e su spirou “Bem, alguém tem que
ser o adulto”.
Isso esclarecia as coisas para mim. Eu podia ver agora… como a
irresponsabilidade da mãe
ajudava a explicar a maturidade de Bella. Ela teve que crescer mais cedo,
para se tornar a
responsável. Era por isso que ela não gostava de ser cuidada - ela sentia
que era o seu
trabalho.
“Você também não parece um jovenzinho”, ela disse, me pu xando de meus
devaneios.
Eu fiz uma careta. Para cada coisa que eu percebia sobre ela, ela percebia
muito mais em
resposta. Eu mudei de assunto.
“Então porque sua mãe se casou com Phil?”
Ela hesitou por um minuto antes de responder. “Minha mãe…ela é muito
jovem para a
idade dela. Acho que Phil a faz se sentir ainda mais jovem. De qualquer
forma, ela é louca
por ele.” ela agitou a sua cabeça indulgentemente.
“Você aprova?” eu imaginei.
“I sso importa?” ela respondeu “Eu quero que ela seja feliz…e é ele que ela
quer.”
A falta de egoísmo de seus comentários deviam ter me chocado, exceto que
isso encaixava
perfeitamente com tudo que eu havia aprendido de sua personalidade.
“I sso é muito generoso… eu imagino…”
“O quê?”
“Se ela estenderia a mesma cortesia pra você, você acha? Não importa qual
seja a sua
escolha?”
Essa foi uma pergunta tola, e eu não consegui manter o tom ca sual em
minha voz enquanto
eu perguntava isso. Como era estúpido se quer considerar alguém me
aprovando para a sua
filha. Como era estúpido se quer imaginar Bella me escolhendo.
“E-eu acho que sim” ela gaguejou, reagindo de alguma forma ao meu olhar
fixo. Medo…
ou atração?
“Mas de qu alquer forma ela é uma mãe, apesar de tudo. É um pouco
diferente” ela
finalizou.
Eu sorri ironicamente. “Nada muito assustador então.”
Ela sorriu para mim. “O que você quer dizer com assustador? Vários
piercings no corpo e
tatuagens gigantescas?”
“É uma definição, eu acho”. Uma nem um pouco ameaçadora definição, na
minha cabeça.
“Qual é a sua definição?”
Ela sempre fazia as perguntas erradas. Ou exatamente as perguntas
certas, talvez. As que eu
não queria responder, pelo menos.
“Você acha que eu poderia ser assustador?” eu perguntei a ela, tentando
sorrir um pouco.
Ela pensou sobre isso antes de responder para mim em um tom sério.
“Hmm… eu acho qu e
você poderia ser, se você quisesse.”
Eu estava sério, também. “Você está com medo d e mim agora?”
Ela respondeu de uma só vez, sem pensar agora. “Não.”
Eu sorri mais facilmente. Eu não achava que ela estava dizendo a verdade
completamente,
mas também não estava mentindo por completo. Ela não estava com medo
o suficiente para
querer ir embora, ao menos. Eu imaginava como que ela se sentiria se eu
dissesse a ela que
ela estava tendo essa discussão com um vampiro. Eu contraí meus
músculos
involuntariamente ao imaginar a sua reação.
“Então, agora você vai me falar sobre a sua família? Deve ser uma história
bem mais
interessante do que a minha.”
Mais assu stadora, sem dúvida.
“O que você quer saber?” eu perguntei cautelosamente.
“Os Cullens te adotaram?”
“Sim.”
Ela hesitou, então falou em uma voz baixa. “O qu e aconteceu com os seu s
pais?”
Isso não era tão difícil; eu não estava tendo que mentir para ela. “Eles
morreram há muitos
anos atrás.”
“Eu lamento”, ela murmurou, claramente preocupada sobre ter me
machucado.
Ela estava preocupada comigo.
“Na verdade eu não lembro deles muito claramente.” Eu assegurei a ela
“Carlisle e Esme
são meus pais há muito tempo agora.”
“E você os ama”, ela deduziu.
Eu sorri. “Sim. Eu não poderia imaginar duas pessoas melhores”.
“Você tem muita sorte.”
“Eu sei que tenho.” Naquela circunstância, quanto aos meus pais, min ha
sorte não podia ser
negada.
“E seu irmão e sua irmã?”
Se eu deixasse que ela me pressionasse por muitos mais detalhes, eu teria
que mentir. Eu
lancei um olhar ao relógio, desanimado por meu tempo com ela estar no
final.
“Meu irmão e minha irmã, e Jasper e Rosalie por falar neles, vão ficar bem
bravos se
tiverem que ficar na chuva esperando por mim”.
“Oh, desculpe, eu acho que você tem que ir”.
Ela não se mexeu. Ela não queria que o nosso tempo terminasse, também.
Eu gostava
muito, muito disso.
“E provavelmente você quer o seu carro aqui antes que Charlie chegue em
casa, assim você
não terá que contar pra ele sobre o acidente na aula de Biologia.” Eu sorri
com a memória
dela embaraçada em meu s braços.
“Eu tenho certeza que ele já sabe. Não existem segredo s em Forks”. Ela
disse o nome da
cidade com um desgosto distinto.
Eu ri com as suas palavras. Não existem segredos, de fato. “Se divirta na
praia.” eu lancei
um olhar para a chuva torrencial, sabendo que ela não ia durar muito, e
desejando mais
forte que o normal que isso acontecesse. “Ótim o clima pra um banho de
sol.” Bem, ao
menos no sábado. Ela ia gostar disso.
“Eu não vou ver você amanhã?”
A preocupação em seu tom de voz me deixou feliz.
“Não. Emmett e eu vamos começar o fim de semana mais cedo.” Eu est ava
louco comigo
mesmo agora por ter feito planos. Eu podia quebrá -los… mas não havia
nada mais
importante do que caçar nesse ponto, e minha família já estava ficando
preocupada o
suficiente com o meu comportamento sem eu revelar o quão obsessivo eu
estava ficando.
“O que vocês vão fazer?” ela perguntou, não parecendo feliz com a minha
revelação.
Bom.
“Nós vamos fazer uma caminhada nas Goat Rocks ( não traduzam nomes
próprios J ), ao
sul do Monte Rainier.” Em mett estava ansioso pela temporada de ursos.
“Hum, bem, divirta-se”, ela disse de forma apática. Sua falta de
entusiasmo me fez feliz
novamente.
Ao olhar para ela, eu comecei a me sentir quase agoniado pelo pensamento
de dizer um
adeus temporário. Ela era tão delicada e vulnerável. Parecia imprudente de
ixá-la fora da
minha vista, onde qualquer coisa podia acontecer com ela. E ainda, as
piores coisas que
poderiam acontecer com ela resultariam em estar ao meu lado.
“Será que você poderia fazer uma coisa por mim esse fim de semana?” eu
perguntei
seriamente.
Ela balançou sua cabeça, seus olhos arregalados e desnorteados com a
minha intensidade.
Mantenha isso leve.
“Não se ofenda, mas você parece ser uma dessas pessoas que atraem
acidentes como um
imã. Então… tente não cair no oceano ou ser atropelada, está be m?”
Eu sorri pesarosamente para ela, esperando que ela pudesse ver a tristeza
em meu s olhos.
Como eu desejava que ela não estivesse tão melhor longe de mim, não
importasse o que
acontecesse com ela.
Corra, Bella, corra. Eu amo você demais, para o seu própr io bem ou para o
meu.
Ela ficou ofendida pela minha importunação. Ela olhou para mim. “Eu vou
ver o que posso
fazer”, ela soltou em um estalo, pulando para fora do carro na hora e
batendo a porta com
tanta força quanto ela podia atrás dela.
Como um gatinho bravo que acredita ser um tigre.
Eu apertei a mão ao redor da chave que eu tinha pego do bolso da jaqueta
dela, e sorri
enquanto eu dirigia para longe.
Capítulo 07 - Melodia
Eu tive que esperar quando consegui volt ar à escola. O último período
ainda não havia
acabado. Isso foi bom, porque eu tinha coisas que precisava pensar
sozinho.
O seu aroma ficou no carro. Eu deixei a janela aberta, deixando -o me
atacar, tentando me
acostumar com a intensa sensação de queimação na minha garganta.
Atração.
Foi uma coisa problemática de contemplar. Tantos aspectos, tantos
significados e níveis.
Não é a mesma coisa que amor, mas muito próximo inexplicavelmente.
Eu não tinha nenhuma idéia se Bella se sentia atraída por mim. (Será qu e
o seu silêncio
mental se tornaria mais e mais frustrante até eu ficar lou co? Ou teria
algum limite ao qual
eu eventualmente chegaria?)
Eu tentei comparar as suas respostas físicas a outras, como as da
secretária e Jessica
Stanley, mas as comparações foram inconclusivas. Os mesmos sinais -
alterações de
freqüência cardíaca e padrão respiratório - podia facilmente ser medo ou
choque ou
ansiedade assim como interesse. Parecia improvável que a Bella tivesse os
mesmos tipos de
pensamentos que Jessica Stanley c ostumava ter. E além do mais, Bella
sabia que tinha
alguma coisa de errado comigo, mesmo não sabendo exatamente o que
era. Ela tinha tocado
a minha pele gelada, e então tinha puxado a sua mão rapidamente do frio.
E ainda… enquanto eu me lembrava daquelas f antasias que costumavam
me causar repulsa,
mas me lembrava delas com Bella no lugar de Jessica…
Eu estava respirando mais rápido, o fogo subindo e descendo pela minha
garganta.
E se fosse Bella imaginando meus braços ao redor de seu corpo frágil?
Sentindo -me puxála
mais perto contra o meu peito e então levando a minha mão ao seu
queixo? Passando a
mão por seu cabelo até afastá-lo de sua face corada? Traçando a forma de
seus lábios
cheios com a ponta de meus dedos? Inclinando meu rosto para mais perto
do de la, onde eu
pudesse sentir a sua respiração na minha boca? Me movendo para mais
perto…
Mas então eu retrocedi do sonho, sabendo, como eu bem sabia quando
Jessica imaginava
aquelas coisas, o que aconteceria se eu chegasse mais perto dela.
Atração era um dilema impossível, porque eu já estava atraído demais por
Bella da pior
maneira.
Eu queria que Bella estivesse atraída por mim, como uma mulher por um
homem?
Essa era a pergunta errada. A pergunta certa era se eu DEVIA querer que
Bella se sentisse
atraída por mim dessa maneira, e a resposta era não. Porque eu não era
um homem humano,
e isso não seria justo para ela.
Com cada fibra do meu ser, eu desejava ser um homem normal, para
então poder tê -la em
meus braços sem arriscar a sua vida. Então eu seria livre pa ra realizar
minhas próprias
fantasias, fantasias que não acabavam com sangue em minhas mãos, o
seu sangue
incandescente em meus olhos.
A minha busca por ela era indesculpável. Que tipo de relacionamento eu
poderia oferecer a
ela, quando eu não podia me arr iscar a tocá-la?
Eu encostei minha cabeça entre minhas mãos.
Isso tudo era ainda mais confuso porque eu nunca havia me sentido tão
hu mano em toda a
minha vida - nem se quer quando eu ERA humano, até onde eu podia me
lembrar. Quando
eu era humano, meus pensamentos estavam voltados em me tornar u m
glorioso soldado. A
Grande Guerra havia se intensificado durante a maior parte de minha
adolescência,
faltavam apenas nove meses para o meu aniversário de 18 anos quando a
gripe espanhola
me atingiu… Eu apenas tinha vagas impressões dos anos humanos,
memórias obscuras que
se apagavam a cada década que se passava. Eu me lembrava mais
claramente de minha
mãe, e sentia uma dor antiga quando eu pensava em seu rosto. Eu me
lembrava vagamente
o quanto ela havia odiado o f uturo que eu havia escolhido seguir, rezando
toda noite
quando dizia as graças no jantar para que aquela guerra “horrenda”
terminasse… Eu não
tinha nenhuma memória de ou tro tipo de anseio. Por de trás do amor de
minha mãe, não
havia outro amor que me fizes se desejar ficar…
Isso era inteiramente novo para mim. Eu não tinha nada como referência,
nenhum tipo de
comparação para fazer.
O amor que eu sentia por Bella veio de forma pura, mas agora as águas
estavam turvas. Eu
queria muito ser capaz de tocá-la. Ela se sentia da mesma maneira?
Isso não importava muito, eu tentei me convencer.
Eu encarei minhas mãos brancas, odiando a sua dureza, a sua frieza, sua
força sobre -
hu mana…
Eu pulei quando a porta do passageiro abriu.
Ha. Te peguei de surpresa. Isso é novidad e. O pensamento de Emmett
enquanto ele
escorregava para o banco. “Eu vou apostar que a Sra. Goff pensa que você
está usando
drogas, você tem estado muito distraído ultimamente. Onde você estava
hoje?”
“Eu estava… fazendo boas ações.”
Huh?
Eu ri. “Cuidando dos doentes, esse tipo de coisa.”
Isso o confundiu mais ainda, mas então ele inalou e sentiu a essência no
carro.
“Oh. A garota de novo?”
Eu sorri.
Isso está ficando estranho.
“Não me diga.” eu murmurei.
Ele inalou novamente. “Hmmm, ela tem um cheiro bem a gradável, não
tem?”
Um rosnado rompeu por meus lábios antes que as suas palavras se quer
fossem registradas,
uma resposta automática.
“Calma, garoto, eu só estou dizendo.”
Os outros chegaram então. Rosalie notou a essência imediatamente e
olhou para mim, a inda
não superando a sua irritação. Eu imaginava qual era o problema dela,
mas tudo que eu
podia ouvir eram insultos.
Eu não gostei da reação de Jasper, também. Como Emmet, ele percebeu o
encanto de Bella.
Não que aquele odor tivesse para eles, um milésimo da força que ele tinha
para mim. Eu
ainda me aborrecia que o sangue dela fosse doce para eles. Jasper tinha
um baixo
controle…
Alice pulou para ao meu lado do carro e estendeu a sua mão esperando as
chaves da
caminhonete de Bella.
“Eu somente vi que eu ia ”, ela disse - de modo obscuro, como era o seu
hábito. “Você vai
ter que me explicar os porquês.”
“I sso não significa-”
“Eu sei, eu sei. Eu vou esperar. Isso não vai demorar.”
Eu suspirei e entreguei as chaves a ela.
Eu a segui até a casa de Bella. A chuva estava caindo como um milhão de
pequenos
martelos, tão alto que talvez os ouvidos de Bella não conseguissem ouvir o
trovão do motor
da sua caminhonete. Eu olhei para a janela, mas ela não veio olhar. Talvez
ela não estivesse
lá. Não havia nenhum pensament o para ser ouvido.
Me deixava triste não poder ouvir nada para poder checá -la - para ter
certeza de que ela
estava feliz, ou segura, pelo menos.
Alice entrou atrás no carro e nós voltamos para casa. As estradas estavam
vazias, e então só
levou alguns minutos. Nós entramos em casa, então nós fomos parar
nossos vários
passatempos.
Emmett e Jasper estavam no meio de u m elaborado jogo de xadrez,
utilizando oito
tabuleiros interligados - espalhado ao longo da parede de vidro da parte de
trás - e eles
tinham suas próprias e complicadas regras. Eles não me deixavam jogar;
somente Alice
jogava alguma coisa comigo.
Alice foi ao seu computador que ficava próximo deles e eu pu de ouvir o seu
monitor sendo
ligado. Alice estava trabalhando em um design fashion para o guar da-
roupa de Rosalie, mas
Rosalie não a acompanhou hoje, ficando atrás dela dando palpites
enquanto as mãos de
Alice desenhavam sobre as telas sensíveis ao toque (Carlisle e eu tivemos
que adaptar um
pou co o sistema, para que a tela respondesse àquela tempe ratura). Ao
invés disso, Rosalie
se esticou no sofá e começou a passar por todos os canais durante um
segundo, nunca
pausando. Eu podia a ouvir tentando decidir se ela ia não até a garagem
para ajustar a sua
BMW novamente.
Esme estava lá em cima, cantarola ndo enquanto obervava um novo
conjunto de plantas de
construção.
Alice inclinou a sua cabeça para a parede um minuto e começou a
movimentar os lábios
com os próximos movimentos de Emmet - Emmet estava sentado no chão
de costas para
ela - para Jasper, que manteve sua expressão bem calma e eliminou o
cavaleiro preferido de
Emmett.
E eu, pela primeira vez em tanto tempo que me sentia envergonhado, fui
me sentar ao
extraordinário piano de cauda localizado próximo da entrada.
Eu corri minhas mãos pelas escada s, testando as notas. A afinação ainda
estava perfeita.
Lá em cima, Esme parou o que ela estava fazendo e pendeu sua cabeça
para o lado.
Eu comecei a primeira linha da melodia que tinha se sugerido para mim
no carro hoje,
satisfeito por soar melhor do que eu imaginava.
Edward está tocando novamente , Esme pensou com alegria, um sorriso
apareceu em seu
rosto. Ela se levantou de sua mesa, e se moveu rapidamente para o início
da escadaria.
Eu acrescentei uma linha harmônica, deixando a melodia central fluir.
Esme suspirou com contentamento, sentando no topo das escadas, e
inclinando sua cabeça
contra o corrimão. Uma nova música. Fazia tanto tempo. Que melodia
encantadora.
Eu deixei a melodia seguir em uma nova direção, seguindo a linha de base.
Edward está compondo novamente? Rosalie pensou, e seus dentes
trincaram com um
ressentimento feroz.
Nesse momento, ela escorregou e eu pude ler tudo o que ela estava
escondendo. Eu vi
porquê ela estava tão enraivecida comigo. Por que matar Isabella Swan não
a incomodaria
de qualquer forma.
Com Rosalie, tudo era sobre vaidade.
A música parou abruptamente, e eu ri antes que eu pudesse me segurar,
um grunhido agudo
de divertimento que foi interrompido rapidamente quando tapei a boca
com a mão
Rosalie me fulminou, seus olhos br ilhando com uma fúria aflita.
Emmett e Jasper se voltaram para mim, também, e eu ouvi a confusão de
Esme. Esme
desceu em um lampejo, parando e lançando olhares para Rosalie e eu.
“Não pare, Edward,” Esme me encorajou após um momento tenso.
Eu comecei a tocar novamente, virando as minhas costas para Rosalie
enquanto eu tentava
de forma árdua controlar o sorriso que se abria em meu rosto. Ela se
colocou em pé e andou
a passos largos para fora da sala, mais raivosa do que embaraçada. Mas
certamente um
pou co embaraçada.
Se você disser qualquer coisa eu vou te caçar com o um cachorro.
Eu sufoquei outra risada.
“O que há de errado, Rose?” Emmett chamou atrás dela. Rosalie não se
voltou. Ela
continuou, se dirigindo duramente para a garagem e se contorceu debaixo
de seu carro
como se ela pudesse se enterrar ali.
“O que aconteceu?” Emmett me perguntou.
“Eu não tenho a mínima idéia,” eu menti.
Emmett rosnou, frustrado.
“Continue tocando,” Esme ansiou. Minhas mãos haviam pausado
novamente.
Eu fiz o que ela pediu, então e la veio ficar em pé atrás de mim, colocando
suas mãos sobre
meus ombros.
A música estava ganhando forma, mas incompleta. Eu brinquei um pouco
com as teclas,
mas isso não parecia certo de alguma forma.
“É encantador. Tem um nome?” Esme perguntou.
“Ainda não”
“Tem uma história?” ela perguntou, um sorriso em sua voz. Isso dava a ela
um prazer tão
grande, e eu me senti tão culpado por ter negligenciado minha música por
tanto tempo. Isso
foi tão egoísta.
“É… uma canção de ninar, eu acho.” Eu peguei a nota então . Isso se
guiava mais fácil para
o próximo movimento, dando uma história para isso.
“Uma canção de ninar,” ela repetiu para ela mesma.
Havia uma história para essa melodia, e uma vez que eu a vi, as partes se
encaixavam sem
esforço algum. A história era sobre uma garota adormecida em uma cama
estreita, cabelo
negro e grosso embaraçado como algas marinhas no travesseiro…
Alice deixou Jasper com suas próprias artimanhas e veio se sentar perto
de mim no banco.
Em sua própria vibração, uma voz harmoniosa como o vento, ela traçou
uma segunda voz
sem letra dois oitavos abaixo da melodia.
“Eu gostei,” eu murmurei “Mas que tal isso?”
Eu adicionei a sua linha à harmonia - minhas mãos estavam voando
através das teclas agora
para juntar todas as partes - modificando u m pouco, tomando uma nova
direção…
Ela entendeu o sentido, e cantou ao longo da música.
“Sim. Perfeito,” eu disse.
Esme apertou meu ombro.
Mas eu podia ver o final agora, com a voz de Alice se erguendo sob o tom e
levando para
uma direção diferente. Eu podi a ver como a música devia terminar,
porque a garota
adormecida estava perfeita do jeito qu e ela estava; qualquer mudança seria
errada, uma
tristeza. A música flutuou em direção a essa realização, mais devagar e
mais baixa agora. A
voz de Alice diminuiu também e se tornou solene, um tom que pertencia
aos arcos de uma
antiga catedral ilumidada por velas.
Esme bagunçou o meu cabelo. Vai ficar bem, Edward. Isso vai se resolver
para o melhor…
você merece a f elicidade, meu filho. O destino te deve isso .
“Obrigado,” eu suspirei, desejando que eu pudesse acreditar nisso.
O amor nem sempre vem em pacotes convenientes.
Eu ri uma vez sem humor.
Você, melhor do que qualquer um nesse planeta, é o mais bem equipado pra
lidar com um
dilema desse tipo. Você é o melhor, o ma is brilhante de todos nós.
Eu concordei. Toda mãe diz o mesmo pra seu filho.
Esme ainda estava toda feliz que meu coração foi tocado depois de todo
esse tempo, sem
importar o potencial para a tragédia. Ela pensou que eu ficaria sozinho pra
sempre.
Ela vai ter que retribuir seu amor, ela pensou de repente, me pegando de
surpresa com a
direção de seus pensamentos. Se ela é uma garota esperta. Ela sorriu. Mas
não consigo
imaginar ninguém tão devagar para não ver o quão envolvido você está.
“Pare com isso, Mamãe, você está me deixando sem graça,” eu brinquei.
Su as palavras,
mesmo improváveis, me animaram.
Alice riu e fez um acústico de ‘Coração e Alma’. Eu concordei e completei a
melodia com
ela. E aí, galanteei ela com uma performance de “Chopsticks”.
Ela riu, e então concordou. “Então eu gostaria que você me contasse
porque você estava
rindo da Rose,” Alice disse. “Mas posso ver que você não vai.”
“Não.”
Ela deu um peteleco na minha orelha.
“Seja boazinha, Alice,” Esme repreendeu. “Edward está sendo um cavaleir
o.”
“Mas eu quero saber.”
Eu ri do tom implorativo que ela usou . Então eu disse, “Aqui, Esme,” e
comecei a tocar sua
musica favorita, um tributo sem nome ao amor que eu assisti entre ela e
Carlisle por tanto
tempo.
“Obrigado, querido.” Ela apertou meu ombr o de novo.
Eu não tinha que me concentrar para tocar a peça familiar. Ao invés disso,
eu pensei em
Rosalie, ainda rangendo os dentes de mortificação, figurativamente, na
garagem, e ri pra
mim mesmo.
Tendo descoberto só recentemente o potencial de ciúmes po r mim mesm o,
eu senti um
pou co de pena. Era algo infeliz de se sentir. Claro, o ciúme dela era
milhares de vezes mais
fútil que o meu. Assim como uma raposa no cenário da manjedoura.
Me perguntei como a vida e personalidade de Rosalie teria sido diferente se
ela não tivesse
sido sempre a mais bonita. Ela teria sido mais feliz, se beleza não fosse
sempre seu ponto
forte? Menos egocêntrica? Mais compassiva? Bom, eu supus que era inútil
me perguntar,
porque o passado se foi, e ela sempre foi a mais bonita. Mesmo quando
hu mana, ela sempre
viveu sob a luz do holofote de sua própria doçura. Não que ela ligasse. O
oposto - ela
amava admiração mais que tudo no mundo. Isso não mudou com a perda
de sua
mortalidade.
Não era surpreendente então, dada essa necessidade, q ue ela tenha ficado
ofendida quando
eu não, desde o principio, idolatrei sua beleza do jeito que ela esperava que
todos os
machos idolatrassem. Não que ela me quisesse, de qualquer modo - longe
disso. Mas a
irritou que eu não a queria, apesar disso. Ela e stava acostumada com que
a quisessem.
Era diferente com Jasper e Carlisle - os dois já estavam apaixonados. Eu
era completamente
livre, e ainda assim continuei firme.
Eu pensei que o antigo ressentimento tivesse sido enterrado. Que ela
tivesse superado iss o.
E ela tinha… até o dia que eu finalmente encontrei alguém cuja beleza me
tocou de um
jeito que a dela não fez.
Rosalie tinha se apoiado na crença que se eu não achei a beleza dela digna
de idolatria,
então certamente não existia beleza na terra que me a lcançaria. Ela
estava furiosa desde o
momento que salvei a vida da Bella, adivinhando, com sua intuição
feminina, o fato de que
eu estava tudo, menos fora de controle.
Rosalie estava mortalmente ofendida por eu ter achado uma insignificante
garota humana
mais bonita que ela.
Eu segurei a vontade de rir de novo.
Isso me incomodou um pouco, o jeito que ela via Bella. Rosalie, na
verdade, achou que a
garota fosse sem graça. Como ela podia acreditar nisso? Parecia
incompreensível pra mim.
Um produto da inveja, sem dúvida.
“Oh!” Alice falou abruptamente. “Jasper, adivinhe?”
Eu vi o que ela tinha visto e minhas mãos congelaram.
“O que, Alice?” Jasper perguntou.
“Peter e Charlotte vão nos visitar semana que vem! Eles estarão na
vizinhança, isso não é
legal?”
“O que há de errado, Edward?” Esme perguntou, sentindo a tensão dos
meus ombros.
“Peter e Charlotte estão vindo pra Forks?” eu sibilei para Alice.
Ela revirou os olhos pra mim. “Se acalme, Edward, não é a primeira visita
deles.”
Meu s dentes trincaram. Era a primeira visita desde que Bella chegou, e
seu sangue doce
não era apelativo só pra mim.
Alice fungou quando viu minha expressão. “Eles nunca caçam aqui. Você
sabe disso.”
Mas o quase irmão de Jasper e a pequena mulher que ele amava não eram
como nós; eles
ainda caçavam do jeito antigo. Eles não mereciam confiança em volta da
Bella.
“Quando?”, eu perguntei.
Ela pressionou os lábios infeliz, mas me contou o que eu precisava saber.
Segunda de
manhã. Ninguém vai ferir a Bella.
“Não,” eu concordei, e então me afaste i dela. “Pronto, Emmett?”
“Pensei que íamos partir de manhã?”
“Vamos voltar por volta da meia -noite de segunda. A escolha é sua sobre a
hora da
partida.”
“Tá, tudo bem. Deixe eu me despedir de Rose primeiro.”
“Claro.” Pelo humor de Rosalie, seria uma despe dida curta.
Você realmente enlouqueceu, Edward, ele pensou enquanto se
encaminhava para a porta
dos fundos.
“Suponho que sim.”
“Toque a música nova pra mim, mas uma vez,” Esme pediu.
“Se você quiser,” concordei, mesmo que estivesse hesitando um pouco em
se guir a música
até seu fim inevitável - o fim que continuava me pinicando em jeitos
desconfortáveis.
Pensei por um momento, e então puxei a tampa do meu bolso e coloquei
no suporte de
partitura vazio. Isso ajudou um pouco - minha pequena memória do sim
dela.
Eu grunhi pra mim mesmo e comecei a tocar.
Esme e Alice se entreolharam, mas nenhuma das duas perguntou.
“Ninguém nunca te disse pra não brincar com a comida?” eu chamei
Emmett.
“Oh, ei, Edward!” Ele gritou de volta, sorrindo e acenando para mim. O
urso ficou com
vantagem, aproveitando-se de sua distração, avançando com as suas
garras pesadas sobre o
peito de Emmett.
A garra era tão afiada que rasgou sua camisa em tiras, fazendo um
barulho estranho quando
tocaram a sua pele.
O urso urrou por culpa da intensidade do barulho.
Ah, inferno. Rose que me deu essa camisa!
Emmett rugiu de volta para o animal enraivecido.
Eu suspirei e sentei em uma rocha conveniente. Isso provavelmente levaria
algum tempo.
Mas Emmet já estava quase acabando. Ele deixou o urso tent ar arrancar
a sua cabeça com
outro golpe de garras, rindo quando este não deu certo e empurrando o
urso cambaleante
para o mesmo lugar de antes. O urso rosnou e Emmett rosnou de volta em
meio a uma
risada. Então, ele se lançou para cima do animal, que esta va uma cabeça
mais alto do que
ele apoiado nas pernas traseiras, seus corpos caindo no chão, um sobre o
outro, levando u m
pinheiro adulto com eles. Os rosnados do urso calaram -se com um
engasgo.
Alguns minutos depois Emmett dirigiu -se para o lugar onde eu estava
sentado o esperando.
Su a camisa estava destruída - rasgada e ensangüentada - pegajosa por
culpa da seiva, e
coberta de pelos. Seu cabelo curto e escuro não estava melhor. Ele tinha
um sorriso largo
no rosto.
“Esse era um dos fortes. Eu quase consegu i sentir quando ele me
arranhou”.
“Você é igual criança, Emmett”.
Ele olhou a minha camisa branca lisa e limpa. “Então, você não conseguiu
derrubar o leão
da montanha?”.
“Claro que consegui. Eu apenas não caço como um selvagem”.
Emmett soltou uma gargalhada estrondosa. “Eu desejava que ele fosse
forte, aí teria mais
diversão”.
“Ninguém diz que você tem que lutar pela sua comida”.
“É, mas com quem mais eu iria lutar, hein? Você e a Alice trapaceiam,
Rosalie nunca quer
desarrumar o cabelo e Esme fica brava se eu e Jasper lutamos pra valer”.
“A vida é difícil, não é?”
Emmett sorriu para mim, movendo -se em uma posição para desafiar e
atacar.
“Vamos, Edward. Apenas desligue isso por um minuto e vamos lutar
justamente”.
“Não dá pra desligar”. Eu o lembrei.
“Fico pensando, o que aquela garota humana faz para te deixar de fora?”
Emmett meditou.
“Talvez ela possa me dar umas dicas”.
O meu bom humor vacilou. “Fique longe dela!” Eu rosnei entre meus
dentes.
“Sensível. Sensível”.
Eu suspirei. Emmett veio e sentou -se ao meu lado na rocha.
“Desculpe. Eu sei que você está passando por uma coisa difícil. E eu estou
tentando não ser
muito um insensível idiota, mas, sempre foi o meu status natural..”.
Ele esperou eu rir da sua piada, e então sua expressão mudou.
Tão sério o tempo todo. O que está te atormentando agora?
“Estou pensando nela. Bom, estou preocupado, na realidade”.
“Com o que você tem de se preocupar? Você está aqui”. Ele riu
sonoramente.
Eu ignorei a brincadeira novamente, mas respondi a pergunta. “Você
nu nca penso u em
quanto eles são frágeis? Quantas coisas ruins podem acontecer a u m
mortal?”.
“Não realmente. Mas eu acho que sei o que você quer dizer. Eu não era
muito páreo para
um urso da última vez, não é?”
“Ursos,” eu murmurei, adicionando um novo medo para a mi nha lista.
“Aquilo deve ter
sido apenas sorte dela, não acha? Um urso perdido na cidade. É claro que
ele iria direto
para Bella.”
Emmet riu. “Você parece um maluco, sabe disso?”
“Apenas imagine por um minuto que Rosalie fosse humana, Emmett. E
que ela pud esse dar
de cara com um urso… ou ser atingida por um carro… ou por um raio…
ou cair das
escadas.. ou ficar doente - pegar uma doença grave!” As palavras saiam de
mim como uma
tormenta. Era um alívio colocar tudo pra fora. Eu estava ficando sufocado.
“I ncên dios e
terremotos e tornados! Ugh! Quando foi a última vez que você assistiu ao
noticiário? Você
já viu o tipo de coisas que acontecem com eles? Arrombamentos e
homicídios…” Meus
dentes se cerraram juntos, e eu estava tão furioso com a idéia de outro
hu man o a machucar
que eu mal podia respirar.
“Whoa, whoa! Espere aí, garoto. Ela vive em Forks, lembra? Então ela vai
pegar uma
chu va” Ele disse encolhendo os ombros.
“Eu realmente acho que ela tem um sério problema de má sorte, Emmet.
Veja as
evidências. De todos os lugares no mundo que ela poderia ir, ela acaba
nu ma cidade onde
os vampiros são parte significativa da população.”
“Sim, mas nós somos vegetarianos. Então isso não seria boa sorte ao invés
de má?”
“Com o cheiro que ela exala? Definitivamente má. E a inda pior, pelo
cheiro que ela exala
para mim,” Eu olhei para as minhas mãos, odiando -as novamente.
“Exceto pelo fato de que você tem mais auto -controle do que qualquer um
além de Carslile.
Boa sorte de novo.”
“A van?”
“Aquilo foi apenas um acidente.”
“Você deveria ter visto a van indo de encontro a ela, Emmmet, por
repetidas vezes. Eu juro,
é como se ela tivesse algum tipo de atração magnética.”
“Mas você estava lá. Isso foi boa sorte.”
“Foi? Não seria essa a pior sorte que um humano pode ter - um vampiro se
apaixonar por
ela?”
Emmet considerou em silêncio por alguns momentos. Ele imaginou a
garota em sua mente,
e achou a imagem pouco interessante. Honestamente eu não consigo
enxergar o que você
vê nela.
“Bem, eu também não vejo nenhum brilho em Rosalie,” eu disse
rudemente.
“Honestamente, ela parece ser muito trabalho para apenas mais u m
rostinho bonito.”
Emmet riu. “Eu não acho que você me diria …” ( Emmet quer saber o que
Edward escutou
de Rosalie na sala antes dela sair bufando)
“Eu não sei qual o probl ema dela Emmet,” Eu menti, com um súbito e
largo sorriso.
Eu vi sua intenção em tempo de me proteger. Ele tentou me empurrar do
penhasco, e hou ve
um som alto de rachadura quando uma fissura se abriu na rocha entre
nós.
“Trapaceiro,” ele murmurou.
Eu esperei que ele tentasse outra vez, mas seus pensamentos tomaram
outra direção.
Ele estava imaginando o rosto de Bella novamente, mas imaginando -o
mais pálido, e com
os olhos em vermelho brilhante…
“Não,” Eu disse com a voz sufocada.
“I sso resolve suas preocupações em relação a imortalidade, não é?” E
também você não iria
querer matá-la. Não é este o melhor jeito?”
“Para mim, ou para ela?”
“Para você,” ele respondeu rapidamente. Sua entonação enfatizando a
certeza.
Eu gargalhei jocosamente. “Resposta errada.”
“Eu não me importo muito,” ele me lembrou.
“Rosalie se importou.”
Ele suspirou. Nós dois sabiamos que Rosalie faria qualquer coisa,
desistiria de qualquer
coisa para se tornar humana novamente. Até mesmo de Emmet.
“É, Rose se importou,” ele aquiesceu calmamen te.
“Eu não posso… eu não devo… Eu não irei arruinar a vida de Bella. Você
não sentiria o
mesmo se fosse com Rosalie?”
Emmet ponderou por um momento. “Ela é todo o meu mundo. Eu não vejo
mais sentido no
resto do mundo sem ela.”
Mas você não vai transformá-la? Ela não vai viver para sempre Edward.
“Eu sei disso,” vociferei.
E, como você mesmo disse, ela é um tanto frágil.
“Confie em mim - disso eu sei, também.”
Emmet não era uma pessoa de muito tato, e discussões delicadas não
eram o seu forte. Ele
se esforçava agora, tentando não ser ofensivo.
Você pode sequer tocá-la? Digo, se você a ama… você não gostaria de…
bem, tocá -la…?
Emmet e Rosalie compartilhavam um intenso amor físico. Ele teve muita
dificuldade para
entender como alguem poderia amar sem ter aquil o também.
Eu suspirei. “Eu nem posso pensar nisso, Emmet.”
Wow, então quais suas opções?
“Eu não sei,” disse sussurrando. “Eu estou tentando imaginar um jeito
de… de deixá -la. Eu
simplesmente não consigo perceber uma maneira de ficar longe dela…”
Com um profundo senso de satisfação, eu subitamente realizei que para
mim, o certo seria
ficar - pelo menos por agora, com Peter e Charlotte a caminho. Ela estava
mais segura
comigo aqui, temporariamente, do que estaria se eu me afastasse. Por
hora, eu poderia ser o
seu improvável protetor.
A idéia me deixou ansioso; Eu estava impaciente para voltar e então
cumprir este papel por
tanto tempo quanto fosse possível.
Emmet notou a mudança em minha expressão. No que você está
pensando?
“Agora mesmo, ” eu admiti timidame nte, “Eu estou morrendo de vontade
de voltar para
Forks e ver como ela está. Eu não sei se aguento até domingo a noite.”
“Uh-uh! Você não vai voltar antes para casa. Deixe Rosalie se acalmar um
pou co. Por
favor! Pelo meu bem.”
“Tentarei ficar,” eu disse sem muita certeza.
Emmet deu um tapinha no celular em meu bolso. “Alice ligaria se
houvesse qualquer
fundamento para o seu ataque de pânico. Ela é tão esquisita sobre essa
garota quanto você.”
Eu sorri com esta colocação. “Ótimo. Mas não ficarei após o domin go.”
“Não há sentido em apressar sua volta - vai fazer sol, e Alice disse que
estamos livres da
escola até quarta-feira.”
Eu balancei minha cabeça rigidamente.
“Peter e Charlotte sabem com o se comportar.”
“Eu realmente não me importo, Emmett. Com a sorte d e Bella, ela vai
acabar
perambulando até a floresta exatamente na hora errada e -” eu recuei.
“Peter não é
conhecido pelo seu auto-controle. Voltarei no domingo.”
Emmet suspirou. Exatamente como um maluco.
Bella estava dormindo tranqüilamente quando eu esc alei até a janela do
seu quarto na
manhã de segunda-feira. Eu lembrei do óleo dessa vez e a janela agora se
movia
silenciosamente para fora do meu caminho.
Eu poderia dizer pela forma como o seu cabelo repousava suavemente no
travesseiro que
ela tivera u ma noite menos agitada do que da última vez que eu estivera
aqui. Ela tinha as
mãos juntas sob suas bochechas como uma criancinha, e sua boca estava
ligeiramente
aberta. Eu podia ouvir sua respiração ir e vir vagarosamente entre seus
lábios.
Era um alívio tremendo estar aqui e poder vê -la novamente. Eu percebi
que não estaria
calmo até que isso acontecesse. Nada parecia certo quando eu estava longe
dela.
Não que tudo estivesse certo quando eu estava com ela, mesmo assim. Eu
suspirei,
deixando a sede ardente incendiar minha garganta. Eu estive longe disto
por muito tempo.
O tempo longe da dor e da tentação fez tudo isso mais difícil agora. Era
ruim o bastante
para que eu temesse me ajoelhar ao lado de sua cama próximo o bastante
para ler os títulos
de seus livros. Eu queria saber as histórias que ela tinha em sua mente,
mas eu temia mais
que minha sede, temia que se eu me deixasse aproximar tanto dela, eu iria
querer ainda
mais…
Seus lábios pareciam muito suaves e quentes. Eu imaginei tocá -los com a
ponta dos meus
dedos. Bem levemente…
Este era exatamente o tipo de erro que eu deveria evitar cometer.
Meu s olhos percorriam sua face seguidas vezes, examinando qualquer
mudança. Mortais
mudavam todo o tempo - Eu me entristecia com a idéia de poder perder
qualquer det alhe.
Eu achei que ela parecia… cansada. Como se ela não tivesse dormido o
bastante neste fim
de semana.
Teria ela saído?
Eu ri silenciosa e forçadamente com o quanto essa idéia me chateou. E daí
se ela tivesse
saído? Eu não era o dono dela. Ela não era mi nha.
Não, ela não era minha - e eu estava triste novamente.
Uma de suas mãos contraiu-se e eu notei que havia ranhuras superficiais
e não cicatrizadas
na base de sua palma. Ela tinha se ferido? Mesmo óbviamente não sendo
um ferimento
grave, isto ainda me perturbava. Eu considerei o local e decidi que ela
devia ter tropeçado e
caído. Parecia uma explicação razoável, considerando -se tudo.
Era confortante pensar que eu não teria que quebrar a cabeça para
solucionar estes
pequenos mistérios para sempre. Nós eramos amigos agora - ou, pelo
menos, tentávamos
ser amigos. Eu poderia perguntar a ela sobre o seu fim de semana - sobre
a praia, e qualquer
atividade noturna que a fizesse parecer tão fatigada. Eu poderia perguntar
sobre o que
acontecera com suas mãos. E eu poderia rir um bocado quando ela
confirmasse minha
teoria sobre o assunto.
Eu sorri gentilmente enquanto eu pensava se ela tinha ou não mergulhado
no oceano. Eu
me preocupava em saber se ela havia se divertido no passeio. Eu
imaginava se ela tinha
pensado em mim, em algum momento. Se ela havia sentido minha falta,
mesmo que fosse
uma mínima fração de toda a falta que senti dela.
Eu tentei imaginá-la na praia, ao sol. A imagem era incompleta, porque eu
mesmo jamais
estivera em uma praia. Eu conhecia a praia apenas por fotos…
Me senti um pouco desconfortável quando pensei no porquê nunca tinha
estado na praia
localizada só a alguns minutos de casa. Bella tinha passado o dia em La
Push - um lugar
proibido, por conta do tratado, para nós irmos. Um lugar onde al guns
homens antigos ainda
se lembravam das histórias sobre os Cullens, se lembravam e acreditavam
nelas. Um lugar
onde nosso segredo era conhecido…
Sacudi a cabeça. Não tinha nada com o que me preocupar lá. Os Quileutes
eram ligados ao
acordo também. Mesmo se Bella tivesse passado por um dos anciãos, eles
não podiam
revelar nada. E por qual motivo o assunto apareceria? Por que Bella
escolheria falar de sua
curiosidade lá? Não - os Quileutes eram talvez a única coisa com qual eu
não devia me
preocupar.
Fiquei bravo quando o sol começou a nascer. Me lembrou que eu não
conseguiria saciar
minha curiosidade por dias. Por que tinha escolhido brilhar agora?
Com um suspiro, pu lei pela janela dela antes que alguém pudesse me ver
aqui. Tinha a
intenção de ficar na floresta perto da sua casa e vê -la sair para a escola,
mas quando
cheguei às árvores, fiquei surpreso em sentir seu cheiro na trilha.
Eu o segui rapidamente, curiosamente, ficando mais e mais preocupado
enquanto levava
para mais fundo na escuridão. O que a Be lla esteve fazendo aqui?
A trilha parou abruptamente, no meio de nada em particular. Ela tinha
saído só alguns
passos da trilha, até as samambaias, onde se encostou em um tronco de
árvore. Talvez tenha
sentando aqui…
Eu sentei no mesmo lugar que ela, e pro curei ao redor. Tudo o que ela
teria sido capaz de
ver eram folhas e verde. Provavelmente tinha chovido - o cheiro dela estava
quase sumindo,
nu nca tendo realmente penetrado na árvore.
Por que Bella teria vindo aqui sentar sozinha - e ela estava sozinha, sem
dúvida disso - no
meio dessa floresta molhada e lamacenta?
Não fazia sentido, e como todos aqueles outros pontos de curiosidade, eu
não podia
perguntar em uma conversa casual.
Então Bella, eu estava seguindo seu cheiro pela floresta quando deixei o seu
quarto, onde
estive observando você dormir… Sim, isso iria quebrar o gelo.
Eu nunca saberia o que ela esteve fazendo e pensando aqui, e isso fez
meus dentes se
baterem de frustração. Pior, isso era muito parecido com o cenário que eu
imaginei para
Emmett - Bella andando sozinha na floresta, onde o cheiro dela podia
chamar qualquer um
que tivesse os sentidos para seguí -lo…
Eu gemi. Ela não tinha só má sorte - ela a chamava.
Bom, para isso ela tinha um protetor. Eu iria cuidar dela, evitar que ela se
machucas se, pelo
máximo qu e eu pudesse justificar.
De repente me encontrei desejando que Peter e Charlotte ficassem por
mais tempo.
Capítulo 08 - Fantasma
Eu não vi os convidados de Jasper muitas vezes durante os dois dias
ensolarados em que
eles estiveram em Forks. Eu só retornei para que Esme não ficasse
preocupada. De outra
maneira, minha existência parecia mais um espectro do que um vampiro.
Eu encontrei,
invisível nas sombras, o lugar em que eu poderia seguir o objeto do meu
amor e obsessão -
onde eu poderia vê-la e ouvi-la nas mentes dos humanos sortudos que
podiam caminhar
através da luz do sol ao lado dela, algumas vezes acidentalmente passando
a palma da mão
dela nas deles. Ela nunca reagiu a tanto contato; as mãos deles eram tão
quentes quanto as
mãos dela.
A esforçada ausência da escola nunca havia sido um martírio com o este
antes. Mas o sol
parecia fazê-la feliz, então eu não podia desgostar tanto disso. Qualquer
coisa que a
agradava estava em minhas boas graças.
Manhã de segunda-feira, eu escutei uma conversa que teve o potencial
para destruir minha
confiança e fazer o tempo passado longe dela uma tortura.
Eu tinha que sentir um pequeno respeito por Mike Newton; ele não havia
simplesmente
desistido e se afastado para curar suas feridas. Ele tinh a mais coragem do
que eu havia lhe
creditado. Ele estava indo tentar novamente.
Bella foi para a escola bem cedo e, vendo a intenção de aproveitar o sol
enquanto ele
durava, sentou em uma das raramente u sadas bancadas de piquenique
enquanto esperava o
primeiro sinal tocar. Seu cabelo capturou o sol de inesperadas formas,
dando -lhe um brilho
avermelhado que eu não havia previsto.
Mike encontrou-a lá, desenhando novamente, e se entusiasmou com sua
sorte.
Era agonizante apenas ser capaz de assistir, impotente, protegido do brilho
do sol pelas
sombras da floresta.
Ela o cumprimentou com entusiasmo suficiente para torná -lo
eufórico/encantado, e a mim o
contrário.
Viu, ela gosta de mim. Ela não sorriria assim se ela não gostasse. Eu aposto
que ela quer
ir ao baile comigo. Imagino o que seria tão importante em Seattle…
Ele percebeu a mudança no cabelo dela. “Eu nunca percebi antes - seu
cabelo fica vermelho
aqui”.
Eu acidentalmente arranquei a jovem árvore que minha mão estava
descansando quando ele
acariciou uma mecha do cabelo dela com os dedos.
“Apenas no sol”, ela disse. Para minha profunda satisfação, ela deslizou
para longe dele
suavemente quando ele tocou a mecha atrás da orelha dela.
Mike precisou de um minuto para reconstruir sua coragem, gastando mais
tempo com outra
pequena conversa.
Ela lembrou-lhe da redação que todos estavam devendo para quarta -feira.
Pelo perceptível
orgulho em sua face, a dela já estava pronta. Ele havia esquecido
completamente, e isso
diminuiria drasticamente suas horas livres.
Droga - redação estúpida.
Finalmente ele entendeu o recado - meus dentes estavam tão trincados
que eles poderiam
pulverizar granito - e mesmo assim, ele não conseguia fazer a pergunta
definitiva.
“Eu queria te perguntar se você deseja sair comigo.”
“Oh”, ela disse.
Houve um rápido silêncio.
Oh? O que será que isso signif ica? Ela vai dizer sim? Espera - eu acho que
não perguntei
realmente.
“Bem, nós podíamos sair para jantar ou algo… e eu poderia trabalhar
nisso mais tarde.”
Idiota - essa também não foi uma pergunta.
“Mike…”
A agonia e fúria do meu ciúme eram tão poderosas quanto haviam sido
semana passada. Eu
quebrei outra árvore, tentando me segurar aqui. Eu queria tanto correr
através do campus,
muito rápido para os olhos humanos, e agarrá -la - para roubá-la do
garoto que eu odiava
tanto agora que eu poderia matá -lo e gostar disso.
Ela diria sim para ele?
“Eu não acho que seria a melhor idéia”.
Eu respirei novamente. Meu corpo rígido relaxou.
Seattle era apenas uma desculpa, afinal. Eu não deveria ter perguntado. No
que eu estava
pensando? Aposto que é por causa daquele estranho, Cullen…
“Por que?” ele perguntou agressivamente.
“Eu acho…” ela hesitou. “E se você alguma vez repetir o que vou dizer
agora eu irei
alegremente espancá-lo até a morte–”
Eu ri alto do som de uma ameaça de morte saindo através dos seus lábios.
“Mas eu acho que machucaria os sentimentos de Jessica.”
“Jessica?” O quê? Mas… Oh. Okay. Eu acho… Então… Huh.
Seus pensamentos não eram mais coerentes.
“Sério, Mike, você é cego?”
Eu ecoei seu sentim ento. Ela não deveria esperar que todos fossem tão
perceptivos quanto
ela, mas realmente este exemplo estava além do óbvio. Com toda a
dificuldade que Mike
esteve enfrentando para convidar Bella para sair, ele não imaginava que
não seria tão difícil
para Jessica? Devia ser o egoísmo que o fez ficar cego para os outros. E
Bella era tão
altruísta, ela viu tudo.
Jessica. Huh. Wow. Huh. “Oh”, ele conseguiu dizer.
Bella usou sua confusão para escapar.
“Está na hora da aula, e eu não posso chegar atrasada de novo” .
Mike enxergou um ponto de vista não muito confiável a partir de então. Ele
percebeu,
enquanto a idéia sobre Jessica girava e girava ao redor da sua cabeça, que
ele gostava da
idéia de ela ter achado ele atraente. Esse era o segundo lugar, não tão bom
com o se fosse
Bella que se sentisse assim.
Ela é atraente, pelo menos, eu acho. Corpo bonito. É melhor um pássaro na
mão…
Ele foi desativado então, com as novas fantasias que eram tão vulgares
como aquelas com
Bella, mas agora elas apenas irritavam e enfureci am. Tão pouco ele
merecia qualquer
garota; elas eram quase permutáveis para ele. Eu permaneci livre de sua
cabeça depois
disso.
Quando ela estava fora de vista, eu me enrolei contra um tronco de uma
enorme árvore e
dancei de mente em mente, mantendo ela em vista, sempre agradecido
quando Angela
Weber estava disponível para olhá -la. Eu queria que existisse um jeito de
agradecer a
garota Weber por simplesmente ser uma boa pessoa. Me fez sentir melhor
pensar que Bella
tinha uma amiga que valia a pena.
Eu assisti o rosto de Bella de todo e qualquer ângulo que me davam, e eu
pude ver que ela
estava triste de novo. Isso me surpreendeu - eu pensei que o sol fosse
suficiente para mantê -
la sorrindo. No almoço, eu a vi espiar de tempos em tempos para a mesa
vazia dos Cullen, e
isso me entusiasmou. Isso me deu esperança. Talvez ela sinta minha falta,
também.
Ela tinha planos de sair com as outras garotas - eu automaticamente
planejei minha própria
vigilância - mas estes planos foram adiados quando Mike convidou Jessica
para o encontro
planejado para Bella.
Então eu fui direto para a casa dela, checando rapidamente a floresta para
ter certeza de que
ninguém perigoso estava perto. Eu sabia que Jasper havia alertado seu
irmão de outrora
para evitar a cidade - citando minha insanidade como explicação e aviso -
mas eu não
queria correr nenhum risco. Peter e Charlote não tinham intenções de
causar mal -estar com
minha família, mas as intenções são coisas que mudam…
Certo, eu estava exagerando. Eu sabia disso.
Como se ela soubesse que eu estava olhando, como se ela estivesse com
pena da agonia que
eu sentia quando não podia vê -la, Bella saiu para o jardim depois de uma
longa hora dentro
de casa. Ela tinha um livro na mão e uma coberta embaixo do braço.
Silenciosamente, eu subi nos troncos mais altos da árvore para conseguir
uma boa visão do
jardim.
Ela estendeu a coberta na grama úmida, e então deitou de barriga para
baixo e começou a
folhear as páginas do livro velho, como se tentasse encontrar o lugar certo.
Eu li por cima
do seu ombro.
Ah - mais clássicos. Ela era uma fã de Austen.
Ela leu rápido, cruzando e descruzando os calcanhares no ar. Eu estava
assistindo os raios
de sol e o vento brincando com seu cabelo quando seu corpo subitamente
se contraiu, e sua
mão congelou na página. Tudo que consegui ver foi que ela estava no
capítulo três, quando
ela grosseiramente segurou uma quantidade grossa de folhas e as passou.
Eu vi de relance um título, Mansfield Park. Ela estava começando uma
nova história - o
livro era uma compilação de romances. Eu me perguntei por que ela
mudaria de romance
tão abruptamente.
Apenas alguns segundos depois, ela fechou o livro, irritada. Com a
expressão zangada, ela
empurrou o livro ao seu lado e se virou para deitar de frente. Ela respirou
profundamente,
como se quisesse se acalmar, arregaçou as mangas e fechou os olhos. Eu
me lembrava da
história, mas não consegui pensar em nada ofensivo nela que a pudesse
ter chateado. Outro
mistério. Eu suspirei.
Ela deitou muito rígida, movendo apenas uma vez para pux ar o cabelo do
rosto. Ele se
esparramou acima de sua cabeça. E então ela ficou imóvel de novo.
Su a respiração desacelerou. Depois de alguns longos minutos, seus lábios
começaram a
mexer. Murmurando enquanto dormia.
Impossível resistir. Eu escutei o mais lo nge que pude, captando vozes nas
casas próximas.
Duas colheres de sopa de trigo… um copo de leite…
Vamos lá! Joga na cesta! Ah, vai lá!
Vermelho, ou azul… ou talvez eu devesse vestir algo mais casual…
Não havia ninguém próximo. Eu saltei para o chão, aterr issando
silenciosamente na ponta
do pé.
Isso era muito errado, muito arriscado. Quão superficial eu havia sido ao
julgar Emmett por
seus modos impulsivos e Jasper por sua falta de disciplina - e agora estava
conscientemente
desprezando todas as regras com um abandono que fazia os lapsos deles
parecem
insignificantes. Eu costumava ser o responsável.
Eu suspirei, mas rastejei para o sol, descuidado.
Eu evitei olhar para mim mesmo na luz do sol. Era ruim o suficiente que a
minha pele era
uma pedra e desu mana na sombra; não queria olhar para Bella e eu lado a
lado na luz do
sol. A diferença entre nós já era insuperável, dolorosa o suficiente sem
mais essa imagem
na minha cabeça.
Mas não conseguia ignorar as faíscas de arco -íris que eram refletidas para
a pele de la
quando eu ficava perto. Meu queixo se fechou com a visão. Eu conseguiria
ser mais
aberração do que já era? Imaginei o terror dela se abrisse os olhos agora…
Eu comecei a recuar, mas ela resmungou de novo, me segurando ali.
- Mmm… mmm.
Nada inteligível. Bem, eu iria esperar um pouco.
Cuidadosamente peguei seu livro, esticando meu braço e prendendo a
respiração enquanto
estava perto, por precau ção. Comecei a respirar novamente quando estava
a poucos metros
de distância, testando como o sol e a janela abert a afetavam seu cheiro. O
calor parecia
adocicar a fragrância. Minha garganta queimou de desejo, o fogo
pertinente e feroz outra
vez, porque tinha ficado longe dela por muito tempo.
Passei um momento controlando isso, e então - me forçando a respirar
pelo nariz - deixei
que seu livro se abrisse em minhas mãos. Ela tinha começado pelo
primeiro… Eu virei as
páginas rapidamente até o terceiro capítulo de Razão e Sensibilidade,
procurando por algo
potencialmente ofensivo na história excessivamente delicada de Au sten.
Quando meus olhos pararam automaticamente no meu nome - a
personagem Edward
Ferrars sendo apresentado pela primeira vez - Bella falou de novo.
- Mmm. Edward. - ela suspirou.
Desta vez não tive medo que ela tivesse acordado. A voz dela era baixa, só
u m murmúrio
melancólico. Não os gritos de medo que teriam sido se ela me visse agora.
Alegria entrou em conflito com auto -desprezo. Pelo menos ela ainda
estava sonhando
comigo.
- Edmund. Ahh. Muito… parecido…
Edmund?
Ah! Ela não estava sonhando comigo, perc ebi com raiva. O auto-desprezo
voltou com
força. Ela estava sonhando com personagens fictícios. Lá se foi meu
convencimento.
Guardei o livro, e fui para o abrigo das sombras - onde pertencia.
A tarde passou enquanto eu observava, me sentindo inútil de novo ,
enquanto o sol
lentamente ia descendo no céu e as sombras se espalharam pelo jardim
até ela. Eu queria
empurrá-las para longe, mas a escuridão era inevitável; as sombras a
tomaram. Quando a
luz tinha ido embora, a pele dela era muito pálida - quase fantasmagórica.
O cabelo dela
estava escuro de novo, quase preto contra seu rosto.
Era uma coisa assustadora de se ver - como testemunhar as visões de
Alice virarem
realidade. O batimento forte e constante de Bella era a única garantia, o
som que manteve
esse momento longe de parecer um pesadelo.
Fiquei aliviado quando o pai dela voltou para casa.
Eu podia ouvir pouco da mente dele quando dirigia na direção da casa.
Alguma vaga
irritação… no passado, alguma coisa do trabalho. Expectativa misturada
com fome -
presumi que estivesse ansioso para o jantar. Mas seus pensamentos eram
tão silenciosos e
contidos que não pude ter certeza se estava certo; só peguei a essência
deles.
Me perguntei como a mãe dela soava - que combinação genética a tinha
feito tão única.
Bella começou a acordar, se contorcendo para sentar -se quando os pneus
do carro de seu
pai cantaram contra o asfalto da estrada. Ela começou a olhar ao seu
redor, parecendo
confusa com a inesperada escuridão. Por um breve momento, seus olhos
encontraram as
sombras onde eu estava escondido, mas eles passaram rapidamente.
“Charlie?” ela perguntou em uma voz baixa, ainda observando as árvores
que circundavam
o pequeno jardim.
A porta do carro bateu com força, e ela olhou em direção ao som. Ela se
colocou em pé
rapidamente e juntou as suas coisas dando mais uma olhada em direção
às árvores.
Eu me movi para uma árvore próxima à janela de trás perto da pequena
cozinha, e ou vi a
noite deles. Era interessante comparar as palavras de Charlie aos seus
pensamentos ocultos.
O seu am or e interesse pela sua única filha eram quase esmagadores, e
ainda assim suas
palavras sempre curtas e casuais. Na maior parte do tempo, eles sentavam
em u m silêncio
amigável.
Eu a ouvi discutir seus planos para a noite seguinte em Port Angeles, e eu
redefinia meus
próprios planos enquanto eu escutava. Jasper não tinha avisado Peter e
Charlotte para
ficarem longe de Port Angeles. Apesar de eu saber que eles tinham se
alimentado
recentemente e não tinham nenhuma intenção de caçar em nenhum lugar
na vizinhança de
nossa casa, eu gostaria de observá -la, só por precaução. Afinal de contas,
havia muitos
outros da minha espécie lá fora. E também, todos os perigos humanos que
eu nunca havia
considerado antes.
Eu ouvi a sua preocupação sobre deixar o seu pai preparar o próprio
jantar, e sorri ao ver a
minha teoria se provar - sim, ela cuidava dele.
Então eu parti, sabendo que eu poderia retornar quando ela estivesse
dormindo.
Eu não poderia invadir a sua privacidade, espreitando desse jeito. Eu
estava aqui pa ra a sua
proteção, não para olhá-la com malícia de um modo que Mike Newton faria
sem dúvida, se
ele fosse ágil o suficiente como eu para permanecer na copa das árvores
como eu fazia. Eu
não a trataria tão rudemente.
Minha casa estava vazia quando eu retorn ei, o quando estava ótimo para
mim. Eu não
sentia falta da confusão ou pensamentos depreciativos, questionando a
minha sanidade.
Emmett deixou um recado preso à coluna do corrimão.
Futebol no campo Rainier - vamos! Por f avor?
Eu achei uma caneta e rabisquei a palavra me desculpe mais abaixo do
seu apelo. Os times
estavam mais equ ilibrados sem mim, de qualquer forma.
Eu saí para a mais curta das viagens de caça, me contentando com a
menor e mais gentil
das criaturas que não tinha um gosto tão bom quanto os c açadores, e
então vesti roupas
limpas antes de correr de volta para Forks.
Bella não dormiu bem essa noite. Ela se agitava em seus cobertores, seu
rosto algumas
vezes preocupado, algumas vezes triste. Eu imaginava que era algum
pesadelo
assombrando-a e então eu percebi que apesar de tudo eu não queria saber
na verdade.
Quando ela falou, a maior parte do murmúrio depreciava Forks em uma
voz abatida.
Somente uma vez, quando ela suspirou as palavras “Volte” e a sua mão se
esticou - u m
apelo mudo - eu tive a chance de ter esperanças que ela estivesse
sonhando comigo.
No dia de escola seguinte, o ÚLTIMO dia em que o sol me manteria
prisioneiro, foi bem
parecido com o dia anterior. Bella parecia ainda mais melancólica que o
dia anterior, e eu
imaginei se ela tinha desistido dos seus planos - ela não parecia de bom
hu mor.
Mas, sendo Bella, ela provavelmente colocaria o divertimento dos amigos
acima do seu
próprio.
Ela estava usando uma blusa azul hoje, e a cor realçava sua pele
perfeitamente, deixando -a
cor de creme.
A escola terminou e Jessica concordou em buscar as outras meninas -
Angela ia também, e
fiquei feliz por isso.
Fui para casa pegar meu carro. Quando eu vi que Peter e Charlotte
estavam lá, decidi dar
uma hora de vantagem para as garotas. Nunca seria cap az de seguí-las,
dirigindo no limite
de velocidade - um pensamento horrível.
Entrei pela cozinha, acenando vagamente às saudações de Emmett e Esme
quando passei
por todos na sala e fui direto para o piano.
Argh, ele voltou. Rosalie, claro.
Ah, Edward. Odeio vê-lo sofrendo tanto. A alegria de Esme estava
começando a ser
danificada pela preocupação. Ela deveria se preocupar. Esta história de
amor que ela havia
visualizado para mim estava a cada hora mais evidentemente rumando
para a tragédia.
Se divirta em Port Angeles esta noite, pensou Alice alegremente. Deixe-me
saber quando
eu tiver a permissão de falar com Bella.
Você é patético. Não acredito que perdeu o jogo de ontem só para ver alguém
dormir.
Emmett resmungou.
Jasper não prestou atenção em mim, nem mesmo quando a música qu e
toquei ficou um
pou co mais tempestuosa do qu e eu pretendia. Era uma música antiga,
com um tema
familiar: impaciência. Jasper estava se despedindo de seu s amigos, que me
olhavam
curiosamente.
Que criatura estranha, Charlotte, que tinha cabelo loiro claro e era do
mesmo tamanho de
Alice pensou. E ele foi tão normal e agradável da outra vez que nos vimos.
Os pensamentos de Peter estavam em sincronia com os dela, como era
normalmente o caso.
Devem ser os animais. A falta de sangue humano os deixa loucos u ma
hora ou outra, ele
estava concluindo. O cabelo dele era claro e quase tão longo quanto o dela.
Eles eram muito
parecidos - exceto por tamanho, ele sendo quase tão alto qu anto Emmett -
em aparência e
pensamento. Um par que combinava, sempre tinha pensado.
Todos menos Esme pararam de pensar em mim por u m minuto, e toquei
notas mais baixas
para que não chamasse atenção.
Não prestei atenção a eles por um longo tempo, deixando a música me
distrair do
desconforto. Era difícil tirar a garota da minha mente. Só voltei minha
atenção à conversa
deles quando as despedidas ficaram mais finais.
- Se você vir Maria de novo - Jasper estava dizendo, um pouco cauteloso. -
diga a ela que
lhe desejo bem.
Maria era a vampira que tinha criado Jasper e Peter - Jasper na segunda
metade no século
XIX, Peter mais recentemente, por volta de 1940. Ela tinha procurado por
Jasper uma vez,
quando estávamos em Calgary. Tinha sido uma visita agitada - tivemos
que nos mudar
imediatamente. Jasper tinha pedido com educação que ela mantivesse
distância no futuro.
- Não imagino que isso vá acontecer logo. - Peter disse com uma risada -
Maria era
inegavelmente perigosa e não havia muito amor entre ela e Peter. Peter
tinha, afinal, sido
fundamental para a deserção de Jasper. Jas per sempre havia sido o
favorito de Maria; ela
considerava um mero detalhe que uma vez tinha planejado matá -lo. -
Mas, se acontecer,
certamente eu direi.
Eles deram u m aperto de mãos então, se preparando para partir. Eu deixei
a música que
estava tocando cessar em um fim pouco satisfatório, levantei rapidamente.
- Chalotte, Peter. - eu disse, acenando.
“É bom te ver novamente, Edward,” Charlotte disse de forma duvidosa.
Peter somente
acenou com a cabeça.
Louco, Emmett protestou atrás de mim.
Idiota, Rosalie pensou ao mesmo tempo.
Pobre garoto, Esme.
E Alice, em um tom repreensivo. Eles vão direto para o Leste, para Seattle.
Nenhum lugar
perto de Port Angeles. Ela me mostrou a prova em suas visões.
Eu fingi que eu não vi aquilo. Minhas desculpas já eram super ficiais o
suficiente.
Uma vez em meu carro, eu me senti mais relaxado; o robusto roncar do
motor que Rosalie
envenenou era animador para mim - ano passado, quando ela estava em
um humor melhor
- era tranqüilizador. Era um alívio estar em movimento, sabend o que eu
estava ficando mais
próximo de Bella a cada quilômetro que passava voando por debaixo dos
meus pneu s.
*Nota: No manuscrito não há o capítulo 8 nem o capítulo 10. Há apenas,
dois capítulos
nove. O primeiro segue abaixo.
Capítulo 09 - Port Angeles
Estava muito claro pra eu dirigir pelo centro quando eu cheguei à Port
Angeles; o sol ainda
estava muito elevado, e apesar de que os meus vidros eram fumês, não
havia nenhum
motivo para tomar riscos desnecessários. Mais riscos desnecessários, eu
diria.
Eu estava certo de que eu acharia os pensamentos de Jessica longe - os
pensamentos de
Jessica eram mais altos que os de Angela, mas quando eu achasse o
primeiro (pensamento),
eu conseguiria ouvir o segundo. Então, quando as sombras se
encompridavam, eu poderia
chegar mais perto. Por hora, eu saí da estrada e fui para uma gramada
garagem que ficava
fora da cidade que parecia não ser utilizada.
Eu sabia o lugar para procurar - apenas havia só um lugar para a compra
de vestidos em
Port Angeles. Não muito antes, eu achei Jessica, se olhando na frente de
um espelho de três
lados, e eu conseguia ver Bella em sua visão periférica, aprovando o longo
vestido preto
que ela usava.
Bella ainda parece zangada. Ha ha. Angela estava certa - Tyler estava se
achando. Apesar
de que eu não acredito que ela está tão chateada sobre isso. Pelo menos ela
sabe que ela
tem um acompanhante reserva para o baile. E se Mike não tiver se
divertindo no baile, e
ele não me convide para sair de novo? E se ele convidar a Bella para o
baile? Será que ela
teria convidado o Mike para o baile se eu não tivesse dito nada? Será que
ele acha que ela
é mais bonita que eu?
“Eu acho que eu gosto mais do azul. Ele realça os seus olhos.”
Jessica sorriu para Bella com fals o entusiasmo, enquanto a olhava com
suspeita.
Será que ela acha isso mesmo? Ou ela quer que eu pareça como uma vaca
no Sábado?
Eu já estava cansado de ficar ouvindo Jessica. Eu procurei por Angela -
ah, mas Angela
estava no processo de provar os vestidos, e eu saí rapidamente da sua
cabeça para dá -la
mais privacidade.
Bem, não havia muitos problemas que Bella poderia se meter numa loja de
departamentos.
Eu as deixaria comprando e depois as alcançaria quando tivessem
acabado. Não faltaria
muito para anoitecer, as nuvens estavam começando a voltar, sendo
levadas para o oeste.
Eu somente poderia pegar reflexos delas através das grandes árvores, mas
eu podia ver
como elas apressavam o pôr-do-sol. Eu as recebi, desejando-as mais do
que eu jamais havia
antes desejado por suas sombras. Amanhã eu poderia me sentar ao lado
de Bella na escola
de novo, exigindo sua atenção no almoço novamente. Eu poderia
perguntar pra ela todas as
coisas que eu havia guardado…
Então, ela estava furiosa com a presunção de Tyler. Eu vi aq uilo na mente
dele - que ele
havia falado sério quando falou sobre o baile, que ele estava confirmando.
Eu lembrei da
expressão dela daquela outra tarde - a escandalizada descrença - e eu ri.
Me perguntei o que
ela diria pra ele sobre isso. Eu não gostaria de perder a reação dela.
O tempo passou devagar enquanto eu esperava pelas sombras se
alongarem. Eu checava
com freqüência a Jessica; a sua voz mental era a mais fácil de ser achar,
mas eu não gostava
de me demorar lá dentro por muito tempo. Eu vi o lugar que elas estavam
planejando para
comer. Estaria escuro na hora do jantar… talvez eu coincidentemente
escolheria o mesmo
restaurante. Peguei o celular do meu bolso, pensando em convidar Alice
para comer fora…
Ela adoraria isso, m as ela também iria querer f alar com Bella. Eu não
tinha certeza se eu
estava pronto para envolver mais a Bella em meu mundo. Um vampiro não
era problema
suficiente?
E chequei a mente de Jessica de novo. Ela estava pensando sobre suas
jóias, perguntando a
opinião de Angela.
“Talvez eu deva devolver o colar. Eu tenho um em casa que deveria servir, e
eu gastei mais
do que eu deveria…” Minha mãe vai enlouquecer. No que eu estava
pensando?
“Eu não me importo em voltar para a loja. Mas, você não acha que a Bella
vai estar
procurando por nós?
O que era isso? Bella não estava com elas? Eu fitei os olhos de Jessica
primeiro, e depois
troquei para Angela. Elas estavam na calçada em frente de umas lojas, já
mudando de
direção. Bella não estava em nenhu m lugar em vista.
Oh, quem se importa com a Bella? Jess pensou, impacientemente, antes de
responder a
pergunta de Angela. “Ela está bem. Nós chegaremos no restaurante a
tempo, mesmo se nós
voltarmos (para a loja). De qualquer forma, eu acho que ela queria estar
sozinha.” Eu
peguei um breve vislumbre da livraria qu e Jessica achava que a Bella teria
ido.
“Vamos nos apressar, então,” Angela disse. Espero que Bella não ache que
nós a
abandonamos. Antes, no carro, ela f oi tão boa comigo… Ela é mesmo uma
pessoa muito
gentil. Mas ela parecia meio triste o d ia inteiro. Pergunto-me se era por
causa do Edward
Cullen? Aposto que era por isso que ela estava perguntando sobre a família
dele…
Eu deveria ter prestado mais atenção. O que eu teria perdido lá? Bella
estava andando
sozinha, e ela tinha perguntado por mim antes? Angela estava prestando
atenção à Jessica
agora - Jessica estava tagarelando sobre aquele idiota do Mike - e eu não
podia arrancar
mais nada dela.
Eu julguei as sombras. O sol estaria atrás das nuvens logo o suficiente. Se
eu ficasse no
lado oeste da estrada, onde os prédios estariam escurecendo a rua da luz
fraca…
Eu comecei a me sentir impaciente enqu anto eu dirigia pelo pouco
engarrafamento pro
centro da cidade. Isso não era algo em que eu havia considerado - Bella
andando sozinha - e
eu não tinha a mínima idéia de como achá -la. Eu deveria ter considerado
isso. Bella estava
sempre fazendo a coisa errada.
Eu conhecia bem Port Angeles; eu dirigi diretamente para a livraria da
mente de Jessica,
esperando que a minha busca fosse curta, mas du vidando que fosse fácil.
Quando que Bella
facilitava as coisas?
Sem dúvida, a pequena loja estava vazia, exceto por uma mulher vestida
de maneira
antiquada atrás do balcão. Esse não parecia com o tipo de lugar que Bella
estaria
interessada - muito new age para uma pessoa prática. Eu me pergunto se
ela ao menos se
incomodou a entrar?
Havia um lugar com sombra que eu poderia estacionar… Fazia um
caminho escuro para a
loja. Eu realmente não deveria. Andando por aí nas horas do dia não era
seguro. E se um
carro que passasse refletisse a luz do sol para a sombra justamente na
hora errada?
Mas eu não sabia outro jeito de procurar pela Bella!
Eu estacionei e saí, me mantendo no canto mais fundo da sombra.
Caminhei rapidamente
para a loja, percebendo o fraco rastro do cheir o da Bella no ar. Ela esteve
aqui, na calçada,
mas não havia nenhuma pista de sua fragrância dentro da loja.
“Bem vindo! Poderia te ajudar - ” a vendedora começou a dizer, mas eu já
estava do lado
de fora da porta.
Eu seguiria o cheiro da Bella até aonde a sombra permitiria, parando
quando eu chegasse na
beira da luz do sol.
Quão impotente que isso me fez sentir - cercado pela linha entre a
escuridão e a luz que se
estendia até a calçada na frente minha frente. Tão limitado.
Eu só podia adivinhar que ela continuou pela rua, indo para o sul. Não
havia muito
seguindo aquela direção. Ela estava perdida? Bom, essa possibilidade
parecia exatamente
como o caráter dela.
Eu voltei para o carro e dirigi devagar pelas ruas, procurando por ela. Eu
saí para alguns
outros caminhos com sombras, mas eu só senti o seu cheiro mais uma
vez, e o rumo disso
me confundiu. Onde ela estava tentando ir?
Dirigi de volta e adiante entre a loja e o restaurante algumas vezes,
esperando ver ela em
seu caminho. Jessica e Angela já estavam lá, tentando decidir se pediam (a
janta), ou se
esperavam pela Bella. Jessica já estava pensando em pedir imediatamente.
Eu comecei a passar rapidamente pela mente de estranhos, olhando
através de seus olhos.
Com certeza alguém deve ter visto ela em algum lu gar.
Mais tempo que ela ficava perdida, mais eu ficava impaciente. Eu não
tinha considerado
antes quão difícil que era pra achá -la, como agora, ela estava fora de
minha vista e fora de
seus caminhos normais. Eu não gostava disso.
As nuvens estavam se acu mulando no horizonte, e, em algu ns poucos
minutos, eu estaria
livre para localizá-la a pé. Então não me levaria muito tempo. Era somente
o sol que me
fazia tão paralisado agora. Apenas mais alguns minutos, e então a
vantagem seria minha
novamente e o mundo humano que seria impotente.
Outra mente, e mais outra. Tantos pensamentos banais.
…acho que o bebê tem outra inf ecção no ouvido…
Era 18:40 ou 18:04…?
Atrasado de novo. Eu devia contar pra ele…
Aqui ela vem! Aha!
Ali, finalmente, estava o rosto dela. Fina lmente, alguém tinha reparado
nela!
Aquele alívio só durou por uma fração de segundo, e então eu li mais os
pensamentos do
homem que estava olhando para o rosto dela fixamente nas sombras.
A mente dele era a de um estranho para mim, e mesmo assim, completa
mente familiar. Eu
já havia caçado exatamente tal mente.
“NÃO!” Eu rugi, e um nó apertou a minha garganta. Meu pé afundou no
acelerador, mas
pra onde eu estava indo?
Eu sabia mais ou menos o rumo dos seus pensamentos, mas isso não era
específico o
suficiente. Alguma coisa, deveria haver alguma coisa - uma placa de rua, a
frente de uma
loja, alguma coisa na sua vista que entregaria a sua localização. Mas Bella
estava bem na
escuridão, e os olhos dele estavam focados somente na expressão
apavorada dela -
saboreando o medo lá.
O rosto dela estava nublado na mente dele pela memória de outros rostos.
Bella não era a
sua primeira vítima.
O som dos meus rosnados tremeu a estrutura do carro, mas não me
distraíram.
Não havia janelas na parede atrás dela. Algum lugar industrial, longe da
região de compras
que era mais povoada. Meu carro derrapou na esquina, desviando de um
outro veículo, indo
na direção que eu esperava ser o caminho certo. Enquanto o outro carro
buzinava, o som já
estava bem atrás de mim.
Olha como ela ta tremendo! O homem riu em expectativa. O medo era a
atração para ele - a
parte que ele adorava.
“Fique longe de mim.” A voz dela era baixa e firme, não como um grito.
“Não seja assim, docinho.”
Ele viu ela hesitar quando uma rude risada veio de uma outr a direção. Ele
estava irritado
com o barulho - Cale a boca, Jeff! Ele pensou - mas gostou do modo como
ela se encolheu
de medo. Excitava ele. Ele começou a imaginar a suplicação, o modo como
ela
imploraria…
Eu não tinha percebido que havia outros com ele a té que eu ouvi aquela
alta risada. Eu
procurei nele, desesperado por algu ma coisa que eu pudesse usar. Ele
estava dando o
primeiro passo na direção dela, movimentando suas mãos.
As mentes perto dele não eram o lixo que ele era. Eles estavam um pouco
embria gados,
nenhum deles percebendo quão longe o homem que eles chamava de
Lonnie planejava
seguir com isso. Eles estavam seguindo Lonnie cegamente. Ele tinha
prometido pra eles u m
pou co de divertimento…
Um deles olhou para a rua, nervoso - ele não queria ser pego assediando a
garota - e me deu
o que eu precisava. Eu reconheci a rua que ele encarou.
Eu passei por um sinal vermelho, correndo através de um espaço amplo
apenas o suficiente
entre dois carros no engarrafamento. Buzinas fazendo barulho atrás de
mim.
Meu celular vibrou no meu bolso. Eu ignorei.
Lonnie se movia devagar para a garota, atraindo o su spense - o momento
do terror que
excitava ele. Ele esperou pelo grito dela, se preparando para saboreá -lo.
Mas Bella trancou sua mandíbula, e se abraçou . Ele es tava surpreso - ele
esperava que ela
tentasse fugir. Surpreso e levemente desapontado. Ele gostava de
perseguir a sua presa, a
adrenalina da caçada.
Corajosa, essa. Talvez melhor, eu acho… mais luta nela.
Eu estava a um quarteirão de distância. O monstro p oderia escutar o
rugido do meu motor
agora, mas ele não deu atenção, bem atento em sua vítima.
Eu veria como ele se divertia na caçada quando ele seria a presa. Eu veria
o que ele pensava
do meu estilo de caçar.
Em outra parte da minha cabeça, eu já estava escolhendo os tipos de
torturas que eu havia
presenciado nos meus tempos de vigilante, procurando pela tortura mais
dolorosa. Ele
sofreria por isso. Ele iria se contorcer em agonia. Os outros iriam
meramente morrer por
suas participações nisso, mas o mons tro chamado Lonnie imploraria pela
morte bem antes
de eu ceder pra ele esse presente.
Ele estava atravessando a rua, na direção dela.
Eu virei a esquina, rapidamente, meus faróis clareando a cena e
paralisando eles no lugar.
Eu poderia ter atropelado o líder, que saiu do caminho, mas essa era u ma
morte muito fácil
para ele.
Eu deixei o carro deslizar, virando pra que ficasse de frente pro caminho
que eu cheguei e a
porta do carro ficasse perto de Bella. Eu abri a porta, e ela já estava
correndo para o carro .
“Entre,” Eu resmunguei.
Que diabos?
Sabia que isso era uma péssima idéia! Ela não está sozinha.
Eu deveria correr?
Acho que vou vomitar…
Bella saltou para a porta aberta sem hesitar, puxando e fechando a porta
atrás dela.
E então ela me olhou com uma exp ressão de verdadeira confiança que eu
nu nca havia visto
nu m rosto humano, e todos os meu s violentos planos desm oronaram.
Levou-me muito menos de um segundo para eu ver que eu não poderia
deixá -la no carro
para lidar com os quatro homens na rua. O que eu di ria à ela, para não
olhar? Ha! Quando
que ela faz sempre o que eu peço? Quando que ela sempre faz a coisa
segura?
Eu iria arrastá-los para longe, pra fora da visão dela, e deixá -la sozinha
aqui? Eram poucas
as chances que outro humano perigoso estaria rond ando as ruas de Port
Angeles esta noite,
as chances eram poucas como essa era até o primeiro! Como um imã, ela
atrai todas as
coisas perigosas para ela mesma. Eu não poderia deixá -la fora de vista.
Seria como parte do mesmo movimento para ela quando eu ace lerei,
tirando ela dos seus
perseguidores tão rapidamente que eles ficaram boquiabertos atrás do
meu carro com
expressões incompreensíveis. Ela não perceberia meu instante de
hesitação. Ela presumiria
que o plano era escapar desde o começo.
Eu nem conseguiria bater nele com o meu carro. Aquilo iria assustar ela.
Eu queria a morte dele tão brutalmente que a necessidade por isso chiou
nos meus ouvidos
e nublou a minha visão e era um sabor na minha língua. Meus músculos
estavam
amontoados com a urgência, o des ejo, a necessidade por isso. Eu tinha
que matá-lo. Eu iria
descascá-lo aos poucos lentamente, pedaço por pedaço, pele do músculo,
músculo de
osso…
Exceto que a garota - a única garota no mundo - estava agarrada no seu
banco com as duas
mãos, me encarando, seus olhos ainda muito abertos e totalmente
confiando em mim. A
vingança teria que esperar.
“Bote o seu cinto,” Eu mandei. Minha voz foi áspera por causa do ódio e da
sede de
sangue. Não a comum sede de sangue. Eu não me sujaria ao ponto de
pegar qualquer parte
daquele homem pra dentro de mim.
Ela botou o cinto de segurança no lugar, se sobressaltando levemente com
o som feito.
Aquele pequeno som fez ela se sobressaltar, mesmo que ela não tenha
demonstrado medo
quando eu rasguei pela cidade, ignorando todos os sinais de trânsito. Eu
poderia sentir seus
olhos em mim. Ela parecia estranhamente relaxada. Não faz sentido - não
com o que ela
acabou de passar.
“Você está bem?” ela perguntou, sua voz áspera por causa do estresse e do
medo.
Ela queria saber se eu estava bem?
Eu pensei por uma fração de segundo na pergunta dela. Não muito para
que ela notasse a
minha hesitação. Eu estava bem?
“Não,” eu percebi, e o meu tom ferveu com a raiva.
Eu a levei pelo mesmo caminho que eu passei esta tarde, ocupado na mais
pobr e vigilância
que já existiu. Estava escuro agora, embaixo das árvores.
Eu estava tão furioso que o meu corpo paralisou no lugar, totalmente
imóvel. Minhas mãos
frias que estavam fechadas desejavam esmagar o agressor dela, pulverizar
ele em pedaços
tão mutilados que o seu corpo nunca poderia ser identificado…
Mas isso exigiria deixá-la aqui sozinha, desprotegida na noite escura.
“Bella?” Eu perguntei entre os dentes.
“Sim?” Ela respondeu roucamente. Ela limpou a garganta.
“Você está bem?” Aquilo era mesmo a coisa mais importante, a primeira
prioridade.
Castigo era secundário. Eu sabia disso, mas o meu corpo estava tão cheio
de raiva qu e era
difícil pensar.
“Sim.” A voz dela ainda estava grossa - com medo, sem dúvida.
E então eu não poderia deixá-la.
Mesmo que ela não esteja em risco constante por alguma razão irritante -
alguma piada que
o universo estava pregando em mim - mesmo se eu tivesse certeza que ela
estaria
perfeitamente segura em minha ausência, eu não poderia deixá -la sozinha
no escuro.
Ela deve estar tão assustada.
E mesmo assim eu não tinha condições de consolá -la - mesmo se eu
soubesse exatamente
como seria consolá-la, que eu não sabia. Com certeza ela conseguia sentir
a brutalidade
radiando em mim, com certeza seria aquele o motivo óbvio. Eu iria
assustá-la ainda mais se
eu não acalmasse o desejo de massacre fervendo dentro de mim.
Eu precisava pensar em alguma outra coisa.
“Me distraia, por favor,” eu implorei.
“Desculpe-me, o que?”
Eu mal tinha controle suficiente para tentar explicar do que eu precisava.
“Apenas fale sobre algo sem importância até eu me acalmar,” eu instruí,
minha mandíbula
ainda trancada. Só o fato de que ela precisava de mim me segurava dentro
do carro. Eu
podia ouvir os pensamentos do homem, seu desapontamento e sua raiva…
Eu sabia onde
achá-lo… Fechei os meus olhos, desejando que eu não pudesse vê -lo de
qualquer forma…
“Um…” ela hesitou - tentando achar um sentido para o meu pedido, eu
imaginei. “Eu irei
atropelar Tyler Crowley amanhã na frente da escola?” Ela disse isso como
se fosse uma
pergunta.
Sim - era isso que eu precisava. É claro que Bella apareceria com algo
inesperado. Como
antes, a ameaça de violência vindo de seu s lábios era hilária - tão cômica
que era estridente.
Se eu não estivesse queimando com o desejo de mat ar, eu teria rido.
“Por quê?” eu gritei, para forçá -la a falar novamente.
“Ele está contando para todo mundo que me levará para o baile,” ela disse,
sua voz cheia
com o seu escândalo de gata selvagem. “Ou ele está louco ou ele ainda está
tentando se
desculpar por quase ter me matado na última… bem, você lembra disso,”
ela completou
com indiferença, “e ele acha que o baile é de alguma maneira o melhor
jeito de corrigir
isso. Então eu pensei que se eu pusesse em perigo a sua vida, então nós
estaremos quites, e
ele não vai poder tentar corrigir. Eu não preciso de inimigos e talvez
Lauren desistisse se
ele me deixasse em paz. Apesar que eu teria que destruir totalmente o seu
Sentra,” ela
continuou, pensativa agora. “Se ele não tiver um veículo ele não pode levar
ninguém pro
baile…”
Era animador ver que às vezes ela entende as coisas erradas. A
persistência de Tyler não
tem nada haver com o acidente. Ela não parece entender a atração que ela
causa garotos
hu manos da escola. Ela não via a atração que eu tinha por e la também?
Ah, estava funcionando. O processo confuso da mente dela sempre foi
chamativo. Eu
estava começando a ganhar controle de mim mesmo, a ver alguma coisa
além da vingança e
da tortura…
“Eu soube disso,” eu disse pra ela. Ela tinha parado de falar, e eu
precisava que ela
continuasse.
“Você soube?” ela perguntou duvidosamente. E então a sua voz estava
mais zangada do que
antes. “Se ele ficar paralisado do pescoço pra baixo, ele não pode ir pro
baile também.”
Eu desejei que houvesse alguma maneira que e u pudesse perguntá-la
para continuar com as
ameaças de morte e dano corporal sem parecer loucura. Ela não poderia
ter escolhido uma
maneira melhor para me acalmar. E suas palavras - apenas sarcasmo no
seu caso, exagero -
eram um lembrete do que eu mais pre cisava neste momento.
Eu suspirei, e abri meus olhos.
“Melhor?” Ela perguntou timidamente.
“Não realmente.”
Não, eu estava mais calmo, mas não melhor. Porque eu acabei de perceber
que eu não
poderia matar o monstro chamado Lonnie, e eu ainda queria isso qu ase
mais do que outra
coisa no mundo. Quase.
A única coisa neste instante que eu queria mais do que um grande
justificável assassinato,
era esta garota. E, apesar de que eu não poderia tê -la, apenas o sonho de
tê-la, se fez
impossível para eu ir numa diver tida matança essa noite - não importa o
quanto defensível
tal coisa poderia ser.
Bella merecia mais do que um assassino.
Eu passei sete décadas tentando ser alguma coisa além daquilo - qualquer
coisa além de um
assassino. Aqueles anos de esforço nunca pode riam me fazer digno da
garota sentada ao
meu lado. E mesmo assim, eu senti que se eu voltasse para aquela vida - a
vida de um
assassino - por apenas u ma noite, eu certamente poria ela fora de meu
alcance para sempre.
Mesmo se eu não tomasse o sangue deles - mesmo se eu não tivesse a
evidência brilhando
vermelho em meus olhos - ela não sentiria a diferença?
Eu estava tentando ser bom o suficiente pra ela. Era um objetivo
impossível. Eu continuaria
tentando.
“O que há de errado?” Ela sussurrou.
Seu hálito encheu o meu nariz, e eu fui lembrado porque eu não merecia
ela. Depois de
tudo isso, mesm o com o muito que eu amava ela… ela ainda me dava água
na boca.
Eu daria pra ela tanto honestidade quanto eu podia. Eu devo isso a ela.
“Às vezes eu tenho um problema com o meu temperamento, Bella”. Eu
encarei a escura
noite lá fora, desejando que ela escutasse o horror interno de minhas
palavras e também que
ela não escutasse. Principalmente que ela não escutasse. Corra, Bella,
corra. Fique, Bella,
fique. “Mas não seria ajuda alguma pra mim se eu me virasse e caçasse
esses…” Apenas
pensando nisso, quase me tirou de dentro do meu carro. Eu respirei
fundo, deixando o
cheiro dela queimar a minha garganta. “Pelo menos, é o que eu estou
tentando convencer a
mim mesmo.”
“Oh.”
Ela não disse mais nada. Quanto que ela tinha ouvido das minhas
palavras? Eu olhei pra ela
pelo canto do olho, mas o seu rosto estava ilegível. Branco com o choque,
talvez. Bem, ela
não estava gritando. Ainda não.
Estava silencioso por um momento. Eu lutei comigo mesmo, tentando ser
o que deveria ser.
O que eu não poderia ser.
“Jessica e Angela devem estar preocupadas,” ela disse calmamente. Sua
voz estava bem
calma, e eu não estava certo como poderia ser aquilo. Ela estava em
choque? Talvez os
eventos de hoje a noite ainda não tinham entrado em sua cabeça. “Era pra
eu ter me
encontrado com elas.”
Ela queria ficar longe de mim? Ou ela só estava preocupada com a
preocupação das suas
amigas?
Eu não respondi a ela, mas eu liguei o carro e levei -a de volta. Com o
passo que eu chegava
mais perto da cidade, mais difícil ficava me segurar no meu objetivo. Eu
estava tão perto
dele…
Se fosse possível - se eu nunca pudesse ter ou merecer essa garota - então
onde estava o
sentido de deixar esse homem não punido? Com cert eza qu e eu poderia
me permitir tanto…
Não. Eu não estava desistindo. Não ainda. Eu a queria muito para me
render agora.
Nós estávamos no restaurante aonde era pra ela ter se encontrado com as
suas amigas, antes
mesmo de eu ter começado a racionalizar sobre os meus pensamentos.
Jessica e Angela
estavam acabando de comer, e ambas agora realmente se preocupavam
com a Bella. Elas
estavam indo procurar por ela, saindo para a rua escura.
Não era uma boa noite para elas saírem por aí vagando.
“Como você soube onde…?” A pergunta inacabada de Bella me
interrompeu, e eu percebi
que eu tinha cometido outro deslize. Eu estava muito distraído lembrando
-me de perguntála
onde ela deveria ter encontrado suas amigas.
Mas, ao invés de acabar a investigação e chegando ao pont o, Bella apenas
balançou a
cabeça e deu um meio sorriso.
O que aquilo significava?
Bem, eu não tinha tempo de decifrar sua estranha aceitação de minha
estranha inteligência.
Eu abri a minha porta.
“O que você está fazendo?” Ela perguntou, parecendo assusta da.
Não deixando você sair da minha vista. Não me permitindo de ficar sozinho
essa noite.
Nessa ordem. “Estou te levando para jantar.”
Bem, isso deveria ser interessante. Parecia completamente mais como uma
outra noite
quando eu imaginei trazer Alice e pre tendendo escolher o mesmo
restaurante que Bella e as
suas amigas como se fosse acidente. E agora, aqui estava eu, praticamente
nu m encontro
com a garota. Somente não contava, porque eu não estava dando a ela
uma chance de dizer
não.
Ela já tinha metade da sua porta aberta antes que eu desse a volta pelo
carro - geralmente
não era tão frustrante ter que se mover numa discreta velocidade - ao
invés de esperar que
eu abra pra ela. Isso era porque ela não estava costumada a ser tratada
como uma dama, ou
porque ela não pensava em mim como sendo um cavalheiro?
Eu esperei por ela, ficando mais inquieto enquanto as suas amigas
continuavam indo para
uma esquina escura.
“Vá parar Jessica e Angela antes que eu tenha que localizá -las também,”
eu pedi
rapidamente. “Eu não acho que poderia me reter se eu me encontrasse
com os teus outros
amigos de novo.” Não, eu não seria forte o suficiente para aquilo.
Ela estremeceu, e então rapidamente se recompôs. Ela deu meio passo
atrás delas,
chamando, “Jess, Angela!” em voz alta. E las se viraram, e ela acenou com
a mão para
chamar a atenção delas.
Bella! Oh, ela está a salvo! Angela pensou em alívio.
Muito tarde? Jessica resmungou para si mesma, mas ela, também, estava
grata que Bella
não estava perdida ou ferida. Isso me fez gostar dela um pouco mais do
que antes.
Elas voltaram, e então pararam, chocadas, quando me viram do lado dela.
Uh-uh! Jess pensou, impressionada. Sem chance!
Edward Cullen? Ela foi sozinha pra se encontrar com ele? Mas porque ela
perguntaria
sobre eles estarem fora da cidade se ela sabia que ele estava aqui… Eu vi
um curto
momento da expressão torturada de Bella quando ela perguntou a Angela
se a minha
família ficava às vezes ausente da escola. No, ela não poderia saber, Angela
decidiu.
Os pensamentos de Jessica iam da surpresa à suspeita. Bella está me
escondendo algo.
“Onde você esteve?” Ela exigiu, encarando Bella, mas me espiando pelo
canto dos olhos.
“Eu me perdi. E então eu encontrei o Edward,” Bella disse, agitando uma
mão pra mim.
Seu tom estava muito normal. Como se fosse verdade tudo o que
aconteceu.
Ela deve estar em choque. Era a única explicação para sua tranqüilidade.
“Estaria tudo bem se eu me juntasse a vocês?” Eu perguntei - para ser
educado; eu sabia
que elas já tinham comido.
Puta merda, ele é quente! Jessica pensou, sua cabeça repentinamente e
levemente
incoerente.
Angela não estava muito mais controlada. Queria que nós não tivéssemos
comido. Wow.
Apenas. Wow.
Agora porque eu não conseguia provocar isso na Bella?
“Er… claro,” Jessica concordou.
Angela franziu as sobrancelhas. “Um, na verdade, Bella, nós já comemos
enquanto
estávamos esperando,” ela admitiu. “Desculpa.”
O que? Cala a boca! Jess reclamou pra si mesma.
Bella deu de ombros, casualmente. Tão calma. Definitivamente em choque.
“Tudo bem -
não estou com fome.”
“Eu acho que você deve comer algo,” eu discordei. Ela precisava de açúcar
na corrente
sanguínea - apesar de cheirar doce o suficiente como era, eu pensei
ironicamente. O pavor
iria vir momentaneamente, e um estômago vazio não ajudar ia. Ela
desmaiava facilmente,
que eu saiba por experiência própria.
Essas garotas não estariam em perigo algum se fossem direto para casa.
Perigo não
perseguia cada passo seus.
E eu preferiria estar sozinho com a Bella - tanto tempo quanto ela quiser
ficar sozinha
comigo.
“Você se importa se eu levar a Bella para casa essa noite?” Eu disse para
Jessica antes que
Bella pudesse reagir. “Assim você não vai precisar esperar por ela
enquanto ela come.”
“Uh, sem problema, eu acho…” Jessica encarou seri amente Bella, olhando
por algum sinal
de que isso era o que ela queria.
Eu quero ficar… mas provavelmente ela quer ele pra si mesma. Quem não
iria? Jess
pensou. No mesmo instante, ela viu Bella piscar.
Bella piscou?
“Okay,” Angela disse rapidamente, na pre ssa de ficar fora do caminho se
isso era o que
Bella queria. E parecia que ela queria isso. “Te vejo amanhã, Bella…
Edward.” Ela se
esforçou para dizer o meu nome num tom casual. Então ela agarrou a mão
de Jessica e
começou a rebocar ela pra longe.
Eu teria que achar alguma maneira pra agradecer Angela por isso.
O carro de Jessica estava por perto em um círculo de luz clara feita por
uma lâmpada de
rua.
Bella olhou para elas cuidadosamente, uma pequena ruga de preocupação
entre seus olhos,
até que elas estavam no carro, então ela deve estar bem ciente do perigo
que ela passou.
Jessica abanou enquanto ela dirigia, e Bella acenou de volta. Assim que o
carro
desapareceu ela tomou um rumo.
Eu caminhei ao lado dela até a recepção, onde a recepcionista esperava. B
ella ainda parecia
inteiramente calma. Eu queria tocar a mão dela, sua testa, para ver a sua
temperatura. Mas a
minha mão fria iria assustá-la, assim como aconteceu antes.
Oh, minha nossa, a muito alta voz mental da maitre irrompeu na minha
consciência. Minha
nossa, oh minha nossa.
Parecia a minha noite de estar na cabeça das pessoas. Ou eu só estava
percebendo isso mais
porque eu queria tanto que a Bella me visse desse modo? Nós sempre
fomos atraentes para
a nossa presa. Eu nunca pensei muito sobre isso an tes. Geralmente - ao
menos, com pessoas
como Shelly Cope e Jessica Stanley, sempre houve uma constante
repetição ao um
entorpecido terror - o medo vinha de forma rápida depois da atração
inicial…
“Uma mesa para dois?” Eu disse, quando a maitre não falava.
“Oh, er, sim. Bem vindos ao La Bella Italia.” Mmm! Que voz! “Porque não
me
acompanham?” Seus pensamentos eram preocupados - cuidadosos.
Talvez ela seja prima dele. Ela não pode ser irmã dele, eles não se parecem
em nada. Mas
família, certamente. Ele não pode estar com ela.
Os olhos humanos eram nublados; não viam nada claramente. Como
podia essa mulher de
mente fraca achar os meus encantos físicos - uma armadilha para a presa
- tão atraentes, e
mesmo assim não ser capaz de ver a leve perfeição da garota ao meu lado?
Bem, sem necessidade para ajudá -la, só pra garantir, a maitre nos
encaminhou para uma
mesa tamanho família no meio da parte mais cheia do restaurante. Será
que eu posso dar
pra ele o meu número enquanto ela ta lá…? Ela pensou.
Eu tirei uma nota do meu bolso de trás. As pessoas eram constantemente
cooperativas
quando se tratava de dinheiro.
Bella já estava se sentando sem oposição no assento onde a maitre tinha
lhe indicado. Eu
balancei a cabeça para ela, e ela hesitou, inclinando sua cabeça pro la do
com curiosidade.
Sim, ela seria muito curiosa essa noite. Um lugar cheio não era muito ideal
para este tipo de
conversa.
“Talvez algo mais particular?” Eu pedi a maitre, dando a ela o dinheiro. Os
olhos dela se
abriram, surpresos, e então se estreitaram enquanto sua mão se enrolou
na gorjeta.
“Claro.”
Ela espiou na nota enquanto ela nos encaminhava para uma separada.
Cinqüenta dólares por uma mesa melhor? Rico, também. Isso faz sentido -
eu aposto que a
jaqueta dele custou mais do que o meu salário intei ro. Droga. Por que ele
quer
privacidade com ela?
Ela nos ofereceu uma mesa num calmo canto do restaurante onde
ninguém seria capaz de
nos ver - ver as reações da Bella para o que eu diria pra ela. Eu não tinha
nenhuma idéia do
que ela iria querer saber de mim essa noite. Ou o que eu daria pra ela.
Até onde que ela adivinhou? Que explicação que ela contou pra si mesma
sobre os
acontecimentos de hoje à noite?
“Que tal isso?” a maitre perguntou.
“Perfeito,” eu disse a ela e, me sentindo levemente irritado por sua má
atitude para com
Bella, eu sorri abertamente pra ela, não revelando meus dentes. Deixe ela
me ver
nitidamente.
Whoa. “Um… seu garçom virá num instante.” Ele não pode ser real. Eu
devo estar
dormindo. Talvez ela irá desaparecer… talvez eu escreva o m eu número no
prato dele com
ketchup… Ela saiu, caminhando levemente pelo lado.
Estranho. Ela ainda não estava assustada. Eu de repente me lembrei de
Emmett me
provocando na cafeteria, várias semanas atrás. Aposto que eu poderia ter
assustado ela
melhor do que você.
Eu estava perdendo a prática?
“Você não devia fazer isso com as pessoas,” Bella interrompeu meus
pensamentos com u m
tom de desaprovação. “Não é muito justo.”
Eu fitei a expressão de crítica dela. O que ela quis dizer? Eu não tinha
assustado a mai tre
nenhum um pouco, apesar das minhas intenções. “Fazer o que?”
“Deslumbrar as pessoas desse jeito - ela deve estar hiperventilando na
cozinha nesse exato
momento.”
Hmm, Bella estava quase certa.
A maitre estava pouco coerente no mom ento, descrevendo seu cálculo
incorreto sobre mim
para sua amiga de copa.
“Ah, qual é?” Bella repreendeu -me quando não respondi prontamente.
“Você tem que saber
o efeito que você causa nas pessoas.”
“Eu deslumbro as pessoas?” Esta era uma maneira interessante de
descrever a sit uação
precisa para esta noite.
Eu imaginei porque a diferença…
“Você não notou?” ela perguntou, ainda crítica. “Você acha que todos
entendem
facilmente?”
“Eu deslumbro você?” Verbalizei minha curiosidade impulsivamente, e
então as palavras já
haviam sido ditas, e era tarde demais para me arrepender.
Mas antes que eu tivesse tempo de me arrepender profundamente por ter
pronunciado essas
palavras, ela respondeu, “Frequentemente.” E suas bochechas tomaram
uma tonalidade de
rosa pálido.
Eu a deslumbrava.
Meu coração silencioso inflou-se com uma esperança mais intensa do que
jamais me
lembro de ter sentido antes.
“Olá,” alguém disse, a garçonete, apresentando -se. Seus pensamentos
eram muito audíveis
e mais explícitos do que o da maitre, mas eu a ignorei. Eu fite i a face de
Bella ao invés de
ouvir, assistindo ao sangue se espalhar por sob a sua pele, notando não
como aquilo fazia
minha garganta arder, mas como aquilo abrilhantava seu rosto, como
aquilo espantava a
palidez de sua pele…
A garçonete estava esperando algo de mim. Ah, ela perguntou o que
beberiamos. Eu
continuei a olhar para Bella, e a garçonete virou -se a contragosto para
olhá-la também.
“Quero uma coca-cola?” disse Bella, como se pedisse aprovação.
“Duas cocas,” eu completei. Sede - sede normal de humanos- era um sinal
de choque. Eu
me certificaria de que ela tivesse o açúcar extra da soda no seu sistema.
Mas ela parecia saudável. Mais que saudável. Ela parecia radiante.
“O que foi?” ela perguntou - imaginando porque eu a fitava, pensei. Eu mal
havia n otado
que a garçonete havia saído.
“Como se sente?” perguntei.
Ela piscou, surpresa pela pergunta. “Estou ótima.”
“Você não se sente doente, resfriada, aturdida?”
Ela estava ainda mais confusa agora. “Eu deveria?”
“Bem, na verdade estou esperando que você entre em choque.” Eu esbocei
um sorriso,
esperando pela sua negativa. Ela não iria querer ser cuidada por ou tra
pessoa.
Levou um minuto para que ela me respondesse. Seus olhos estavam
ligeiramente sem foco.
Por vezes ela parecia assim, quando eu sorria par a ela. Estaria ela…
deslumbrada?
Eu amaria acreditar nisso.
“Eu não acho que isso vá acontecer. Eu sempre fui muito boa em reprimir
coisas
desagradáveis,” ela respondeu, um tanto esbaforida.
Será então que ela tinha muita experiência com coisas desagradáve is?
Seria sua vida
sempre assim tão arriscada?
“O mesmo de sempre,” eu disse a ela. “Eu me sinto melhor quando você
tem algum açúcar
e nutrientes dentro de você.”
“A garçonete retornou com os refrigerantes e um cesto de pão. Ela deixou
tudo na minha
frente e perguntou pelo meu pedido, tentando me olhar nos olhos, durante
o processo. Eu
indiquei que ela deveria atender a Bella, e então voltei a ignorá -la. Ela
tinha uma mente
vulgar.
“Um…” Bella deu uma rápida olhada no menu. “Eu vou querer o ravioli de
cogum elos.”
A garçonete voltou-se rapidamente para mim. “E você?”
“Nada para mim.”
Bella fez uma expressão de desprezo. Hmm. Ela deve ter notado que eu
nu nca ingeria
alimentos. Ela notava tudo. E eu sempre me esquecia de ser cuidadoso
quando estava com
ela.
Esperei até que estivessemos sozinhos novamente.
“Beba,” eu insisti.
Eu fiquei surpreso quando ela obedeceu imediatamente sem nenhuma
objeção. Ela bebeu
até que a garrafa estivesse totalmente vazia, então eu empurrei a segunda
coca para ela,
cerzindo as sobrancelhas um pouco. Sede ou choque?
Ela bebeu um pouco mais, e então sentiu um calafrio.
“Está com frio?”
“É só a coca,” ela disse, mas estremeceu novamente, seus lábios tremendo
como se seus
dente estivessem prestes a tiritar de frio.
A linda blusa que ela usava parecia muito fina para protegê -la
adequadamente; ela a
envolvia como uma segunda pele, quase tão frágil como a primeira. Ela era
tão frágil, tão
mortal.
“Você não tem uma jaqueta?”
“Sim,” ela olhou ao redor de si mesma, meio perplexa. “Oh - eu a deixei no
carro de
Jessica.”
Eu tirei minha jaqueta, desejando que este gesto não fosse estragado pela
minha
temperatura corporal. Seria bom se eu fosse capaz de oferecer a ela um
casaco aquecido.
Ela me encarou, suas bochechas corando novamente. O que ela e staria
pensando agora?
Eu passei a jaqueta para ela por cima da mesa, e ela a vestiu de uma vez,
e então tremeu
novamente.
Sim, seria ótimo ser quente.
“Obrigada,” ela disse. Ela respirou fundo e então puxou as mangas longas
para liberar suas
mãos. Ela respirou fundo novamente.
Estaria a noite finalmente atuando? Sua cor ainda estava boa, sua pele
estava num tom de
rosa pálido em contraste com o azul escuro da sua camisa.
“Esse tom de azul fica adorável com o seu tom de pele,” eu a elogiei.
Apenas sendo
honesto.
Ela corou, enaltecendo o efeito.
Ela parecia bem, mas não havia sentido em me arriscar. Eu empurrei o
cestinho de pães na
direção dela.
“Realmente,” ela objetou, imaginando meus motivos. “Eu não vou entrar
em choque.”
“Você deveria - uma pessoa normal entraria. Você nem ao menos parece
abalada.” Eu a
fitei, desaprovando, imaginando porque ela não poderia ser normal assim e
então me
perguntei se eu realmente queria que ela o fosse.
“Eu me sinto muito segura com você,” ela disse, seus olhos, novamente,
cheios de
confiança. Confiança que eu não merecia.
Seus instintos estavam todos errados - invertidos. Este deveria ser o
problema. Ela não
reconhecia o perigo da forma como u m ser humano era capaz. Ela tinha
uma reação oposta.
Ao invés de correr, ela hesitava, se atirava ao que deveria assustá -la…
Como eu poderia protegê-la de mim mesmo quando nenhum de nós dois
queria isso?
“I sso é mais complicado do que eu planejei,” eu murmurei.
Eu pude ver minhas palavras rodando em sua cabeça, e eu imaginei o que
ela t eria feito
com elas. Ela apanhou uma baguete e começu a comer sem prestar muita
atenção. Ela
mascou por u m momento, e então inclinou sua cabeça para um lado,
pensativa.
“Geralmente você está de melhor humor quando seus olhos estão claros,”
ela disse em um
tom casual.
Su a observação, dita de forma tão direta, me deixou atordoado. “O que?”
“Você é sempre mais irritadiço quando seus olhos estão negros.” - eu
esperava algo assim.
“Eu tenho uma teoria sobre isso,” ela adicionou calmamente.
Então ela veio com sua própria explicação. É claro que ela tinha uma. Eu
senti um pavor
profundo quando imaginei o quão perto da verdade ela chegara.
“Mais teorias?”
“Mm-hm.” Ela mastigava u ma outra mordida, totalmente relaxada. Como
se ela não fosse
discutir as características de um monstro com o próprio monstro.
“Espero que você seja mais criativa dessa vez…” Eu menti quando ela não
continuou.
O que eu realmente esperava era que ela estivesse errada - a quilometros
longe da verdade.
“Ou você ainda está plagiando histórias em q uadrinhos?”
“Bem, não, eu não me inspirei numa revista em quadrinhos,” ela disse, um
pou co
embaraçada. “Mas eu também não imaginei tudo sozinha.”
“E…?” eu perguntei entredentes.
É claro que ela não iria falar tão calmamente se estivesse prestes a gritar.
Quando ela hesitou, mordendo seus lábios, a garçonete reapareceu com a
comida de Bella.
Eu dei um pouco de atenção à servente enquanto ela arrumava o prato na
frente de Bella e
então perguntava se eu desejava algo.
Eu declinei, mas pedi outra coca. A garçon ete não havia notado os copos
vazios. Ela os
pegou e levou-os.
“Você estava dizendo…?” Eu soprei a deixa anciosamente tão logo quanto
ficamos a sós
novamente.
“Eu vou te contar quando estivermos no carro,” ela disse com uma voz
baixa. Ah, isso seria
ruim. Ela não estava querendo falar seus palpites na frente de outras
pessoas. “Se…” ela
irrompeu repentinamente.
“Há condições?” Eu estava tão tenso que quase rosnei as palavras.
“Eu tenho algumas perguntas, é claro.”
“É claro,” eu consenti, com um tom de voz s eco.
Su as perguntas provavelmente seriam o bastante para que eu soubesse
em que direção seus
pensamentos estavam seguindo. Mas como eu as responderia? Com
mentiras responsáveis?
Ou eu a assombraria com a verdade? Ou não diria nada, incapaz de
decidir?
Nós continuamos sentados em silêncio enquanto a garçonete reabastecia
seu estoque de
soda.
“Bem, vá em frente,” eu disse, com minhas mandibulas travadas, quando
ela se foi.
“Por que você está em Port Angeles?”
Esta era uma pergunta fácil demais - para ela. A pergunta não me
indicaria nada, enquanto
minha resposta, se verdadeira, indicaria muito, muito mesmo. Deixe que
ela revele algo
primeiro.
“Próxima,” eu disse.
“Mas esta foi a mais fácil!”
“Próxima,” eu repeti.
Ela estava frustrada pela minha rejeição. Ela tirou seus olhos de mim e
olhou para baixo,
para a sua comida.
Vagarosamente, pensativa, ela deu uma mordida e mastigou com vontade.
Fez tudo descer
com mais coca e então finalmente olhou para mim. Seus olhos estavam
estreitos, cheios de
suspeita.
“Certo, então,” ela disse. “Vamos dizer que, hipotéticamente, é claro, que…
alguém…
pudesse saber o que as pessoas estão pensando, ler mentes, você
entendeu - com apenas
algumas poucas exceções.”
Poderia ser pior.
Isto explicava aquele sorrisinho no carro. Ela era rápida - ninguém mais
jamais havia
adivinhado este meu poder. Exceto por Carslile, quando isto era bem mais
óbvio, no
começo, quando eu respondia a todos os seus pensamentos como se ele
tivesse falando
comigo. Ele havia entendido o meu poder antes de mim…
Esta pergunta não era tão ruim. Apesar de estar claro que ela sabia haver
algo de errado
comigo, não era tão ruim quanto poderia ser. Leitura de mentes não era,
afinal, uma faceta
do cânone vampírico. Eu continuei com a sua hipótese.
“Apenas uma exceção,” eu a corrigi. “Hipoteticamente”
Ela se esforçou para não sorrir - minha vaga honestidade a havia
agradado. “Tudo bem,
com uma única exceção, então. Como isso funciona? Quais as limitações?
Como seria… se
alguém… encontrasse outra pessoa exatamente nu ma h ora de grande
necessidade? Como
ele poderia saber que ela estaria com problemas?”
“Hipoteticamente?”
“Claro.” Seus lábios se retorceram, e seus olhos castanhos estavam
ansiosos.
“Bem,” eu hesitei. “Se… esse alguém…”
“Vamos chamá-lo de Joe,” ela sugeriu.
Eu tive que sorrir diante do entusiasmo dela. Ela achava mesmo que a
verdade seria uma
coisa boa? Se meus segredos fossem coisas agradáveis, por que eu a
manteria afastada
deles?
“Joe, então,” eu concordei. “Se Joe estivesse prestando atenção, o tempo
não t eria que ser
tão exato.” Eu balancei minha cabeça e reprimi um calafrio quando me
lembrei o quão
perto eu estive de chegar muito tarde hoje. “Você é a única pessoa que
pode se encrencar
em u ma cidade tão pequena. Você deve ter devastado a estatística de cr
imes deles, por
décadas, você sabe.”
Seus lábios murcharam um pouco e então ela disse: “Nós estamos falando
de um caso
hipotético.”
Eu ri diante da irritação dela.
Seus lábios, sua pele… eles pareciam tão suaves… Eu queria tocá -los. Eu
queria empurrar
sua sobrancelha franzida para cima com a ponta dos meus dedos.
Impossível. Minha pele
seria um repelente para o seu calor.
“Sim, nós estávamos…” Eu disse, retornando ao nosso assunto antes de
eu ter entrado em
depressão. “Devemos chamar você de Jane?”
Ela olhou por sobre a mesa, diretamente para mim, com toda a irritação e
mal humor
dissipados dos seu s olhos arregalados.
“Como você sabia?” ela perguntou, sua voz baixa e intensa.
Eu deveria dizer a verdade a ela? E, se dissesse, qual parte da verdade?
Eu queria dizer a ela. Eu queria merecer a confiança que eu ainda
enxergava em sua feição.
“Você pode confiar em mim, sabe,” ela sussurrou, e levou a mão para
frente como se fosse
tocar em minhas mãos onde elas estavam em cima da mesa vazia em
minha frente.
Eu as tirei de alcance - odiando a idéia da reação dela à minha pele fria e
pétrea - e ela
deixou as mãos pousarem na mesa.
Eu sabia que podia confiar nela com relação a guardar meus segredos; ela
era inteiramente
confiável, até o fim. Mas eu não podia confiar que ela não ficaria
horrorizada com eles. Ela
deveria ficar horrorizada. A verdade era horrível.
“Eu não sei mais se tenho escolha,” murmurei. Lembrei -me de uma vez
tê-la provocado ao
chamá-la de ‘excessivamente distraída.’ A ofendi, se eu julguei certo su as
expressões. Bem,
essa havia sido uma injustiça, pelo menos. “Eu estava errado - você é mais
atenta do que eu
havia dado crédito.” E, apesar dela talvez não ter notado, eu já havia lhe
dado muito
crédito. Ela não perdia nada.
“Pensei que você estava sempre certo,” ela disse, sorrindo enquanto me
provocava.
“Eu costumava estar.” Eu costumava saber o que fazia. Costumava ter
sempre certeza de
meu caminho. Agora tudo era caos e tumulto.
Mesmo assim, não trocaria nada. Eu não queria a vida que fazia sentido.
Não se o caos
significava que eu podia ter Bella.
“Eu estava errado sobre você em outro ponto também,” continuei,
aparando as arestas em
outro ponto. “Você não é um ímã para acidentes - essa não é uma
classificação muito
ampla. Você é um imã para problemas. Se houver algo perigoso num raio
de dez milhas,
invariavelmente vai achar você.” Por que ela? O que ela havia feito para
merecer tudo isso?
O rosto de Bella estava sério novamente. “E você se coloca nessa
categoria?”
Honestidade era mais importante em relaç ão a essa questão do que
qualquer outra.
“Definitivamente”.
Seus olhos se estreitaram levemente - não com suspeita, mas
estranhamente preocupada.
Ela levou a mão pela mesa novamente, devagar e deliberadamente. Tirei
minhas mãos
alguns centímetros mais longe das dela, mas ela ignorou o movimento,
determinada a me
tocar. Prendi a respiração - não por causa de seu cheiro agora, mas por
causa da súbita e
irresistível tensão. Medo. Minha pele a deixaria enojada. Ela correria para
longe.
Ela roçou a ponta dos dedos levemente pelas costas de minhas mãos. O
calor seu toque
gentil e desejoso não era igual a nada que eu já havia sentido antes. Era
quase puro prazer.
Teria sido, se não fosse pelo meu medo. Observei seu rosto quando ela
sentiu o frio pétreo
de minha pele, ainda incapaz de respirar.
Um meio sorriso apareceu nos cantos de seus lábios.
“Obrigada,” ela disse, me encarando intensamente. “Já são duas vezes
agora.”
Seus dedos macios ficaram em minha mão como se achassem confortável
estar lá.
Respondi o mais casual possível. “Não vamos tentar uma terceira vez, de
acordo?”
Ela fez uma careta, mas concordou.
Tirei minhas mãos das suas. Por melhor que seu toque fosse, eu não
esperaria até que a
mágica de sua tolerância passasse e se transformasse em repulsa. Escondi
minhas mãos
embaixo da mesa.
Li seus olhos; apesar de sua mente estar silenciosa, eu podia perceber
tanto confiança
quando surpresa nela. Percebi naquele momento que eu queria responder
as perguntas dela.
Não por que eu devia isso a ela. Não porque eu que ria que ela confiasse
em mim.
Eu queria que ela me conhecesse.
“EU a segui até Port Angeles,” disse a ela, as palavras saindo muito rápido
para que eu as
censurasse. Eu sabia do perigo da verdade, do risco que eu corria. Até
aquele momento, sua
calma fora do normal poderia se transformar em histeria. Contrariamente,
saber isso apenas
fez com que eu falasse mais rápido. “Nunca tentei manter uma pessoa
específica viva antes
e é muito mais trabalhoso do que eu acreditava. Mas provavelmente é
apenas porque é
você. Pessoas normais parecem conseguir passar o dia sem muitas
catástrofes.”
Observei-a, esperando.
Ela sorriu. Seus lábios se curvaram nas pontas, e seus olhos cor de
chocolate se aqueceram.
Eu havia acabado de admitir que a havia seguido, e ela estava sor rindo.
“Já parou para pensar que talvez fosse minha hora daquela primeira vez,
com a van, e você
está interferindo no destino?” ela perguntou.
“Aquela não foi a primeira vez,” eu disse, encarando a toalha de mesa
avermelhada, meus
ombros curvados de vergonha. Minhas barreiras haviam caído, a verdade
saía de qualquer
jeito. “Sua hora foi na primeira vez que te conheci.”
Era verdade, e aquilo me deixava nervoso. Eu estava posicionado na vida
dela como a
lâmina de uma guilhotina. Era como se ela estivesse marc ada para morrer
por um destino
cruel e injusto, e - já que eu parecia ser uma ferramenta involuntária -
esse mesmo destino
parecia ainda tentar executá-la. I maginei o destino personificado - uma
velha cinzenta e
invejosa, uma harpia vingativa.
Eu queria que algo, alguém, fosse responsável por isso - para que eu
tivesse algo concreto
contra o que lutar. Algo, alguma coisa para destruir, para que ela pudesse
ficar a salvo.
Bella estava muito quieta; sua respiração acelerada.
Olhei para ela, sabendo que finalmente eu veria o medo que estava
esperando. Eu não havia
acabado de admitir o quão perto eu havia estado de matá -la? Mais
próximo do que a van
que ficou a meros centímetros de esmagá -la. Mesmo assim, seu rosto
parecia calm o, seus
olhos ainda apertados com p reocupação.
“Você se lembra?” Ela tinha que se lembrar daquilo.
“Sim,” ela disse, com a voz calma e grave. Seus olhos profundos
conscientes.
Ela sabia. Ela sabia que eu pensara em matá -la daquela vez.
Onde estavam os gritos?
“E ainda assim você está aqui,” eu disse, apontando a inerente
contradição.
“Sim, eu estou aqui… por você.” Sua expressão se alterou agora curiosa,
como se ela
sutilmente houvesse mudado o assunto. “Porque de alguma forma você
sabia com o me
encontrar hoje…?”
Mesmo sem chances, forcei ma is uma vez a barreira que protegia seus
pensamentos,
desesperado para entender. Não fazia sentido nem tinha lógica para mim.
Como ela podia
se importar com o resto com aquela verdade sobre a mesa?
Ela esperou, apenas curiosa. Sua pele era pálida, o que era natural para
ela, mas ainda me
preocupava. Seu jantar permanecia intocado em sua frente. Se eu
continuasse a lhe contar
muito, ela iria precisar de proteção quando o choque passasse.
Resolvi meus termos. “Você come, eu falo.”
Ela pensou sobre aquilo por meio segundo e comeu um pouco com uma
velocidade que
parecia destoar de sua calma. Ela estava mais ansiosa pela minha
resposta do que seus
olhos demonstravam.
“É mais difícil do que deveria ser - manter você à vista,” eu lhe disse.
“Geralmente eu
posso encontrar alguém facilmente, uma vez que já tenha ouvido suas
mentes antes.”
Observei seu rosto com cuidado quando disse isso. Adivinhar era uma
coisa, obter a
confirmação era outra.
Ela estava sem ação, seus olhos arregalados. Senti meus dentes rangerem
enqua nto
esperava que ela entrasse em pânico.
Mas ela apenas piscou uma vez, engoliu fazendo barulho, e rapidamente
mordeu mais um
pedaço. Ela queria que eu continuasse.
“Eu estava me concentrando em Jessica,” continuei, observando cada
palavra que saía.
“Não cuidadosamente - como eu disse, só você poderia encontrar
problemas em Port
Angeles -” não resisti ao comentário. Será que ela sabia que outras vidas
hu manas não eram
tão marcadas por experiências de quase morte, ou ela achava que era
normal? Ela era a
coisa mais fora do normal que eu já havia encontrado. “Primeiramente,
não notei quando
você saiu sozinha. Então, quando percebi que você não estava mais com
ela, saí procurando
você na livraria que vi na mente dela. Eu sabia que você não havia
entrado, e que h avia ido
para o sul… e eu sabia que você teria que voltar logo. Então eu estava
apenas esperando
por você, procurando aleatoriamente pelos pensamentos das pessoas nas
ruas - para ver se
alguém havia notado você para que eu soubesse onde você estava. Eu não
tinha motivos
para me preocupar… mas eu estava estranhamente ansioso…” Minha
respiração ficou mais
rápida quando me lembrei da sensação de pânico. O cheiro dela alcançou
minha garganta e
eu estava contente. Era uma dor que significava que ela estava viva.
Enquanto eu
queimasse, ela estava a salvo.
“Comecei a dirigir em círculos, ainda… ouvindo.” Eu esperava que a
palavra fizesse
sentido para ela. Isso provavelmente era confuso. “O sol estava finalmente
se pondo, e eu
estava prestes a sair e te procurar a p é. E então –”
Enquanto a memória me voltava - perfeitamente clara e tão vívida como se
eu estivesse
naquele momento novamente - senti a mesma fúria assassina correndo
por meu corpo, presa
em gelo.
Eu o queria morto. Eu precisava dele morto. Meu maxilar end ureceu
enquanto me
concentrava em me segurar na mesa. Bella ainda precisava de mim. Era
isso que importava.
“Então o que?” ela murmurou, seus olhos escuros arregalados.
“Eu ouvi o que eles estavam pensando,” disse entre -dentes, incapaz de
fazer as palavras
saírem sem parecer um rosnado. “Eu vi seu rosto na mente dele.”
Eu mal podia resistir à vontade de matar. Eu ainda sabia precisamente
onde encontrá -lo.
Seus pensamentos ruins passeavam pela noite, como se me chamassem…
Cobri meu rosto, sabendo que minha e xpressão era a de um monstro, um
caçador, um
assassino. Fixei a imagem dela por trás de meus olhos para me controlar,
concentrando -me
apenas em seu rosto. A delicada moldura óssea, a fina camada de sua pele
pálida - como
seda esticada em vidro, incrivelmen te macia, fina e fácil de estilhaçar. Ela
era vulnerável
demais para esse mundo. Ela precisava de um protetor. E, como um
desvio do destino, eu
era a coisa mais próxima que estava disponível.
Tentei explicar minha reação violenta para que ela pudesse enten der.
“Foi muito… difícil - você não imagina o quão difícil - para mim apenas te
tirar de lá e
deixá-los… vivos” eu suspirei. “Eu poderia ter deixado você ir com Jessica
e Angela, mas
estava com medo de que se você me deixasse sozinho, eu iria atrás deles.”
Pela segunda vez esta noite, eu confessei a intenção de assassinato. Pelo
menos esse era
passível de defesa.
Ela estava quieta enquanto eu tentava me controlar. Escutei as batidas de
seu coração. O
ritmo era irregular, mas se acalmou conforme o tempo ia p assando e
agora estava estável
novamente. Sua respiração também estava devagar e estável.
Eu estava muito próximo do limite. Eu precisava levá -la para casa antes…
Eu o mataria, então? Eu me tornaria um monstro novamente quando ela
confiava em mim?
Haveria alguma forma de me deter?
Ela havia prometido me contar sua mais nova teoria quando estivéssemos
sozinhos. Eu
queria ouvir? Estava ansioso por isso, mas será que a recompensa por
minha curiosidade
seria pior do que não saber?
De qualquer modo, ela já teria verdades o suficiente por aquela noite.
Olhei para ela novamente, e seu rosto estava mais pálido do que antes,
mas composto.
“Está pronta para ir para casa?” perguntei.
“Estou pronta para ir,” ela disse, escolhendo as palavras com cuidado,
como se u m simp les
‘sim’ não expressasse exatamente o que ela queria dizer.
Frustrante.
A garçonete retornou. Ela havia escutado a última frase de Bella enquanto
caminhava para
o outro lado da mesa, pensando no que mais ela poderia oferecer. Eu
queria fingir que não
estava ouvindo algumas das ofertas que ela tinha em mente.
“Como estamos?” ela me perguntou.
“Estamos prontos para pedir a conta, obrigado,” eu disse, meus olhos em
Bella.
A respiração da garçonete deu um pico e ela estava momentaneamente -
usando a frase de
Bella - deslumbrada com a minha voz.
Num breve momento de percepção, escutando como minha voz soava na
mente dessa
hu mana inconseqüente, eu percebi por que eu parecia atrair tanta atenção
naquela noite - ao
contrário do medo de sempre.
Era por causa de Bella. Tentando tanto ser seguro para ela, para ser
menos assustador, para
seu humano, eu havia perdido meus limites. Os outros humanos viam
beleza agora, com
meu horror inato tão cuidadosamente sob controle.
Olhei para a garçonete, esperando que ela se recupe rasse. Era um pouco
engraçado, agora
que eu sabia o motivo.
“Claro,” ela gaguejou. “Aqui está.”
Ela me estendeu a pasta com a conta, pensando no cartão que ela havia
deixado embaixo do
recibo. Um cartão com seu nome e telefone.
Sim, era realmente engraçado.
Eu já tinha o dinheiro pronto. Devolvi imediatamente a pasta, para que ela
não perdesse
tempo esperando um telefonema que nunca aconteceria.
“Sem troco,” eu disse, esperando que o tamanho da gorjeta compensasse
seu
desapontamento.
Levantei-me e Bella logo me seguiu. Eu queria lhe oferecer minha mão,
mas pensei que
talvez estivesse desafiando minha sorte um pouco demais por uma noite.
Agradeci a
garçonete, meus olhos nunca deixando o rosto de Bella. Bella parecia estar
achando algo
engraçado, também.
Saímos de lá, eu caminhando o mais perto quanto me era possível. Perto o
suficiente para
que o calor do corpo dela fosse como um toque físico contra o lado
esquerdo do meu corpo.
Enquanto eu segurava a porta para ela, ela su spirou de leve, e me
perguntei o que a teria
deixado triste. Encarei seu olhar, prestes a perguntar, quando ela de
repente encarou o chão,
parecendo envergonhada. Isso me deixou ainda mais curioso, ainda que
relutante em
perguntar. O silêncio entre nós continuou enquanto eu abria a porta do c
arro para ela e
entrava no carro.
Liguei o aquecedor - o tempo mais quente havia de repente terminado; o
frio do carro
deveria ser desconfortável para ela. Ela se encolheu em minha jaqueta, um
pequeno sorriso
em seus lábios.
Esperei, adiando a conversa até que as luzes do painel apagassem. Isso me
fez sentir ainda
mais sozinho com ela.
Seria aquilo a coisa certa a se fazer? Agora que eu estava concentrado
apenas nela, o carro
parecia menor. Seu aroma dançava dentro com a corrente de ar do
aquecedor, se
intensificando e aumentando. Cresceu em sua força, como se fosse uma
entidade própria
dentro do carro. Uma presença que demandava ser notada.
E havia sido; eu queimei. A sensação era aceitável, no entanto. Parecia
estranhamente
apropriada para mim. Me havia si do dado tanto aquela noite - mais do
que eu esperava. E
aqui estava ela, ainda a meu lado por vontade própria. Eu devia algo em
retorno. Um
sacrifício, uma oferta em forma de queimação.
Agora, se eu pudesse manter as coisas daquele jeito; apenas queimação, e
mais nada. Mas o
veneno encheu minha boca, e meus músculos ficaram tensos em
antecipação, como se eu
estivesse caçando…
Eu precisava manter tais pensamentos longe de minha mente. E eu sabia
o que me
distrairia.
“Agora,” eu disse à ela, temendo sua resposta e me distraindo da sensação
de queimado. “É
sua vez.”
Capítulo 10 - Teoria
“Posso fazer só mais uma?” ela suplicou ao invés de responder ao meu
pedido.
Eu estava nervoso, ansioso pelo pior. E ainda, como era tentador prolongar
esse momento.
Ter Bella comigo, de boa vontade, só por mais alguns segundos. Eu
suspirei com o dilema,
então disse, “Uma.”
“Bem…,” ela hesitou por um momento, como se estivesse decidindo qual
pergunta ia fazer.
“Você disse que sabia que eu não tinha entrado na livraria, e que eu tinha
ido para o sul. Eu
só estava me perguntando como você sabia disso.”
Eu olhei para além do pára-brisa. Esta era outra questão que não revelava
nada sobre ela, e
muito sobre mim.
“Eu pensei que não estávamos mais sendo evasivos.” ela disse, seu tom
crítico e
desapontado.
Que irônico. Ela estava sendo cruelmente evasiva sem se quer tentar.
Bem, ela me pediu para ser direto. E essa conversa não estava indo para
nenhum lugar bom
de qualquer forma.
“Tudo bem, então.” eu disse “Eu segui o seu cheiro.”
Eu queria ver o seu rosto, mas eu estava com medo do qu e eu ia ver. Ao
invés disso, eu
escutei a sua respiração acelerando e depois se estabilizando. Ela falou
novamente após um
momento, e a sua voz estava mais serena do que eu esperava.
“E você também não respondeu uma das minhas perguntas”, ela disse.
Eu olhei para baixo, em sua direção, com uma careta. Ela estava
procrastinando, também.
“Qual delas?”
“Como funciona - essa coisa de ler mentes?” ela perguntou, reiterando a
pergunta do
restaurante. “Você pode ler a mente de todo mundo, em qualquer lugar?
Como você faz
isso? O resto da sua família pode…?” ela deixou sua voz morrer, corando
novamente.
“I sso é mais que uma”, eu disse.
Ela somente me olhou, esperando pelas suas respostas.
E por que não contar a ela? Ela já adivinhava a maior parte disso, e esse
assunto era mais
fácil do que aquele que se aproximava.
“Não, sou só eu. E eu não consigo ouvir qualquer um, em qualquer lugar.
Eu tenho que
estar pelo menos um pouco perto. Quanto mais famili ar é a… voz de
alguém, de mais longe
eu posso ouví-la. Mas ainda assim, não mais longe que alguns
quilômetros.” Eu tentei
pensar em uma maneira de descrever isso de uma forma que soasse
compreensível. Uma
analogia a qual ela podia relacionar. “É como estar num corredor enorme e
cheio de gente,
todos falando ao mesmo tempo. É só um ruído - um zumbido de vozes no
fundo. Até que
eu me concentro em uma das vozes, e aí o que ela está pensando se torna
claro. Na maioria
das vezes eu desligo todas - se não eu posso me distrair demais. E então
fica mais fácil
parecer normal-” eu fiz uma careta “-Isso quando eu não estou
respondendo acidentalmente
ao pensamento das pessoas e não á suas vozes”.
“Porque será que você não pode me ouvir?”, ela se admirou.
“Eu não sei”, eu admiti. “A única suposição é que talvez a sua mente não
trabalhe da forma
como a deles trabalha. Como se os seus pensamentos estivessem na
freqüência AM quando
eu só posso ouvir Fm”.
Eu percebi que ela poderia não gostar dessa analogia. A antecipação da
sua reação me fez
sorrir. Ela não me desapontou.
“Minha mente não trabalha direito?” ela perguntou, sua voz se ergueu com
desgosto. “Eu
sou uma aberração?”
Ah, a ironia de novo.
“Eu ouço vozes na minha cabeça e você preocupada que você a aberração”.
Eu ri. Ela
entendeu todas as coisas pequenas, e ainda assim ela ignorava as
grandes. Sempre os
instintos errados…
Bella estava mordendo o seu lábio, e as rugas por entre seus olhos
estavam profundas.
“Não se preocupe” eu assegurei a ela “É apenas uma teoria…” e havia uma
teoria mais
importante para ser discutida. Eu estava ansioso para chegar nela. Cada
segundo que se
passava parecia mais e mais como um tempo roubado.
“O que nos leva de volta a você” eu disse, dividido em dois, ambos ansiosos
e relutantes.
Ela suspirou, ainda mordendo seu lábio - eu estava preocupado que ela se
machucasse. Ela
me olhou nos olhos, seu rosto confuso.
“Nós não deixamos de ser evasivos?” eu perguntei calmamente.
Ela olhou para baixo, se debatendo com algum dilema interno. De repente,
ela endureceu e
seus olhos se arregalaram. O medo passou por seus olhos pela primeira
vez.
“Minha nossa!” ela gaguejou.
Eu entrei em pânico. O que ela tinha visto? Como que eu tinha a
apavorado?
Então ela gritou. “Diminua!”.
“Qual é o problema?” eu não ent endi da onde que o seu terror estava
vindo.
“Você está indo á quase duzentos por hora!” ela gritou para mim. Ela olhou
para fora da
janela e se recolheu às árvores negras passando rapidamente por nós.
Essa coisinha pequena, só um pouco de velocidade, fez e la gritar em
pavor?
Eu revirei meus olhos. “Relaxe, Bella”.
“Você está tentando nos matar?”, ela perguntou, sua voz alta e firme.
“Nós não vamos bater”. Eu prometi a ela.
Ela deu uma inspirada ansiosa, e então ela disse em um tom levemente
moderado. “Porqu e
você está com tanta pressa?”
“Eu sempre dirijo assim.”
Eu olhei para seus olhos me encarando, divertido com a sua expressão
chocada.
“Mantenha os olhos na estrada!” ela gritou.
“Eu nunca sofri um acidente, Bella - eu nunca sequer levei uma multa.”
Eu sor ri e então eu
toquei a minha testa. Isso fez com que parecesse mais cômico - a falta de
lógica de ser
capaz em fazer piadas com ela sobre algo tão secreto e estranho. “Detector
de radar
embutido”.
“Muito engraçado”, ela disse de forma sarcástica, sua voz m ais
amedrontada do que com
raiva. “Charlei é um policial, lembra? Eu fu i criada para obedecer todas as
leis de trânsito.
Além do mais, se você bater o Volvo e transformá -lo numa sanfona,
provavelmente você
vai se levantar e sair dele”.
“Provavelmente” eu repeti, e então eu ri sem humor. Sim, nós iríamos
pagar um preço um
pou co diferente em um acidente de carro. Ela estava certa em estar com
medo, a respeito do
meu modo de dirigir… “Mas você não”.
Com um suspiro, eu deixei o carro diminuir de velocidade. “Fe liz?”
Ela olhava o velocímetro “Quase”.
Isso ainda estava muito rápido para ela? “Eu odeio dirigir devagar”, eu
murmurei, mas
deixei o ponteiro cair mais um pouco.
“I sso é devagar?” ela perguntou.
“Chega de comentários sobre como eu dirijo” eu disse impaci entemente.
Quantas vezes até
agora ela desviou da minha pergunta? Três vezes? Quatro? A s suas
especulações eram tão
horríveis? Eu tinha que saber - imediatamente. “Eu ainda estou esperando
pela sua última
teoria”.
Ela mordeu o seu lábio de novo, e sua expr essão se tornou preocupada,
quase com dor.
Eu dominei a minha impaciência e suavizei a minha voz. Eu não queria
que ela ficasse
estressada.
“Eu não vou rir” eu prometi, desejando que esse fosse o único obstáculo
que a estivesse
hesitando em falar.
“Eu estou com mais medo que você fique com raiva de mim” ela su spirou.
Eu forcei a minha voz para continuar “É assim tão ruim?”
“Em grande parte, sim.”
Ela olhou para baixo, se recusando a olhar em meus olhos. Os segundos
passavam.
“Vá em frente” eu encorajei.
Su a voz era baixa “Eu não sei como começar”.
“Por que você não começa pelo começo?” eu a lembrei de suas palavras
antes do jantar.
“Você disse que não foi você quem criou essa teoria”.
“Não” ela concordou, e então estava em silêncio de novo.
Eu pensei em várias coisas que podiam tê-la inspirado. “Onde você a
encontrou - num
livro? Um filme?”
Eu devia ter dado uma olhada em sua coleção quando ela estava fora da
casa. Eu não tinha
nem idéia se Bram Stoker ou Anne Rice estavam naquela pilha de livros
usados…
“Não” ela disse de novo “Foi Sábado, na praia”.
Por essa eu não esperava. A bisbilhotice local sobre nós nunca tinha dado
em nada tão
bizarro - ou tão preciso. Tinha algum novo rumor que eu tinha perdido?
Bella desviou o
olhar de suas mãos e viu a surpresa em meu rosto.
“Eu dei de cara com um amigo antigo da família - Jacob Black” ela
continuou “O pai dele e
Charlie são amigos desde que eu era bebê.”
Jacob Black - o nome não me era familiar, e mesmo assim me lembrava de
alguma coisa…
algum tempo, há um tempo at rás… eu encarei o pára-brisa, procurando
através das
memórias tentando achar alguma conexão.
“O pai dele é um dos anciões Quileute” ela disse.
Jacob Black. Ephraim Black. Um descendente, sem dúvida.
Isso era tão mal quanto eu podia imaginar.
Ela sabia da verdade.
Minha mente estava voando pelas ramificações enquanto o carro passava
ao redor das
curvas escuras da estrada, meu corpo rígido, com angústia - se
movimentando apenas o
necessário e automáticas ações para dirigir o carro.
Mas… se ela tinha descobert o a verdade no sábado… então ela sabia disso
a noite toda… e
ainda assim…
“Nós fomos dar uma volta” ela continuou. “ - Ele estava me contando umas
histórias antigas
- tentando me assustar, eu acho. Ele me contou uma…”
Ela parou, mas não havia necessidade pa ra ela ficar apreensiva agora; eu
sabia o que ela ia
dizer. O único mistério que sobrava era por que ela estava sentada comigo
agora.
“Vá em frente”, eu disse.
“Sobre vampiros” ela respirou, as palavras saíram mais baixas do que um
suspiro.
De alguma forma, isso era ainda pior do que saber que ela sabia, a ouvir
dizer a palavra em
alto e bom som. Eu recuei com o som disso, e então eu me controlei
novamente.
“E você imediatamente pensou em mim?” eu perguntei.
“Não. Ele… mencionou sua família”.
Quão irônico seria que o próprio progenitor de Ephraim ter violado o trato
que ele próprio
fez um juramento para mantê-lo. Um neto, ou bisneto que seja. Quantos
anos tinham se
passado? Dezessete?
Eu devia ter percebido que não era aquele velho que acreditava nas lendas
que seria o
perigo. É claro, a nova geração - os quais deviam ter sido alertados, mas
devem ter pensado
que as superstições dos mais velhos eram ridículas - é claro que aí que
estaria o perigo da
exposição.
Eu supus que isso significava que agora eu era li vre para matar a
pequena, indefesa tribo do
litoral, a qual eu estava tão disposto.
“Ele só achava que era uma superstição boba.” Bella disse de repente, sua
voz aguçou com
uma nova ansiedade. “Ele não esperava que eu pensasse nada dela.”
Pelo canto dos olhos, eu vi as suas mãos se contorcerem inquietamente.
“Foi minha culpa” ela disse após uma breve pausa, então ela inclinou a
sua cabeça como se
estivesse envergonhada “Eu forcei ele a me dizer.”
“Por que?” Não era difícil manter o nível de minha voz agora. O pior já
tinha passado.
Enquanto ela falava dos detalhes da revelação, nós não tínhamos que nos
mover para as
conseqüências disso.
“Lauren disse u ma coisa sobre você - ela estava tentando me provocar.”
Ela fez uma
pequena careta com a memória. Eu fiquei levemente distraído, imaginando
como que Bella
poderia ter sido provocada por alguém falando sobre mim. “E um garoto
mais velho da
tribo disse que vocês não iam até lá, só que pra mim pareceu que ele quis
dizer ou tra coisa.
Então eu fiquei sozinha com Jaco b e tirei a verdade dele”.
A sua cabeça caia cada vez mais à medida que ela admitia isso, e a sua
expressão parecia…
culpada.
Eu olhei para longe dela e ri alto. Ela se sentia culpada? O que ela poderia
ter feito para
merecer qualquer tipo de censura?
“Como foi que você forçou ele a contar?” eu perguntei.
“Eu tentei flertar com ele - e funcionou melhor do que eu imaginava” ela
explicou e sua
voz se tornou incrédula com a memória desse sucesso.
Eu conseguia imaginar - considerando a atração que ela parecia exercer
sobre os machos,
totalmente inconsciente disso - o quanto irresistível ela conseguia ser
quando ela tentava
ser atraente. Eu estava subitamente cheio de pena pelo garoto inocente no
qual ela jogou
tamanho poder.
“Eu queria ter visto isso” eu disse, e então eu ri de novo com humor negro.
Eu gostaria de
ter ouvido a reação do garoto, testemunhado a devastação para mim
mesmo. “E você me
acusando de deslumbrar as pessoas - pobre Jacob Black.”
Eu não estava tão zangado com a fonte de minha exposição quan to eu
achava que ia ficar.
Ele não sabia. E como que eu podia esperar que alguém negasse a essa
garota o que quer
que ela quisesse? Não, eu somente sentia simpatia pelo dano que ela teria
causado a esse
pedaço de mente.
Eu senti-a corar, aquecendo o ar ent re nós. Eu a encarei, mas ela estava
olhando para fora
da janela. Ela não falou novamente.
“O que você fez depois?” Eu perguntei. Hora de voltar para a história de
terror.
“Pesquisei um pouco na internet.”
Sempre prática. “E isso a convenceu?”
“Não” Ela disse. “Nada se encaixa. A maioria era meio boba. E então…”
Ela parou de falar novamente, e eu ouvi seus dentes rangerem.
“O quê?” Eu exigi. O que ela tinha encontrado? O que tinha feito o
sentimento de pesadelo
para ela?
Houve uma breve pausa, e em seguida, ela sussurrou, “Concluí que não
importava.”
Ela congelou meus pensamentos por quase um segundo, e depois tudo
estava claro. Porque
ela preferia despachar seus amigos para longe esta noite do que escapar
com eles. Por que
ela havia entrado no meu carro comigo novamente, ao invés de sair
correndo, chamando a
polícia.
Su as reações sempre estavam erradas - sempre completamente erradas…
Ela puxava o
perigo para si própria. Ela convidava -o.
“Não importava?” Eu disse entre dentes, me enchendo de raiva. Como eu
er a capaz de
proteger alguém tão… tão… tão determinada a ser desprotegida?
“Não,” ela disse com uma voz tão calma que era inexplicável.
Ela era impossível.
“Você não liga que eu seja um monstro? Que eu não seja humano?”
“Não.”
Eu percebi que ela estava estável.
Eu supostamente deveria providenciar que ela tivesse o maior cuidado
possível… Carlisle
teria as conexões para encontrar o seu médico mais hábil, o mais talentoso
terapeuta.
Talvez algo pudesse ser feito para corrigir o que estivesse de errado com
ela, o que quer
que fosse que a fazia contente de sentar ao lado de um vampiro que fazia
seu coração bater
calmamente e constantemente. Eu vigiaria o local naturalmente, e visitaria
com a
freqüência que me fosse permitida…
“Você está com raiva,” ela suspirou, “Eu não devia ter dito nada.”
Como se ela escondesse essas perturbantes tendências que podiam
contribuir com nós dois.
“Não. Queria mesmo saber o que você estava pensando… mesmo que o que
você pensa
seja loucura.”
“Então estou errada de novo?” perguntou el a, agora um pouco beligerante.
“Não é a isso que estou me referindo” meus dentes se trincaram
novamente “Não importa!”
Eu repeti em um tom destruidor.
Ela ofegou, “Eu estou certa?”
“I sso importa?”
Ela tomou uma respiração profunda. Esperei furioso a sua re sposta.
“Na verdade, não…” Ela parou, recompondo sua voz de novo. “Mas estou
curiosa.”
Não mesmo. Ela realmente não se importava. Ela não tinha cuidado. Ela
sabia que eu era
desumano, um monstro, e isso realmente não importava para ela.
Independente das minhas preocupações sobre sua sanidade, eu comecei a
sentir um pouco
de esperança. Eu tentei acabar com isso.
“Está curiosa com o quê?” Eu perguntei. Não havia segredos, apenas
detalhes.
“Quantos anos você tem?” Ela perguntou.
Minha resposta foi automática e impregnada. “Dezessete.”
“E há quanto tempo tem 17 anos?”
Eu tentei não sorrir para padronizar o tom. “Há algum tempo,” eu admiti.
“Tudo bem,” ela disse satisfeita. Sorrindo para mim. Eu voltei a encarar,
cada vez mais
preocupado com sua saúde mental. Ela deu um sorriso mais largo. Eu
franzi a testa.
“Não ria,” ela alertou “Mas como pode sair durante o dia?”
Eu ri apesar de sua pergunta. Sua investigação não tinha nada incomum,
pelo menos
parecia. “Mito,” eu disse a ela.
“Queimado pelo sol?”
“Mito.”
“Dormir em caixões?”
“Mito.”
Dormir já não era parte da minha vida há muito tempo - até que nas
últimas noites, eu
assisti Bella dormindo…
“Não posso dormir.” Eu murmurei respondendo a sua pergunta mais
difícil.
“Nunca?”
“Nunca,” eu su ssurrei.
Eu encarei seus olhos, sob a espessa franja de cílios, e senti saudades de
dormir. Não foi
pelo inconsciente, como tinha antes, para não fugir do tédio, mas porque
eu queria sonhar.
Talvez se eu pudesse ficar inconsciente, se eu pudesse sonhar, eu pudesse
viver por
algumas horas em um mundo que ela vivia, junto com ela. Ela sonhava
comigo. Eu queria
sonhar com ela.
Ela olhou para mim, sua expressão era mais que maravilhosa. Eu tinha a
aparência distante.
Eu não podia sonhar com ela. Ela não deveria poder sonhar comigo.
“Ainda não me fez a pergunta mais importante,” Eu disse, meus olhos
estavam mais frios e
rudes do que antes. Ela teve de forçar para compreender. Em algum
momento, ela teria de
perceber o que agora eu estava fazendo. Ela devia ser obrigada a ver que
isso era tu do o que
importava - mais que qualquer outra consideração. Considerações como o
fato que eu
amava ela.
“Qual?” Ela perguntou, surpresa e não entendendo.
Isso só fez minha voz ficar rude. “Não está preocupada com a minha
dieta?”
“Ah, isso.” Ela falou em um tom calmo que eu não pude interpretar.
“É, isso. Quer saber se eu bebo sangu e?”
Ela encolheu com medo por minha pergunta. Finalmente. Ela entendeu.
“Bom, o Jacob disse alguma coisa sobre isso.” Ela disse.
“O que o Jacob disse?”
“Disse que vocês não… caçam pessoas. Disse que sua família não devia ser
perigosa
porque vocês só caçavam animais.”
“Ele disse que não éramos perigosos?” Eu disse ceticamente.
“Não exatamente,” ela deixou claro. “Ele disse que vocês não deviam ser
perigosos. Mas os
quileutes ainda não querem vocês na terra deles, por segurança.”
Eu olhei para a estrada.
Meu s pensamentos perdidos fizeram meus dentes rangerem. Minha
garganta doeu com um
familiar desejo queimante.
“E aí?” Ela perguntou, como se ela se confirmar um relatório meteorológico
. “Ele tem
razão sobre não caçar pessoas?”
“Os quileute tem boa memória,”
Ela balançou a cabeça consigo mesma, pensando duramente.
“Mas não permita que isso a deixe complacente,” Eu disse apertando. “Eles
tem razão em
manter a distância de nós. Ainda somos perigosos.”
“Não entendi.”
“Nós tentamos,” eu contei, “Em geral somos muito bons no que fazemos.
Às vezes
cometemos erros. Eu, por exemplo, me permitindo ficar sozinho com você.”
“I sso é um erro?” Ela perguntou, e eu senti a tristeza em sua voz. O som
me desarmou. Ela
queria ser minha - apesar de tudo, ela queria estar comigo. A esperança
cresceu de novo, e
eu vibrei novamente.
“Um erro muito perigoso,” eu disse com sinceridade, esperando realmente
que o assunto se
cessasse.
Ela não respondeu por um moment o. Ouvi sua respiração mudar - se
alterando
estranhamente para um modo que não soava como medo.
“Me conte mais,” ela disse de repente, sua voz estava distorcida pela
angú stia.
Ela me examinou cuidadosamente.
“O que mais quer saber?” eu perguntei, tentando pensar numa maneira de
respondê-la sem
fazer doer. Ela não devia sentir dor. Eu não podia feri -la.
“Me conte porque que vocês caçam animais em vez de gente,” ela disse,
ainda angustiada.
Isso não era evidente? Ou talvez isso não tenha interessado a ela.
“Eu não quero ser u m monstro,” eu murmurei.
“Mas os animais não bastam?”
Eu procurei outro modo de comparar, da forma que ela pudesse entender.
“É claro que eu
não posso ter certeza, mas comparo isso a viver de tofu e leite de soja; nós
nos dizemos
vegetarianos, nossa piadinha particular. Não sacia completamente a
fome… ou melhor, a
sede. Mas isso nos mantém fortes o suficiente para resistir. Na maior parte
do tempo.” A
minha voz ficou mais baixa; fiquei envergonhado do perigo que ela corria.
Perigo que eu
continuava deixando correr… “Algumas vezes é mais difícil do que em
outras.”
“Está muito difícil para você agora?”
Eu suspirei. É claro que ela ia fazer essa pergunta, eu não queria
responder. “Sim,” Eu
admiti.
Eu esperava sua resposta fisicamente correta, d esta vez; a sua respiração
estava estável, seu
coração ainda se mantinha em seu padrão. Eu a esperava, não
entendendo. Como ela não
podia ter medo?
“Mas agora não está com fome,” ela disse, muito segura de si.
“Porque pensa assim?”
“Seus olhos” Ela disse com um tom improvisado. “Eu disse que tinha uma
teoria. Percebi
que as pessoas, em particular os homens, ficam mais rabugentos quando
estão com fome.”
Eu ri de sua descrição: rabugento. Parei um pouco. Mas ela estava
completamente certa,
como de costume. “Você é bem observadora, não é?” Eu sorri novamente.
Ela sorriu um pouco, e voltou os olhos aos meus, como se estivesse se
concentrando em
algo.
“Foi caçar no fim de semana, com Emmett?”
Ela perguntou depois de rir do meu sorriso que havia sumido. A forma ca
sual que ela falou
foi tão como fascinante como frustrante. Ela podia realmente entender
tanto? Eu parecia
tanto estar em choque, que ela pareceu ter percebido.
“Fui,” eu tornei a dizer, depois, como estava com permissão de continuar
com isso, eu senti
a mesma urgência que senti antes no restaurante: eu queria que ela me
conhecesse. “Eu não
queria ir,” fui dizendo lentamente, “mas era necessário. É muito mais fácil
ficar perto de
você quando não estou com sede.”
“Por que você não queria ir?”
Eu respirei profundamente, e em seguida, eu tornei a encarar seus olhos.
Este tipo de
honestidade era difícil, de uma forma muito diferente. “Me deixa…
angu stiado..” Eu supus
que essa palavra fosse suficiente, embora ela não fosse suficientemente
forte. “Ficar longe
de você. Eu não estava brincando quando lhe pedi para tentar não cair no
mar nem ser
atropelada na quinta passada. Fiquei disperso o fim de semana todo,
preocupado com você.
E depois do que aconteceu essa noite, é uma su rpresa que você tenha
passado por todo o
fim de semana ilesa.” Então eu lembrei dos arranhões na palma de suas
mãos. “Bom, não
totalmente ilesa.”
“Como é?”
“Suas mãos,” eu lembrei ela.
Ela suspirou e fez uma careta. “Eu caí.”
Eu certamente adivinhei. “Foi o que eu pensei.” Eu disse, incapaz de c
onter o meu sorriso.
“I magino que, sendo você, podia ter sido muito pior… Essa possibilidade
me atormentou o
tempo todo em que estive fora. Foram três dias muito longos. Eu dei nos
nervos de
Emmett.”
Honestamente; isso não fazia parte do passado. Eu ainda estava
provavelmente, irritando
Emmett. E todo o resto da minha família também. Exceto por Alice…
“Três dias?” Sua voz ficou afiada repentinamente. “Não voltou hoje?”
Eu não entendi o corte em sua voz. “Não, voltamos no sábado.”
“Então por que nenhum de vo cês foi à escola?” ela exigiu. Sua irritação
me confundiu. Ela
não parecia ter percebido que era uma questão relacionada com a
mitologia novamente.
“Bom, você perguntou se o sol me machucava, e não machuca.” Eu disse.
“Mas não posso
sair na luz do sol… Pelo menos, não onde todo mundo possa ver.”
Ela se desviou do seu mistério incomodo. “E por quê?” ela inclinou a
cabeça para o lado.
Eu tinha dúvidas com a analogia apropriada para explicar isso. Então eu
contei a ela, “Um
dia eu mostro,” E então eu me pergun tei se essa era uma promessa que
eu acabaria
quebrando. Eu iria vê-la depois desta noite? Eu a amava o suficiente para
mantê -la longe?
“Podia ter me ligado,” ela disse.
Que estranha conclusão, “Mas eu sabia que estava segura.”
“Mas eu não sabia onde você e stava. Eu…” Ela interrompeu de uma
maneira repentina, e
olhou para suas mãos.
“O quê?”
“Não gosto disso,” ela disse com timidez, com sua pele corando ao longo de
suas maçãs.
“Não ver você. Me deixa angustiada também.”
“Você está feliz agora?” eu disse a mim mesmo. Bem, aquilo foi a
recompensa que eu
estava esperando.
Eu estava perplexo, feliz, horrorizado, principalmente horrorizado - para
perceber que
minha louca imaginação não estava longe de notar. Foi por esta razão que
não importava eu
ser um m onstro. Foi exatamente a mesma razão que fazia as regras não
importarem para
mim. Porque o certo e o errado já não eram incontornáveis influências.
Porque todas as
minhas prioridades tinham deslocado um degrau para baixo para dar
espaço a esta menina
na parte superior.
Bella se importava comigo, também.
Eu sabia que poderia não ser nada, comparado com a forma que ela me
amava. Mas era
suficiente para que ela arriscasse sua vida ao se sentar aqui comigo. Para
fazer isso com
prazer.
O suficiente para causar dor, se e la fizesse a coisa certa e me deixasse.
Havia algu ma coisa que pudesse fazer agora que não fosse prejudicá -la?
Absolutamente
nada? Eu devia permanecer afastado. Eu nunca devia ter voltado a Forks.
Só iria lhe
provocar dor, mais nada.
A forma como me senti no momento, senti seu calor contra minha pele.
Não. Nada iria me parar.
“Ah,” eu gemi comigo mesmo. “Isso é um erro.”
“O que eu disse?” ela perguntou, rapidamente se culpando.
“Não vê, Bella? Uma coisa é eu mesmo ficar infeliz, outra bem diferente é
você s e envolver
tanto. Não quero ouvir que você se sente assim.” Era a verdade, era uma
mentira.Mas o
egoísmo dentro de mim estava voando com o conhecimento de que ela
queria o que eu
queria qu e ela quisesse. “Está errado. Não é seguro. Eu sou perigoso,
Bella… Por favor,
entenda isso.”
“Não,” seus lábios estavam com uma pontada de petulância.
“Estou falando sério,”
Eu estava lutando comigo mesmo tão fortemente - meio desesperado para
ela aceitar, meio
desesperado para manter as advertências de fugir - que vinham entre
dentes, comigo quase
rugindo.
“Eu também,” ela insistiu, “Eu disse, não importa o que você seja. É tarde
demais.”
Muito tarde? O mundo era desoladamente preto e branco para um
interminável segundo, eu
assisti as sombras se espalhando sobre todo gramado ensolarado em
direção a forma de
Bella dormindo na minha memória. Inevitável, impossível de parar. Eles
roubavam a cor de
sua pele, e ela mergulhava nas trevas.
Muito tarde? A visão de Alice fez minha cabeça girar, os olhos vermelhos
do sangue de
Bella me fizeram a fitar os olhos impassível. Inexpressivo - mas não havia
nenhuma
maneira que ela não pudesse me odiar por esse futuro. Me odiar por
roubar tudo dela.
Roubando sua vida e sua alma.
Eu não podia deixar ser tão tarde.
“Nunca mais diga isso,” eu a ssobiei.
Ela desviei o olhar para o lado de fora da janela, e mordeu os lábios
novamente. Suas mãos
estavam apertadas sobre seu colo. Sua respiração se amarrou, e quebrou.
“No que está pensando?” eu tinha que saber.
Ela sacudiu a cabeça, sem olhar para mim. Eu vi uma coisa brilhar, como
um cristal, em
sua bochecha.
Agonia. “Está chorando?” Eu havia feito ela chorar. Eu não gostei de tê -la
ferido.
Ela esfregou as mãos sobre seu rosto.
“Não,” ela mentiu, sua voz estava falha.
Algum instinto enterrado me fez e stender a mão para pegar ela - naquele
pequeno segundo
eu me senti mais humano que nunca. E então eu me lembrei que eu… Não
era. E então eu
abaixei minha mão.
“Desculpe,” Eu disse, minha mandíbula trancada. Como eu poderia dizer a
ela o quanto eu
estava arrependido? Arrependido por todos os estúpidos erros que eu tinha
cometido.
Arrependido pelo meu egoísmo sem fim. Arrependido por ela ter inspirado
em mim o meu
primeiro e trágico amor. Arrependido também das coisas além do meu
controle - que eu
podia ser o monstro escolhido pelo destino para acabar com a vida dela em
primeiro lugar.
Eu respirei fundo - ignorando a minha reação triste ao sabor no carro - e
tentei me
recompor.
Eu tentei mudar de assunto, pensar em outra coisa. Para a minha sorte, a
minha curi osidade
sobre essa garota continuava instável. Eu sempre tinha uma pergunta.
“Me diga alguma coisa,” eu disse.
“Sim?” ela perguntou roucamente, as lágrimas ainda estava em sua voz.
“O que você estava pensando hoje à noite, um pouco antes de eu aparecer
na esquina? Eu
não consegui entender sua expressão - você não parecia assustada, você
parecia
concentrada muito concentrada em alguma coisa.” Eu lembrei do rosto
dela - forçando eu
mesmo a esquecer aqueles olhos pelos quais eu estava olhando - o olhar
de determinação lá.
“Tentava me lembrar de como incapacitar um agressor…” ela disse, sua
voz um pouco
mais composta. “Sabe como é, defesa pessoal . Eu ia esmagar o nariz dele
no cérebro.”
A sua calma não durou ao fim da sua explicação. O seu tom torceu -se até
que ele fervesse
em ódio.
Isso não foi nenhuma hipérbole, e sua fúria de gatinha agora não era
engraçada.
Eu podia ver sua frágil figura - apenas seda por cima do vidro - ofuscada
pelo desejo
pesado da carne - cruel dos monstros humanos que poderiam ter machu
cado ela. A fúria
explodiu de novo em minha cabeça.
“Você ia lutar com eles?” eu queria urrar. Seus instintos eram mortais
para ela mesmo.
“Não pensou em correr?”
“Eu caio muito quando corro,” ela disse com vergonha.
“E gritar por ajuda?”
“Eu ia chegar nesta parte.”
Eu balancei minha cabeça desacreditado. Como ela conseguiu se manter
viva antes de vir
para Forks?
“Você tem razão,” eu disse a ela, avancei com minha voz irritada.
“Definitivamente estou lutando contra o destino tentando manter você
viva.”
Ela suspirou, e olhou para fora da janela. E então ela olhou de volta para
mim.
“Vou ver você amanhã?” ela exigiu abruptamente.
Desde de que eu já estava no meu caminho para o inferno - eu poderia
aproveitar a jornada.
“Vai… também tenho que entregar um trabal ho.” Eu sorri para ela, e me
senti bem com
isso. “Vou guardar u m lugar pra você no refeitório.”
Eu ouvi o coração dela palpitar; meu coração morto repentinamente se
sentiu aquecido.
Eu parei o carro em frente à casa do pai dela. Ela não fez nenhum
moviment o para me
deixar.
“Promete estar lá amanhã?” ela insistiu.
“Prometo.”
Como fazer a coisa errada podia me dar tanta alegria? Claro que havia algo
de explícito
nisso.
Ela acenou com a cabeça para ela mesma, satisfeita, e começou a tirar
minha jaqueta.
“Você pode ficar com ele” eu assegurei rapidamente para ela. Eu queria
muito deixá -la com
algo meu. Um símbolo, como a tampa de garrafa que estava em meu bolso
agora… “Você
não tem um para usar amanhã.”
Ela estendeu-o para mim, sorrindo tristemente. “Eu não quer o ter que
explicar ao Charlie”.
Eu imaginava que não. Eu sorri para ela. “Oh, tudo bem”.
Ela colocou a mão na maçaneta do carro e então parou. Relutante em ir
embora, assim
como eu estava relutante por ela ir.
Por tê-la sem proteção, mesmo que por alguns momentos…
Peter e Charlotte estavam indo por seus caminhos agora, em direção a
Seatlle, sem dúvida.
Mas há sempre outro. Esse mundo não era um lugar seguro para nenhum
hu mano, e para
ela parecia ainda mais perigoso do que para o resto.
“Bella?” eu chamei, surpreso com o prazer de simplesmente dizer o seu
nome.
“Sim?”
“Me promete uma coisa?”
“Sim” ela concordou facilmente, então seus olhos se estreitaram como se
ela tivesse
encontrado uma razão para se opor.
“Não vá à floresta sozinha”. Eu a avisei, imaginand o se esse pedido seria a
razão da
objeção em seus olhos.
Ela piscou, surpresa. “Por quê?”
Eu olhei fixamente em direção à escuridão nem u m pouco confiável. A
carência de luz não
era problema para os meus olhos, mas também não seria problema pra
qualquer ou tro
caçador. Ela somente cegava os humanos.
“Nem sempre eu sou a coisa mais perigosa lá fora.” Eu disse a ela “Vamos
ficar aqui”.
Ela se arrepiou, mas se recompôs rapidamente e estava sorrindo qu ando
me disse “Como
você quiser”.
Su a respiração tocou o meu rosto, tão doce e perfumada.
Eu podia ficar aqui a noite toda desse jeito, mas ela precisava dormir. Os
dois desejos
pareciam igualmente fortes enquanto eles continuavam batalhando dentro
de mim: querer
ela versus querer que ela ficasse a salvo.
Eu suspirei sobre as duas possibilidades. “Até amanhã”, eu disse, sabendo
que eu iria vê -la
muito mais cedo que isso. Ela não iria ME ver até amanhã, no entanto.
“Até amanhã, então” ela concordou enquanto abria a porta.
Aflição novamente, a vendo partir.
Eu me inclinei atrás dela, querendo segurá-la aqui. “Bella?”
Ela se virou e então congelou, surpresa por ver nossos rostos tão perto.
Eu, também, estava estupefato pela proximidade. O calor que emanava
dela acariciava meu
rosto. Eu conseguia até sentir o toque de vel udo de sua pele…
As batidas de seu coração hesitaram, e seus lábios cheios se abriram.
“Durma bem” eu suspirei e me afastei antes que a urgência de meu corpo -
ou a sede
familiar ou esse novo desejo humano que eu senti de repente - me fizesse
fazer algo que
pudesse machucá-la.
Ela permaneceu sentada sem se movimentar por alguns momentos, seus
olhos arregalados e
atordoados. Deslum brada, eu pensei.
Assim como eu estava.
Ela se recuperou - apesar de seu rosto ainda estar um pouco confuso - e
saiu estranhamente
do carro, com passos curtos e tendo que se segurar nas laterais do carro
para se endireitar.
Eu ri - na esperança que tenha sido baixo o suficiente para ela não ouvir.
Eu a vi tropeçando pelo caminho até a parte iluminada que vinha da porta
da frente. Se gura
por enquanto. E eu voltaria em breve para ter certeza.
Eu podia sentir seus olhos me acompanhando enquanto eu dirigia pela
rua escura. Uma
sensação tão diferente do que eu estava acostumado. Normalmente, eu
simplesmente me
veria através dos olhos da pessoa, onde eu estaria na mente. Isso era
estranhamente
excitante - essa sensação incompreensível de estar sendo vigiado. Eu sabia
que isso era
somente por serem seus olhos.
Um milhão de pensamentos passou ferozmente um atrás do outro pela
minha cabeça
enquanto eu dirigia sem rumo pela noite.
Por um bom tempo eu circulei pelas ruas, indo para lugar algum,
pensando em Bella e na
libertação de ter a verdade descoberta. Não mais eu teria que ter medo de
ela descobrir o
que eu era. Ela sabia. E não importava pa ra ela. Mesmo que fosse
obviamente uma coisa
ruim para ela, era impressionantemente libertador para mim.
Mais que isso, eu pensava em Bella e no amor compensatório. Ela não
podia me amar da
forma como eu a amava - de um jeito tão poderoso, extremamente int
enso, consumir esse
amor iria provavelmente quebrar o seu corpo frágil. Mas ela se sentia forte
o suficiente. O
suficiente para subjugar o medo instintivo. O suficiente para querer estar
perto de mim. E
estar com ela era a maior felicidade que eu podia con hecer.
Por um tempo - eu estive totalmente sozinho e não machucando ninguém
de qualquer
forma - eu me permiti sentir aquela felicidade sem resultar em tragédia.
Somente sendo
feliz por ela se importar comigo. Somente me regozijando por ter ganhado a
sua af eição.
Somente imaginando dia após dia sentado ao seu lado, ouvindo sua voz e
recebendo seus
sorrisos.
Eu re-vi aquele sorriso em minha cabeça, observando seus lábios cheios se
erguerem nos
cantos, um sinal de uma covinha que se mostrava na ponta de seu qu
eixo, o modo como
seus olhos se aqueciam e derretiam… Seus dedos tinham um toque tão
quente e delicado
em minha mão essa noite. Eu imaginava em como devia ser tocar a sua
delicada pele que se
esticava por cima de suas bochechas - sedoso, quente… tão frágil . Seda
por cima de
vidro… espantosamente quebrável.
Eu não podia ver para onde os pensamentos estavam indo até que fosse
muito tarde.
Enquanto eu discorria sobre aquela vulnerabilidade devastadora, novas
imagens de seu
rosto se introduziram em minhas fanta sias.
Perdida nas sombras, pálida de medo - ainda assim sua mandíbula firme e
determinada,
seus olhos ferozes, cheios de concentração, o seu corpo delgado fixado em
bater nas formas
pesadas que se reuniram em volta dela, pesadelos na escuridão…
“Ah,” eu rosnei enquanto a raiva crescente que eu havia esquecido na
alegria de amá -la
queimava novamente como um inferno de ódio.
Eu estava sozinho. Bella estava, eu acreditava, salva em sua casa; por um
momento eu
estava ferozmente feliz que Charlie Swan - o braço forte da lei local,
treinado e armado -
fosse seu pai. Isso devia significar alguma coisa, como providenciar
alguma proteção a ela.
Ela estava segura. Não me levaria muito tempo para eu me vingar daquele
ultraje…
Não. Ela merecia coisa melhor. Eu não podia me permitir que ela se
importasse com um
assassino.
Mas… e quanto às outras?
Bella estava segura, sim. Angela e Jessica também com certeza, seguras
em suas camas.
Ainda assim tinha um monstro solto pelas ruas de Port Angeles. Um
monstro humano - isto
faria dele um problema dos humanos? Cometer o crime pelo qual ansiava
era errado.
Eu sabia disso. Mas deixá-lo livre para atacar de novo também não podia
ser a coisa certa.
A maitre loira do restaurante. A garçonete que eu não tinha prestado
atenção. As duas m e
irritaram de jeitos insignificantes, mas isso não significava que mereciam
ficar em perigo.
Uma das duas podia ser a Bella de alguém.
Essa realização me decidiu.
Virei o carro para o norte, acelerando agora que tinha um propósito.
Sempre que eu tinha
um problema além de mim - algo tangível como isso - sabia onde podia
procurar ajuda.
Alice estava sentada na entrada, esperando por mim. Parei em frente à
casa ao invés de ir
até a garagem.
- “Carlisle está no escritório.” - ela me disse antes que pudesse per guntar.
- “Obrigado.” - eu disse, bagunçando seu cabelo quando passei.
Obrigada por voltar minha ligação , ela pensou sarcasticamente.
- “Ah.” - eu parei à porta, pegando meu celular e o abrindo. - “Desculpe.
Eu nem chequei
para ver quem era. Estava ocupado .”
- “É, eu sei. Desculpe também. A hora que eu vi o que ia acontecer, você já
estava indo.”
- “Foi por pou co.” - eu murmurei.
Desculpe, ela repetiu, envergonhada.
Era fácil ser generoso, sabendo que Bella estava bem. - Não fique assim.
Eu sei que você
não pode ver tudo. Ninguém espera que seja onisciente.
- “Obrigada.”
- “Eu quase a chamei para jantar hoje - viu isso antes que eu mudasse de
idéia?”
Ela sorriu. - “Não, perdi essa também. Queria ter sabido. Teria ido.”
- “Em que você esteve se concentrando, para ter perdido tanta coisa?”
Jasper está pensando no nosso aniversário. Ela riu. Ele está tentando não
decidir meu
presente, mas acho que tenho uma boa idéia…
- “Você é descarada.”
- “Sim.”
Ela franziu os lábios, e olhou para mim, um sinal de acusação em sua
expressão. Prestei
mais atenção depois. Vai contar a eles que ela sabe?
Eu suspirei. - “Sim. Depois.”
Não vou dizer nada então. Me f aça um favor e conte a Rosalie quando eu
não estiver por
perto, está bem?
Eu encolhi. - “Claro.”
Bella levou a coisa toda muito bem.
- “Bem demais.”
Alice sorriu para mim. Não subestime a Bella.
Eu tentei bloquear a imagem que não queria ver - Bella e Alice, melhores
amigas.
Impaciente agora, eu suspirei pesadamente. Queria passar para essa
próxima parte da noite;
queria terminar com ela. Mas estava um pouco preocupado em deixar
Forks…
- “Alice…” - eu comecei. Ela viu o que eu queria perguntar.
Ela ficará bem hoje à noite. Vou prestar mais atenção agora. Ela meio que
precisa de
supervisão vinte e quatro horas por dia, não é ?
- “Pelo menos.”
- “De qualquer jeito, você estará com ela rápido.”
Respirei fundo. Essas palavras eram lindas para mim.
- “Vai lá - termine com isto para que possa estar onde quer.” - ela me
disse.
Eu concordei, e me apressei para o quarto de Carlisle.
Ele estava esperando por mim, seus olhos na porta em vez de no livro
grosso que estava em
sua mesa.
- “Ouvi Alice dizendo onde me encontrar.” - ele disse, e sorriu.
Foi um alívio estar com ele, ver a empatia e inteligência profunda em seus
olhos. Carlisle
saberia o que fazer.
- “Preciso de ajuda.”
- “Qualquer coisa, Edward.” - ele prometeu.
- “Alice lhe disse o que aconteceu a Bella hoje à noite?”
Quase aconteceu, ele acrescentou.
- “Sim, quase. Estou com um dilema, Carlisle. Veja eu quero… muito…
matá -lo. - As
palavras começaram a surgir rápidas e cheias de ódio. - Muito mesmo.
Mas sei que isso
seria errado, porque seria vingança e não justiça. Só raiva, sem
imparcialidade. Mesmo
assim, não seria certo deixar um estuprador e assassino em série vagar
por Port Angeles!
Não conheço os humanos por lá, mas não posso deixar que outra pessoa
pegue o lugar de
Bella como vítima dele. Aquelas outras mulheres - alguém pode sentir por
elas o que eu
sinto pela Bella. Talvez sofra o que eu teria sofrido se ela tivesse sido
machucada. Não é
certo…”
Seu sorriso largo e inesperado parou meu afluxo que palavras.
Ela é muito boa para você, não é? Tanta compaixão, tanto controle. Estou
impressionado.
- “Não estou querendo ouvir elogios.”
- “Claro que não. Mas não posso evitar meu s pensamentos, posso?” - Ele
sorriu de novo. -
“Vou cuidar disso. Pode descansar em paz. Ninguém será machucado no
lugar de Bella.”
Vi o plano na cabeça dele. Não era exatamente o que eu queria, não
satisfez minha cobiça
de brutalidade, mas podia ver na me nte dele que era a coisa certa.
- “Vou mostrar onde você pode encontrá -lo.” - eu disse.
- “Vamos.”
Ele pegou sua maleta preta no caminho. Eu teria preferido uma forma
mais agressiva de
sedação - como um crânio partido - mas deixaria Carlisle fazer isso do jeito
dele.
Fomos com o meu carro. Alice ainda estava nas escadas da entrada. Ela
sorriu e acenou
quando nos afastamos. Eu vi que ela tinha procurado o meu futuro; não
teríamos
dificuldades.
A viagem foi curta pela estrada escura e vazia. Desliguei meus fa róis para
evitar chamar
atenção. Me fez sorrir pensar como Bella teria reagido a essa velocidade.
Carlisle estava pensando em Bella também.
Eu não previ que ela fosse ser tão boa para ele. Isso é inesperado. Talvez
fosse para
acontecer. Talvez seja um propósito divino. Só que…
Ele imaginou Bella com a pele fria e olhos vermelho - sangue, e se afastou
da imagem.
Sim. Só que. De fato. Porque que bem há em destruir uma coisa tão pura e
adorável?
Adentrei com fúria na noite, depois de toda a alegria do entardec er ser
destruída pelos seus
pensamentos.
Edward merece ser feliz. É um direito dele . A ferocidade dos pensamentos
de Carlisle me
surpreenderam. Tem que existir uma maneira.
Eu gostaria de acreditar nisso - ao menos um pouco. Mas não havia um
propósito maio r
para o que estava acontecendo com Bella. Apenas um destino amargo e
vicioso que não
podia dar a ela a vida que merecia.
Eu não me demorei em Port Angeles. Eu levei Carlisle ao local onde a
criatura chamada
Lonnie estava descontando sua decepção com seus amigos - dois dos quais
já haviam
passado. Carlisle pode ver o quão difícil era para mim estar tão perto - e
ouvir os
pensamentos do monstro e ver suas memórias, as memórias de Bella
misturadas com as de
garotas menos afortunadas que já não mais poderiam s er salvas.
Minha respiração acelerou e segurei firme no volante.
Vá, Edward, ele me disse gentilmente. Eu deixarei o restante deles em
segurança. Você
deve voltar para Bella.
Era exatamente a coisa certa a dizer. O nome dela era a única distração
que signi ficava algo
para mim agora.
Eu o deixei no carro e voltei correndo para Forks, em uma linha reta
através da floresta
adormecida. Levou menos tempo do que a primeira viagem de carro.
Apenas poucos
minutos depois eu escalei a parede da casa dela e deslizei a janela para
fora do meu
caminho.
Eu suspirei silenciosamente em alívio. Tudo estava como deveria. Bella
estava a salvo em
sua cama, sonhando, seus cabelos úmidos emaranhados como algas pelo
travesseiro.
Mas, diferente de outras noites, ela estava encolhid a com os cobertores
enrolados acima dos
seus ombros. Frio, eu imaginei. Antes que eu pudesse me acomodar em
meu acento usual,
ela teve calafrios em seu sono e seus lábios estremeceram.
Eu hesitei por um breve momento e então me movi para o corredor, explor
ando uma nova
parte da casa pela primeira vez.
O ronco de Charlie era alto e peculiar. Eu praticamente podia pegar a
margem do seu
sonho. Algo com água corrente e uma espera paciente… pescaria, talvez?
Lá, no alto da escadaria, havia um armário promissor. Eu a abri e
encontrei o que
procurava. Escolhi o cobertor mais grosso dentre as finas peças de linho e
o levei para o
quarto dela. Eu o guardaria de volta antes que ela acordasse, assim
ninguém se daria conta.
Segurando minha respiração, eu cuidadosamente abri o cobertor sobre ela;
sem que ela
reagisse ao peso adicional. Voltei então para a minha cadeira.
Enquanto eu esperava ansiosamente para que ela se aquecesse, eu pensei
em Carlisle,
imaginando onde ele estaria agora. Eu sabia que seu plano daria certo -
Alice havia previsto
isso.
Pensar no meu pai me fez suspirar - Carlisle me deu muito crédito. Eu
gostaria de ser a
pessoa que ele imaginava que eu fosse. A quela pessoa, merecedora de
felicidade, poderia
esperar ser merecedor desta garota adormecida. Como as coisas seriam
diferentes se eu
fosse aquele Edward.
Enquanto eu ponderava isto, uma imagem estranha e indesejada
preencheu minha mente.
Por um momento, a velha vidente que eu havia imaginado, a mesma que
previu a
destruição de Bella, foi trocada pelo m ais tolo e desajeitado dos anjos. Um
anjo da guarda -
algo que a minha versão imaginada por Carlisle poderia ter. Com um
sorriso despreocupado
nos seus lábios, seus olhos da cor do céu cheios de provocação, o anjo
formava Bella de tal
modo que seria impossível que eu não a notasse. Um odor incrivelmente
potente que exigia
minha atenção, uma mente silenciosa para inflamar minha curiosidade,
uma beleza calma
para prender meus olhos, uma alma altruísta para ganhar meu respeito.
Deixado de lado o
sentido natural de auto-preservação - assim Bella podia suportar o fato de
estar próxima a
mim - e finalmente adicionada um uma larga dose de má sorte.
Com uma gargalhada inconseqüente, o anjo irresponsável empurrou sua
frágil criação
diretamente para o meu caminho, con fiando descuidadamente na minha
moralidade
maculada para manter Bella viva.
Nesta visão, eu não era a condenação de Bella; ela era minha recompensa.
Eu balancei minha cabeça com a fantasia do anjo inimaginável. Ela não
era muito melhor
do que a harpia. Eu não poderia conceber um poder maior que agisse de
maneira tão
perigosa e estúpida. Pelo menos, contra a vidente horrorosa eu poderia
lutar.
E eu não tinha nenhum anjo. Eles eram reservados para os bons - para
pessoas como Bella.
Então onde estaria o anjo dela no meio disso tudo? Quem estava tomando
conta dela?
Eu ri silenciosamente, perplexo, enquanto realizava que nesse momento
era eu quem estava
cumprindo aquele papel.
Um anjo vampiro - havia uma boa distância entre as duas coisas.
Depois de cerca de meia hora, Bella relaxou. Sua respiração se tornou
mais profunda e ela
começou a murmurar. Eu sorri, satisfeito. Era uma pequena coisa, mas
pelo menos ela
estava dormindo mais confortavelmente esta noite, por eu estar aqui.
“Edward” ela sussurrou, e sorriu também.
Eu empurrei a tragédia de lado, por um momento, e me permiti ser feliz
novamente.
Capítulo 11 - Interrogações
A CNN trouxe a história antes.
Eu estava contente por isto ter chegado ao noticiário antes de eu ter q ue ir
para a escola,
ansioso por ouvir como os humanos iriam descrever o acontecimento, e
quanta atenção o
fato iria gerar.
Por sorte, era um dia cheio de noticias frescas. Houve um terremoto na
américa do sul e um
sequestro político no oriente médio. Port anto, tudo acabou em uns poucos
segundos, umas
pou cas frases e u ma imagem chuviscada.
“Alonzo Calderas Wallace, suspeito de ser um estuprador em série e
assassino procurado
nos estados do Texas e Oklahoma, foi preso na última noite em Portland,
Oregon graç as a
uma denúncia anônima. Wallace foi encontrado inconsciente em um beco
nesta manhã,
apenas a alguns metros da delegacia de polícia.
Os policiais não souberam dizer por enquanto se ele seria extraditado para
Houston ou
Oklahoma para aguardar o julgamento .”
A imagem não estava clara. Uma foto de arquivo policial, e ele tinha uma
barba bem grossa
na época em que a fotografia foi tirada. Mesmo que Bella tivesse visto, ela
não o teria
reconhecido. Eu esperava que não. Isto a deixaria amedrontada sem
necessida de.
“A cobertura aqui na cidade será bem pequena. É algo de muito longe para
ser considerado
de interesse local,” disse-me Alice. “Foi uma boa idéia que Carslile o
levasse para fora do
estado.”
Eu acenei positivamente com a cabeça. Bella não assistia muita TV
normalmente, e eu
nu nca havia visto seu pai assistir nada além de canais de esportes.
Eu tinha feito o que podia. Este monstro já não caçaria mais, e eu não era
um assassino.
Não nos últimos tempos, de qualquer forma. Eu fiz bem em confiar em
Carslile, por mais
que eu ainda desejasse que o monstro não tivesse se safado tão incolume.
Eu me peguei
desejando que ele fosse extraditado para o Texas, onde a pena de morte é
tão popular…
Não. Isso não importa. Deixaria isto no passado, e me concentraria no que
é mais
importante.
Havia deixado o quarto de Bella a menos de uma hora atrás e já estava
louco para vê -la
novamente.
“Alice, você se importa-”
Ela me cortou. “Rosalie vai dirigir. Ela vai parecer irritada, mas você sabe
que ela vai
adorar a desculpa para exibir seu carro.” Alice soltou um riso trêmulo.
Eu sorri para ela. “Te vejo na escola.”
Alice suspirou, e meu sorriso se tornou uma careta.
Eu sei, eu sei, ela pensou. Não ainda. Eu vou esperar até que você esteja
pronto para Bella
saber quem sou. Você deve saber, enfim, que isso não é apenas egoísmo
meu. Bella vai
gostar de mim também.
Eu não a respondi, enquanto seguia com pressa para a porta. Aquela era
uma maneira
diferente de ver a situação. Bella iria querer conhecer Alice? Ter uma
vampira como
amiga?
Conhecendo Bella… aquela idéia provavelmente não iria incomodá -la nem
um pouco.
Eu franzi as sobrancelhas, pensando. O que Bella quer e o que é melhor
para Bella, são
duas coisas muito distintas.
Eu comecei a me sentir desconfortável enquanto estacionava meu carro no
passeio da casa
de Bella.
O provérbio humano dizia que tudo parece diferente pela manhã - que as
coisas mudam
quando você as deixa passar. Eu pareceria diferente para Bella na luz
fraca de um dia
nu blado? Mais ou menos sinistro do que pareceri a no escuro da noite?
Teria a verdade se
revelado enquanto ela dormia? Será que finalmente ela teria medo?
Seus sonhos haviam sido pacíficos, enfim, na última noite. Quando ela
falou meu nome,
uma vez e outra, ela sorriu. Mais de u ma vez ela murmurou apela ndo
para que eu ficasse.
Aquilo não significaria nada no dia de hoje?
Eu aguardei impacientemente, ouvindo os sons vindos de dentro da casa -
os passos rápidos
e tropeçantes nas escadas, o rasgar seco de papel alumínio, os frascos do
refrigerador
batendo uns contra os outros quando a porta se fechou. Parecia que ela
estava com pressa.
Anciosa para ir a escola? A idéia me fez sorrir, esperançoso novamente.
Olhei para o relógio. Eu supunha que - levando em conta a velocidade a
sua velha pickup a
limitava, ela estava um tanto atrasada.
Bella saiu correndo da casa, sua mochila escorregando dos seus ombros,
seu cabelo preso
em u ma trança mal feita que já se dividia perto de sua nuca. O grosso
suéter verde que ela
usava não era o suficiente para evitar que seus pe quenos ombros
tremessem com a névoa
fria.
O longo suéter era grande demais para ela, desproporcional. Ele
mascarava sua silhueta
delgada, tornando todas as suas curvas delicadas e suaves em uma
confusão disforme. Eu
gostei, mesmo desejando que ela usasse a lgo mais parecido com a
delicada blusa azul que
vestira na última noite… o tecido havia aderido a sua pele de um jeito
muito convidativo,
decotado o suficiente para revelar a maneira hipnótica como sua clavícola
se afastava do
vazio abaixo de seu pescoço. O azul fluia como agua através do contorno
delicado de seu
corpo.
Era melhor - essencial - que eu mantivesse meus pensamentos muito,
muito longe daquelas
formas, então eu deveria estar agradecido por ela usar aquele suéter pouco
atraente. Eu não
poderia me permitir qualquer erro, e seria um erro monumental me deixar
levar pela
estranha fome que os pensamentos sobre seu s lábios… sua pele… estavam
criavam dentro
de mim. Fome que eu havia erradicado de mim por uma centena de anos.
Eu não poderia
sequer pensar em tocá-la, porque isso seria impossível.
Eu a destruiria.
Bella voltou-se para longe da porta com tanta pressa que ela quase passou
pelo meu carro
sem notá-lo.
Então ela parou quase derrapando, seus joelhos travando em um
solavanco. Sua mochila
escorregou pelo seu braço e seus olhos se arregalaram quando focalizaram
o carro.
Eu saí, sem me preocupar em me mover numa velocidade humana, e abri
a porta do
passageiro para ela. Eu não tentaria mais ludibriá -la. Quando
estivessemos a sós, pelo
menos, eu seria eu mesmo.
Ela olhou para mim, supresa novamente, por eu praticamente ter me
materializado no meio
da névoa.
E então a surpresa em seus olhos se tornaram em outra coisa, e eu não
estava mais temeroso
- nem esperançoso - que seus sentimentos por mim tivessem mudado
durante o curso da
noite. Calor, preocupação, fascinação, tudo nadando no que era o
chocolate derretido dos
seus olhos.
“Quer ir de carona comigo hoje?” Eu perguntei. Ao contrário do jantar na
última noite, eu a
deixaria escolher. De agora em diante , seria sempre a escolha dela.
“Sim, obrigada,” ela murmurou, subindo no carro sem hesitar.
Algum dia eu deixaria de me surpreender pelo fato de ela dizer sim para
mim? Eu duvidei.
Eu dei a volta no carro, ansioso para me juntar a ela. Ela não mostrou
nenh um sinal de
supresa com a minha súbita reaparição.
A alegria que senti quando ela se sentou ao meu lado não tinha
precedentes. Por mais que
eu apreciasse o amor e companheirismo da minha familia, apesar dos
vários
entretenimentos e distrações que o mundo t em a oferecer, eu nunca estive
feliz dessa forma.
Mesmo sabendo que isso era errado, que isso poderia não terminar bem,
eu não pude evitar
por muito tempo estampar um sorriso em minha face.
Minha jaqueta estava dobrada sobre o descanso de cabeça do banco d ela.
Eu a vi olhando.
“Eu trouxe a jaqueta para você,” Eu disse a ela. Esta era minha desculpa,
eu tinha que
arrumar alguma para a minha inesperada visita nesta manhã. Estava frio.
Ela não tinha
jaqueta. Certamente esta era uma forma convincente de cavalhe irism o.
“Eu não gostaria
que você ficasse doente ou algo parecido.”
“Eu não sou assim tão frágil,” ela disse, fitando meu peito ao invés do meu
rosto, como se
ela estivesse hesitante em me olhar nos olhos. Mas ela vestiu o casaco
antes que eu tivesse
que a ajudar ou persuadir.
“Não é?” Eu sussurrei para mim mesmo.
Ela fitava a estrada enquanto eu acelerava para a escola. Eu pude
agüentar o silêncio apenas
por alguns segundos. Eu tinha que saber onde estavam os seus
pensamentos nesta manhã.
Tanta coisa havia mudado entre nós desde o último nascer do sol.
“O que, nada de vinte perguntas hoje?” Eu perguntei, mantendo um tom
suave.
Ela sorriu, parecendo feliz por eu ter puxado assunto novamente. “Minhas
perguntas o
aborrecem?”
“Não tanto quanto as suas reações,” disse a ela com toda honestidade,
sorrindo em resposta
ao seu sorriso, que esmaeceu.
“Eu reajo mal? “
“Não, este é o problema. Você encara tudo tão calmamente - isso é algo
pou co natural, me
faz imaginar o que realmente você está pensando.”
É claro que tudo que ela fazia ou não fazia me deixava imaginando o que
ela pensava.
“Eu sempre digo o que eu realmente estou pensando.”
“Você edita.”
Ela mordeu os lábios novamente. Ela parecia não notar quando fazia isso -
era uma resposta
inconsciente à tensão. “Não muito.”
Estas poucas palavras foram suficientes para inflamar minha curiosidade.
O que é que ela
deliberadamente escondia de mim?
“O bastante para me deixar louco,” eu disse.
Ela hesitou e então sussurrou, “Você não gostaria de ouvir.”
Eu tive que pensar por um momento, analisar toda a nossa conversa da
última noite, palavra
por palavra, antes que eu fizesse a associação. Talvez isso exigisse muita
concentração,
pois eu não imaginava nada que eu não quisesse ouvi -la dizer. E então -
pelo tom de sua
voz ser o mesmo da última noite; havia uma dor repentina novamente - Eu
me lembrei.
Uma vez eu pedi que ela não me dissesse seus pensamentos. Nunca diga
isto, eu vociferei
para ela. Eu a fiz chorar…
Era isso que ela escondia de mim? A profundidade dos seus sentim entos
sobre mim? Que
eu ser um monstro, não importava para ela, e que ela achava tarde demais
para mudar sua
decisão?
Eu não conseguia falar, porque a alegria e a dor eram demasiado intensas
para serem
expressas em palavras, o conflito entre elas era muito radical para
possibilitar uma resposta
coerente. Havia silêncio no carro, exceto pelo ritmo uniforme de seu
coração e pulmões.
“Onde está o restante de sua familia?” ela perguntou repentinamente.
Eu respirei fundo - registrando o aroma no carro com uma ve rdadeira dor
pela primeira vez
; eu estava me acostumando a isso, eu fazia com satisfação - e me
forçando a ser casual
novamente.
- Eles pegaram o carro da Rosalie.
Estacionei perto da capota suspensa do carro em questão. Escondi meu
sorriso quando vi
seus olhos arregalarem.
- “Chamativo, não?”
- “Hmm, caramba. Se ela tem isso, porque pega carona com você?”
Rosalie deveria ter apreciado a reação de Bella… se ela estivesse sendo
mais objetiva com
respeito a ela , o que provavelmente não iria acontecer.
- “Como eu disse, é chamativo. Nós tentamos nos misturar.”
“Vocês não conseguem”, ela me disse; e então ela sorriu um cuidadoso
sorriso.
O jovial, inteiramente despreocupado som do seu riso queimou o meu
peito oco como
também fez minha cabeça flutuar com tontur a.
“Então por que Rosalie dirigiu hoje se ele é mais notável?” ela perguntou.
“Não percebeu? Estou quebrando todas as regras agora.”
Minha resposta deveria ter sido ligeiramente assustadora - então, é claro,
Bella riu dela.
Ela não esperou por mim para abr ir sua porta, exatamente como a noite
passada. Eu tinha
que aparentar norm alidade aqui na escola - então eu não poderia me
mover rápido o
bastante para impedir isso - mas ela teria que se acostumar a ser tratada
com mais cortesia,
e acostumar-se logo.
Eu caminhei mais perto dela do que ousaria, olhando cuidadosamente por
qualquer sinal de
que minha proximidade a perturbaria. Duas vezes sua mão estremeceu -se
em direção à
minha e então ela gostaria de trazê -la de volta. Parecia que ela queria me
tocar… Minha
respiração disparou.
“Por que vocês têm carros assim, então? Se vocês procuram ter
privacidade? - ela me
perguntou enquanto caminhávamos.
“Como um prazer” - eu admiti - “Todos nós gostamos de dirigir rápido”.
“I magino” ela murmurou, em seu tom de voz.
Ela não olhou para cima para ver minha resposta maliciosa.
“Nuh-uh”! Eu não acredito nisso. Como que Bella conseguiu ignorar isso?
Eu não entendo!
Por que?
A mente nebulosa de Jessica interrompeu os meus pensamentos. Ela
estava esperando por
Bella, se refugiando da chuva, sob o abrigo da marquise da cafeteria com o
casaco de
inverno de Bella debaixo de seu braço. Seus olhos estavam estatelados
com descrença.
Bella também a percebeu no exato momento. Um fraco tom rosado tocou
sua face quando
Bella registrou a expressão de Jessica. Os pensamentos de Jessica
estavam nitidamente
claros em seu rosto.
“Oi Jéssica. Obrigada por lembrar”, Bella lhe agradeceu. Ela apanhou o
casaco e Jessica o
entregou sem dizer nenhuma palavra.
Eu tenho que ser educado com os amigos de Bella, mesmo sendo eles bons
amigos ou não.
“Bom dia Jessica”..
Nossa…
Os olhos de Jessica se arregalaram. Foi estranho e divertido… e
honestamente, um pouco
embaraçoso… para se ter uma idéia de como ficar perto de Bella me deixou
mais gentil.
Parecia que ninguém estava mais com medo de mim. Se Emmett soubesse
disso, ele iria
ficar rindo pelo próximo século.
“É…oi” Jessica murmurou e seus olhos lampejaram para o rosto de Bella,
cheios de
expressão. “Acho que te vejo em trigonometria”.
Ah, você vai desembuchar tudo para mim. Não vou aceitar não como
resposta. Detalhes.
Tenho que saber dos detalhes! Edward gato CULLEN! A vida é tão injusta.
A boca de Bella se torceu. - “É, a gente se vê lá.”
Os pensamentos de Jessica ficaram fora de controle enquanto ela corri a
para sua primeira
aula, nos espiando uma vez ou outra.
A história inteira. Não vou aceitar nada menos que isso. Eles combinaram
de se encontrar
ontem à noite? Eles estão namorando? Há quanto tempo? Como ela pôde
guardar segredo
sobre isso? Por que ela guardaria? Não pode ser uma coisa casual - ela tem
que estar bem
afim dele. Tem alguma outra opção? Eu vou descobrir. Não vou conseguir
não saber de
nada. Será que ela já deu uns amassos nele? Ah, vou desmaiar… De
repente os
pensamentos de Jessica ficaram de sconexos, e ela deixou que suas
fantasias mudas
girassem por sua cabeça. Eu recuei com suas especulações, e não só
porque ela tinha
trocado Bella por si mesma nas figuras mentais.
Eu não podia ser assim. Mas mesmo assim, eu… eu queria…
Resisti em admitir isso, mesm o para mim. Em quantas maneiras erradas
eu queria colocar a
Bella? Qual iria acabar por matá-la?
Eu sacudi a cabeça e tentei deixar as coisas mais leves.
- “O que vai dizer a ela?” - perguntei a Bella.
- “Ei!” - ela sussurrou ferozmente. - “Pensei que você não pudesse ler
minha mente!”
- “Não posso.” - eu a encarei, surpreso, tentando entender suas palavras.
Ah - devíamos
estar pensando a mesma coisa ao mesmo tempo. Hm mm, gostei disso. -
“Mas” - contei a
ela. - “posso ler a dela - Ela vai pegar você de surpresa na sala.”
Bella gemeu, e deixou a jaqueta escorregar por seus ombros. Não percebi
que ela estava a
devolvendo - eu não teria pedido; preferia que ficasse com ela… uma
lembrança - então fui
muito devagar para oferecer minha ajuda. Ela me entre gou a jaqueta e
passou os braços
pela dela, sem olhar para cima para ver que minhas mãos estavam
esticadas para ajudar. Eu
fiz uma careta com isso, e então controlei minha expressão antes que ela
notasse.
- “Então, o que vai dizer a ela?” - eu pressionei.
- “Que tal uma mãozinha? O que ela quer saber?”
Eu sorri e sacudi a cabeça. Eu queria escutar o que ela estava pensando
agora sem nenhuma
dica. - “Isso não é justo”.
Os olhos dela se apertaram. - “Não, você não está partilhando o que sabe -
isso é que não é
justo”.
“Certo” - ela não gostava de dois pesos e duas medidas.
Chegamos à porta da classe dela - onde eu teria que deixá-la; me perguntei
à toa se a Srta.
Cope iria ser mais favorável sobre uma mudança da minha aula de
inglês… Forcei a minha
concentração. Eu podia ser justo.
- “Ela quer saber se estamos namorando escondido” - eu disse lentamente.
- “E ela quer
saber como você se sente com relação a mim”.
Seus olhos se arregalaram - dessa vez não de surpresa, mas astutos.
Estavam abertos para
mim, legíveis. Ela estava bancando a inocente.
- “Caramba” - ela murmurou. - “O que devo dizer?”
- “Hmmm” - Ela sempre tentava fazer com que eu revelasse mais do que
ela. Refleti como
responder.
Uma mecha rebelde do cabelo dela, ligeiramente úmida por causa da
neblina , caia por seu
ombro e se enrolava onde a sua clavícula estava escondida por aquele
suéter ridículo.
Atraiu meus olhos… os arrastou para ver as outras linhas escondidas…
Me estiquei para pegá-la cuidadosamente, sem tocar em sua pele - a
manhã já estava fria o
suficiente sem meu toque - e a coloquei de volta ao lugar em seu coque
desarrumado para
que não me distraísse outra vez. Me lembrei quando Mike Newton tinha
tocado seu cabelo,
e meu queixo se trincou com a memória. Ela tinha se afastado dele na
ocasião . A reação
dela agora não era nada parecida; ao invés disso, seus olhos se
arregalaram, seu sangue
correu mais rápido nas veias e uma súbita aceleração em seu coração.
Tentei conter meu sorriso quando a respondi.
- “Acho que pode dizer sim à primeira pergu nta… Se não se importa…” - a
escolha era
dela, sempre dela. - “É mais fácil do que qualquer outra explicação.”
- “Não me importo…” - ela sussurrou. Seu coração ainda não tinha
recuperado o ritmo
normal.
- “E quanto à outra pergunta de Jessica…” - não conseguia esconder meu
sorriso agora. -
“Bom, eu estarei ouvindo para saber eu mesmo a resposta.”
Deixar que Bella considerasse isso. Reprimi uma risada e o choque passou
por seu rosto.
Me virei rapidamente, antes que ela pudesse perguntar mais alguma coisa.
Eu tinha certa
dificuldade em não dar a ela qualquer coisa que ela quisesse. E eu queria
escutar os
pensamentos dela, não os meus.
“A gente se vê no almoço” - eu disse à ela sobre o ombro; uma desculpa
para checar que
ela ainda estava me encarando, de olhos arregalados. Sua boca estava
aberta. Me virei de
novo e fui embora, rindo.
Enquanto eu me afastava, estava vagamente ciente dos pensamentos
surpresos e
especulativos que giravam ao meu redor - olhos indo do rosto de Bella à
minha figura que
recuava. Prestei pouca atenção neles. Não conseguia me concentrar. Foi
muito difícil
manter meus pés se movendo a uma velocidade aceitável enquanto
cruzava a grama
encharcada para minha próxima aula. Queria correr - realmente correr,
tão rápido que iria
desaparecer, tão rápido que iria parecer que estava voando. Parte de mim
já estava voando.
Coloquei a jaqueta quando entrei na classe, deixando que a fragrância dela
flutuasse,
pesada ao meu redor. Eu iria queimar agora - deixar que o cheiro me
dessensibilizasse -
para que depois fosse mais fácil ignorar, quando estivesse com ela de novo
no almoço…
Era uma coisa boa que os professores não se importavam mais em me
chamar. Hoje talvez
tivesse sido o dia que eles me pegassem desprevenido, e sem respostas.
Minha cabeça
estava em tantos lugares esta manhã; só meu corpo estava na sala de
aula.
É claro que eu estava vigiando Bella. Isso estava se tornando natural - tão
automático
quanto respirar. A escutei conversar com u m Mike Newton desmoralizado.
Ela rapidamente
mudou a conversa para Jessica, e abri um sorriso tão grande que Rob
Sawyer, que estava
sentado ao meu lado direito, se encolheu visivelmente e escorregou na
cadeira, para longe
de mim.
Argh. Assustador.
Bom, ele não estava totalmente errado.
Também estava monitorando Jess ica livremente, observando enquanto ela
definiria suas
perguntas para Bella. Mal podia esperar até o quarto tempo, dez vezes
mais ansioso e
curioso que a garota humana que queria uma fofoca nova.
E também estava escutando Angela Weber.
Não tinha esquecido a gratidão que tinha sentido por ela - primeiro por só
pensar coisas
boas a respeito de Bella, depois pela aju da à noite passada. Então eu
esperei pela manhã,
procurando por algo que ela quisesse. Achei que seria fácil; como qualquer
outro humano,
devia haver alguma coisa bugiganga ou brinquedo que ela quisesse.
Vários, provavelmente.
Entregaria algo anonimamente e nos deixaria quite.
Mas Angela provou ser quase tão desatenciosa com seus pensamentos
quanto Bella. Ela era
estranhamente satisfeita para uma ad olescente. Feliz. Talvez essa fosse a
razão para sua
bondade incomum - ela era uma daquelas raras pessoas que tinham o que
amavam e
amavam o que tinham. Se ela não estivesse prestando atenção aos
professores e às
anotações, estava pensando dos irmãos gêmeo s que levaria à praia nesse
final de semana -
antecipando a animação deles com um prazer quase maternal. Ela cuidava
deles de vez em
quando, mas não se sentia rancorosa com esse fato… era bem carinhoso.
Mas não me ajudava muito.
Tinha que ter alguma coisa que ela queria. Eu só teria que continuar
procurando. Mas
depois. Agora era a hora da aula de trigonometria de Bella com Jessica.
Não estava prestando atenção aonde ia quando fui para a aula de inglês.
Jessica já estava
em seu lugar, os dois pés batendo impacientemente no chão enquanto ela
esperava Bella
chegar.
Ao contrário, quando me sentei em minha cadeira na sala de aula, fiquei
completamente
parado. Tinha que me lembrar de me mexer uma hora ou outra. Manter a
fachada. Foi
difícil, meus pensamentos estavam tão concentrados nos de Jessica.
Esperava que ela fosse
prestar atenção, realmente tentar ler o rosto de Bella para mim.
As batidas dos pés de Jessica se intensificaram quando Bella entrou na
sala.
Ela parece… triste. Por quê? Talvez não tenha nada aco ntecendo com o
Edward Cullen.
Isso seria um desapontamento. Exceto que… então ele ainda está
disponível… se de
repente ele está interessado em namorar, não me importo em ajudá -lo com
isso…
O rosto de Bella não parecia triste, parecia relutante. Ela estava
preocupada - ela sabia que
eu iria escutar tudo isso. Sorri para mim mesmo.
- “Me conta tudo!” - Jess mandou enquanto Bella ainda estava tirando o
casaco e
pendurando nas costas de sua cadeira. Ela estava se mexendo com
deliberação, sem
vontade.
Argh, ela é tão lerda. Vamos passar para as coisas interessantes!
-” O que quer saber?” - Bella escapou quando se sentou.
- “O que aconteceu ontem à noite?”
- “Ele me levou para jantar e depois me levou em casa.”
- “Como chegou em casa tão rápido?”
Eu observei Bella rolar os olhos à suspeita de Jessica.
- “Ele dirige como um louco. Foi apavorante.”
Ela sorriu um pouco, e eu ri em voz alta, interrompendo os anúncios do
Sr. Mason. Eu
tentei transformar a risada em um acesso de tosse, mas ninguém se
enganou. O Sr. Mason
me lançou um olhar irritado, mas eu nem me preocupei em escutar o
pensamento por trás
dele. Estava ouvindo a Jessica.
Ah. Parece que ela está falando a verdade. Por que está me fazendo
arrancar tudo isso
dela, palavra por palavra? Eu estaria me gabando a plenos pulmões se
fosse comigo.
- “Foi tipo um encontro, disse a ele para encontrar você lá?”
Jessica viu a surpresa passar pela expressão de Bella, e ficou desapontada
como isso
parecia ser verdade.
- “Não… Eu fiquei muito surpresa em vê -lo lá” - Bella disse a ela.
- “O que está acontecendo? - Mas ele pegou você para vir à escola hoje? -
Tem que ter
mais coisa nessa história”.
“Sim - isso era uma surpresa, também. Ele percebeu que eu não tinha uma
jaqueta noite
passada”.
Isso não é muito divertido, Jessica pensou, desapontada novamente.
Eu estava cansado da sua linha de perguntas - Eu queria ouvir algo que
eu não soubesse
realmente. Eu esperei que ela não estivesse tão descontente que ela
poderia pular as
questões que eu estava esperando.
“Então você vai sair com ele novamente?” Jessica perguntou.
“Ele se ofereceu para me levar a Seattle sábado porque ele pensa que o meu
carro não
consegue chegar até lá - isso conta?”
Hmm. Bom, cuide dela. Bella está maluca.
“Sim” Jessica respondeu a pergunta de Bella.
“Bom, então, sim.”
“U-A-U… Edward Cullen”. Ela gostando dele ou não, isso é grande.
“Eu sei.” Bella concordou.
O tom de sua voz encorajou Jessica. Finalmente - ela soa como se gostasse!
Ela deve estar
realizada…
“Peraí” Jessica falou, de repente se lembrando da pergunta mais vital “Ele
já te beijou?”
Por favor diga sim. E depois descreva cada segundo!
“Não.” Bella disse, e então ela olhou para suas mãos, sua face corando. “
Não é bem
assim.”
Droga. Eu queria… há. parece que ela gostaria disso.
Eu franzi o cenho. Bella parecia chateada sobre algo, mas não poderia ser
desapontamento
como Jessica assumiu. Ela não poderia querer aquilo. Sem saber o que ela
sabe. Ela não
poderia querer estar perto de meus dentes. Por tudo que ela sabia, eu
tinha presas.
Eu estremeci.
“”Você acha que Sábado…?” Jessica continuou.
Bella pareceu mais frustrada do que ela dissse, “ Eu realmente duvido.”
É, ela realmente desejava. Que droga para ela.
Seria porque eu estava ouvindo isso pelo “filtro” das percepções de Jessica
que pareceu que
ela estava certa?
Por um segundo eu me distraí pela idéia, o impossível, sobre como eu
gostaria de beijá -la.
Meu lábios em seus lábios…
E então ela morre.
Eu balancei minha cabeça, e me mandei prestar atenção na conversa.
“Sobre o que f oi que vocês conversar am?” Você conversou com ele, ou você
fez ele falar
cada inf ormação sobre ele que você queria saber?
Eu sorri. Jessica não estava longe.
“Eu não sei, Jess, um monte de coisas. Nós falamos um pouco sobre o
trabalho de inglês.”
Só um pouquinho. Eu sorri, animal.
Oh, fala sério. “Por f avor, Bella. Me dê alguns detalhes.”
Bella pensou por um minuto.
“Bom…tudo bem, eu te digo um. Você precisava ter visto a garçonete
flertando com ele -
foi até um pouco demais. Mas ele não estava prestando nem um pouco de
atenção” .
Que detalhe estranho para contar. Eu estava surpresa que Bella havia
percebido. Pareceu
uma coisa bem inconseqüente.
Interessante… “Isso é um bom sinal. Ela era bonita?”
Hmm, Jéssica deu mais atenção do que eu. Devia ser coisa feminina.
- “Muito” - Bella disse a ela - “E devia ter uns 19 ou 20 anos”.
Jéssica ficou momentaneamente distraída pela memória de Mike e ela no
encontro de
segunda à noite - Mike sendo amigável demais com a garçonete que
Jessica não tinha
considerado nem um pouco bonita. Ela espant ou a memória e voltou,
oprimindo sua
irritação, para pergu ntar os detalhes.
- “Melhor ainda. Ele deve gostar de você”.
- “Eu acho que sim” - Bella disse, e eu estava na beirada na cadeira, meu
corpo rígido. -
“Mas é difícil saber. Ele é sempre tão misterio so”.
Eu não devia ter sido tão transparentemente óbvio e fora de controle
quanto tinha pensado.
Ainda… observadora como ela era… Como não podia perceber que estava
apaixonado por
ela? Eu procurei por nossa conversa, quase surpreso de não ter dito as
palavr as em voz alta.
Parecia que esse fato estava implícito em cada palavra entre nós.
“Uau. Como você senta na frente de um modelo e conversa normalmente? -
Não sei como
você tem coragem de ficar sozinha com ele”. - Jessica disse.
Choque passou pelo rosto de Bella. - “Por quê?”
Reação estranha. O que ela acha que eu quero dizer? - “Ele é tão…” - qual é
a palavra
certa? - “intimidador. Eu não saberia o que dizer a ele” - Nem consegui falar
inglês com
ele hoje, e tudo que ele disse foi bom dia. Devo ter parecido uma idiota.
Bella sorriu. - “Tenho uns problemas de incoerência quando estou perto
dele”.
Ela devia estar tentando fazer com que Jessica se sentisse melhor. Ela era
quase
anormalmente possuída quando estávamos juntos
- “Ah, sim”. - Jessica suspirou. - “Ele é mesmo incrivelmente bonito”.
O rosto de Bella ficou mais frio. Seus olhos brilharam do mesmo jeito que
eles faziam
quando ela sentia alguma injustiça. Jessica não reconheceu a mudança na
expressão dela.
- “Há muito mais nele do que isso.” - Bella repreendeu.
Aaaah, agora estamos chegando a algum lugar. - “É mesmo? Tipo o quê?”
Bella mordeu o lábio por um momento. - “Não posso explicar muito bem…”
- ela
finalmente disse. - “Mas ele é ainda mais inacreditável por trás daquele
rosto.” - Ela
desviou os olhos de Jessica, seus olhos ligeiramente desfocados como se
estivesse vendo
algo mu ito longe.
A emoção que senti agora era remotamente familiar àquela que sentia
quando Carlisle ou
Esme me exaltavam além do que eu merecia. Similar, mas mais intenso,
mais consu midor.
Conta essa para outra pessoa - não tem nada melhor que aquele rosto! A
não ser o corpo. -
Será possível? - Jessica deu um sorriso falso.
Bella não se virou. Ela continuou a olhar a distância, ignorando Jessica.
Uma pessoa normal estaria triunf ante. Talvez se eu mantivesse as
perguntas simples. Ha
ha. Como se estivesse falando com alguém do jardim de infância. - “Então
gosta dele,
né?”
Fiquei rígido de novo.
Bella não olhou para Jessica. - “Sim.”
- “Quer dizer, você realmente gosta dele?”
- “Sim.”
Olha esse rubor!
Estava olhando.
- “O quanto você gosta dele?”
A sala de inglês podia estar em chamas e eu não iria notar.
O rosto de Bella estava vermelho vivo agora - quase conseguia sentir o
calor da imagem
mental.
- “Demais.” - ela sussurrou. - “Mais do que ele gosta de mim. Mas não vejo
como evitar
isso.”
Droga! O que o Sr. Varner perguntou agora? - “Hm, que número Sr. Varner?”
Foi bom que a Jessica não pudesse mais interrogar Bella. Precisava de um
minuto.
Que diabos que essa menina estava pensando agora? Mais do que ele gosta
de mim? Como
ela inventou isso? Mas não vejo como evitar isso? O que isso queria dizer?
Não conseguia
achar uma explicação racional para as palavras. Era praticamente sem
sentido.
Parecia que eu não podia ter certeza de nada. Coisas óbvias, coisas que
faziam perfeito
sentido, de algum jeito se deformavam e viravam ao contrário naquele
cérebro bizarro dela.
Mais do que ele gosta de mim ? Talvez eu não devesse desistir da
instituição ainda.
Olhei para o relógio, batendo os dentes. Como meros minutos são tão
impossivelmente
longos para um imortal? Onde estava minha perspectiva?
Meu queixo estava fechado por toda a aula de trigonometria do Sr. Varner.
Ouvi mais dela
do que da minha própria aula. Bella e Jessica não falaram outra vez, mas
J essica espiou
Bella várias vezes, e uma vez o rosto dela estava escarlate de novo sem
razão aparente.
O almoço não ia chegar rápido o suficiente.
Não tinha certeza se Jessica iria ter algumas das respostas que eu queria
quando a classe
terminasse, mas Bella foi mais rápida do que ela.
Assim que o sinal tocou, Bella se virou para Jessica.
- “Na aula de inglês, o Mike me perguntou se você disse alguma coisa sobre
a noite de
segunda.” - Bella disse, um sorriso nos cantos dos lábios. Eu entendi isso
- o ataque era a
melhor defesa.
“Mike perguntou sobre mim?” A f elicidade deixou a mente de Jessica
repentinamente
desprotegida, gentil, sem o tom f also de costume. - “Tá brincando! O que
você disse?”
- “Disse a ele que você falou que se divertiu muito… Ele pareceu sa tisfeito.”
- “Me conta exatamente o que ele disse, e a sua resposta exata!”
Claramente isso era tudo o que eu ia arrancar de Jessica hoje. Bella estava
sorrindo como se
estivesse pensando a mesma coisa. Como se tivesse ganhado a rodada.
Bom, o almoço seria outra história. Teria mais su cesso em ter as respostas
dela do que de
Jessica, ia ter certeza disso.
Mas pude suportar espiar os pensamentos da Jessica pela quarta aula.
Não tinha paciência
para seus pensamentos obsessivos de Mike Newton. Já tinha o agüen tado
o suficiente nas
últimas duas semanas. Ele tinha sorte em estar vivo.
Me mexi apaticamente na aula de educação física com Alice, do modo que
sempre nos
movíamos quando se tratava de atividade física com os humanos. Ela era
minha
companheira de time, naturalmente. Era o primeiro dia de badminton.
Su spirei de tédio,
girando a raquete em câmera lenta para acertar a bola e mandá -la para o
outro lado. Lauren
Mallory estava no outro time; ela errou. Alice rodava sua raquete como um
bastão, olhando
o teto.
Todos nós detestávamos educação física, principalmente Emmett. Fingir
jogar era um
insulto a sua filosofia. Educação física hoje era pior que o normal - me
senti tão irritado
quanto Emmett sempre se sentia.
Antes que minha cabeça pudesse explodir de impaciên cia, o treinador
Clapp terminou os
jogos e nos dispensou mais cedo. Fiquei ridiculamente agradecido que ele
tivesse pulado o
café-da-manhã - uma nova tentativa de dieta - e a fome conseqüente o
tinha deixado com
pressa para deixar o campus e encontrar um sanduíche engordurado em
algum lu gar. Ele
prometeu a si mesmo que começaria amanhã de novo…
Isto me deu tempo suficiente para chegar ao prédio de matemática antes
que a aula de Bella
terminasse.
Se divirta, Alice pensou enquanto se afastava para encontrar Jasper. Só
mais alguns dias
para ser paciente. Acho que não vai dizer oi para a Bella por mim, não é?
Sacudi a cabeça, exasperado. Todos os que tinham poderes psíquicos eram
tão metidos?
Só para você saber, vai estar sol dos dois lados da baía esse fim -de-
semana. Talvez queira
refazer seus planos.
Eu suspirei enquanto continuava para a direção oposta. Meditar, mas útil.
Apoiei-me na parede perto da porta, esperando. Estava tão perto que podia
escutar a voz de
Jessica através dos tijolos, assim como seus pen samentos.
- “Não vai se sentar com a gente hoje, não é?” Ela parece… animada. Aposto
que tem um
monte de coisas que não me falou.
- “Acho que não.” - Bella respondeu, estranhamente insegura.
Não tinha prometido almoçar com ela? O que ela estava pensando?
Elas saíram da sala juntas, e os olhos das duas garotas se arregalaram
quando me viram.
Mas eu só podia ouvir a Jessica.
Ótimo. Uau. Ah, com certeza tem mais coisa acontecendo por aqui do que ela
me contou.
Talvez eu ligue para ela hoje à noite… Ou talvez não deva encorajá-la. Argh.
Espero que
ele a supere rápido. O Mike é bonitinho, mas… uau.
- “A gente se vê depois, Bella.”
Bella andou na minha direção, parando a um passo de distância, ainda
insegura. Sua pele
estava rosa nas bochechas.
Eu a conhecia bem o suficiente a essa altura para ter certeza que não
havia medo por trás de
sua hesitação. Aparentemente, isso era sobre algum abismo que ela tinha
imaginado entre
os sentimentos dela e os meus. Mais do que ele gosta de mim. Absurdo!
- “Oi.” - eu disse, minha voz estava um pouco seca.
O rosto dela ficou mais brilhante. - “Oi.”
Não parecia que ela ia falar outra coisa, então eu abri caminho até o
refeitório e ela andou
silenciosamente ao meu lado.
A jaqueta tinha funcionado - o cheiro dela não foi o golpe que geralmente
era. Só era uma
intensificação da dor que eu já sentia. Conseguia ignorar mais facilmente
do que uma vez
teria acreditado ser possível.
Bella estava inquieta enquanto esperávamos na fila, brincando distraída
com o zíper de sua
jaqueta e mudando o peso, nervosa, de um pé para o outro. Ela me olhou
algumas vezes,
mas sempre que encontrava meu olhar, olhava para baixo como se
estivesse envergonhada.
Isso era por que todo mundo estava nos olhando? Talvez ela conseguisse
escutar os
cochichos - a fofoca era tão verbal quanto mental hoje.
Ou talvez ela tenha percebido, pela minha expressão, que estava
enrascada.
Ela não disse nada até que eu estava reunindo seu almoço. Não sabia do
que ela gostava -
ainda não - então apanhei um de cada.
- “O que está fazendo?” - ela sibilou em uma voz baixa. - “Não está
pegando tudo isso para
mim, não é?”
Sacudi a cabeça, e entreguei a bandeja para o caixa. - “Metade é para
mim, é claro.”
Ela ergueu uma sobrancelha ceticamente, mas não disse mais nada
enquanto eu pagava pela
comida e a acompanhava à mesa que nós nos sentamos na semana
passada antes da
experiência desastrosa com a coleta de sangue. Parecia que tinha sido a
mais tempo do que
há alguns dias. Tudo estava diferente agora.
Ela sentou-se de frente para mim novamente. Eu empurrei a bandeja em
sua direção.
“Pegue o que quiser”, eu encorajei.
Ela escolheu uma maçã, virando ela em suas mãos, um olhar pensativo
em seu rosto.
“Eu estou curiosa”.
Que surpresa.
“O que você faria se uma pessoa te desafiasse a comer alguma coisa?” ela
continuou em
uma voz baixa que não alcançaria os ouvidos humanos. Ouvidos imortais
eram um outro
caso, se esses ouvidos estivessem prestando atenção. Eu provavelmente
devia ter
mencionado alguma coisa para eles mais cedo…
“Você está sempre curiosa”, eu me queixei. Oh, bem. Não era como se eu
nu nca tivesse
comido antes. Isso fazia parte da charada. Uma parte nem um pou co
prazerosa.
Eu procurei pela coisa mais próxima e a segurei nas mãos enquanto eu
mordia um pedaço
do que quer que fosse. Sem olhar, eu não podia dizer. Era repugnante e
espesso e repulsivo
como qualquer comida humana. Eu mastiguei rapidamente e engoli,
tentando manter as
caretas fora do meu rosto. O bolo de comida se moveu lenta e
desconfortavelmente goela
abaixo. Eu suspirei e imaginei em como eu iria ter que colocar isso para
fora depois.
Nojento.
A expressão de Bella estava chocada. Impressionada.
Eu quis revirar meu s olhos. É claro que nós tínhamos causado algumas
decepções.
“Se alguém te desafiasse a comer areia, você poderia, não poderia?”
O seu nariz se enrugou e ela sorriu. “Eu já fiz isso uma vez…num desafio.
Não foi tão
ruim”.
Eu ri “Eu acho qu e não estou muito surpreso”
Eles parecem à vontade, não parecem? Boa linguagem corporal. Eu vou
falar com Bella
depois. Ele está se inclinando em direção à ela como se deve, se ele estiver
interesse. Ele
parece interessado. Ele parece… perfeito. Jessica suspirou. Aiai.
Eu encontrei com os olhos curiosos de Jessica, e ela olhou para longe
nervosa, dando
risadinhas com a garota ao seu l ado.
Hmmm. Melhor eu ficar com Mike. Realidade, não fantasia…
“Jessica está analisado tudo que eu faço,” Eu informei à Bella “Ela vai falar
com você
sobre isso depois.”
Eu empurrei o prato de comida de volta em direção à ela - pizza, eu
percebi - imaginando a
melhor forma de começar. Minha frustração de antes queimou novamente
com as palavras
se repetindo em minha cabeça: Muito mais do que ele gosta de mim. Mas
eu não sei como
posso evitar isso.
Ela deu uma mordida no mesmo pedaço de pizza. É impressionante como
ela confiava em
mim agora. É claro, ela não sabia que eu era venenoso - não que aquele
pedaço de comida
pudesse machucá-la. Ainda assim, eu esperava que ela me tratasse
diferente. Como outra
coisa. Ela nunca fez isso - pelo menos, não de uma forma ne gativa…
Eu devia começar de forma gentil.
“Então a garçonete era bonita, não era?”
Ela ergueu uma sobrancelha de novo. “Você realmente não reparou?”
Como se qualquer outra mulher pudesse tirar a minha atenção de Bella.
Absurda, de novo.
“Não. Eu não estava prestando atenção. Eu tinha muitas coisas na
cabeça”. Não pior do que
as que haviam sido envolvidas pela sua blusinha fina.
Ao menos ela não teria que usar aquele suéter horrível hoje.
“Pobre garota” Bella disse, sorrindo.
Ela gostou que eu não tivesse achado a garçonete interessante de qualquer
forma. Eu podia
entender isso. Quantas vezes eu tinha me imaginando mutilando Mike
Newton na sala de
biologia?
Ela não conseguiria compreender honestamente que esses seus
sentimentos humanos, fruto
de dezessete anos humanos, podiam ser mais fortes que as minhas
paixões imortais que
tinham se construído por um século.
“Algo que você disse pra Jessica…” Eu não conseguia manter a minha voz
casual. “Bem,
me incomodou”.
Ela se colocou imediatamente na defensiva.
“Eu não estou surpresa que você tenha ouvido algo de que não tenha
gostado. Você sabe o
que as pessoa dizem sobre espionar”.
Os bisbilhoteiros nunca ouvem bem deles, esse era o ditado.
“Eu te disse que estaria ouvindo” eu a lembrei.
“E eu te avisei que você não ia querer saber tu do o que eu pensava”.
Ah, ela estava pensando de quando eu a fiz chorar. O remorso fez minha
voz endurecer.
“Você avisou. Porém, você não estava precisamente certa. Eu quero saber o
que você pensa
- tudo. Eu só queria que você não estivesse pensando em… algumas
coisas”.
Mais meias-verdades. Eu sabia que eu não podia querer que ela se
importasse comigo. Mas
eu queria. É claro que eu queria.
“I sso é uma distinção”. Ela rosnou, fazendo cara feia para mim.
“Mas não é isso que importa no momento” .
“Então o que é?”
Ela se inclinou em minha direção, sua mão ao redor de seu pescoço. Isso
atraiu meus olhos
- me distraindo. Como sua pele devia ser suave…
Se concentre, eu me ordenei.
“Você realmente acredita que gosta de mim mais do que eu gosto de você
?” eu perguntei.
A pergunta parecia ridícula para mim, como se as palavras estivessem
trocadas.
Seus olhos se arregalaram, sua respiração parou. Então ela olhou para
longe, piscando
rapidamente. Sua respiração saiu em um baixo suspiro.
“Você está fazendo isso de novo”, ela murmurou.
“O que?”
“Me deixando deslumbrada”, ela admitiu, encontrando meus olhos
cuidadosamente.
“Oh” Hmm. Eu não tinha muita certeza do que fazer quanto a isso. Nem eu
tinha certeza se
eu não queria deslumbrá-la. Eu ainda estava emocionado por eu poder
deslumbrá-la. Mas
isso não estava ajudando o progresso da conversa.
“Não é sua culpa”, ela suspirou “Você não consegue evitar”.
“Você vai responder a pergunta?” eu exigi.
Ela encarou a mesa. “Sim.”
Isso foi tudo que ela disse.
“Sim, você vai responder; ou sim, você realmente acha isso?” eu perguntei
impacientemente.
“Sim, eu realmente acho isso”, ela disse sem olhar para cima. Tinha um
fraco tom de
tristeza em sua voz. Ela corou de novo, e seus dentes se moveram
inconscientemente para
mordiscar seu lábio.
Abruptamente, eu percebi que isso era muito difícil para ela admitir,
porque ela realmente
acreditava nisso. E eu não era melhor do que aquele covarde, Mike,
pedindo para ela
confirmar seus sentimentos antes que eu confirmasse os meus própr ios.
Não importava que
o que eu sentisse estivesse totalmente claro para mim. Eu ainda não os
tinha esclarecido
para ela, e isso não tinha perdão.
“Você está errada”, eu prometi. Ela deve ter ouvido a ternura em minha
voz.
Bella olhou para mim, seus olhos opacos, não dizendo nada. “Você não
tem como saber
isso” ela murmurou.
Ela achava que eu estava subestimando seus sentimentos porque eu não
podia ouvir seus
pensamentos. Mas, na verdade, o problema é que ela estava subestimando
os meus.
“O que te faz pensar isso?” eu me admirei.
Ela me encarou, as rugas entre suas sobrancelhas, mordendo seus lábios.
Pela milionésima
vez, eu desejava desesperadamente que eu pudesse ouvi -la.
Eu estava prestes a implorar para que ela me dissesse sobre o que ela
tanto pensava, mas ela
ergueu um dedo para não me deixar falar.
“Me deixe pensar” ela pediu.
Enquanto ela estava simplesmente organizando os seus pensamentos, eu
podia me manter
paciente.
Ou podia fingir que mantinha.
Ela pressionou suas mãos juntas, cru zando e descruzan do seus finos
dedos. Ela estava
olhando su as mãos como se elas pertencessem à outra pessoa enquanto
ela falava.
“Bem, tirando o óbvio” ela murmurou. “Às vezes… Eu não posso ter certeza
- eu não leio
mentes - mas às vezes parece que você está querendo dizer adeus, mas diz
outra coisa”, ela
não olhou para cima.
Ela percebeu, não percebeu? Ela percebeu que foi somente fraqueza e
egoísmo que me
mantiveram aqui? Ela pensa pior de mim por isso?
“É uma questão de perspectiva” eu soltei, então olhei com horror a do r
que cruzava a sua
expressão. Eu me apressei para contradizer a sua suposição.
“Porém, é exatamente por isso que você está errada, no entanto -”, eu
comecei, então eu
parei, me lembrando das primeiras palavras de sua explicação “O que você
quis dizer com
‘o óbvio’?”
“Bem, olhe pra mim” ela disse.
Eu estava olhando. Tudo o que eu fazia era olhar para ela. O que ela quis
dizer?
“Eu sou absolutamente normal,” ela explicou. “Bem, com exceção das
experiências de
quase-morte e de ser tão atrapalhada que eu quase chego a ser uma
inválida. E olhe pra
você”. Ela abanou o ar em minha direção, como se ela estivesse explicando
coisa tão óbvia
que não era necessário de se dizer.
Ela pensava que era normal? Ela pensou que eu era de alguma forma
melhor do que ela?
Na avaliação de quem? Pessoas tolas, de mente pequena, hu manos cegos
como Jessica ou
Sra. Cope? Como que ela não percebeu que ela era a mais bela… mais
delicada… essas
palavras não eram o suficiente.
E ela não tinha nem idéia.
“Você não se vê muito claramente, sa be” eu disse a ela. Eu tenho que
admitir que você
estava certa sobre as experiências de quase -morte…” eu ri sem humor. Eu
não achava
cômico o destino miserável que a assombrava. A falta de jeito, no entanto,
era um pouco
engraçado. Amável. Ela acreditaria em mim se eu dissesse a ela que ela
era linda por dentro
e por fora? Apesar de que ela acharia uma corroboração mais persuasiva.
“Mas você não
ouviu o que todos os seres humanos do sexo masculino nessa escola
pensaram de você no
seu primeiro dia”.
Ah, a esperança, a vibração, a ansiedade daqueles pensamentos. A
velocidade com que eles
se tornaram em fantasias impossíveis. Impossíveis, porque ela não queria
nenhum deles.
Eu fui o único a quem ela disse sim.
Meu sorriso devia estar parecendo presunçoso.
Ela ficou inexpressiva com surpresa. “Eu não acredito nisso,” ela
resmungou.
“Acredite em mim apenas dessa vez - você é o oposto do comum.”
Su a existência era justificativa suficiente pra criação de todo o mundo.
Ela não estava acostumada com elogios, eu podia ver isso. Outra coisa a
qual ela apenas
tinha que se acostumar. Ela se esguichou, e mu dou de assunto. “Mas eu
não estou dizendo
adeus.”
“Você não vê? Isso é o que prova que eu estou certo. Eu me preocupo mais,
porque se eu
tenho que fazer isso…” Algu m dia eu seria bondoso o suficiente para fazer
a coisa certa?
Eu mexi a cabeça sem esperança. Eu teria que encontrar força. Ela
merecia uma vida. Não
o que Alice tinha visto vindo pra ela. “Se ir embora é a coisa certa a
fazer…” E tinha que
ser a coisa certa, não tinha? Não havia anjo imprudente. Bella não me
pertencia. “Então eu
me machucarei para mantê-la sem se machucar, para mantê -la salva.”
Enquanto eu dizia as palavras, eu desejava que fosse verdade.
Seus olhos cintilaram pra mim. De alguma forma, minhas pa lavras a
irritaram. “E você não
acha qu e eu faria o mesmo?” ela demandou furiosa.
Tão furiosa - tão macia e tão frágil. Como ela poderia machucar alguém?
“Você nunca teria
que fazer essa escolha,” eu disse a ela, novamente triste pela grande
diferença entr e nós.
Ela me fitou, o carinho substituindo a raiva em seus olhos e vindo a tona a
pequena dobra
entre eles.
Havia algo verdadeiramente errado com a ordem do universo se alguém tão
bom e tão
quebrável não merecia um anjo da guarda para mantê -la fora de
problemas.
Bem, eu pensei com um humor negro, pelo menos ela tinha um vampiro da
guarda.
Eu sorri. Como eu gostava da minha desculpa para ficar. “Claro, manter
você segura está
começando a parecer uma ocupação de tempo integral que requer minha
presença
constante.”
Ela sorriu, também. “Ninguém tentou me matar hoje,” ela disse levemente,
e então sua
expressão se tornou especulativa por metade de um segundo antes que
seus olhos ficassem
opacos novamente.
“Ainda,” eu adicionei secamente.
“Ainda,” ela concordou para minha surpresa. Eu esperava que ela negasse
qualquer
necessidade de proteção.
Como ele pôde? Aquele burro egoísta! Como ele pôde nos fazer isso? O grito
da mente
pungente de Rosalie quebrou minha concentração.
“Fácil, Rose,” eu ouvi Emmett sussurrar do outro lado da cantina. Seus
braços estavam a
redor dos ombros dela, segurando -a firme a seu lado - restringindo-a.
Desculpe, Edward, A lice pensou se culpando. Ela poderia dizer que Bella
sabia muito pela
conversa de vocês… e, bem, seria pior se eu não a ti vesse contado a
verdade antes. Confie
em mim.
Eu estremeci pela figura mental seguinte, do qu e teria acontecido se eu
dissesse a Rosalie
que Bella sabia que eu era um vampiro em casa, onde Rosalie não tinha
uma fachada a
manter. Eu teria que esconder meu A ston Martin em algum lugar fora do
estado se ela não
se acalmasse até que o tempo escolar acabasse. A visão do meu carro
preferido, estropiado
e queimando, foi perturbadora - embora eu soubesse que ganharia a
retribuição.
Jasper não estava muito mais feliz .
Eu negociaria com os outros mais tarde. Eu tinha muito pouco tempo
permitido pra ficar
com Bella, e eu não ia desperdiçá -lo. E ouvir Alice me lembrando que eu
tinha alguns
trabalhos a fazer.
“Eu tenho outra pergunta para você,” eu disse evitando os ataqu es
histéricos mentais de
Rosalie.
“Diga,” Bella disse sorrindo.
“Você realmente precisa ir a Seattle esse sábado, ou é só uma desculpa
para fugir de todos
os seus admiradores?”
Ela fez uma careta para mim. “Você sabe que eu ainda não te perdoei pela
coisa com o
Tyler. É sua culpa, ele se iludir pensando que eu vou ao baile com ele.”
“Oh, ele encontraria uma chance de te convidar sem minha ajuda - eu só
queria ver sua
cara.”
Eu ri nesse momento, lembrando da sua expressão consternada. Nada que
eu tinha dito para
ela sobre a minha própria história negra tinha feito ela parecer tão
aterrorizada. A verdade
não a deixava aterrorizada. Ela queria estar comigo. Espantoso.
“Se eu tivesse te convidado, você teria recusado?”
“Provavelmente não,” ela disse. “Mas eu ter ia cancelado mais tarde -
fingindo estar doente
ou ter torcido o tornozelo.”
Que estranho. “Por que você faria isso?”
Ela balançou a cabeça desapontada que eu não tivesse entendido de
primeira.
“Você nunca me viu na educação física, eu suponho, eu acho que você
entenderia.”
Ah. “Você está se referindo ao fato de que você não consiga atravessar uma
superfície
estável sem achar algo para tropeçar?”
“Obviamente.”
“I sso não seria um problema. Tudo depende de quem está gu iando.”
Por uma fração de segundos, eu es tava imerso na idéia de segura-la em
meus braços em
uma dança - onde ela usaria algo bonito e delicado, e não aquele horrível
suéter.
Com perfeita clareza, eu me lembrei de como o corpo dela se sentiu
embaixo do meu logo
após tirá-la do caminho da van desgovernada. Mais forte que o pânico ou o
desespero ou a
mortificação, eu podia lembrar -me daquela sensação. Ela era tão quente e
tão macia, se
encaixando perfeitamente em minha própria forma de pedra…
Eu me libertei da memória.
“Mas você ainda não me disse -” eu disse rapidamente, impedindo ela de
discutir comigo
sobre o seu desajeitamento, como ela claramente pretendeu fazer.
“Você está decidida a ir pra Seattle, ou se importaria de fazermos algo
diferente?”
Divergente - dando a ela uma escolha, sem dar a el a a possibilidade de
fugir de mim por um
dia. Dificilmente justo da minha parte. Mas eu fiz uma promessa a ela
noite passada… E eu
gostei da idéia de poder cumpri -la - quase tanto quanto a idéia me
aterrorizava.
O sol deveria estar brilhando no sábado. Eu poderia mostrar para ela o
verdadeiro eu, se eu
fosse bravo o suficiente para suportar o seu horror e a repugnância. Eu
conhecia apenas um
lugar para correr tal risco…
“Eu estou aberta a alternativas,” Bella disse.” Mas eu tenho um favor a
pedir.”
Uma qualificação, sim. O que será que ela queria de mim?
“O que?”
“Posso dirigir?”
Era essa a idéia dela de diversão? “Por quê?”
“Bem, é por que quando eu disse a Charlie que iria a Seattle, ele
especificamente perguntou
se eu iria sozinha, e até o momento eu ia. Se ele perguntar novamente, eu
provavelmente
não vou mentir, mas não acho que ele vá perguntar de novo, e deixar
minha picape em casa
só levantaria o assunto sem nenhuma necessidade. E, além disso, porque
você dirige de um
jeito que me dá medo.”
Virei meus olhos para ela. - “De todas as coisas sobre mim que podem te
dar medo, você se
preocupa com minha direção.” - Realmente, o cérebro dela funcionava de
trás para frente.
Sacudi a cabeça, desgostoso.
Edward, Alice chamou urgentemente.
De repente eu estava olhando para u m círculo de luz do sol, distraído por
uma das visões de
Alice.
Era um lugar que eu conhecia bem, um lugar que eu tinha considerado
levar Bella - uma
pequena clareira aonde ninguém ia além de mim. Um lugar bonito e quieto
eu podia ficar
sozinho - longe de qualquer trilha ou habitação humana, que até minha
mente podia ficar
calma e ter paz.
Alice reconheceu também, porque ela já tinha me visto lá não fazia muito
tempo, em outra
visão - uma dessas visões rápidas e indistintas que Alice tinha me mo
strado no dia em qu e
salvei Bella da van.
Nessa visão vacilante, eu não tinha estado sozinho. E agora estava claro -
Bella estava lá
comigo. Então eu era corajoso o suficiente. Ela olhava para mim, arco -íris
dançando em seu
rosto, seus olhos insondáveis.
É o mesmo lugar, Alice pensou, sua mente cheia de um horror que não
combinava com a
visão. Tensão, talvez, mas horror? O que ela quis dizer , é o mesmo lugar?
E então eu vi.
Edward! Alice protestou, estridente. Eu a amo, Edward!
Eu a ignorei sem dó.
Ela não amava a Bella do jeito que eu amava. A visão dela era impossível.
Errada. Ela
estava cega, de algum jeito, vendo coisas impossíveis.
Nem meio segundo havia se passado. Bella estava olhando curiosamente
para meu rosto,
esperando que eu concordasse com seu p edido.
Ela tinha visto o lampejo de terror, ou tinha sido rápido demais para ela?
Me concentrei nela, em nossa conversa inacabada, empurrando Alice e
suas visões falhas
de meus pensamentos. Elas não mereciam minha atenção.
Não consegui manter o tom alegre da brincadeira.
- “Não quer contar a seu pai que vai passar o dia comigo?” - eu perguntei,
um tom sombrio
cobrindo minha voz.
- “Com Charlie é melhor não pecar pelo excesso.” - disse Bella, certa deste
fato. - “Aonde
vamos, aliás?”
Alice estava errada. Muito errada. Não tinha chance disso acontecer. E era
só uma visão
antiga, inválida. As coisas tinham mudado.
- “O tempo estará bom” - eu disse a ela lentamente, lutando contra o
pânico e a indecisão.
Alice estava errada. Eu continuaria como se não tivesse es cutado ou visto
nada. - “Então
vou ficar longe dos olhares públicos… E você pode ficar comigo, se quiser.”
Bella entendeu o significado na hora; seus olhos estavam brilhantes e
ansiosos. - “E vai me
mostrar o que quis dizer, sobre o sol?”
Talvez, como tantas vezes antes, a reação dela seria oposta ao que eu
esperava. Eu sorri
com essa possibilidade, lutando para voltar ao momento mais leve. - “Vou.
Mas…” - ela
ainda não tinha tido sim. - “se não quiser ficar… só comigo, ainda prefiro
que não vá a
Seattle sozinha. Eu tremo só de pensar nos problemas que você pode
arranjar numa cidade
daquele tamanho.”
Os lábios dela se juntaram; estava ofendida.
- “Phoenix é três vezes maior do que Seattle - só em term os de população.
Em tamanho…”
- “Mas ao que parece sua hora não ia chegar em Phoenix” - eu disse,
cortando suas
justificações. - “Então é melhor ficar perto de mim.”
Ela podia ficar para sempre e ainda não seria o suficiente.
Não devia pensar desse jeito. Nós não tínhamos para sempre. Os segundos
que passavam
contavam mais do que já haviam contado antes; cada segundo a mudava
enquanto eu
continuava o mesm o.
- “Por acaso, eu não me importo de ficar sozinha com você.” - ela disse.
Não - porque seus instintos eram de trás para frente.
- “Eu sei.” - suspirei. - “Mas devia contar ao Charlie.”
- “Por que diabos eu faria isso?” - ela perguntou, parecendo horrorizada.
Olhei para ela, as visões que ainda não consegu ia reprimir girando,
nauseantes pela minha
cabeça.
- “Para me dar um pequeno incentivo para leva -la de volta.” - eu sibilei.
Ela devia me dar
isso - “Uma testemunha para me obrigar a ser cauteloso.”
Por que Alice tinha que forçar esse conhecimento para mim justo agora?
Bella engoliu ruidosamente, e me encarou com um longo momento. O que
ela tinha visto?
- “Acho que vou correr o risco.” - ela disse.
Argh! Ela ficava animada em arriscar a vida? Alguma dose de adrenalina
que ansiava?
Eu fiz uma careta para Alice, que encontrou meu olhar com uma
expressão de advertência.
Ao lado dela, Rosalie estava encarando furiosame nte, mas eu não podia
ter me importando
menos. Deixa que ela destrua o carro. Era só um brinquedo.
- “Vamos falar de outra coisa.” - Bella sugeriu de repente.
Olhei de volta para ela, me perguntando como ela podia ser tão alheia ao
que importava de
verdade. Por que ela não me via pelo mostro que eu era?
- “Do que você quer falar?”
Seus olhos se viraram para a esquerda e então para a direita, com o se
estivesse checando
que ninguém estava escutando. Ela devia estar planejando conversar sobre
outro tópico
relacionado a mitos. Os olhos congelaram por um segundo e seu corpo
enrijeceu, e então
ela olhou para mim.
- “Por que foi àquele lugar nas Goat Rocks no fim de semana passado…
para caçar?
Charlie disse que não era u m bom lugar para caminhadas, por causa dos
ur sos.”
Tão alheia. Continuei olhando para ela, com uma sobrancelha erguida.
- “Ursos?” - ela ofegou.
Eu sorri ironicamente, prestando atenção enquanto ela absorvia o fato.
Isso a faria me levar
a sério? Alguma coisa faria?
Ela recompôs a expressão. - “Sabe, ursos não estão na temporada.” - ela
disse severamente,
estreitando os olhos.
-” Se ler com cuidado, as leis só diz respeito a caça com armas.”
Ela perdeu o controle de seu rosto por um momento. Sua boca se abriu.
- “Ursos?” - ela disse outra vez, uma pergunta experimental dessa vez, não
um ofego de
choque.
- “Os pardos são os preferidos de Emmett.”
Eu observei seus olhos, vendo-a se organizar.
- “Hmmm “- ela murmurou. Pegou um pedaço de pizza, olhando para
baixo. Ela mastigou
pensativamente, então tomou um gole da bebida.
- “E aí” - ela disse, finalmente olhando para cima. - “Qual é o seu
preferido?”
Eu achei que devia ter esperado algo assim, mas não tinha. Bella era
sempre interessante,
no mínim o.
- “O leão da montanha.” - eu respondi bruscamente.
- “Ah.” - ela disse em uma voz neutra. Seus batimentos cardíacos
continuaram estáveis e
regulares, como se estivéssem os discutindo um restaurante preferido.
Ótimo, então. Se ela queria agir como se isso não fosse nada incomum…
- “É claro que precisamos ter o cui dado de não causa impacto ambiental
com uma caçada
imprudente.” - Eu disse a ela, minha voz desatada e sem emoção. -
“Tentamos nos
concentrar em áreas com uma superpopulação de predadores… na maior
extensão que
precisarmos. Sempre há muitos cervos e veados por aqui, e eles vão servir,
mas que
diversão há nisso?”
Ela escutou com uma expressão educadamente interessada, como se eu
estivesse passando
uma lição de casa. Tive que sorrir.
- “Que diversão?” - ela murmurou calmamente, mordendo outro pedaço de
pizza.
- “O início da primavera é a temporada de ursos preferida de Emmett…” -
Eu disse,
continuando com a lição. - “Eles estão saindo da hibernação, então são
mais irritadiços.”
Setenta anos depois, e ele ainda não tinha superado o fato de ter perdido
aquela pr imeira
briga.
- “Não há nada mais divertido do que um urso pardo irritado.” - Bella
concordou, acenando
solenemente.
Não consegui reprimir uma risadinha quando sacudi a cabeça com a
calma ilógica dela.
Tinha que ser fingida. - “Me diga o que realmente está pensando, por
favor.”
- “Estou tentando imaginar… mas não consigo” - ela disse, a pequena ruga
aparecendo
entre seus olhos. - “Como vocês caçam um urso sem armas?”
- “Ah, nós temos armas” - eu disse a ela, então abri um largo sorriso.
Esperava que ela se
encolhesse, mas ela ficou parada, me olhando. - “Mas não do tipo que
consideram quando
redigem as leis de caça. Se já viu um ataque de urso pela televisão, deve
poder visualizar
Emmett caçando.”
Ela espirou em direção a mesa onde os outros sentavam, e trem eu.
Finalmente. Então eu ri comigo mesmo, porque parte de mim queria que
ela continuasse
alheia.
Seus olhos escuros estavam arregalados e profundos quando voltou a me
olhar. - “Você
também é como um urso?” - ela perguntou, quase su ssurrando.
- “Mais como o leão, ou é o que me dizem.” - disse a ela, lutando para
parecer desatado
novamente. Talvez nossas preferências sejam indicativas.
Os lábios dela se levantaram um pouco nos lados. - “Talvez.” - ela repetiu.
E então a cabeça
dela pendeu para o lado, e curiosidade estava inesperadamente clara em
seus olhos. - “É
uma coisa que eu poderia ver?”
Eu não precisava das imagens de Alice para ilustrar esse horror - minha
imaginação já era
boa o suficiente.
- “Claro que não!” - rosnei para ela.
Ela se desviou para longe de mim, seus olhos surpresos e assustados.
Eu me afastei também, querendo deixar algum espaço entre nós. Ela
nu nca iria ver, iria?
Ela não faria nenhuma coisa para me ajudar a mantê -la viva.
- “É assustador demais para mim?” - ela perguntou a voz composta. Seu
coração, no
entanto, ainda estava se movimentando em tempo dobrado.
- “Se fosse assim, eu levaria você esta noite” - eu revidei pelos dentes. -
“Você precisa de
uma dose saudável de medo. Nada pode ser mais benéfico para você.”
- “Então por quê?” - ela pediu, sem recuar.
A encarei sombriamente, esperando que ela ficasse com medo. Eu estava
com medo. Podia
imaginar muito claramente Bella enquanto eu caçava…
Os olhos delas continuaram curiosos, impacientes, nada mais. Ela esperou
por sua resposta,
sem desistir.
Mas nossa hora tinha terminado.
- “Depois.” - eu repreendi, e me pus de pé. - “Vamos nos atrasar.”
Ela olhou ao seu redor, desorientada, como tivesse esquecido de que
estava no almoço.
Como se tivesse esquecido que estávamos na escola - surpresa que nãos
estivéssemos
sozinhos em algum lugar particular. Eu entendia exatamente esse
sentimento. Era difícil
lembrar do resto do mundo quando eu estava com ela.
Ela se levantou rapidamente, sacudindo a cabeça uma vez, e então jogou a
mochila no
ombro.
- “Depois, então.” - ela disse, e eu pude ver a determinação se formar em
sua boca; ela ia
me segurar nesse assunto.
Capítulo 12 - Complicações
Bella e eu andamos silenciosamente até a aula de biologia. Eu estava
tentando me focar no
momento, na garota ao meu lado, no que era real e sólido, em qualqu er
coisa que
mantivesse as visões enganosas e sem sentido da Alice longe de minha
cabeça.
Nós passamos por Angela Weber, lentamente na calçada, discutindo um
exercício com um
garoto de sua aula de trigonometria. Eu vistoriei os pensamentos dela
mecanicamente,
esperando mais desapontamentos, somente para ser surpreendido por seu
teor melancólico.
Ah, então havia algu ma coisa que Angela queria. Infelizmente, não era algo
que podia ser
facilmente embrulhado para presente.
Eu me senti estranhamente confortável por um momento, ouvindo a falta
de esperança
gritante de Angela. Um senso de afinidade de que Angela nunca tomaria
conhecimento
passou por mim, e eu estava, naquele segundo, quite com aquela garota
hu mana. Eu estava
estranhamente consolado em saber que eu não era o único a viver uma
trágica história de
amor. Corações quebrados estavam por toda parte.
No segundo seguinte, eu estava abruptamente e completamente irritado.
Porque a história
de Angela não tinha que ser trágica. Ela era humana e ele era humano e a
diferença que
parecia tão intransponível em sua cabeça era ridícula, realmente ridícula
comparada à
minha própria situação. Não havia razão em seu coração quebrado.
Que tristeza mais sem sentido, quando não havia nenhuma razão válida
para ela não estar
com quem ela queria. Por que ela não tinha o que ela queria? Por que essa
história não tinha
um final feliz?
Eu queria dar a ela um presente… Bem, eu devia dar a ela o que ela
queria. Sabendo o meu
efeito sob a natureza humana, isso provavelmente não devia ser muito
difícil. Eu analisei
cuidadosamente a consciência do garoto ao seu lado, o objeto de sua
afeição, e ele não
pareceu relutante, ele somente estava bloqueado pela mesma dificuldade
que ela e stava.
Falta de esperança e submisso, assim como ela.
Tudo que eu tinha que fazer era implantar a sugestão…
O plano se formou facilmente, o script se escreveu sozinho sem esforço
algum de minha
parte. Eu precisaria da ajuda de Emmet - convencê-lo a ir adiante com
isso era a única
dificuldade de verdade. A natureza humana era muito mais fácil de se
manipular do que a
natureza vampírica.
Eu estava satisfeito com a minha solução, com o meu presente para
Angela. Era uma boa
distração de meus próprios problemas. Gostaria que os meus fossem tão
fáceis de serem
resolvidos.
Meu humor estava lentamente melhorando enquanto eu e Bella nos
sentávamos em nossos
lugares. Talvez eu devesse ser mais positivo. Talvez existisse alguma
solução para nós que
estava me escapando, do mesmo jeito que a solução óbvia para Angela não
estava visível
para ela. Não é muito provável… mas por que perder tempo com falta de
esperança? Eu
não tinha tempo a perder quando se tratava de Bella. Cada segundo
importava.
O Senhor Banner centralizou uma velha TV e vídeo. Ele estava pulando
uma sessão que ele
não estava particularmente interessado - doenças genéticas - mostrando
um vídeo nos
próximos três dias. O Óleo de Lorenzo não era uma peça mu ito alegre, mas
isso não parou a
excitação na sala. Sem anotações, sem materiais de teste. Três dias livres.
Os humanos
exultavam.
Isso não me importava muito, de qualquer forma. Eu não tinha planejado
em prestar
atenção em nada além de Bella.
Eu não puxei a minha cadeira para longe dela hoje, para me dar espa ço
para respirar. Ao
invés disso, eu sentei perto, ao lado dela, como qualquer humano normal
faria. Mais perto
do que nós sentamos dentro do carro, perto o suficiente para que o lado
esquerdo do meu
corpo submergisse no calor que saía de sua pele.
Era uma experiência estranha, tanto agradável quanto extremamente
irritante, mas eu
preferia isso a sentar de frente para ela na mesa. Isso era mais do que eu
estava acostumado,
e ainda eu rapidamente percebi que não era o suficiente. Eu não estava
satisfeito. Est ando
tão perto assim dela eu queria estar mais perto. A força era maior quanto
mais perto eu
estava.
Eu tinha a acusado de ser um imã para o perigo. Agora mesmo, eu sentia
que isso era
literalmente verdade. Eu era o perigo, e, cada centímetro que eu me
permitia ficar mais
próximo dela, sua força de atração aumentava.
E então o Senhor Banner desligou as luzes.
Foi diferente, quanto de diferença isto fez, considerando que a falta da luz
significa pou co
aos meus olhos. Eu podia ver perfeitamente quanto antes. Cada detalhe da
sala era claro.
Então por que o súbito choque de eletricidade no ar, na sala escura que
não era escura para
mim? Era porque eu sabia que eu era o único que podia ver claramente?
Ambos, Bella e eu
éramos invisíveis para os outros? Como se es tivéssemos sozinhos,
somente nós dois,
escondidos em uma sala escura, sentados tão perto u m do outro…
Minha mão se moveu na direção dela sem a minha permissão. Somente
para tocar a sua
mão, segurá-la na escuridão. I sso teria sido um engano horrível? Se a m
inha pele a
incomodasse, ela só teria que puxar sua mão para longe…
Eu puxei rapidamente minha mão de volta, cruzando meus braços
firmemente contra o meu
peito e cerrei minhas mãos. Sem erros. Eu tinha prometido a mim mesmo
que eu não
cometeria erros, não importassem quão mínimos eles parecessem. Se eu
segurasse a sua
mão, eu iria querer mais - outro toque insignificante, outro movimento
para mais perto dela.
Eu podia sentir isso. Um novo tipo de desejo estava crescendo em mim,
lutando para
superar meu auto-controle.
Sem erros.
Bella cruzou seus braços com segurança sob seu próprio peito, e suas
mãos estavam
travadas como bolas, assim como as minhas.
O que você está pensando? Eu estava morrendo para murmurar as
palavras para ela, mas a
sala estava quieta o suficiente para se ouvir a mínima conversação.
O filme começou, iluminando a escuridão um pouco. Bella olhou para
mim. Ela notou a
maneira rígida que eu mantinha meu corpo - assim com o ela - e sorriu.
Seus lábios se
repartiram lentamente, e seus olhos parec iam cheios de calorosos
convites.
Ou eu estava vendo o que eu queria ver.
Eu sorri de volta; sua respiração saiu em um baixo ofego e ela olhou
rapidamente para
longe. Isso piorou as coisas. Eu não conhecia seus pensamentos, mas eu
estava
repentinamente positivo de que eu estava certo antes, e ela queria me
tocar. Ela sentia esse
desejo perigoso assim como eu.
Entre o seu corpo e o meu, a intensa eletricidade.
Ela não se moveu pelo resto da hora, mantendo -se rígida, postura
controlada enquanto eu
me segurava.
Ocasionalmente, ela me espiava de novo, e a eletricidade se agitava como
se um raio
passasse por mim de forma repentina.
A hora passou - mesmo assim suficientemente lenta. Isso era tão novo, eu
poderia ficar
sentado aqui ao lado dela por todo o dia, só p ara experimentar esse
sentimento por
completo.
Eu tinha dúzias de diferentes argumentos para discutir comigo mesmo
enquanto os minutos
passaram. Racionalidade lutando contra desejo enquanto eu tentava
justificar tê -la tocado.
Finalmente, Sr. Banner ligou a s luzes novamente.
Na brilhante luz fluorescente, a atmosfera do quarto voltou ao normal.
Bella suspirou e se espreguiçou, esticando os braços na sua frente. Isto
deve ter sido
desconfortável para ela se manter naquela posição por muito tempo. Era
mais fác il para
mim - a imobilidade vinha naturalmente.
Eu soltei um risinho pela expressão de alivio em sua face. “Bem, aquilo foi
interessante.”
“Hmm,” ela murmurou, claramente entendendo sobre o que eu me referi,
mas sem fazer
comentários. Eu daria tudo para ou vir o que ela estava pensando naquele
instante.
Eu suspirei. Nem toda a vontade do mundo me ajudaria com aquilo.
“Devemos?” Eu perguntei, me levantando.
Ela fez uma careta e se pôs de pé de uma maneira instável, com suas
mãos espalmadas
como se ela estivesse com medo de que fosse cair.
Eu poderia oferecer minha mão. Ou poderia colocar minha mão por baixo
de seu cotovelo -
bem sutilmente - e apoiá-la. Claramente não seria uma infração horrível…
Sem equívocos.
Ela estava muito quieta enquanto caminhávamos atr avés do ginásio.
Entre seus olhos uma
ruga se fazia evidente, um sinal de que ela não havia dormido muito. Eu,
também, estivera
pensando profundamente.
Um toque em sua pele não iria machucá -la, argumentava meu lado
egoísta.
Eu poderia facilmente moderar a pressão de minhas mãos. Isso não era
algo dificil,
enquanto eu conseguisse me controlar. Meu senso tátil era melhor
desenvolvido do que o
de um humano. Eu poderia fazer malabarismos com uma dúzia de cristais
sem quebrar
nenhum. Eu poderia tocar uma bolha d e sabão sem estourá-la. Enquanto
eu estivesse em
meu pleno controle…
Bella era como uma bolha de sabão - frágil e efêmera. Temporária.
Por quanto tempo eu seria capaz de justificar a minha presença em sua
vida? Quanto tempo
eu ainda tinha? Eu teria outra chance, como esta, como este momento,
este segundo?
Ela não estaria sempre ao alcance de meus braços…
Bella virou-se para olhar-me à porta do ginásio, seus olhos arregalaram-se
diante da
expressão de meu rosto. Ela nada falou. Eu olhei para mim mesmo atravé
s do reflexo de
seus olhos e vi o conflito dentro de mim. Assisti a minha face se alterar
enquanto meu
melhor lado perdia o argumento.
Minha mão se levantou, sem um comando consciente para que isso
acontecesse. Tão
gentilmente como se ela fosse feita do ma is fino vidro, como se ela fosse
tão frágil como
uma bolha, meu s dedos tocaram a pele quente que cobria sua bochecha.
Ela esquentou ao
meu toque e eu pude sentir seu sangue pulsar por baixo de sua pele alva.
Já chega, eu ordenei, apesar de minha mão estar lutando para acariciar
sua face. Já chega.
Foi dificil de trazer minha mão de volta, de me fazer parar de me mover
mais próximo a ela
do que eu já mais havia estado. Milhares de diferentes possibilidades
explodiram em minha
mente em u m átmo - milhares de maneiras de tocá-la. A ponta do meu
dedo traçando o
contorno de seus lábios. Minha palma acariando seu queixo. Puxando a
presília de seus
cabelos e deixando ele se espalhar em minha mão. Meus braços
envolvendo -a pela cintura,
segurando-a contra a extensão de meu corpo.
Já chega.
Eu forcei-me a virar, para mover-me para longe dela. Meu corpo moveu -se
pesadamente,
sem vontade.
Deixei minha mente hesitante para olhá -la enquanto eu caminhava
apressadamente para
longe, quase correndo da tentação. Eu capturei os pensamentos de Mike
Newton - eram os
mais au díveis - enquanto ele via Bella passar por ele sem notá -lo, seus
olhos sem foco e
suas bochechas coradas. Ele se enfureceu e de repente meu nome se
misturava a maldições
em sua mente. Eu não ajudei muito, sorrind o sarcásticamente em
resposta.
Minhas mãos estavam formigando. Eu as flexionei e então cerrei os
punhos, mas elas
continuaram a me aferroar de forma indolor.
Não, eu não havia machucado ela - mas ainda assim, tocá-la havia sido
um erro.
Eu me sentia em chamas - como se a sede ardente em minha garganta
tivesse se espalhado
por todo o meu corpo.
Na próxima vez que eu estivesse próximo a ela, seria eu capaz de me
impedir de tocá -la
novamente? E se eu a toquei uma vez, seria eu capaz de parar por aí?
Sem mais equívocos. Era isso. Contenta-te com a memória, Edward, eu
disse para mim
mesmo, rindo, e guarda tuas mãos para ti mesmo. Era isso ou eu teria que
forçar -me a
partir, de alguma forma. Pois eu não poderia permitir a mim mesmo de
estar perto dela se
eu insistisse em cometer estes erros.
Eu respirei profundamente e tentei afirmar meus pensamentos.
Emmet me encontrou do lado de fora do prédio de Inglês.
“Ei, Edward.” Ele parece melhor, estranho, mas melhor. Feliz .
“Ei, Em.” Pareço feliz? Creio que sim, apesar d o caos em minha mente, eu
me sentia dessa
forma.
É melhor você manter a boca f echada, garoto. Rosalie quer arrancar sua
língua fora .
Eu suspirei. “Me desculpe por tê -lo deixado encarregado disso. Está bravo
comigo?”
“Naw. Rose vai superar isto. Era algo qu e estava destinado a acontecer de
qualquer jeito.”
Assim como o que Alice viu…
As visões de Alice são algo que eu não quero pensar nesse instante. Eu
olhei para o vazio,
meus dentes travados juntos.
Enquanto eu procurava por alguma distração, eu capturei u m
pensamento de Ben Cheney,
entrando na sala de Espanhol na nossa frente. Ah - aqui estava minha
chance de dar a
Angela Weber o seu presente.
Eu parei de andar e peguei no braço de Emmet. “Espere um segundo.”
Que foi?
“Eu sei que não mereço, mas você me fa ria um favor?”
“O que é?” ele me perguntou, curioso.
Su ssurradamente - e numa velocidade que faria as palavras
incompreensíveis para qualquer
hu mano, não importasse quão audíveis elas fossem ditas - eu expliquei a
ele o que eu
queria.
Ele me fitou, pasmo, quando eu terminei. Seus pensamentos tão confusos
quanto a sua
expressão.
“E então?” eu perguntei. “Vai me ajudar a fazê -lo?”
Levou um minuto para que ele respondesse. “Mas, por que?”
“Qual é, Emmet. Por que não?”
Quem diabos é você e o que f ez com o meu i rmão?
“Não é você que sempre reclama da escola ser sempre igual? Isto é algo um
tanto diferente,
não acha? Considere isto um experimento - um experimento sobre a
natureza humana.”
Ele me fitou por mais um momento antes de dizer. “Bem, isto é diferente,
eu o farei…
Okay, ótimo.” Emmet bufou e encolheu os ombros. “Eu vou te ajudar.”
Eu sorri para ele, me sentindo mais entusiasmado sobre o meu plano,
agora que ele estava a
bordo. Rosalie era um saco, mas eu sempre devia a ela por ter escolhido
Emmet, ninguém
tinha um irmão melhor que o meu.
Emmet não precisaria praticar. Eu sussurrei as instruções para ele, por
sob a minha
respiração enquanto entravamos na sala de aula.
Ben já estava em sua cadeira, atrás da minha, ajeitando seu dever de casa
para entregar.
Emmet e eu, ambos sentamos e fizemos o mesmo. A classe ainda não
estava em silêncio; o
burburinho de conversas paralelas continuaria até que a senhora Goff
chamasse a atenção.
Ela não tinha pressa, estava contemplando os questionários da aula
passada.
“Então,” Emmet disse, sua voz mais alta que o necessário - se ele estivesse
realmente
falando apenas para mim. “Você já convidou a Angela Weber para sair?”
O som de papéis farfalhado atrás de mim cessou abruptmente enquanto
Ben congelava, sua
atenção repentinamente cravada na nossa conversa.
Angela? Eles estão falando de Angela?
Bom. Eu tinha a sua atenção.
“Não,” eu disse, balançando minha cabeça lentamente para parecer
arrependido.
“Por que não?” Emmet improvisou. “Está com medo?”
Eu sorri para ele. “Não, eu ou vi dizer que ela está interessada em outra
pessoa.”
Edward Cullen vai chamar Angela para sair? Mas… Não. Eu não gosto
disto. Eu não o
quero perto dela. Ele não… não é bom para ela. Não é… seguro.
Eu não havia previsto o cavalheirism o, o instinto protetor. Eu queria a
inveja. Mas qualquer
coisa funcionaria.
“Você vai deixar isso impedir você?” Emmet perguntou, improvisando
novamente. “Não
está a fim de competição?”
Eu me espantei com ele mas fiz uso do que ele me deu. “Olha, eu acho que
ela realmente
gosta desse tal de Ben. Eu não vou tentar persuadi -la do contrário. Há
outras garotas.”
A reação na cadeira atrás da minha foi elétrica.
“Quem?” Emmet perguntou, de volta ao script.
“Meu parceiro de laboratório disse que é algum garoto chamado Cheney.
Eu acho que não
sei quem é.”
Eu mordi meus lábios para não sorrir. Apenas os poderosos Cullens
poderiam convencer
alguém com esse fingimento de não conhecer cada aluno dessa escola
simplória.
A cabeça de Ben estava rodando em parafuso. Eu? Acima de Edward
Cullen? Mas porque
ela iria gostar de mim?
“Edward,” Emmet murmurou em um tom baixo, indicando o garoto com os
olhos. “Ele está
bem atrás de você,” ele mexeu os lábios, de uma maneira tão óbvia que o
hu mano
facilmente pode ler as palavras.
“Oh,” eu murmurei de volta.
Eu virei meu acento e olhei uma vez para o garoto atrás de mim. Por um
segundo, os olhos
negros, atrás dos óculos, estavam amedrontados, mas então ele enrijeceu e
alinhou seus
ombros estreitos, afrontado pela minha clara e depreciativa avaliação. Seu
que ixo se
projetou e uma vermelhidão de raiva escureceu sua pele bronzeada.
“Huh,” eu disse arrogantemente enquanto me voltava para Emmet.
Ele pensa que é melhor que eu. Mas Angela não. Eu mostrarei a ele.
Perfeito.
“Você não disse que ela levaria Yorkie par a o baile?” Emmet perguntou,
roncando ao dizer
o nome do garoto demonstrando o quanto desprezava sua esquisitice.
“Aparentemente esta foi uma decisão tomada pelo grupo.” Eu queria ter
certeza de que Ben
estava escutando claramente. “Angela é tímida. Se B - se um garoto não
tiver coragem de
chamá-la, ela nunca chamaria”.
“Você gosta de garotas tímidas,” Emmet disse improvisando. Garotas
quietas. Garotas
tipo… hmm, eu não sei. Talvez Bella Swan?
Eu sorri para ele. “Exatamente.” Depois eu voltei para a encenaç ão.
“Talvez Angela se
canse de esperar. Talvez eu a chame para o baile.”
Não, você não vai. Ben pensou, sentando-se em sua cadeira. E daí que ela
é muito maior
que eu? Se ela não se importar, eu também não me importo. Ela é a garota
mais legal,
mais esperta e mais bonita dessa escola. E ela me quer.
Eu gostei desse Ben. Ele parecia brilhante e bem esclarecido. Talvez até
merecesse uma
garota como Angela.
Eu mostrei meu polegar para Em met por debaixo da carteira enquanto a
Sra. Goff parou e
saudou a classe.
Ok, eu admito - isso foi um tanto engraçado, Emmet pensou.
Eu sorri para mim mesmo, feliz por ter sido capaz de fazer uma história de
amor ter um
final feliz. Eu sabia que Ben ia cair na armadilha e que Angela iria receber
meu presente
anônimo. Minha dívida foi paga.
Que tolos eram os humanos, deixar um diferencial de 15 centímetros
confundir sua
felicidade.
Meu sucesso me deixou de bom humor. Eu sorri novamente enquanto me
arrumava em
minha cadeira para ser entretido. Afinal de contas, como Bella disse no
almoço, eu nunca a
havia visto em ação em uma aula de educação física antes.
Os pensamentos de Mike eram os mais fáceis de encontrar no monte de
vozes que havia
pela quadra. Sua mente tinha se tornado bem familiar nas últimas
semanas. Com um
suspiro eu me renunciei para ouvir através dele. Pelo menos eu poderia ter
certeza que ele
estaria prestando atenção em Bella.
Eu estava quase pronto para ouvir ele se oferecendo para ser o parceiro de
Bella. Meu
sorriso se fechou, meus dentes se apertaram e eu tive qu e lembrar a mim
mesmo que matar
Mike Newton não era uma opção permissível.
“Obrigada, Mike - você não precisa fazer isso, sabe?”
“Não se preocupe, eu ficarei fora de seu caminho.”
Eles sorriram um para o outro, e flashes de numerosos acidentes - todos
conectados a Bella
de alguma forma - se passando pela cabeça de Mike.
Mike jogou sozinho primeiro, enquanto Bella hesitava na metade de trás
do pátio,
segurando sua raqu ete cautelosamente, como se ela fosse alguma espécie
de arma. Então o
treinador bateu palmas enquanto caminhava e disse a Mike para deixar
Bella jogar.
Uh oh, Mike pensou enquanto Bella caminhava com um suspiro,
segurando sua raqu ete em
um ângulo estranho.
Jennifer Ford jogou diretamente na direção de Bella com uma satisfação
rondando seu s
pensamentos. Mike viu Bella dar uma guinada, batendo a raquete muito
longe de seu alvo,
e ele entrou para tentar salvar a jogada.
Eu observei a trajetória da raquete de Bella com atenção. Com certeza ela
tinha acertado a
rede esticada e saltou de volta para ela , dando uma pancada em sua testa
antes de quicar
para acertar o braço de Mike com um ressonante “thwack”.
Ow. Ow. Uhm. Isso vai deixar um hematoma.
Bella estava esfregando sua testa. Era difícil para mim ficar parando no
lugar onde eu
estava, sabendo que ela estava machucada. Mas o que eu poderia fazer se
estivesse lá? E
não parecia ser algo sério… eu hesitei, assistindo. Se ela tentasse
continuar a jogar, eu teria
que arrumar uma desculpa para tirá -la da aula.
O treinador riu. “Desculpe, Newton.” Essa garo ta era a mais azarada que
eu já tinha visto.
Não devia infligir sua presença aos outros.
Ele virou suas costas deliberadamente e se moveu para assistir a outro
jogo para que Bella
pudesse voltar ao seu lugar de espectadora.
Oh, Mike pensou de novo, massageando seu braço. Ele se virou para Bella.
“Você está
bem?”
“Sim, e você?” ela perguntou timidamente, corando.
“Acho que posso superar.” Não queria parecer um bebê chorão. Mas, cara,
aquilo doía!
Mike balançou seu braço em um círculo, retrocedendo.
“Eu ficarei aqui atrás,” Bella disse, além de dor, vergonha e desgosto em
sua expressão.
Talvez Mike tivesse feito o pior. Eu certamente esperava que esse fosse o
caso. Pelo menos
ela não estava mais jogando. Ela segu rou sua raquete com tanto cuidado
atrás de suas
costas, seus olhos grandes com remorso… eu tive que disfarçar a risada
em u ma tossida.
O que é engraçado? Emmet quis saber.
“Te digo depois,” eu murmurei.
Bella não se aventurou a jogar de novo. O treinador a ignorou e deixou
Mike jogar sozinho.
Eu fiz os exames rapidamente, ao final de uma hora e Sra. Goff me deixou
sair mais cedo.
Eu estava ouvindo Mike atentamente enquanto cruzava o campus. Ele
havia decidido
confrontar Bella a meu respeito.
Jessica jura que eles estão se vendo. Por que? Por que ele tin ha que
escolhe-la?
Ele não havia reconhecido o fenômeno real - que ela me escolheu.
“Então.”
“Então o que?” ela perguntou.
“Você e Cullen, hein?” Você e o esquisitão. Eu me pergunto, se um cara rico é
tão
importante para você.
Eu cerrei os dentes sob sua degradante suposição.
“Isso não é da sua conta, Mike.”
Defensiva. Então é verdade. Droga. “Eu não gosto disso.”
“Você não precisa gostar.” ela rebateu.
Por que ela não podia ver o show de circo que ele era? Como eles todos são.
O jeito que
ele fica perto dela. Me dá até calafrios de ver. “Ele olha para você como…
como se você
fosse algo comestível.”
Eu me encolhi, esperando pela resposta dela.
Seu rosto se tornou vermelho brilhante, e seus lábios se fecharam com
força, como se ela
estivesse segurando a respi ração. Então, subitamente, um riso falso saiu
de seus lábios.
Agora ela está rindo de mim. Ótimo.
Mike se virou, com pensamentos sombrios e foi se trocar.
Eu me encostei na parede da quadra e tentei me recompor.
Como ela poderia ter rido da acusação de Mik e - uma acusação tão certa
que comecei a
pensar que Forks tinha se tornado muito percebido… Por que ela riria da
acusação de que
eu poderia matá-la, quando ela sabia que isso era inteiramente verdade?
Onde estava o
hu mor nisso?
O que havia de errado com ela?
Ela tinha um senso de humor mórbido? Que não se encaixava com a idéia
que eu tinha de
seu caráter, mas como eu poderia ter certeza? Ou talvez meu sonho de que
o tolo anjo
estava certo sobre u ma coisa, que ela não sentia medo. Corajosa - essa era
uma palavra para
isso. Outros poderiam dizer estúpida, mas eu sabia quão inteligente ela
era. Não importa
por que razão, essa falta de medo ou senso de humor retorcido não era
bom para ela. Era
essa estranha falta de medo que a colocava em perigo tão constantemen
te? Talvez ela
precisasse de mim aqui para sempre…
De repente, meu humor estava aceso.
Se eu pudesse simplesmente me disciplinar, me fazer seguro, então talvez
fosse certo para
mim ficar com ela.
Quando ela saiu pelas portas da quadra, seus ombros estavam duros e
seu lábio inferior
estava entre seus dentes de novo - um sinal de ansiedade. Mas assim que
seus olhos
encontraram os meus, seus ombros rígidos relaxaram e um largo sorriso
apareceu em seu
rosto. Essa era uma estranha expressão de paz. Ela caminhou em minha
direção sem
hesitar, só parando quando ela estava tão perto que a temperatura de seu
corpo bateu em
mim como uma onda de maré.
“Oi,” ela su ssurrou.
A felicidade que eu senti nesse m omento era, novamente, sem precedentes.
“Olá,” eu disse, e depois - porque com meu humor subitamente tão leve eu
não podia
resistir em importuná-la - eu adicionei “Como foi a educação física?”
Seu sorriso hesitou. “Bem.”
Ela era uma péssima mentirosa.
“Sério?” eu perguntei, pressionando -a - eu ainda estava preocupado com
sua cabeça; ela
estava sentindo dor? - mas então os pensamentos de Mike Newton
estavam tão altos que
quebraram minha concentração.
Eu o odeio. Eu queria que ele morresse. Eu desejo que ele bata aquele
carro brilhante
diretamente contra um penhasco. Por qu e ele não pode simplesmente
deixá -la em paz?
Debandar para seu próprio tipo - para os esquisitos.
“O que?” Bella exigiu.
Meu s olhos se refocaram em seu rosto. Ela olhou para as costas de Mike e
depois de volta
para mim.
“Newton me deixa nos nervos,” eu adm iti.
Su a boca se abriu e seu sorriso desapareceu. Ela devia ter se esquecido
que eu tinha o poder
de assistir sua última hora calamitosa, ou tinha esperança de que eu não
o tivesse utilizado.
“Você estava ou vindo de novo?”
“Como está sua cabeça?”
“Você é inacreditável!” ela disse através dos dentes e então me deu as
costas e cruzou
furiosamente o estacionamento. Sua pele ruborizou e ficou vermelho -
escura - ela estava
envergonhada.
Eu continuei andando com ela, esperando que sua raiva passasse logo. Ela
norm almente era
rápida para me perdoar.
“Foi você quem disse que eu nunca tinha visto você na educação física,” eu
expliquei. “Isso
me deixou curioso.”
Ela não respondeu; suas sobrancelhas se juntaram.
Ela parou subitamente no estacionamento quando ela percebe u que o
caminho para o meu
carro estava bloqueado por uma multidão de estudantes do sexo
masculino.
Eu me pergunto quão rápido eles andam nisso.
Olhe só a marcha SMG paddles. Eu nunca os havia visto fora das páginas
de revista.
Belos side grills.
Com certeza eu queria ter 60 mil dólares para passear…
Esse era exatamente o motivo pelo qual era melhor que usássemos apenas
o carro de
Rosalie.
Eu caminhei da multidão de garotos cheios de luxúria para o meu carro;
depois de um
momento de hesitação, Bella me segu iu.
“Ostentação,” eu mu rmurei quando ela entrou no carro.
“Que tipo de carro é esse?” ela se perguntou.
“Um M3.”
“Eu não leio a Carro e Motorista.”
“É um BMW.” Eu rolei meus olhos e os foquei na ré para não passar por
cima de ninguém.
Eu tive de encarar alguns meninos que não pareciam querer sair do meu
caminho. Meio
segundo encarando meu olhar pareceu ser suficiente para convencê -los.
“Você ainda está brava?” eu perguntei a ela. Sua expressão estava
relaxada.
“Definitivamente,” ela respondeu brevemente.
Eu suspirei. Talvez eu não devesse ter contado a ela. Oh, bem, eu poderia
dar uma
recompensa, eu supunha. “Você me perdoará se eu pedir desculpas?”
Ela pensou sobre isso por um momento. “Talvez… se você realmente
estiver arrependido,”
ela decidiu. “E se você prometer não fazer isso de novo.”
Eu não ia mentir para ela, mas não havia jeito de prometer isso a ela.
Talvez se eu
oferecesse uma boa troca.
“Que tal se eu realmente estiver arrependido e eu concordar em deixar
você dirigir no
sábado?” Eu contraí os músculos com esse pensamento.
A ruga entre seus olhos enquanto ela considerava a nova barganha.
“Feito,” ela disse depois
de um momento pensando.
Agora, para minhas desculpas… eu nunca tinha tentado deslumbrar Bella
de propósito
antes, mas agora parecia ser uma boa hora. Eu olhei no fundo de seus
olhos enquanto eu
dirigia para longe da escola, me perguntando se eu estava fazendo o
caminho correto. Eu
usei meu tom mais persuasivo.
“Então, eu sinto muitíssimo por ter deixado você triste.”
Seu batimento cardíaco acelerou e ficou mais alto que antes e o ritmo ficou
abruptamente
destacado (Referente à musica. Modo de executar destacando nitidamente
cada nota.) Seus
olhos se abriram um pouco, parecendo atordoados.
Eu dei um meio-sorriso. Pareceu que eu tinha feito c orretamente. É claro
que eu estava
tendo um pouco de dificuldade olhando através de seus olhos também. Eu
estava
igualmente deslumbrado. Ter essa estrada memorizada era uma boa coisa.
“E eu estarei à sua porta cedo no sábado de manhã,” eu adicionei, finali
zando o acordo.
Ela piscou rapidamente, balançando a cabeça como se para clareá -la.
“Uh,” ela disse “Não
ajudaria muito com a história para o Charlie se eu não explicar um Volvo
deixado na
garagem.”
Ah, como ela me conhecia pouco. “Eu não pretendia levar u m carro.”
“Como-” ela começou a perguntar.
Eu a interrompi. A resposta seria difícil de explicar sem uma
demonstração, e agora não era
o momento certo. “Não se preocupe com isso. Eu estarei lá. Sem carro.”
Ela entortou um pouco a cabeça para o lado, e me o lhou por um segundo
como se fosse me
pressionar para saber mais, mas depois pareceu mudar de idéia.
“Já está muito tarde?” ela perguntou, me lembrando da conversa
interminada na cafeteria
mais cedo; ela esqueceria u ma pergunta difícil apenas para se lembra r de
outra pior.
“Eu acho que está tarde,” eu concordei sem vontade.
Eu estacionei em frente à sua casa, tenso em pensar em como explicar…
sem deixar muito
evidente minha monstruosa natureza, sem assustá -la novamente.
Ela esperou com a mesma máscara educad amente interessada que ela
havia usado no
almoço. Se eu tivesse sido menos ansioso, sua calma teria me feito rir.
“E você ainda quer saber por que não pode me ver caçar?” eu perguntei.
“Bem, na verdade eu estava imaginando sua reação,” ela disse.
“Eu assustei você?” eu perguntei, certo de que ela negaria.
“Não.”
Eu tentei não rir. E falhei. “Peço desculpas por ter assustado você.” E
então meu sorriso se
desfez com o humor momentâneo. “Foi só o pensamento de ter você lá…
enquanto nós
caçam os.”
“I sso seria ruim?”
A figura mental era demais - tão vulnerável na escuridão vazia; eu, fora de
controle. Eu
tentei banir isso da minha cabeça. “Extremamente.”
“Por que…?”
Eu respirei fundo, me concentrando por um momento na sede que
queimava. Sentindo -a,
monitorando-a, provando minha dominação sobre ela. Ela nunca me
controlaria novamente
- eu desejei que isso fosse verdade. Eu seria seguro por ela. Eu olhei para
as nuvens bem
vindas sem realmente vê-las, desejando que minha determinação fizesse
alguma diferença
se eu estivesse caçando quando sentisse seu cheiro.
“Quando caçamos… nos entregamos aos nossos instintos,” eu disse a ela,
pensando em
cada palavra antes de dizê-las. “Governamos menos a mente.
Especialmente o olfato. Se
você estivesse em algum lugar por perto enq uanto eu estivesse fora de
controle desse
jeito…”
eu balancei minha cabeça com agonia ao pensar no que iria - não no que
poderia, mas no
que iria - certamente acontecer.
Eu ouvi o espigão em seus batimentos e depois me voltei, sem descanso,
para ler seus
olhos.
Su a face estava composta, seu s olhos graves. Sua boca estava levemente
cerrada, o que eu
pensava ser preocupação. Mas preocupação com o quê? Sua própria
segurança? Ou minha
angú stia? Eu continuei a olhar para ela, tentando traduzir sua expressão
ambí gua em fato
concreto.
Ela olhou de volta. Seus olhos ficaram maiores por um instante e suas
pupilas se dilataram,
embora a luz não tivesse mudado.
Minha respiração acelerou e, de repente, o silêncio no carro parecia zunir,
como na escura
sala de biologia naquela tarde. A pulsação corrente passou entre nós
novamente, e meu
desejo de tocá-la era, brevemente, mais forte que a demanda da minha
sede.
A pulsante eletricidade me fez sentir como se eu tivesse pulsação de novo.
Meu corpo
cantou com isso. Eu me senti quase… humano. Mais que qualquer coisa
no mundo, eu
queria sentir os lábios dela contra os meus. Por um segundo, eu lutei
desesperadamente
para encontrar a força, o controle, para poder colocar minha boca tão
perto de sua pele.
Ela sugou uma quantidade enorme de ar e só então eu percebi que quando
minha respiração
acelerou, ela parou de respirar no mesmo momento.
Eu fechei meus olhos, tentando quebrar a conexão entre nós.
Sem mais erros.
A existência de Bella estava atada a milhões de delicados processos q
uímicos, todos tão
facilmente rompidos. A rítmica expansão de seu s pulmões, a passagem de
oxigênio, era
vida ou morte para ela. A cadência agitada de seu frágil coração poderia
ser parada por
tantos acidentes idiotas, ou doenças, ou… por mim.
Nenhum membro de minha família hesitaria se lhes fosse dada uma
chance de voltar atrás -
se imortalidade pudesse ser trocada pela mortalidade de novo. Qualquer
um no nosso
mundo ficaria no fogo por isso. Queimaria por quantos anos ou séculos
fosse necessário.
A maioria de nossa espécie prezava a imortalidade mais que qualquer
coisa. Existiam até
certos humanos que buscavam isso, que procuravam em lugares escuros
alguém que
pudesse lhes dar o mais sombrio dos presentes…
Não nós. Não minha família. Nós poderíamos trocar q ualquer coisa para
sermos humanos.
Mas nenhum de nós já esteve desesperado por um caminho de volta como
eu estava agora.
Eu olhei para as microscópicas fossas e defeitos no pára -brisas, como se
houvesse alguma
solução escondida no vidro. A eletricidade não havia desaparecido, e eu
tive que me
concentrar para manter minhas mãos no volante.
Minha mão direita começou a latejar sem dor de novo, de quando eu a
havia tocado antes.
“Bella, eu acho que você devia entrar agora.”
Ela obedeceu de primeira, sem comenta r, saindo do carro e batendo a
porta atrás dela. Ela
havia sentido o potencial de desastre tão claramente quanto eu?
Sair a machucou tanto quanto a mim por deixá -la ir? O único consolo é
que eu a veria em
breve. Antes do que ela pudesse me ver. Eu sorri ao pensar nisso e então
desci o vidro e me
debrucei para falar com ela mais uma vez - era seguro agora com o calor
de seu corpo fora
do carro.
Ela se virou para ver o que eu queria, curiosa.
Ainda curiosa, embora ela tivesse me feito tantas perguntas hoje. M inha
própria curiosidade
estava inteiramente insatisfeita; responder as perguntas dela hoje só
haviam me feito revelar
meus segredos - eu tinha tirado pouco dela a não ser por minhas
suposições. Isso não era
justo.
“Oh, Bella.”
“Sim?”
“Amanhã é minha vez.”
Su a testa se enrugou. “Sua vez de quê?”
“Fazer perguntas.” Amanhã, quando estivéssemos em um lugar mais
seguro, cercado de
testemunhas, eu conseguiria minhas próprias respostas. Eu sorri com
esse pensamento e
depois eu me virei, porque ela não fez sinal d e se afastar. Mesmo com ela
fora do carro, o
eco da eletricidade moveu-se rapidamente no ar. Eu queria sair também ir
com ela até a
porta, para ter uma desculpa para ficar ao seu lado.
Sem mais erros. Eu liguei o carro e depois suspirei enquanto ela desapa
recia atrás de mim.
Parecia que eu estava sempre correndo em direção à Bella ou correndo
dela, nunca ficando
no lugar. Eu tinha que achar u m jeito de me segurar se algu m dia nós
tivéssemos um pouco
de paz.
.
Nenhum comentário:
Postar um comentário